Allegro (no Mediterrâneo)

Allegro (no Mediterrâneo)
Allegro nas Baleares

terça-feira, 16 de junho de 2015

SEGUNDA-FEIRA, 8 DE JUNHO A QUARTA-FEIRA, 10 DE JUNHO DE 2015

Neste dia, além de nós, largaram o Luna Quest, o Ayama, Afar VI,  Karma Wins e Aquilon III! E ainda vários barcos do outro Rally (ICA), a maior parte deles sem AIS. Realmente, habituámo-nos tanto a ver os outros barcos pelo AIS, que já estranhamos quando não o têm. É uma ajuda inestimável.
Mudámos para a hora de Fiji, isto é, atrasámos o relógio uma hora, porque se combinou que as comunicações  seriam "Fiji time", o que teve como consequência que o pôr do sol foi às 17.07 - a noite começou cedíssimo!...
O vento portou-se muito bem entre as 1000 e as 1930, entre os 15 e os 20 nós (era suposto não haver vento...), mas depois caiu e tivemos que ligar o motor até às 1230 do dia seguinte. Ainda abrimos a genoa para tentar "ajudar" o motor, mas só depois do meio dia voltámos a ter vento que se visse. Toda a tarde tivemos 13-16 nós e, só com genoa, fazíamos 6-7 nós de velocidade.

Na quarta-feira dia 10 depois das 1200, o vento aumentou para 23-27 nós, e acabámos por ter que reduzir muito o pano, e depois por ter que alterar o rumo para atrasarmos a chegada a Fiji, pois iríamos entrar pelas  "Exploring Islands" do "Lau Group", um conjunto de seis ilhas dentro de uma grande lagoa rodeada por recifes, e com vários recifes no interior dela. A cartografia aqui não é fiável, e não deveríamos entrar na lagoa antes das nove da manhã para termos a melhor luz para identificar os recifes - navegação à vista.
O mar pôs-se de acordo com o vento, e assim foi uma noite incómoda e cansativa, com ondas de 3 a 4 metros.

DOMINGO, 7 DE JUNHO DE 2015

Domingo - Último dia no Reino do Tonga. Amanhã, faremos o checkout aqui em Neiafu, na ilha de Vava'u, para nos dirigirmos para as Ilhas Fiji.
De manhã cedo, levantámos ferro de Port Maurelle, e regressámos a Neiafu, onde ficámos numa bóia. Durante a manhã, veio a bordo o Andy do "Pentagram". Ele e a Emma decidiram deixar o "Pentagram" em Raiatea, e viajam agora no catamarans "Karma Wins", com o Barry e a Carol; logo decidirão quando irão buscar o barco deles, talvez ainda este ano, talvez no próximo ano, depois de viajarem um pouco pela Australia/Nova Zelândia. O trabalho dele antes desta viagem era arranjar avarias em barcos, portanto tem resolvido vários problemas dos barcos da frota. Foi ele que nos alugou o gerador portátil que temos agora. Deve ter à volta de 40 anos, usa um piercing muito chamativo na orelha, um cravo de ferradura, e é uma pessoa animada e sempre bem disposta, tal como a mulher, a Emma. Também lhe chamam "Swampy", e sobretudo a Emma trata-o sempre assim. Um casal original, mas são muito boas pessoas. Resumindo a história, o Andy veio a bordo arranjar o interruptor que estabelece a ligação ora para o gerador, ora para o inversor. Como de qualquer modo o gerador não está a funcionar, e a ligação do inversor andava com mau contacto, pôs o sistema a funcionar apenas para o inversor e ficámos com o inversor a funcionar sem problemas.
Almoçámos no quase inevitavel e prático Mango Café, mas como a ligação à net não estava a funcionar, à tarde transferimos-nos quase todos para o Aquarium, ali ao lado, e aí acabámos por jantar. Ainda fomos comprar pão à única loja que abriu essa tarde, a padaria, pois ao Domingo está tudo fechado. O único pão que vendem é pão de forma, mas é  muito agradável, e podemos sempre fazer torradas quando deixar de estar tão fresco...
O Rui teve nesta noite o "Jantar do Terceiro Elemento" de cada barco, isto é, dos barcos com mais de dois tripulantes. A ideia é poderem juntar-se todos e dizerem mal dos respectivos skippers à vontade. Foi organizado pelo Andrew do Juno, e juntaram-se o Chris (Afar vI), Brian (Exocet Strike),  o Rui do Allegro, e mais alguns...

Segunda-feira, 8 de Junho -  Às 0830 da manhã estávamos no Mango Café para o checkout de Tonga., ao mesmo tempo que os cerca de 25 barcos e respectivas tripulações  do Rally ICA. Éramos, portanto, quase 40 barcos barcos a fazer checkout. Quando nos despachámos (felizmente o Allegro começa por A...) , fomos fazer as últimas compras de fruta, legumes, ovos e  pouco mais.
Largámos de Neiafu, rumo a Fiji às 12.45, para percorrermos cerca de 280 milhas.
Adeus Tonga!

SEXTA-FEIRA, 5 DE JUNHO E SÁBADO, 6 DE JUNHO DE 2015

Sexta-feira passámos a manhã na Baía próxima da ilha de Tapana, onde fica o restaurante "La Paella".
Almoçámos a bordo do "A Plus 2", ainda na mesma baia, nós levámos o cuscuz e eles fizeram a salada.
Depois levantámos ferro e fomos para outra zona destas ilhas, ainda mais bonita, uma baía chamada Port Maurelle. Aí encontrámos fundeados o "Aretha" e o "Juno". Combinou-se uma "Happy Hour" na praia, e lá fomos todos para terra, para a bebida do por do sol e o convívio com os outros dois barcos. O Andrew do Juno resolveu acender uma fogueira, o que fez as delícias das três crianças do "Aretha". Um sucesso!
O jantar foi a bordo do Allegro, com o Jean e Christiane. O Rui fez um "spaghetti "à bolonhesa, eu fiz a mousse, e bebeu-se, desta vez, vinho português, um douro que estava muito bom.

O Sábado de manhã, o Luís e eu demos uma longa volta de dinghy. A ideia era pescar o jantar, mas só demos banho à amostra. Decididamente, o peixe não quer nada connosco, nem no Allegro, nem no dinghy. Consolou-nos desta vez o facto de nenhum dos dinghies ter pescado nada... Aproveitámos para ir até à praia, caminhar um bocado e tomar um banho.
O almoço foi a bordo. À tarde, o Rui resolveu ir com o Jean e o Andrew ver uma gruta -"Marine's Cave", e nós ficámos a bordo. Voltaram passado um bom bocado; o Rui tinha esmurrado a cabeça.... Naquela gruta era necessário mergulhar e nadar debaixo de água cerca de 4 metros até se atingir o interior da gruta. O Rui mergulhou, mas depois foi subindo para a superfície, e quando a atingiu ainda tinham passado os 4 metros... Felizmente, foi apenas uma escoriação ligeira.
Jantámos cedo, a bordo, porque fôramos convidados para um serão no "Aretha": "meninos" a jogar poker no poço, e "meninas" a ver um filme no salão. As crianças era suposto irem dormir cedo, mas estavam tão contentes e excitadas com os convidados a bordo, que só a Willow adormeceu. Entretanto, o Makena chegara também a Port Maurelle, e o Luc, a Sara e o Kai (de 15 meses) juntaram-se ao serão. Foi uma noite divertida e diferente!

QUINTA-FEIRA, 4 DE JUNHO DE 2015

Na quinta-feira, dia 4 de Junho, saímos da Baía de Neiafu para visitarmos as ilhas aqui à volta, muitas delas não habitadas, e outras com muito poucos habitantes. São ilhas cobertas de vegetação, algumas rochosas, calcárias, com grutas mais ou menos extensas, outras com praias de areia fina e branca, muito bonitas.
Fomos na companhia do "A Plus 2". No primeiro dia dirigimo-nos a uma enseada (Tapana) com meia dúzia de pequenos veleiros, bóias livres (muito prático, evitam o fundear...) e um estranho barco, mais como uma pequena casa flutuante, com as paredes pintadas de azul claro, ramos de folhas verdes e a designação: "Ark Gallery". Fomos visitar. Era o local onde se pagava pela bóia que utilizáramos e a lojinha onde uma "artista" vendia pequenos quadros pintados por ela e alguns objectos feitos de osso por artistas tongans.
Na ilha do outro lado da enseada, sabíamos que havia um restaurante, e já tínhamos avisado que riríamos jantar. Um restaurante, adivinhem, espanhol!... A dona, Maria, uma valenciana, começou por ir trabalhar para Tahiti há muitos anos, e acabou por estabelecer-se numa ilha do Tonga há 28 anos! O marido, o Eduardo, é um basco artista.
O restaurante, chamado "La Paella" é uma construção de madeira, com uma varanda com uma bela vista para o mar, onde ela nos serviu o que ela chamou tapas, mas que, na realidade, eram muito mais que vulgares tapas, confeccionadas e apresentadas com requinte! Claro que não faltava o gaspacho, um mini-gaspacho muito saboroso; a tortilha espanhola; os croquetes; e várias outras "tapas" mais fora do vulgar, deliciosas. Seguiu-se a paella, não podia deixar de ser dado o nome do restaurante e o facto da dona ser valenciana; estava boa, mas não à altura das tapas. E finalmente um gelado de manga caseiro para sobremesa, também muito bom.
Quando pensávamos que tudo tinha acabado, começou a parte artística! O Eduardo começou a tocar guitarra e a cantar "A garota de Ipanema" em espanhol... Seguiram-se algumas canções em espanhol, e depois um "blue" cantado, e tocado na guitarra e numa harmónica suspensa na cabeça dele, fantástico!
Foi uma noite diferente, que nos fez sentir mais perto de casa!...

QUARTA-FEIRA, 3 DE JUNHO DE 2015

Passámos esta semana de forma muito agradável, uns dias ainda aqui em Neiafu, para podermos abastecer, usar wifi, conviver...
Tivemos o jantar da entrega dos prêmios da ultima etapa, uma etapa múltipla, em que só cerca de cinco barcos cumpriram o percurso completo, pois a maioria decidiu ir para Bora Bora, e alguns foram atrasados por avarias várias.
O jantar decorreu no Mango Cafe, com os discursos habituais por parte das autoridades locais, desta vez um representante do turismo de Neiafu, e da organização da World ARC. Seguiram-se os prémios "reais" e depois os" Fun Prizes". E desta vez, surpresa, tivemos direito a um prémio: fomos o barco cuja previsão do tempo total desta perna mais se aproximou da realidade!
Seguiu-se um jantar tipo buffet, com os pratos característicos desta terra, e, depois as danças típicas, executadas por adolescentes. Foi interessante e, sobretudo, foi o mote para que todas as tripulações se pusessem a dançar, tal como todas as empregadas de mesa e até o cozinheiro e seus ajudantes deram um "pulinho" de dança!...
Na quarta-feira, 3 de Junho, fomos visitar o Jardim Botânico, uma visita interessante, onde nos foram mostradas os vários tipos de produção local ligada à agronomia: o modo como utilizam as fibras da casca das árvores para tecerem aquela espécie de aventais e os leques, que fazem parte da indumentária dos tongans; as folhas de coqueiro para fabricarem esteiras que podem servir como cobertura dos telhados, portas ou janelas das casas, para fabrico de cestos, etc; os cocos, utilizados quer para bebida (água de coco), alimento (a polpa), quer usando a casca para extraírem a copra, e as fibras da casca para fazerem cordas, cintos, etc. Mostraram-nos o modo como cultivam a baunilha e como preparam a essência de baunilha; a utilização dos "nonis", um fruto com o qual preparam uma espécie de xarope, de cheiro e sabor horríveis, mas com propriedades infindáveis e supostamente boas ppara revenir quase qualquer maleita, se ingerido regularmente em pequenas quantidades; e, finalmente, a raiz com a qual preparam a cava, a bebida que utilizam nos cerimoniais deles, e que tem efeitos sedativos.
Depois da visita, seguiu-se um almoço num restaurante na praia de Enaiu, onde nos serviram um buffet de comida típica, muito agradável e onde assistimos novamente às danças típicas, executadas mais uma vez por crianças e adolescentes.
No regresso do almoço, ainda fomos rapidamente comprar alguns mantimentos, e a seguir tivemos o "skipper's briefing". Neste juntou-se à reunião o organizador de um grupo de cruzeiro, o ICA, com sede na Nova Zelandia. O grupo é constituído por cerca de 25 barcos, que navegarão juntamente com os do Rally da World ARC entre Tonga e Fiji.
Amanhã vamos dar uma volta pelas ilhas aqui à volta de Vava'u, juntamente com o "A Plus 2".

DOMINGO, 31 DE MAIO DE 2015

O jantar correu muito bem, foi um serão bem passado, e os "Moelleux au Chocolat" estavam uma delícia!
Hoje, Domingo, resolvemos ir assistir a uma missa. Há muito por onde escolher, pois eles seguem múltiplas igrejas, protestante, anglicana, luterana, santos dos últimos dias, mormons, católica,  etc.
Fomos assistir à missa católica, mesmo aqui ao lado do local onde estamos fundeados. Todos se arranjam especialmente para a ida à missa, com os trajes tradicionais. Os homens com saias compridas até à canela, camisa e, à volta da cintura, uma faixa larga e bastante comprida de ráfia entretecida. Elas, de vestidos coloridos, de tecido geralmente brilhante (cetim), algumas com o mesmo tipo de faixa, e outras com uma espécie de cinto com longas tiras penduradas a toda a volta da saia. Muitos leques, também em palhinha, usados tanto por mulheres como por homens, e as crianças também todas aperaltadas, um espectáculo de cor e variedade. A música, cantada por todos, nalguns trechos por homens alternando com as mulheres, noutros todos em conjunto, num conjunto bem afinado, fazendo lembrar por vezes uma ópera, mas sempre um coro bem ensaiado.
A saída da missa foi um espectáculo, porque se lá dentro não se podiam tirar fotografias, cá fora a maioria gostava de ser fotografada, incluindo o padre! Foi muito instrutivo para vermos os fatos domingueiros e o relacionamento entre eles.

Temos constatados que os tongans não são tão afáveis, nem tão amáveis como os Polinésios, e nota-se neles uma maior agressividade também.

A boa notícia do dia é que já está resolvido o diferendo com as autoridades locais relativamente à eventual multa. Resolveu-se com a velha maneira tradicional, típica dos países pequenos e pobres, depois de uma reunião entre o Andrew Bishop e o oficial da alfândega.

Almoçámos no Mango Cafe, e passámos a tarde a bordo, a pôr a secar a vela, os cabos, as almofadas, etc.
No Sábado, quando estávamos aqui em terra, caiu a maior carga de água que já vimos nesta viagem. De repente desatou a chover torrencialmente, mas em vez de durar uns minutos, manteve-se com grande intensidade durante cerca de 3 horas. Felizmente estávamos no Mango Cafe, pelo que pudemos assistir ao espectáculo sem nos molharmos.