Allegro (no Mediterrâneo)

Allegro (no Mediterrâneo)
Allegro nas Baleares

domingo, 20 de março de 2016

AVARIAS NA PERNA FORTALEZA-GRENADA

AVARIAS NA PERNA FORTALEZA-GRENADA



Duas que recentemente tivemos.



A primeira aconteceu na madrugada de 04 de Março.

Tinha ido à proa para uma vistoria rotineira quando ao olhar para a parte superior do mastro verifiquei que a genoa apresentava um rasgão na parte superior da valuma, logo depois da faixa de protecção UV.

Duas que recentemente tivemos.

A primeira aconteceu na madrugada de 04 de Março.

Tinha ido à proa para uma vistoria rotineira quando, ao olhar para a parte superior do mastro, verifiquei que a genoa apresentava um rasgão na parte superior da valuma, logo depois da faixa de protecção UV.
Com uma dimensão de 2-3 metros, a zona lesada não era mais extensa porque o vento estava muito fraco.

A genoa e a vela grande foram feitas expressamente para esta aventura.

A vela grande tem tido bastante utilização apresentando sinais de envelhecimento aqui e ali.

Mas a genoa, essa é que tem tido uma utilização praticamente constante e um comportamento excepcional. Fez, no fundo toda a World ARC já que só foi retirada agora durante a última perna.

Também com sinais de envelhecimento e desgaste fora já revista em Cape Town e agora, mais recentemente, em Salvador. Em ambos os casos a dita revisão foi insuficientemente feita já que em qualquer dos casos nada me foi dito quanto ao futuro da vela, mesmo depois de ambos os veleiros terem sido questionados quanto à eventual necessidade de substituição.

É, de facto, tudo muito parecido por este Mundo fora.

O resto da manhã foi para arrear a genoa rasgada, dobrá-la o melhor possível no convés e retirar a genoa sobresselente da loca da proa e envergá-la. Parece pouco, não é? Isto tudo com um squall curioso, que chegou, molhou e desandou…

Vamos esperar pelo veredicto do veleiro (não sei ainda se de Grenada se de St. Lucia) e pela resposta da companhia de seguros.

A outra genoa, a que agora está a ser utilizada, é bastante mais fina, não me dá a confiança que tenho sentido na que se estragou.



Quanto à outra avaria foi o entupimento (?) da drenagem da sanita da proa.

Em Salvador fiz a revisão dos tubos, tudo tinha ficado limpo, excepto a peça em ângulo recto logo a seguir ao macho-de-fundo. Essa, por o Allegro estar a nado não se conseguiu limpar completamente. É com certeza essa a zona que entupiu.

Vai ter que ser substituída mais tarde.

Ainda bem que temos duas casas de banho a bordo!



Temos sido muito bafejados pela sorte com as avarias que temos tido!



E pronto.

Faltam-nos menos de dois dias para chegar a Grenada e uma passagem mais estreita.

Já estamos, mesmo, com muita vontade de chegar. E de parar.

A informação que temos da Marina é muito favorável. Acho que vai ter tudo o que necessitamos.



E depois de mais uns dias com actividades sociais e náuticas, de repente, vamos estar todos “desempregados”, sem sabermos bem como substituir o que nos tem sido proporcionado de uma forma tão agradável.

Vai ser assim.



Depois é tempo de reflexão e de “digestão”.



LA

SÁBADO, 20 DE FEVEREIRO, A TERÇA-FEIRA, 8 DE MARÇO DE 2016

Allegro - SÁBADO, 20 DE FEVEREIRO, A TERÇA-FEIRA, 8 DE MARÇO DE 2016



De Salvador para Fernando Noronha, começámos com vento fraco no 1º dia e tivemos que usar o motor para avançarmos. O 2º dia foi um dia de vários “squalls” e à tarde rizámos a vela grande. Nesse dia pagámos caro termo-nos esquecido de fechar o macho de fundo do lavatório, e tivemos uma inundação no WC da popa, que deu bastante trabalho a limpar…
No 3º dia, vento variável, e acabámos por ter de ligar o motor para nos afastarmos da costa; foi a última vez que o ligámos. Daí para a frente, vento sempre regular, entre 12 e 17 nós, e corrente favorável. O céu foi limpando e choveu menos; dois dias de vela muito agradáveis.


Chegámos a Fernando Noronha a 25 de Fevereiro, pelas 09:00, e fundeámos junto ao porto.
Como em Fernando Noronha é +1 h que em Salvador ou Fortaleza, já eram11h. Tarde para apanharmos os oficiais para nos darem a entrada, porque se aproximava a hora do almoço. Um pouco antes das 14:00h, o Luís foi no dinghy do Hugur, tratar das formalidades (muito demoradas…). Nessa noite jantámos no Restaurante Mergulhão, no morro junto ao porto, onde nos receberam muito bem, com muita simpatia e boa comida e agradável serviço. Caipirinha, queijo coalhado grelhado e moqueca de camarão. E café de saco, no final - aos anos que não via fazer, e não bebia, café de saco!… Jantámos com os Hugur, Ayama e Starblazer. Aretha e Wayward Wind regressaram a bordo pouco depois de nós chegarmos ao restaurante.

Muitas nuvens, muita, muita chuva, muito “rolar” no ancoradouro. Mesmo assim, valeu a pena. Não pudemos fazer “snorkelling”, uma das actividades mais recomendadas da Ilha, porque a visibilidade estava má, mas visitámos a Ilha no “Ônibus” que a atravessa de 1/2 em 1/2 hora. Fomos à Praia do Sueste, onde as tartarugas vêm desovar na época própria, e onde vimos pequenos tubarões dos recifes à borda de água, junto aos nossos pés. Tomámos um óptimo banho de mar na Praia do Sancho (à qual só se tem acesso descendo dois lanços de escadas verticais colocadas em buracos das rochas, e muitos outros degraus de pedra até à areia…), com água a 29 ºC. Caminhámos pelos montes à beira-mar para vermos os principais miradouros com vistas muito bonitas, e parámos na Vila dos Remédios, a principal povoação da Ilha.
Para despedida, no dia 27, Sábado, almoçámos novamente no “Mergulhão”, peixe “crocante” e risotto de camarão que estava uma delícia.
Largámos às 17:15, com pena de não podermos estar mais tempo…

De Fernando Noronha para Fortaleza, apanhámos vento favorável, corrente forte e favorável, alguns squalls fortes no 1ºdia, depois bom tempo. Tudo era tão a favor, que tivemos que ir reduzindo pano para não chegarmos de noite (tinham-nos avisado que não era recomendável), e acabámos por ter um período em que, sem velas, fizemos durante várias horas, SOG de 4.8 a 5.1 nós!

Chegámos a Fortaleza às 09:00. Tivemos que ancorar durante umas horas fora da Marina porque estava com a lotação completa, até sair um barco no início da tarde.
A Marina tem péssimas condições porque os pontões estão meio destruídos, não pudemos ficar encostados a nenhum, e as tripulações de vários barcos tinham que se deslocar no dinghy para terem acesso aos pontões…
à parte esse “pequeno” pormenor, tudo o resto foi muito agradável. A Marina pertence a um complexo com Hotel, piscina com esplanada e bom wifi, táxis sempre disponíveis no Hotel, de forma que acabou por sem uma estadia agradável e bastante descontraída.
O pouco tempo não deu para conhecer Fortaleza, mas ficámos com boa impressão do pouco que vimos.
Cidade grande, com 3 milhões de habitantes, onde parece que será Verão o ano inteiro, muito virada para o turismo, com muito comércio, muitas praias, uma longa avenida à beira-mar (um calçadão…), gente afável e simpática.
Na 1ª noite fomos jantar ao “Boteco da Praia”, quase todas as tripulações, um serviço muito demorado (éramos muitos…), e boa comida. Depois passeio a pé, e café e digestivo no “Café Havana” com os Hugur e os Ayama.
Abastecemos de gasóleo através de jerricans, com a ajuda do Victor “yellow shirt”. Comprámos os frescos e usámos a lavandaria na cidade.
Na 2ª (e última!) noite, jantámos na esplanada da piscina, a aproveitar o wifi e a tomarmos a última caipirinha realmente brasileira.

Largámos a 3 de Março para a última perna desta Volta ao Mundo: Fortaleza-Grenada.
É verdade. Está a acabar!
Temos tido bom vento, corrente favorável, muitos squalls e bastante chuva.
Hoje tivemos a visita do maior “cardume” de golfinhos desta Volta. Deviam ser uns quarenta ou cinquenta e ficaram connosco para aí durante uma hora. Parece que adivinharam que estamos a chegar ao fim da Volta!…

Hoje, faz 16 anos que largámos para o Brasil, para repetir a Viagem do Pedro Álvares Cabral.
Hoje, de regresso a casa, estamos a deixar o Brasil a poucos dias de concluirmos, em Grenada, a nossa Volta ao Mundo em barco à vela.


MA+LA