Allegro (no Mediterrâneo)

Allegro (no Mediterrâneo)
Allegro nas Baleares

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

SEXTA-FEIRA 13 DE FEVEREIRO DE 2015

15 February 2015


Sexta-feira dia 13 …

Todos parecíamos com pouca vontade de arrancar, houve até quem perguntasse, pelo VHF, se a hora da largada tinha sido alterada.
Mas às 11:00 estávamos já a caminho.

Largámos com 15-16 nós, já então com sinais do vento ir aumentar. Largámos, quase todos, com as velas rizadas.
A parte inicial do caminho exige alguma atenção devido à pouca água que existe por vezes, mas depois de ultrapassada a navegação é simples e pudemos passar a dar mais atenção ao vento e ao mar.
Vento e mar que foram aumentando de uma forma constante, devagar mas sempre a aumentar.
Manteve esta tendência durante toda a tarde e continuou durante a noite de forma a manter velocidades de vento primeiro sempre acima dos 20 nós primeiro e depois, mais tarde pela noite dentro, sempre acima dos 30. Para tornar a situação mais emocionante, atravessámos uma zona de tráfego mais intenso com barcos em posição e com rumo a necessitar de contacto por VHF para garantir que nos viam e que se iam desviar.
Tudo se foi resolvendo, e o Allegro portou-se realmente bem.
Não houve quartos, estávamos no poço quando era preciso. As rajadas mais intensas (algumas) ultrapassaram os 42 nós, a velocidade máxima do Allegro os 11 nós. O barco manteve um andamento, por vários períodos de tempo de ora 7 ora 8 ora mesmo 9 nós de velocidade. Tudo se foi passando de uma forma cautelosa mas bastante trabalhosa. Houve uma ou outra cambadela tendo-se um dos mordedores do moitão da vela grande partido. Já foi substituído.
Já pela madrugada dentro, o mar e o vento foram-se apaziguando, também progressivamente, seguindo-se uma tranquilidade que nos permitiu recuperar.
Agora estamos há 36 horas a motor porque o vento continua abaixo dos 5 nós.
Mantemo-nos a singrar para SW à procura dos ventos de Leste.
Um pormenor que me chamou a atenção - no Oceano Atlântico, a intensidade de vento que tivemos, desencadearia um comportamento do mar muito pior.

QUINTA-FEIRA, 05 A SÁBADO, 07 DE FEVEREIRO DE 2015 - CIDADE DO PANAMA

15 February 2015

Na 5ªFeira, dia 5, fizemos um “tour” pela Cidade do Panamá, que nos levou primeiro ao ponto mais alto da cidade, para vermos a vista e compreendermos melhor a disposição da cidade. Atravessámos depois a Puente del Centenario, que nos permitiu ver, de terra, as eclusas de Pedro Miguel e Miraflores que atravessáramos na véspera. E, nessa zona, circundada por montes elevados constituídos por terreno de grande dureza, vimos o “Colebra Cut”, assim designado pela sua tortuosidade. Esta foi a porção do Canal de mais difícil construção, pela dureza do terreno, e onde o número de mortes de trabalhadores foi maior.
O “tour” terminou no “Casco Viejo”, isto é, na parte antiga da Cidade do Panamá. Está em fase de recuperação, com vários edifícios já recuperados, alguns muito bonitos. Mas tem ainda muitos muito degradados. Dentro de uns anos, depois de muito trabalho, poderá vir a ficar muito bonita. Por lá reencontrámos as Índias Guna a venderem as suas “molas”, mais baratas do que em San Blas…
Almoçámos no “Mercado Marítimo”, zona popular com o mercado de peixe e várias esplanadas à volta para se comer “ceviche”, peixe frito ou marisco.
A Margarida e Ricardo deixaram o Allegro no dia 5. Estava combinado desde Lisboa que o fariam na Cidade do Panamá. Como ainda têm dias de férias ficaram uns ias num Hotel na Cidade e foram depois para Contadora, em Las Perlas, onde voltámos a estar juntos.
Fomos jantar com eles à parte moderna da cidade, a zona dos arranha-céus. São imensos, construídos todos nos últimos 14 anos. Visto de longe é muito bonito, tem bom aspecto, e a vista da Marina de Flamenco para a zona dos prédios ao final do dia, ou durante a noite, é bonita. Quando se chega perto, tudo o que é infra-estruturas, e aspectos de pormenor, é incrível. Os passeios com buracos enormes, inesperados e não assinalados; os fios eléctricos das ruas todos à vista, em molhes pendurados dos postes; uma ribeira poluída, a céu aberto passa entre dois arranha-céus… Enfim, uma balbúrdia e uma desordem.
Mas achámos que eles são um povo alegre, que gosta de dançar, cantar e… de jogar. Há casinos com máquinas e mesas de jogo por todo o lado na Cidade do Panamá.
O jantar foi óptimo, num Restaurante de carne, tirámos as saudades de uns bons bifes!…
Abastecemos de gasóleo no dia 6, e mudaram-nos para um pontão mais abrigado do vento, e com fingers, se bem que novamente sem electricidade. Não se pode ter tudo, pelos vistos…
A Marina onde ficámos não tinha lavandaria e a ida a uma lavandaria na cidade foi complicada, sobretudo por falta de informação. Acabámos numa Lavamatix, lavandaria self servicegerida por chineses. A comunidade chinesa é enorme aqui também.
O aprovisionamento do barco fizemo-lo num centro comercial imenso com dezenas (centenas?) de lojas de marca e um grande hipermercado, o Allbrook Mall.
E assim, no final do dia 7, ficámos prontos para zarpar no dia seguinte.

QUARTA-FEIRA 04 DE FEVEREIRO DE 20015

15 February 2015

A noite passou-se muito bem.
O amanhecer foi diferente de todos os outros porque se acompanhou de uma “algazarra” ensurdecedora e assustadora inicialmente por nós atribuída a animais selvagens. Mas a intensidade era tal que nos pareceu que não poderia ter essa origem. Pensámos, então, que se trataria de de um ruído com ponto de partida nas máquinas e obras do alargamento do canal. Só mais tarde, o Advisor nos disse que eram, de facto, macacos que produziam aquele ruído. Imaginar o tamanho dum tal macaco a partir do ruído ouvido era difícil pois a intensidade e a natureza do som propriamente dito sugeriam um enorme animal.

Pelas 07:00 horas começaram a chegar os Advisors.
Soltaram-se as amarras, e o caminho na direcção das eclusas teve início.
Depois tudo se repetiu, nas locas de Pedro Miguel e depois nas de Miraflores. Agora mais “rotinado” o trabalho de encostar e amarrar os barcos, de entrar no canal e parar no sítio indicado foi mais fácil e perfeito. A mudança para um nível mais baixo em relação ao Lago Gatun tornou, ainda mais rápida a passagem destas eclusas.
Quando se abriu de Miraflores o caminho em frente levou-nos ao Pacífico que, diz-se, começar quando se passa por baixo da Ponte América, local onde se ouviram as nossas palmas e um apito da buzina.

Tínhamos chegado ao Oceano Pacífico, sem dúvida outro marco na nossa viagem!
Dirigimo-nos para a Marina de Flamenco onde chegámos e amarrámos a meio da tarde.
Marina de médias e grandes lanchas com condições mais que precárias - sem água e sem electricidade em muitos pontões, sem um segurança em permanência na porta de acesso que está sempre fechada, sem internet, sem casas de banho capazes, com um só outro duche também quase sempre fechado, com as casas de banho que nos foram destinadas muito longe do pontão onde estávamos, em péssimas condições e com acesso, também, para os funcionários do estaleiro, sem lavandaria …
Má, francamente má esta Marina que pratica os preços mais elevados que até agora suportámos.

Encostámos a um pontão novo com muito espaço perto da entrada da Marina, em posição desabrigada. Estavam lá o "Juno” e o "Luna Quest”. O “A Plus 2” já se tinha ido embora.
Durante a tarde fomos a uma pequena reunião na Marina Plaiyta onde ficou parte da frota.
O jantar, com espectáculo ao vivo (dança do ventre) foi agradável.