Allegro (no Mediterrâneo)

Allegro (no Mediterrâneo)
Allegro nas Baleares

quarta-feira, 1 de junho de 2016

QUINTA-FEIRA, 26 DE MAIO A DOMINGO, 29 DE MAIO DE 2016

10º a 13º dias da perna Bermuda - Faial.
Estes 4 dias têm-se passado bem, com alguns períodos com muito pouco vento e necessidade de usar o motor para avançarmos, e outros de vento mesmo pela popa, o que, com as ondas, se torna uma mareação menos confortável. Mas tudo tem corrido bem a bordo, sem sobressaltos.
O dia 26 foi um dia praticamente sem vento, e tivemos que andar a motor todo o dia e noite.
No dia 27, o vento reapareceu e foi um agradável dia de vela - e de descanso do barulho do motor…
Na última noite o vento estava fraco, mesmo de popa, e o mar mais agitado, fazendo com que a retranca balançasse toda a noite com cada onda um pouco maior.
Agora de manhã estão 10 nós pela popa, muito pouco para o Allegro e temos ajudado com o motor, fazendo “motorsailing”.
Soubemos há 2 dias que se formou uma depressão e que vamos apanhar algum mau tempo antes de chegarmos à Horta. Estava a correr muito bem esta perna, queríamos mais vento, mas não demais… É assim, o equilíbrio é muito difícil…
Contamos chegar no dia 1. Já estamos a antecipar a sensação de estarmos em terras de Portugal outra vez, a beber o inevitável gin tónico no Peter’s Café!


MA + LA

TERÇA-FEIRA, 17 DE MAIO A QUARTA-FEIRA, 25 DE MAIO DE 2016

Estava um dia de sol, vento de 12 nós, uma bolina inicialmente. O vento rondou de NE, para ESE, e finalmente SE toda a noite. Muitas nuvens durante a noite, mas ainda sem chuva. A pressão atmosférica estava nos 1027 quando largámos, e foi baixando progressivamente até aos 1018 dois dias depois, ficando o tempo sempre encoberto, ainda sem chuva.
No dia 20, às 0400 h da madrugada (porque é que tudo acontece sempre pelas 04 da madrugada?) entrou uma vaga grande, súbita e inesperadamente, para o poço. Daí passou para o salão, e escorreu pela parede da parte de trás da cozinha, onde fica o quadro eléctrico geral. Aparentemente não foi até à casa das máquinas. Como consequência, cerca de 30 a 60 min depois, o gerador ligou-se sozinho tendo que ser parado com o corta-corrente respectivo (o quadro electrónico do gerador deixou de responder). Apesar de se ter limpo o quadro, e ter aplicado o spray adequado, cada vez que, mais tarde, se ligava o corta-corrente, o motor de arranque do gerador começava a trabalhar. Ficou em curto-circuito. E, assim, ficámos sem possibilidade de utilizar o gerador para carregar baterias e para ter 220V. O que significa que deixámos de poder usar o dessalinizador para fazer água, que está agora sob racionamento. A loiça passou a ser lavada apenas com água salgada, e foi restringida a água que usávamos sem grande preocupação de economia… Felizmente que, na véspera, tínhamos praticamente enchido o depósito grande de água. E, para beber, há muita, muita água engarrafada a bordo…
Na tarde também de dia 20 caiu a primeira grande carga de água, o que aconteceu em simultâneo com um aumento súbito do vento de 24 para 34 nós, rondando de SW para W, voltando mais tarde para S, e uma trovoada intensa, em que a um dos relâmpagos se seguiu imediatamente o trovão, não nos dando tempo de contar nem até 1. Muito próximo mesmo!… E desagradável, fazendo-nos lembrar o Garlix que de Richards Bay para Cape Town foi atingido por um raio e teve que seguir até à Cidade do Cabo sem electrónica (onde foi totalmente substituída). Muito provavelmente estas alterações foram provocadas pela passagem de uma frente.
No dia 21, vento de NW pelos 20 nós durante a madrugada e manhã, depois 14, 12, 10… A pressão atmosférica voltara aos 1024. Às 02h da madrugada de dia 22, tivemos que ligar o motor. Assim ficou até às 16h, altura em que foi reaparecendo algum vento, que se tornou mais consistente durante a noite e se manteve todo o dia até à madrugada de dia 24. E então praticamente desapareceu. A pressão chegou aos 1032, estávamos mesmo no centro da zona de alta pressão, como vimos na meteorologia que recebemos nesse dia. Um dia com muito pouca progressão, e algum motor. Não queríamos abusar do motor porque as previsões para os próximos dias não iam além dos 10 nós, o que muitas vezes quer dizer menos de 10, o que para o Allegro é pouco… E ainda nos faltam muitas milhas.
Entretanto, boa notícia, já passámos o meio caminho desta perna, ontem de manhã. O que é animador!…
Hoje, dia 25, às 02 da madrugada, o turno acabou com o motor ligado e apenas 6 nós de vento de WSW, o que foi registado no livro de bordo. Quando se estava a passar o turno ao tripulante seguinte, que estava a entrar, começou a surgir uma brisa, e aí estavam 8-10 nós de vento, de WNW. Foi desenrolada a genoa, parado o motor, e o barco ficou a fazer 5.6 a 6.0 nós com esse ventinho, porque entretanto uma corrente favorável resolveu também empurrar-nos para a frente. E já é quase meio dia, e para a frente continuamos!
As “grib files”, que mandamos vir por e-mail (satélite), têm-se revelado certas, são uma ajuda preciosa.
Nos últimos dias temos posto na água as amostras “garantidas” de Savu-Savu, mas ainda não houve nenhum peixe que lhes mordesse.
E a comida continua a ser óptima a bordo, com o Rui a fazer o almoço para ele e para o Luís, e a Manuela a fazer a sopa do jantar para os três. Ao almoço, desde há muito tempo que faço dieta (para aí desde a Austrália…), porque com o tipo de cozinha do Rui não parava de engordar e tive que me começar a defender…


MA+LA

DE SÁBADO, 7 DE MAIO A SEGUNDA-FEIRA, 16 DE MAIO DE 2016

Largámos com bom vento, um tanto irregular na sombra das ilhas, mas suficiente para andarmos bem à vela. Perto de 50 barcos, entre os que farão a ARC Europa e os que vão para os EUA (ARC USA).
À noite desse primeiro dia, o vento caiu, e tivemos que ligar o motor durante algumas horas, até ao final do dia 8.
Durante a noite de 8 e nos dias 9, 10 e durante a manhã do dia 11, houve sempre vento entre 12 e 15 nós, num largo de que o Allegro (e nós) gosta (gostamos) muito. Andámos muito bem, uma vela muito agradável, com o mar a sossegar progressivamente. Muito bom.
Depois...acabou-se. O vento caiu completamente. E o fim da tarde de 11, todo o dia 12 e 13 até chegarmos à cidade de St. Georges, na Bermuda, teve que ser feito a motor. Uma pena...
Entrámos no porto a caminho da doca dos "customs", e do Iate Club que ficava no caminho, chegaram até nós os gritos de "Allegro" e "Welcome" - estava a decorrer o BBQ e a festa de máscaras dos piratas, e a varanda do Club estava cheia de velejadores que nos viram chegar e nos saudaram.
Nessa noite, depois de fazermos o check in da Bermuda, ficàmos abraçados a outros dois barcos, na doca da cidade. Jantámos em terra, peixe muito bom.
Na manhã seguinte foi o dia de abastecimento de gasóleo, e, como tínhamos sido o último barco a atracar, fomos o primeiro a ter que sair e também o primeiro a abastecer, o que foi óptimo porque nos permitiu arrumar e limpar o barco e ficarmos com tempo livre.
Aproveitámos para alugar uma motorizada e dar uma volta pela Ilha.
A Ilha da Bermuda é muito bonita, todos os telhados estão pintados de branco (o que faz um efeito de postal de Natal, como se fosse neve), as casas pintadas de cores variadas, tudo muito limpo, acolhedor, muito "british"; os jardins públicos e privados, e a vegetação ao longo da estrada muito bem tratados, casas bonitas, enfim, dá gosto ver. É uma ilha cara, a vida é cara, mas uma ilha muito bonita e bem tratada. E onde as pessoas são muito simpáticas, bem dispostas e acolhedoras.
O traje local típico dos homens é... a bermuda, e meias até ao joelho. Mais chique, inclui uma camisa branca, e gravata de seda a condizer com o padrão das bermudas, e blazer.
No Domingo houve o jantar da distribuição dos prémios, no Iate Club. Entre os barcos premiados, vários da World ARC: Garlix, Ayama, Exody e Circe.
E hoje, segunda-feira, um jantar dos participantes da World ARC aqui presentes na Bermuda. Éramos 17 pessoas, de 8 barcos (o Allegro é o único barco com 3 tripulantes, todos os outros são tripulados por um casal) que amanhã se irão separar: Allegro, A Plus 2, Circe e Garlix, seguimos com a ARC Europa.
Os restantes,  Ayama, Exody, Hugur e Starblazer, seguem com a ARC USA.
E hoje, pelas 11 horas, largaremos para a perna mais comprida deste regresso à Europa, 1800 milhas da Bermuda à cidade da Horta, no Faial.