Allegro (no Mediterrâneo)

Allegro (no Mediterrâneo)
Allegro nas Baleares

sábado, 14 de novembro de 2015

SÁBADO, 14 DE NOVEMBRO DE 2015

Os últimos dois dias do percurso correram bem, entrámos em Richard's Bay antes do mau tempo começar! Nas últimas milhas fomos apanhando corrente favorável, que variou entre 1 e 2,9 nós! Foi óptimo.
Quando nos aproximámos da costa, sentimos um cheiro muito agradável a terra e a plantas muito aromáticas, totalmente inesperado e inesquecível! Já nos tinha acontecido noutras aproximações a terra sentirmos um cheiro diferente, mas este era particularmente agradável!
Já muito próximo da entrada do porto, tivemos a companhia de baleias "humpback" ou baleias jubarte. São muito grandes, 15-16 m, e, apesar do tamanho, dão uns saltos em que saem quase completamente da água, deixando-se em seguida cair de costas! Além desses saltos, põem-se de lado e baterem com a enorme barbatana lateral na água. Por vezes mergulham, deixando-nos ver a barbatana caudal.Também as tínhamos visto na Austrália, e aqui novamente assistimos ao espectáculo com que nos presentearam à chegada! Uma maravilha!
O Vitor, "yellow shirt" veio receber-nos ao canal de acesso à Marina, com o Lin, o vice-comodoro do Zululand Yacht Club, para nos conduzirem até ao nosso pontão, pois os fundos eram baixos, e estava maré baixa.








À chegada ao pontão, fomos presenteados com uma garrafa de champanhe, com a recomendação de a bebermos, a partilharmos, e de darmos também um pouco ao Índico, para lhe agradecer termos tido uma passagem segura e sem incidentes de maior. Assim fizemos, partilhando-a com as tripulações do Wayward Wind e do Chat Eau Bleu, que nos vieram receber também.
Enfim, África recebeu-nos muito bem!!
Nesse dia jantámos no restaurante da Marina, convivendo com as restantes tripulações.
E na quinta-feira, dia 12, tivemos o tour organizado pela WCC, um Safari! Foi no Parque Hluhluwe Umfolosi, um nome quase impossível de pronunciar... Gostámos imenso! Tivemos oportunidade de ver muito de perto elefantes, girafas, rinocerontes, impalas, etc,etc... Só os leões se mantiveram tão ao longe que mal se viram, mesmo com binóculos... Passeámos pelo Parque num jipe aberto, embora com cobertura porque estava um dia chuvoso, durante cerca de 8 horas, com almoço tipo piquenique incluído. Um dia muito bem passado!







 

 














E ontem, sexta-feira, foi o jantar organizado pelo WCC, aqui na Marina, precedido por um espectáculo de danças zulu que valeu a pena ver.
Durante o jantar houve o "prize-giving" sem prémios de competição, uma vez que foi uma perna não competitiva evito à meteorologia.
Houve o  prémio para  a melhor máscara de Halloween (festejado em Reunião), e que foi atribuído, com toda a justiça e aceite por unanimidade, ao Pete Long do Wayward Wind, que se mascarou de mulher fatal e estav impagável, tendo dançado com o Petersburgo do Chat Eau Bleu, e fez rir toda a gente! Foi receber o prémio, fazendo um trejeito com o guardanapo no ombro, a lembrar a echarpe da mulher fatal, o que lhe valeu uma salva de palmas adicional!...
Depois foi o prémio para a "fun competition" que ganhou.... O Allegro!! A pergunta feita era quantas horas de motor faria toda a frota da World ARC desde Reunião até Richards'Bay, e nós tivemos o valor mais aproximado!

E finalmente houve um prémio para a melhor "seamanship" desta perna. E foi para o Ayama, que se desviou da sua rota para ir levar ao Aretha o material necessário para reparar provisoriamente o rigging é poder continuar viagem!
Um "prize-giving" muito mais interessante que o habitual!

DE DOMINGO, 31 DE OUTUBRO A QUARTA-FEIRA, 10 DE NOVEMBRO DE 2015

Há bastante tempo que estou para dar notícias, mas tem sido mais difícil porque esta perna nos tem mantido bastante ocupados.

A preparação para esta perna, “the toughest one” como vem sendo considerada, começou antes da largada, aliás ainda nas Mauritius, onde o tema meteorologia da referida perna foi lançado.
Depois, em La Reunion, foi-se falando e auscultando as diferentes sensibilidades para a situação no sentido de preparar o skippers briefing. É que já se sabia que as condições meteorológicas não eram, de facto, favoráveis.
Nada mesmo. Por isso a competição lhe foi retirada - a perna fazia-se mas sem largada oficial para toda a frota, não seriam contabilizados os tempos, nem a utilização do motor e não haveria entrega dos documentos de chegada.
Finalmente na véspera da “largada”, o Luc (Makena) que vinha revendo a meteo com mais cuidado sugeriu que alguns dos barcos largassem um dia antes para apanharem o mau tempo durante menos tempo. Só um o pôde fazer (Luna Quest).
E com excepção do Tulasi todos largámos no dia previsto mas a horas diferentes.

Depois de termos arranjado uma das bombas de fundo e de termos cheio o depósito de gasóleo, largámos pelas 11:00 horas.
O primeiro dia, muito bom, com o mar a passar de desencontrado a mais coerente, teve momentos de vela muito agradáveis.

Primeiro - o mau tempo.
No 3º dia de viagem (02NOV15), e contando já com a sua chegada, rizámos a vela grande. O vento que durante a tarde se mantivera de NNE entre os 17 e 20 nós aumentou, não baixando, a partir da meia noite, dos 23 nós.
Com o aproximar da chegada da frente, acabámos por arrear a vela grande no 4º dia, então já com ondas de 3,5+ metros.
Pelas 23:00 h, a frente atingiu-nos então. Foi de repente, de facto (confirmámos com outras tripulações). Em menos de um minuto, o vento rondou de N para W e logo a seguir para S, acompanhado de uma enorme chuvada e trovoada.
Durante toda a noite o vento variou entre S, SSW e depois SW, com intensidade entre 20 e 25 nós, permitindo uma progressão muito lenta.
Estas condições mantiveram-se durante o resto da noite e durante os dois dias seguintes.
Na madrugada do 6º dia (05NOV15), mudámos de bordo, para irmos mais para S para nos afastarmos de Madagáscar, que chegou a estar a 90 milhas. Durante cerca de 45 min. Mar muito alto com ondas de 5+ metros, algumas das quais passaram por cima do poço, deixando-o com bastante água, rajadas de 30-35 nós com pontas de 40. O mar foi entrando por toda a parte, albóis, douradas, vidros laterais do salão. Não é a quantidade de água em si que é o mais preocupante, mas sim o que fica molhado. É que ficou tudo molhado, por toda a parte, casa das máquinas incluída. As nossas preocupações vão sobretudo para esta última e para a electrónica. É incrível até onde chega a água destas ondas, que deixa tudo cheio de sal.
Já sabíamos que ia ser assim.
No final do 6º dia, estávamos, finalmente, a fazer 3,5-4 nós com COG de 260º, apenas com um pouco de genoa. O pior tinha passado sem grandes estragos até então detectados.
O 7º dia foi dedicado às avarias e à vela! Foi assim:
- o inversor deixou de indicar a presença de 220V, provavelmente efeito da entrada de água salgada para a casa das máquinas (?).
- o gerador deixou de funcionar (pegava mas parava algum tempo depois). Desta vez foi o impeler que estava partido. Mas depois de substituído, o gerador continuou com o mesmo comportamento (apesar de termos verificado que o impeler estava bom). Agora era o circuito de refrigeração que não chegava a ferrar. Depois de cheio com o macho de fundo fechado, arrancou e não parou mais de trabalhar!
- a sanita da proa avariou e teve que ser substituída, depois de várias tentativas de desobstrução!…
- A vela foi espectacular, dia e noite, a fazer por vezes 7 e 8 nós!
No 8º dia (07NOV15) o vento foi mais para E. Voltámos ao downwind, para outras 24 horas de vela a andar bem.
Anteontem, dia de más notícias - está a surgir uma baixa no SE de África que vai originar ventos de SW a partir de quarta-feira dia 11 (amanhã), portanto contra a corrente das agulhas. E o vento caiu … Para chegarmos a tempo a Richards Bay estamos a fazer uma motorada desde há quase dois dias, mas parados à espera da tormenta é que não podemos ficar.
Vamos ver como correm estes dois dias!

LA