A estadia em Savusavu prolongou-se por mais dias do que inicialmente previsto porque o tempo não estava favorável. Ventos de Sul de 30 nós, com rajadas até 40, com o mar com a agitação correspondente - "rough to very rough seas" anunciava o Curly em cada manhã. Aconselhando os navegantes: "be patient and enjoy Savusavu". E assim fizemos!
Comemos em terra muitas vezes, geralmente na companhia de outras tripulações, frequentemente na "Copra Shed Marina" que tinha um restaurante, "Captain's Table", com comida bem confeccionada e agradável, e um snackbar com pizzas ou pastas, e um bar para o qual nos podiam levar as pizzas.
Outras vezes comemos no "Surf and Turf" onde o prato mais original era bife com lagosta, o verdadeiro "surf and turf", além de pratos de bom peixe e vários pratos de caril saborosos, como seria de esperar uma vez que os donos são indianos.
Comer fora e fazer compras em Fiji não é caro.
Foram dias bem passados, excepto os dois primeiros, em que choveu a cântaros. Numa das noites choveu tanto que na manhã seguinte encontrámos o dinghy com água por mais de metade, e com o depósito da gasolina a boiar virado para baixo!...
Felizmente encontrámos um bom sistema para termos wifi, com um SIM Card da Vodafone Fiji introduzido no iPAD, servindo como hotspot para computadores e telefones. Assim tínhamos wifi em todo o lado, incluindo no barco, e até a navegar desde que perto da costa. Um luxo, para nós que temos tido grandes dificuldades com os acessos à internet nesta viagem!
Assistimos também à passagem da banda da polícia, que diariamente se passeava pela rua principal da cidade, porque era a semana de uma campanha contra o crime. A banda era óptima, com a particularidade de ter uma coreografia especial, imitando a certa altura o disparar de armas com os instrumentos musicais, e dançando enquanto tocavam. Um dos elementos da banda destacava-se a certa altura do conjunto e dançava, e era frequentemente uma jovem da assistência vir dançar com ele, de forma bem provocante e sensual. Enfim, uma banda original, e dava gosto "ficar a ver a banda passar"!...
A maioria da frota encontrou-se "presa" em Savusavu, e as conversas giravam à volta do tempo e da meteorologia, com vários barcos a recorrerem aos serviços do Curly.
Tínhamos decidido limpar o casco e pôr anti-fouling em Fiji, certamente muito mais económico que na Austrália. Marcámos a Marina e a subida do barco na Vuda Marina, na costa oeste de Viti Levu, para os dias 23 ou 24 de Junho. Queríamos fazer o trajecto por etapas ao longo da costa norte de Viti Levu, dentro da lagoa, onde as cartas e os waypoints aconselhados pelo Curly seriam de grande ajuda. Fundearíamos de noite e deslocar-nos-íamos de dia, em etapas de 50-60 milhas cada. Assim que o vento baixou um pouco e o tempo o permitiu, ficou decidido sairmos de Savusavu de manhã cedo no Domingo 20, tendo por companhia o Exody, que decidiu a mesma coisa.
Na véspera à noite fomos jantar ao Surf and Turf, que tinha um menu especial de Sábado à noite, e que estava praticamente por conta da frota da World ARC. Vários barcos sairiam na manhã seguinte para fazerem o trajecto pela costa este e sul de Viti Levu, e outros sairiam na segunda-feira. Foi um jantar de despedida animado, pois já todos estávamos com vontade de conhecer mais de Fiji.
Allegro (no Mediterrâneo)
Allegro nas Baleares
sexta-feira, 26 de junho de 2015
DOMINGO, 14 DE JUNHO A QUINTA-FEIRA, 18 DE JUNHO DE 2015
GRUPO LAU - SAVUSAVU, NA ILHA VANU LEVU
Saímos de manhã de Daliconi, com o "Aretha" - com a sua tripulação familiar, os pais, Caspar e Nicholas, e os 3 filhos, Bluebell, Columbus e Wilow (respectivamente 10, 8 e 3 anos). Seguimos o trajecto da véspera em sentido inverso até estarmos frente à passagem Quilaquila, pela qual passámos para fora da lagoa, ficando em mar aberto. Inicialmente estava pouco vento, mas mais tarde tivemos o suficiente para podermos velejar, na maior parte das 120 milhas do trajecto.
Chegámos na manhã seguinte a Savusavu, uma baía que entra pela terra dentro numa grande extensão, com dezenas e dezenas de barcos em bóias. Tínhamos marcado lugar na "Copra Shed Marina" constituída por uns pequenos pontões, completamente cheios de barcos e várias bóias de amarração. Pediram desculpa por não terem lugar para nós, mas nenhum barco se tinha ido embora porque a meteorologia tinha piorado e ninguém queria deixar aquele porto abrigado.
Depois de chamarmos sem resposta a "marina" alternativa, Waitui Marina, constituída apenas por bóias, um pequeno edifício e um pontão, ambos em estado bastante degradado, decidimos agarrar uma bóia livre e aí prender o barco. Na realidade, a bóia pertencia à Marina Waitui, e apareceu-nos mais tarde num pequeno barco, o Asseri, e tudo ficou regularizado; só tínhamos que ir pagar a bóia antes de sairmos, eram 10 dólares fijianos por dia (1 Dólar Fijiano é cerca de 5 €).
Quase em frente a nós estava uma casa flutuante com um veleiro atracado, e com o dístico "M V Curly" e o dono acenou-nos amigavelmente. Um personagem! Com uma longa barba branca, cabelo comprido e óculos na ponta do nariz, parecia um Pai Natal, e tinha uma cara tão agradável como ele! O Curly desempenha um papel muito importante para os velejadores em Savusavu. Tem uma emissão diária em VHF, às 0800 da manhã, que começa com: "Goooood Mooooorning, Savusavu!" E da a informação meteorológica, seguida de várias informações locais e anúncios de restaurantes e lojas, e se coloca à disposição para responder a perguntas dos ouvintes para ajudar a resolver problemas dos barcos. Além dessa funções, tem ainda algumas bóias que aluga, vende cartas com waypoints marcados para se navegar nas Fiji, dá conselhos sobre os melhores trajectos e ancoradouros, e faz amostras para a pesca, que são absolutamente garantidas, desde que... se ponham na água!... É um neozelandês que vive em Fiji há mais de 40 anos, que durante muitos anos fez transporte de veleiros, 60% das vezes em solitário! actividade que deixou "por já estar velho demais para isso".
Fomos falar com ele e comprar as cartas para o trajecto que nos interessava, e comprámos 2 amostras para pesca.
Savusavu é uma cidade construída essencialmente à volta de uma rua principal, com casas um tanto degradadas, mas com muito colorido, cheias de anúncios a explicarem que tipo de actividade comercial tem cada uma, e muito movimento. A população é constituída por sobretudo por nativos Melanesios e indianos, bastantes chineses, neozelandeses e outros descendentes de europeus.
Tem um mercado muitíssimo bem fornecido com grande variedade e quantidade de frutas e legumes. Aí comprámos também um feixe de raízes de cava, já preparado para ser oferecido com uma fita de embrulho colorida.
Os supermercados também estão bem fornecidos, e é fácil encontrar quase tudo, desde que não se procurem coisas sofisticadas.
O World Cruising Club propôs que se organizasse um movimento de ajuda ao povo de Vanuatu que este ano sofreu um ciclone que causou muitos estragos. O WCC deu uma ajuda em dinheiro importante e cada barco contribui com o que decidir. A responsável por organizar as coisas foi a Christiane (A Plus 2), e Savusavu foi o local escolhido. Depois de reunir as senhoras dos vários barcos, decidiu-se em que gastar o dinheiro da WCC (colchões, tendas, cobertores, ferramentas várias, etc) e como pediam panelas grandes, tamanho 36 de preferência, entre outras coisas, resolveu-se que cada barco comprava um panelão desses e o enchei como entendesse com os artigos sugeridos numa longa lista. Conclusão: esgotaram-se os panelões 36 em Savusavu, além de terem sofrido uma inflação súbita de mais de 50% quando a população se apercebeu que de repente vários barcos os procuravam. Lá conseguimos encontrar um panelão, que enchemos com pratos, tigelas, copos, talheres, e algumas roupas. A dificuldade foi encaixá-lo no barco!...
Saímos de manhã de Daliconi, com o "Aretha" - com a sua tripulação familiar, os pais, Caspar e Nicholas, e os 3 filhos, Bluebell, Columbus e Wilow (respectivamente 10, 8 e 3 anos). Seguimos o trajecto da véspera em sentido inverso até estarmos frente à passagem Quilaquila, pela qual passámos para fora da lagoa, ficando em mar aberto. Inicialmente estava pouco vento, mas mais tarde tivemos o suficiente para podermos velejar, na maior parte das 120 milhas do trajecto.
Chegámos na manhã seguinte a Savusavu, uma baía que entra pela terra dentro numa grande extensão, com dezenas e dezenas de barcos em bóias. Tínhamos marcado lugar na "Copra Shed Marina" constituída por uns pequenos pontões, completamente cheios de barcos e várias bóias de amarração. Pediram desculpa por não terem lugar para nós, mas nenhum barco se tinha ido embora porque a meteorologia tinha piorado e ninguém queria deixar aquele porto abrigado.
Depois de chamarmos sem resposta a "marina" alternativa, Waitui Marina, constituída apenas por bóias, um pequeno edifício e um pontão, ambos em estado bastante degradado, decidimos agarrar uma bóia livre e aí prender o barco. Na realidade, a bóia pertencia à Marina Waitui, e apareceu-nos mais tarde num pequeno barco, o Asseri, e tudo ficou regularizado; só tínhamos que ir pagar a bóia antes de sairmos, eram 10 dólares fijianos por dia (1 Dólar Fijiano é cerca de 5 €).
Quase em frente a nós estava uma casa flutuante com um veleiro atracado, e com o dístico "M V Curly" e o dono acenou-nos amigavelmente. Um personagem! Com uma longa barba branca, cabelo comprido e óculos na ponta do nariz, parecia um Pai Natal, e tinha uma cara tão agradável como ele! O Curly desempenha um papel muito importante para os velejadores em Savusavu. Tem uma emissão diária em VHF, às 0800 da manhã, que começa com: "Goooood Mooooorning, Savusavu!" E da a informação meteorológica, seguida de várias informações locais e anúncios de restaurantes e lojas, e se coloca à disposição para responder a perguntas dos ouvintes para ajudar a resolver problemas dos barcos. Além dessa funções, tem ainda algumas bóias que aluga, vende cartas com waypoints marcados para se navegar nas Fiji, dá conselhos sobre os melhores trajectos e ancoradouros, e faz amostras para a pesca, que são absolutamente garantidas, desde que... se ponham na água!... É um neozelandês que vive em Fiji há mais de 40 anos, que durante muitos anos fez transporte de veleiros, 60% das vezes em solitário! actividade que deixou "por já estar velho demais para isso".
Fomos falar com ele e comprar as cartas para o trajecto que nos interessava, e comprámos 2 amostras para pesca.
Savusavu é uma cidade construída essencialmente à volta de uma rua principal, com casas um tanto degradadas, mas com muito colorido, cheias de anúncios a explicarem que tipo de actividade comercial tem cada uma, e muito movimento. A população é constituída por sobretudo por nativos Melanesios e indianos, bastantes chineses, neozelandeses e outros descendentes de europeus.
Tem um mercado muitíssimo bem fornecido com grande variedade e quantidade de frutas e legumes. Aí comprámos também um feixe de raízes de cava, já preparado para ser oferecido com uma fita de embrulho colorida.
Os supermercados também estão bem fornecidos, e é fácil encontrar quase tudo, desde que não se procurem coisas sofisticadas.
O World Cruising Club propôs que se organizasse um movimento de ajuda ao povo de Vanuatu que este ano sofreu um ciclone que causou muitos estragos. O WCC deu uma ajuda em dinheiro importante e cada barco contribui com o que decidir. A responsável por organizar as coisas foi a Christiane (A Plus 2), e Savusavu foi o local escolhido. Depois de reunir as senhoras dos vários barcos, decidiu-se em que gastar o dinheiro da WCC (colchões, tendas, cobertores, ferramentas várias, etc) e como pediam panelas grandes, tamanho 36 de preferência, entre outras coisas, resolveu-se que cada barco comprava um panelão desses e o enchei como entendesse com os artigos sugeridos numa longa lista. Conclusão: esgotaram-se os panelões 36 em Savusavu, além de terem sofrido uma inflação súbita de mais de 50% quando a população se apercebeu que de repente vários barcos os procuravam. Lá conseguimos encontrar um panelão, que enchemos com pratos, tigelas, copos, talheres, e algumas roupas. A dificuldade foi encaixá-lo no barco!...
SÁBADO, 13 DE JUNHO DE 2015
Bavatu - Aldeia de Daliconi
Novamente a longa fila indiana de barcos se deslocou nesta manhã da enseada abrigada e acolhedora de Bavatu, para um novo destino. Rodeámos a Ilha de Vanubalavu pelo norte, dirigindo-nos à costa oeste, onde ficava a "Bay of the Islands". A razão de ser deste nome só se conseguiu compreender quando lá chegámos: trata-se de uma baía extensa semeada de montes de pequenas ilhotas, como cogumelos, porque têm uma base calcária, redonda na maior parte delas, com a base mais desgastada pela erosão, e coberta por um grande tufo de vegetação. A fila de barcos foi descrevendo sss, numa gincana entre ilhas, e só possível por quem conhecesse o caminho, pois com o grau de (pouca) precisão das cartas não era possível. Foi um passeio inesquecível, de uma grande beleza.


Chegámos ao destino ao fim da manhã, almoçámos a bordo, e fomos para terra, onde nos esperavam os habitantes da aldeia de Daliconi, para as boas vindas, e a "feast" - uma festa preparada pelos nativos, com comida típica feita por eles, canções e danças. Fomos de boleia com o Jean do A Plus 2, que foi depois com o Luís buscar mais tripulantes de outro barco. Assim, ficámos em terra o Rui, a Christiane e eu. Entrámos na aldeia, onde estava preparada uma zona com cadeiras debaixo de um grande toldo para se assistir ao espectáculo, ao lado de uma mesa já com algumas "iguarias". Sentámos-nos para nos abrigarmos da chuva que começara a cair e eu fui literalmente adoptada pelas crianças!... Vieram ter connosco, e fomo-nos apresentando mutuamente. Eram crianças entre os 5 e 7 anos, três meninas e dois rapazes. Duas delas deram-me a mão e andaram a mostrar-me a aldeia, com os outros atrás. Foi muito engraçado!

Os habitantes da aldeia juntaram-se na praia para receberem os convidados para o festim, com música e canções.
começámos por beber água dos côcos. seguiram-se as danças e cânticos, e finalmente serviram-nos um "banquete" de comida local, que incluia um porco assado.
A Festa estendeu-se por um longo período, até depois de anoitecer e foi muito agradável, apesar da chuva miudinha que caiu intermitentemente.
Novamente a longa fila indiana de barcos se deslocou nesta manhã da enseada abrigada e acolhedora de Bavatu, para um novo destino. Rodeámos a Ilha de Vanubalavu pelo norte, dirigindo-nos à costa oeste, onde ficava a "Bay of the Islands". A razão de ser deste nome só se conseguiu compreender quando lá chegámos: trata-se de uma baía extensa semeada de montes de pequenas ilhotas, como cogumelos, porque têm uma base calcária, redonda na maior parte delas, com a base mais desgastada pela erosão, e coberta por um grande tufo de vegetação. A fila de barcos foi descrevendo sss, numa gincana entre ilhas, e só possível por quem conhecesse o caminho, pois com o grau de (pouca) precisão das cartas não era possível. Foi um passeio inesquecível, de uma grande beleza.


Chegámos ao destino ao fim da manhã, almoçámos a bordo, e fomos para terra, onde nos esperavam os habitantes da aldeia de Daliconi, para as boas vindas, e a "feast" - uma festa preparada pelos nativos, com comida típica feita por eles, canções e danças. Fomos de boleia com o Jean do A Plus 2, que foi depois com o Luís buscar mais tripulantes de outro barco. Assim, ficámos em terra o Rui, a Christiane e eu. Entrámos na aldeia, onde estava preparada uma zona com cadeiras debaixo de um grande toldo para se assistir ao espectáculo, ao lado de uma mesa já com algumas "iguarias". Sentámos-nos para nos abrigarmos da chuva que começara a cair e eu fui literalmente adoptada pelas crianças!... Vieram ter connosco, e fomo-nos apresentando mutuamente. Eram crianças entre os 5 e 7 anos, três meninas e dois rapazes. Duas delas deram-me a mão e andaram a mostrar-me a aldeia, com os outros atrás. Foi muito engraçado!

Os habitantes da aldeia juntaram-se na praia para receberem os convidados para o festim, com música e canções.
começámos por beber água dos côcos. seguiram-se as danças e cânticos, e finalmente serviram-nos um "banquete" de comida local, que incluia um porco assado.
A Festa estendeu-se por um longo período, até depois de anoitecer e foi muito agradável, apesar da chuva miudinha que caiu intermitentemente.
SEXTA-FEIRA, 12 DE JUNHO DE 2015
No dia seguinte, sexta-feira, 12 de Junho, foi decidido que deixaríamos Lomaloma e iríamos para uma outra baía, chamada Bavatu ou "Turquoise Harbour" o Porto Turquesa, dada a cor da água!
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| Barcos "em terra", no plotter. |
Na Baía de Lomaloma estavam fundeados não só os barcos da World ARC como também os cerca de 25 barcos da ICA, e assim, como fora indicado irmos em fila atrás uns dos outros por causa das dificuldades da cartografia, deslocou-se uma frota de perto de 40 barcos, em fila, aos esses pelo meio dos recifes, num dia inicialmente nublado mas que, a pouco e pouco, foi cedendo lugar ao sol, de tal modo que à chegada à baía de Bavatu pudemos apreciar, realmente, a cor turquesa da água.
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| Entrada na Baía de Bavatu |
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| Bavatu Yacht Club |
Bavatu é uma baía muito recortada, bem protegida, rodeada de mangais, com um pequeno pontão para dinghies pertencente ao Yacht Club.
Fundeámos em cerca de 18 metros. Pouco depois vieram a bordo os Oficiais da Emigração e da Alfândega, e, finalmente, passámos a poder sair do barco para pôr o pé em terras de Fiji!

E assim foi, nessa tarde. Próximo do pontão para os dinghies, num terreno plano com erva aparada sobre a qual tinham colocado uma manta, sentámos-nos todos no chão, de pernas cruzadas, para o cerimonial do "sevu-sevu". Passamos a explicar do que se trata.

E assim foi, nessa tarde. Próximo do pontão para os dinghies, num terreno plano com erva aparada sobre a qual tinham colocado uma manta, sentámos-nos todos no chão, de pernas cruzadas, para o cerimonial do "sevu-sevu". Passamos a explicar do que se trata.
O povo de Fiji tem uma cultura Melanésia muito tradicional. Cada aldeia tem um grau elevado de autonomia. Há um chefe mais velho, e um conjunto de governantes mais velhos, assim como um chefe cujo papel é certificar-se que a aldeia funciona como um todo no dia a dia - há jardins comunitários, e projectos comuns a toda a aldeia.
Quando se lança âncora próximo de uma aldeia, é importante visitar o chefe mais velho logo que possível. Será considerado ofensivo ou má educação, ir nadar ou mergulhar antes de se receberem as bênçãos do chefe. Se se tiver uma audiência com o chefe da aldeia, é mandatário chegar com uma oferenda de “cava”, a raiz seca com a qual se faz a bebida nacional de Fiji. A cerimónia é chamada “sevu-sevu”. O chefe abençoará a cava e abençoará também os visitantes que lha ofereceram. Por vezes, poderá preparar a cava e bebê-la com eles. Seguidamente, convirá-los-á para fazerem parte da aldeia, para pescarem nas águas da aldeia, para participar nas funções sociais da aldeia, e ficar sob a protecção da aldeia.
A cava é bebida casualmente pelos homens da aldeia, pelo menos um par de noites por semana. Nessas ocasiões, há ainda algum grau de cerimónia, embora não tão formal como na cerimónia de sevu-sevu.
Foi uma cerimónia interessante, feita com alguma formalidade. No final, bebemos uma taça de cava, cujo sabor era muito melhor que a cava que tínhamos provado em Tonga, felizmente.
Quando se lança âncora próximo de uma aldeia, é importante visitar o chefe mais velho logo que possível. Será considerado ofensivo ou má educação, ir nadar ou mergulhar antes de se receberem as bênçãos do chefe. Se se tiver uma audiência com o chefe da aldeia, é mandatário chegar com uma oferenda de “cava”, a raiz seca com a qual se faz a bebida nacional de Fiji. A cerimónia é chamada “sevu-sevu”. O chefe abençoará a cava e abençoará também os visitantes que lha ofereceram. Por vezes, poderá preparar a cava e bebê-la com eles. Seguidamente, convirá-los-á para fazerem parte da aldeia, para pescarem nas águas da aldeia, para participar nas funções sociais da aldeia, e ficar sob a protecção da aldeia.
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| Preparativos para o Sevu-sevu |
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| Preparação da cava |
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| Luís a beber a cava |
O final do dia passou-se em terra, em convívio com as outras tripulações, a saber as últimas novidades de cada um, pois há sempre novidades e planos variados em cada etapa!...
QUINTA-FEIRA, 11 DE JUNHO DE 2015 - FIJI 1
FIJI -Alguns dados gerais
Fiji é um país constituído por 332 ilhas, das quais pelos menos 100 não são habitadas.As ilhas situam-se entre 15 e 20 graus de latitude Sul, e abraçam o meridiano 180. Fiji é um dos pontos do globo onde começa o novo dia!
A maior ilha é Viti Levu, onde fica a capital, Suva. A segunda ilha em tamanho e importância é Vanua Levu, com a principal cidade, Savusavu.
A Este há um grupo de ilhas chamado "Grupo Lau", e estas são as primeiras ilhas que se encontram quando se vem de Tonga. São consideradas das ilhas mais bonitas de Fiji.
Anteriormente não se podia fazer a entrada no país por este grupo de ilhas, mas recentemente alterou-se o sistema e agora já é possível fazer o checkin oficial do pais em Lomaloma, a principal povoação desse grupo. Este facto permite, a quem vem de Tonga, visitar estas ilhas primeiro, e prosseguir para as outras ilhas aproveitando a direcção predominante dos ventos, que são os alísios de Sul e que sopram de Sueste e de Este.
Na zona noroeste de Viti Levu e na costa norte de Vanua Levu encontra-se a maior parte das plantações de cana de açúcar, que constitui a principal exportação de Fiji.
O clima é marítimo tropical, sem grandes extremos de calor ou frio. Situa-se numa área afectada por ciclones, na sua maioria confinados ao período entre Novembro e Abril, e mais frequentemente em Janeiro e Fevereiro. Em média, 10 a 12 ciclones por década afectam alguma parte de Fiji, e 2 a 3 provocam danos graves.
As áreas costeiras de Sueste e as montanhas do interior apresentam um tempo nublado, persistentemente húmido. A chuva é abundante no Verão
Fiji era, até 1972, parte da British Commonwealth.
A população das Fiji é constituída quase em partes iguais por indígenas Melanésios, e por descendentes de indianos trazidos pelos ingleses no final do século XIX para trabalharem nas plantações de cana de açúcar. Existe ainda uma minoria de chineses e descendentes de europeus.
Os indianos de Fiji têm uma aptidão natural para o comércio que os indígenas não têm, tendo adquirido o domínio do comércio de Fiji e, após terem obtido poder económico, passaram naturalmente a ter também ambições políticas. Os governantes, indígenas Melanésios, com receio de perderem o controle do país, e certamente algum grau de identidade, após um golpe de estado, proibiram qualquer indiano de ter cargos políticos. Os indianos argumentaram que, após 100 anos e 4 gerações a viverem nas Fiji, são tão Fijianos como os indígenas Melanésios. Nessa altura a Grã Bretanha apoiou os indianos, e Fiji abandonou a Commonwealth em 1972.
Há muita tensão étnica em Fiji, que já tem originado violência e golpes de estado. No entanto, tem sido um país seguro para os visitantes, excepto ocasionalmente em Suva e Lautoka. De um modo geral ambas as etnias são amigáveis e procuram ser úteis para os visitantes.
CHEGADA A FIJI
A cartografia em Fiji apresenta erros significativos, pelo que navegar por aqui tem que ser feito com muito cuidado e atenção, não se podendo confiar no que mostra a carta, tendo que ser feita em muitas áreas, navegação “à vista”.
No Grupo Lau encontrámos um erro persistente de 0,5 milha nas cartas Navionics do plotter, o que numa zona cheia de recifes e cabeças de coral é muitíssimo! As cartas Navionics no iPAD estão muito mais correctas, mas também, segundo elas, teremos passado em cima de alguns recifes, ou teríamos embatido noutros que não estavam na carta. Felizmente é um dado conhecido e estávamos avisados.
Na zona mais a Norte do Grupo Lau, há uma colecção de 6 ilhas chamadas, nas cartas inglesas, “The Exploring Islands”. Estão rodeadas por uma larga barreira de coral, e partilham a mesma lagoa.
A ilha maior é Vanuabalavu. Nela, segundo os guias, é sempre possível encontrar uma zona para ancorar calma, sem vento, serena, seja qual for a direcção do vento, dada a forma da ilha, muito recortada.
A principal povoação é Lomaloma, e a entrada para a lagoa mais próxima dessa vila é a “Tongan Passage”, nome que se justifica plenamente, pois é o melhor passe para quem vem de Tonga.


Depois de 3 dias de viagem, chegámos à “Tongan Passage” pelas 10.30 h. Tínhamos waypoints para a passagem. Um deles, que estava no meio da passagem, aparecia no plotter como estando em pleno recife! Mesmo sabendo que o waypoint estava certo, e tendo visto todos os barcos no plotter a passarem “por cima do recife” ao entrarem na lagoa, não deixou de nos fazer sentir pouco confortáveis e seguros!… após fundearmos na baía próximo de Lomaloma, todos os barcos estavam, no plotter, fundeados… em terra! Enfim, valeu-nos o conselho de só se entrar com a luz da manhã, os waypoints e a experiência dos que entraram antes de nós, porque o plotter… era para esquecer!
Vieram primeiro a bordo a oficial da Saúde e Quarentena, e a responsável pela organização de apoio aos barcos visitantes, a “Yacht Help”, duas Fijianas muito simpáticas que, após alguma dificuldade para subirem a bordo (a popa do Allegro é pequena, e tem tanta coisa lá instalada (piloto de vento, hidrogerador, balsa, bóias de homem ao mar, antena de SSB), nos cumprimentaram logo com “Bula”, o olá em fijiano!
Correu tudo bem, mas não pudemos ir a terra nesse dia, porque tínhamos que ser visitados primeiro pela Alfândega e a Polícia, o que acabou por ficar para o dia seguinte.
Fiji é um país constituído por 332 ilhas, das quais pelos menos 100 não são habitadas.As ilhas situam-se entre 15 e 20 graus de latitude Sul, e abraçam o meridiano 180. Fiji é um dos pontos do globo onde começa o novo dia!
A maior ilha é Viti Levu, onde fica a capital, Suva. A segunda ilha em tamanho e importância é Vanua Levu, com a principal cidade, Savusavu.
A Este há um grupo de ilhas chamado "Grupo Lau", e estas são as primeiras ilhas que se encontram quando se vem de Tonga. São consideradas das ilhas mais bonitas de Fiji.
Anteriormente não se podia fazer a entrada no país por este grupo de ilhas, mas recentemente alterou-se o sistema e agora já é possível fazer o checkin oficial do pais em Lomaloma, a principal povoação desse grupo. Este facto permite, a quem vem de Tonga, visitar estas ilhas primeiro, e prosseguir para as outras ilhas aproveitando a direcção predominante dos ventos, que são os alísios de Sul e que sopram de Sueste e de Este.
Na zona noroeste de Viti Levu e na costa norte de Vanua Levu encontra-se a maior parte das plantações de cana de açúcar, que constitui a principal exportação de Fiji.
O clima é marítimo tropical, sem grandes extremos de calor ou frio. Situa-se numa área afectada por ciclones, na sua maioria confinados ao período entre Novembro e Abril, e mais frequentemente em Janeiro e Fevereiro. Em média, 10 a 12 ciclones por década afectam alguma parte de Fiji, e 2 a 3 provocam danos graves.
As áreas costeiras de Sueste e as montanhas do interior apresentam um tempo nublado, persistentemente húmido. A chuva é abundante no Verão
Fiji era, até 1972, parte da British Commonwealth.
A população das Fiji é constituída quase em partes iguais por indígenas Melanésios, e por descendentes de indianos trazidos pelos ingleses no final do século XIX para trabalharem nas plantações de cana de açúcar. Existe ainda uma minoria de chineses e descendentes de europeus.
Os indianos de Fiji têm uma aptidão natural para o comércio que os indígenas não têm, tendo adquirido o domínio do comércio de Fiji e, após terem obtido poder económico, passaram naturalmente a ter também ambições políticas. Os governantes, indígenas Melanésios, com receio de perderem o controle do país, e certamente algum grau de identidade, após um golpe de estado, proibiram qualquer indiano de ter cargos políticos. Os indianos argumentaram que, após 100 anos e 4 gerações a viverem nas Fiji, são tão Fijianos como os indígenas Melanésios. Nessa altura a Grã Bretanha apoiou os indianos, e Fiji abandonou a Commonwealth em 1972.
Há muita tensão étnica em Fiji, que já tem originado violência e golpes de estado. No entanto, tem sido um país seguro para os visitantes, excepto ocasionalmente em Suva e Lautoka. De um modo geral ambas as etnias são amigáveis e procuram ser úteis para os visitantes.
CHEGADA A FIJI
A cartografia em Fiji apresenta erros significativos, pelo que navegar por aqui tem que ser feito com muito cuidado e atenção, não se podendo confiar no que mostra a carta, tendo que ser feita em muitas áreas, navegação “à vista”.
No Grupo Lau encontrámos um erro persistente de 0,5 milha nas cartas Navionics do plotter, o que numa zona cheia de recifes e cabeças de coral é muitíssimo! As cartas Navionics no iPAD estão muito mais correctas, mas também, segundo elas, teremos passado em cima de alguns recifes, ou teríamos embatido noutros que não estavam na carta. Felizmente é um dado conhecido e estávamos avisados.
Na zona mais a Norte do Grupo Lau, há uma colecção de 6 ilhas chamadas, nas cartas inglesas, “The Exploring Islands”. Estão rodeadas por uma larga barreira de coral, e partilham a mesma lagoa.
A ilha maior é Vanuabalavu. Nela, segundo os guias, é sempre possível encontrar uma zona para ancorar calma, sem vento, serena, seja qual for a direcção do vento, dada a forma da ilha, muito recortada.
A principal povoação é Lomaloma, e a entrada para a lagoa mais próxima dessa vila é a “Tongan Passage”, nome que se justifica plenamente, pois é o melhor passe para quem vem de Tonga.


Depois de 3 dias de viagem, chegámos à “Tongan Passage” pelas 10.30 h. Tínhamos waypoints para a passagem. Um deles, que estava no meio da passagem, aparecia no plotter como estando em pleno recife! Mesmo sabendo que o waypoint estava certo, e tendo visto todos os barcos no plotter a passarem “por cima do recife” ao entrarem na lagoa, não deixou de nos fazer sentir pouco confortáveis e seguros!… após fundearmos na baía próximo de Lomaloma, todos os barcos estavam, no plotter, fundeados… em terra! Enfim, valeu-nos o conselho de só se entrar com a luz da manhã, os waypoints e a experiência dos que entraram antes de nós, porque o plotter… era para esquecer!
Vieram primeiro a bordo a oficial da Saúde e Quarentena, e a responsável pela organização de apoio aos barcos visitantes, a “Yacht Help”, duas Fijianas muito simpáticas que, após alguma dificuldade para subirem a bordo (a popa do Allegro é pequena, e tem tanta coisa lá instalada (piloto de vento, hidrogerador, balsa, bóias de homem ao mar, antena de SSB), nos cumprimentaram logo com “Bula”, o olá em fijiano!
Correu tudo bem, mas não pudemos ir a terra nesse dia, porque tínhamos que ser visitados primeiro pela Alfândega e a Polícia, o que acabou por ficar para o dia seguinte.
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