Allegro (no Mediterrâneo)

Allegro (no Mediterrâneo)
Allegro nas Baleares

sábado, 4 de abril de 2015

SEXTA-FEIRA 27 DE MARÇO DE 2015

Quase mais uma semana se passou e o vento, apesar de melhor, continua a dar provas de pouco interesse por nós.

Aqui no Pacífico, pelo menos na zona onde nos encontramos, o vento que vai soprar durante o dia, aparece cedo pela manhã, normalmente com o nascer do sol.
Depois de se instalar de uma forma progressiva mas despachada, sopra com mais força até depois da hora do almoço, abrandando a seguir um pouco até que para o final da tarde começa a cair para a força que vai ter durante a noite. Assim é, digamos, bastante previsível o que se vai passar nas 6-8 horas seguintes.
Até agora não temos tido mais de 12-16 nós durante o período em que sopra com mais força e 8-11 no resto do dia e noite. O que já é bem bom. À noite cai, ás vezes, para 7 e 6 nós. Agora, 23 horas locais, 1330 horas em Lisboa, temos 8-9 nós de vento regular com alguma ondulação. O resultado é uma progressão a cerca de 2,8-3,0 nós o que não é nada porque ainda nos faltam cerca de 500 milhas para Hiva Oa.
Mas estamos bem, com o moral bastante bom.
Se as condições não piorarem, devemos chegar quarta-feira a Hiva Oa, uma das principais ilhas do Arquipélago das Marquesas.
Queríamos chegar até ao dia 31 para podermos confraternizar com as outras tripulações no Rendezvous que vai ter lugar no dia 01ABR na ilha Tahuata.
Quanto à visita e exploração das ilhas dos diferentes grupos, essa, vai ser condicionada (esperamos que pouco) pelo tempo que vamos ter que reservar para os arranjos das avarias.

Devido às limitações impostas pela avaria do gerador, estamos agora sem frio a bordo.
O congelador já tinha sido desligado por avaria - não produz frio e acumula gelo em quantidade muito significativa num tubo de cobre que se encontra fora do espaço do congelador propriamente dito.
O frigorífico foi agora desligado para redução do consumo de energia.
Os frescos já foram todos consumidos e os outros vão sê-lo agora. Quando fizemos o aprovisionamento para esta perna fizemos-lo para 5 semanas. Decidimos bem!
Quanto à produção de água está a ser feita com recurso ao inversor. Tem é um preço pago pelas baterias porque o alternador não consegue gerar suficiente energia. Assim há um consumo de cerca de 20 Ah por cada hora que o dessalinisador trabalha, energia que tem depois de ser reposta.
Colocamos muita expectativa na reparação das avarias no Tahiti.

Os dias passam de uma forma agradável, continuada, sem sobressaltos, sempre com magníficos almoços e jantares (o jantar é sempre uma sopa, mas as sopas do Rui são como que refeições completas …).

O pôr do sol é que tem sido um dos momentos altos do dia. Regra geral é muito bonito, com tons de amarelo e laranja intensos, mais ou menos vivos. A luminosidade é grande e o contraste com o azul escuro do mar torna o desaparecimento do sol num momento em que todos paramos e o ficamos a observar.
Outra coisa que temos tido são noites com luares de grande luminosidade. O luar no hemisfério Sul tem uma intensidade espantosa. Estamos em quarto crescente e a intensidade do luar é francamente superior à que temos em Lisboa com lua cheia. Para navegar à noite é extremamente agradável.

Vou interromper agora para ir chamar a Manuela que vai entrar de quarto.
Actualmente e com três tripulantes cada um de nós faz, à noite (das 22 às 08 horas), dois períodos de 2 horas (4 horas ao todo), com manutenção do horário por opção nossa. O intervalo entre cada período é portanto de 4 horas.
Temo-nos dado muito bem com este esquema que iniciámos quando, na ARC+, passámos de 5 para 3 tripulantes.

Por hoje é tudo.
Boa noite e até amanhã!

DOMINGO 22 DE MARÇO DE 2015


Pacífico.Pacífico mas não tanto …Este é o 5º dia sem vento.Temos desfrutado, de facto, de dias excepcionais em relação às condições do céu (azul e limpo), temperatura, ondulação e mesmo o vento, apesar de fraco, tem sido agradável.O problema é estarmos a meio da maior perna da WARC, 2900 milhas. Este pequeno pormenor está a transformar dias excepcionais em “maus” dias de vela.Tínhamos previsto concluir esta perna antes do dia 27 e não o vamos poder fazer antes do fim do mês (isto se houver vento), o que vai alterar muito a nossa vida. Vamos tratar de toda a parte legal (burocrática, passaportes, “clearance” e às vezes outras questões), dos abastecimentos (víveres e combustível), do planeamento da visita às Marquesas e às Tuamotus, etc..

A presença dos Yellow Shirts que tem sido sempre preciosa sob todos os aspectos, tem tornando a nossa vida extremamente fácil e agradável. Tendo-o sentido até agora da forma mais cómoda, estamo-nos agora a preparar para a falta desse apoio.

Em relação à visita e exploração das Marquesas vai ser feita se possível, uma vez que depende do tempo que nos sobrar.
Pelo meio estamos a tentar simplificar a coordenação dos arranjos - gerador e congelador, que vão ser feitos só no Tahiti, a cerca de 800 milhas de Hiva Oa.
Esta, uma visão menos optimista de uma parte de uma viagem que tem, até agora, decorrido da melhor maneira.

Vamos ver o que Eolo nos reserva …


DOMINGO, 8 A SÁBADO, 14 DE MARÇO DE 2015

DOMINGO, 8 E SEGUNDA-FEIRA, 9 DE MARÇO DE 2016

A noite de Sábado para Domingo foi uma noite de chuvadas. Foram squalls uns atrás dos outros, com os respectivos aguaceiros e ventanias.O Allegro ficou todo molhado (e lavado) por fora, e todo húmido, escorregadio e peganhento por dentro! Além disso, o mar também se tornou mais desencontrado, e o barco rolava de um bordo para o outro constantemente. Andar lá dentro significava andar aos bordos, a bater nas paredes e nos vários obstáculos pelo caminho. As tentativas para se dormir dentro do barco significavam rolar na cama aos sacões, de um lado para o outro, sem posição estável. Tentar dormir cá fora, era igual a ficar todo molhado. Enfim, muito desconfortável.

Felizmente, durante a manhã de Domingo, o céu desanuviou-se e acabou por ser um dia de sol, que contribuiu para secar o barco por fora e por dentro, assim como as almofadas de fora, os cabos, os sapatos, etc…
De madrugada voltou a chuva, mas durante a manhã regressou o sol, para ficar até ao fim do dia.
O gerador tem dado algum trabalho. Primeiro parou sozinho, e o Luís verificou que era a pressão do óleo baixa. Estas coisas acontecem sempre de noite, e assim foi, na noite de Sábado para Domingo. Ontem de manhã, repôs-se o nível.
Depois voltou a ligar-se ao fim do dia, e além de fazer um barulho diferente, não expelia água pelo escape. Era o impeller. Foi substituído hoje. Pôs-se a trabalhar e tudo parecia bem: saía água normalmente pelo escape e não saía pelo local do impeller. Como tínhamos tido o motor a trabalhar durante a noite para carregar baterias, só agora, já de noite, foi necessário ligar o gerador. Ora constatou-se que ele agora deixa sair água pelo local do impeller… Amanhã, com luz do dia, lá terá que se rever novamente o que se passa. E, entretanto, teremos que carregar baterias hoje novamente com o motor, o que é menos eficiente e gasta mais gasóleo.
Não está fácil, este gerador!…
Para animar, temos comido muito bem. Ontem, uns belos bifes com molho de mostarda, que estavam uma delícia. Hoje, um risotto óptimo. E à noite, sopas de legumes que também têm estado muito boas. Nem tudo é difícil a bordo!…


TERÇA-FEIRA 10 DE MARÇO DE 2015 A SÁBADO 14 DE MARÇO DE 2015

Geradores

O tempo tem-se passado à volta do gerador e dos seus problemas.

Apesar de uma “alguma” má fama que o material Fisher Panda tem, confesso que sempre acreditei que não íamos ter problemas. O gerador é novo, tem-lhe sido feita a manutenção, enquanto em Portugal nunca falhou, etc. Por isso tudo ia correr bem, com certeza! Mas não tem corrido, não.

É verdade que os primeiros problemas não tiveram a ver com o gerador propriamente dito - o buraco na panela de escape e depois os fusíveis velhos e mal (?) dimensionados.

Mas agora está a ser diferente. Em menos de 15 dias já vai no 3º impeller, há agora mais uma fuga na tubagem da bomba de água salgada e por último trabalha mas não produz 220V nem para a sua própria bateria, coisa que nunca tinha acontecido.

O problema é que do gerador depende a carga das baterias, o desalinisador, a economia de diesel (o motor principal consome quase dez vezes mais), quase todos os gadjets (cada vez em maior número) e, portanto, o seu não funcionamento tem várias repercussões na vida a bordo.

Continuo a pensar que este nosso gerador é uma obra bem concebida. Parece-me é muito frágil.

Quanto a assistência …

Em Hiva Oa, para onde nos dirigimos ( ainda a 1745NM) não há assistência.

Assistência mesmo, só vai haver no Tahiti, a mais de oitocentas e tal milhas de Hiva Oa (mais dez dias de viagem).

E pelo caminho todos aqueles lugares paradisíacos que desejamos visitar.

Estamos na fase de análise antes de decisões.

Mas o Fisher Panda ou muda radicalmente ou nunca mais!

E o congelador? Esse também avariou.

Não sei porquê mas à volta de um tubo de cobre que dá duas voltas, existe uma “luva” de gelo que se está sempre a formar e a derreter, molhando o que lhe fica por baixo e, creio eu, condicionando o normal arrefecimento do seu conteúdo. Dos 18 graus que fazia em Portugal passou para 12 em Saint Lucia, depois para 8 no Pacífico e agora não passa dos 4 graus negativos. Serão, como dizem, as temperaturas exteriores mais altas a impedir o normal funcionamento? Talvez, mas com a falta de energia a bordo devido aos problemas do gerador, o destino do congelador é “off” até ser tratado por outro especialista …

Para além daqueles problemas, tudo tem decorrido muito bem com o tempo a ficar cada vez melhor e as condições meteorológicas também. E o barco tem-se portado muito bem mesmo.

Mas que fique bem claro que continuamos contentes e satisfeitos com o que estamos a fazer, que desejamos, cada vez mais, continuar até Lagos.

Todos os barcos têm avarias, maiores ou menores, tudo faz parte da realização de um projecto como o nosso.

Mas se o gerador for arranjado, melhor ainda!
Contamos chegar a 27 de Março. Este ano, no final de cada reunião de skippers, cada um faz uma previsão da data de chegada do seu barco. Desta vez a nossa previsão é para esse dia. Continuamos a achar que é possível.

E como o gerador já está fora de combate não vai haver mais avarias até ao Tahiti. Esperamos.



LA






QUARTA-FEIRA, 4 A SÁBADO, 7 DE MARÇO DE 2015

Largámos finalmente! Não é que estivéssemos há muito tempo nas Galápagos (estivemos lá 15 dias), mas chega uma altura em que começamos a desejar largar para uma nova perna. Esta nova perna vai ter 2980 milhas. É por isso considerada a mais comprida de toda a World ARC.Largámos bem, com quase todos os barcos a largarem como se fossem para uma regata. Foi bonito.

O primeiro dia decorreu sem nada de significativo a assinalar: vento a favor, corrente a favor, ondas de altura moderada. Foi um dia que nos foi favorável. A noite veio com uma lua cheia a iluminar tudo até ao horizonte. Contudo, à medida que as horas iam passando o vento começou a diminuir, obrigando-nos, quando o SOG (“speed over ground”) chegou aos 2,5 nós, a ligar o motor. Ficámos um pouco desapontados porque a previsão era para vento fraco, mas não tão fraco…
O dia seguinte começou com um nascer do sol radioso, vento e ondas q.b.. O vento lá voltou, não forte, mas com intensidade suficiente para manter o barco a andar. E assim se manteve todo o dia.
Depois de um anoitecer vulgar, a lua, que continuava cheia, acabou por deixar de estar encoberta pelas nuvens, e iluminou de uma forma incrível o mar e o barco. O ambiente originado pela intensidade da luz da lua, os seus reflexos no mar, o barco com as velas enfunadas que deslizava quase sem fazer atrito, criaram condições deslumbrantes que há muito tempo não tínhamos. Acabámos por ficar noite dentro a saborear o que nos estava a ser proporcionado.
Mas não há bela sem senão - o gerador que tinha sido posto a trabalhar para fazer água, parou subitamente com uma indicação de falta de pressão de óleo. Felizmente já tinha carregado as baterias e feito 150 litros de água. No dia seguinte confirmámos a diminuição do nível do óleo, e repusemo-lo no valor correcto.
Ontem já tudo foi diferente. O vento foi caindo até que passou a ser insuficiente para manter o barco a progredir e com um mínimo de estabilidade. De facto, o Allegro, com pouco vento e com alguma ondulação de través, adquire um movimento de rolar de um bordo para o outro, atingindo por vezes 25 ou mais graus. É um rolar desagradável, e muito prejudicial para o material, obrigando por vezes a baixar as velas e a ligar o motor. Foi o que aconteceu desta vez. Só ao fim de muitas horas é que o vento começou a manter velocidades de 12-13 nós, permitindo-nos de novo içar as velas.
Hoje tem sido um dia mais “molhado”, com alguns squalls; não foram muitos, mas arrastaram com eles parte do sal que impregna todo o barco. Recorde-se que a última vez que estivemos numa marina com água doce foi em Flamenco Marina, na Cidade do Panamá.
E assim se passaram os 4 primeiros dias de uma série previsível de cerca de 24.