Allegro (no Mediterrâneo)

Allegro (no Mediterrâneo)
Allegro nas Baleares

quarta-feira, 15 de abril de 2015

TERÇA-FEIRA, 14 E QUARTA-FEIRA, 15 DE ABRIL DE 2015

Depois de mais de 24 h sem vento (já é sina nossa...) e a motor, chegámos ao atol de Fakarava, no Arquipélago das Tuamotus.
O passe do Atol é surpreendentemente largo, a maré estava no estofo antes da enchente, e não havia vento - situação ideal para entrar na lagoa do atol tranquilamente.
Percorremos o canal balizado até à aldeia de Rotoava. Aí encontrámos fundeados vários barcos da frota. O Makena, e apareceu logo o Luc no dinghy para nos indicar onde fundear; o Aretha, o Exocet Strike, o Garlix, e o Pentagrama que chegou mesmo à nossa frente.
Fundeámos com arinque em 12m, fundo de areia e com cabeças de coral. A água varia entre o azul (mais fundo), o verde escuro, o verde claro (mais turquesa)... A costa é plana, com mais vegetação do que supúnhamos, pela descrição do guia. E a lagoa é imensa.
Acabados de fundear e já tínhamos a Stephanie, o contacto local da World ARC, a perguntar de que é que precisávamos e a dar informações sobre Rotoava. Levou logo a roupa para lavar.
Enchemos o dinghy, e fomos nele cumprimentar os vários barcos conhecidos. Tomámos um café no Aretha, onde havia Legos espalhados pelo poço. Os três miúdos fizeram-nos também companhia, intervindo na conversa. Muito simpáticos. A mais novinha, que fez 3 anos no dia 5, não pára quieta, não pára de falar, e estivemos a construir Legos as duas. O Casper e a Nichola deram-nos muitas sugestões de programas a fazer aqui.
Depois fomos a terra. Levámos o lixo, claro. Há um pequeno porto, de cimento, onde podemos deixar o dinghy abrigado, do lado de dentro, e onde afraca o barco que abastece a ilha e, por vezes, barcos de passageiros, paquetes de turismo.
Logo nessa zona fica a cantina escolar, cheia de crianças a entrar, e das suas vozes e risos a ecoar no porto. Por trás, a escola primária, a única que existe na ilha, para prosseguirem os estudos as crianças têm que ir para Tahiti ou Rangiroa. Depois, a "Mairie", os Correios, com um ATM no mesmo edifício, e um pequeno hospital, que neste momento funciona apenas com enfermeiros, visto que o único médico existente na ilha se foi embora... Podemos encarar a hipótese de o substituir, mas... fica um bocado fora de mão!...

Toda aqueles edifícios são novos, muito limpos e cuidados. A rua, de cimento, estende-se ao longo da faixa de terra, ao bordo da lagoa. Passámos por duas lojas que vendem um pouco de tudo, pela loja que vende as famosas pérolas negras, principal fonte de rendimento da ilha, para além do turismo, pelo centro de mergulho e por duas igrejas. Há coqueiros por todo o lado, mas também pinheiros da Polinésia e arbustos floridos e flores. Esperava um local muito árido, só com coqueiros, mas afinal... é muito bonito.
Almoçámos num snackbar rudimentar, mas comemos bem.
E depois fomos ao centro de mergulho. Era só para sabermos informações, mas ia mergulhar um grupo pequeno, e o Luís aproveitou para ir logo. Ao Rui não o deixaram, porque, pela lei francesa, precisava de uma declaração médica e de um seguro específicos para o mergulho, que não tinha... Ficou com muita pena.
O Luís gostou imenso! Foram mergulhar no passe, na entrada do atol, com a corrente a sair para o mar, levando com ela um grande movimento de peixes, de todas as cores e feitios, incluindo os inevitáveis tubarões!...
Voltámos ao barco, recebemos a roupa lavada, vestimos roupa seca e fomos jantar a terra. A Elda veio buscar-nos ao cais, num carro todo o terreno, como é costume aqui, e levou-nos a jantar ao restaurante dela, muito simples, com varanda sobre a água. O marido chegou da pesca, com seis atuns, enquanto preparavam o nosso jantar: "mahi mahi" grelhado, com salada, batatas fritas ou arroz. O casal tinha vários cães, que entravam na água de vez em quando e ladravam aos "peixes". Fomos observar. Afinal os peixinhos eram tubarões pequenos, e, de vez em quando, tubarões maiores aproximavam-se, sobretudo depois de o pescador ter atirado para a água as tripas dos peixes que pescaram. O tubarão maior que vimos chegar ali, era bem mais comprido que a minha altura, e chegava tão perto da margem, que ficava com o dorso fora de água!... Com as luzes do restaurante, começávamos por ver a barbatana dorsal dos maiores iluminada pelas luzes, a aproximar-se da varanda. Os cães ficavam malucos! Perguntámos se os tubarões não lhes mordiam. Responderam que não, que às vezes eram eles que mordiam aos tubarões!... Já nada é como pensávamos que era! Um tubarão parece ser, afinal, um animal inofensivo. Mas continua a meter-nos respeito!
A Elda trouxe-nos de volta e dormimos o sono dos justos, numa água que não mexe, o barco quieto, um ventinho para refrescar o calor da noite...
De manhã, um banho de mar para começar, com água a 29 graus.
Depois, às 08:00, veio o Andy, do Pentagram ver o que se passa com a nossa electricidade, gerador, inversor, interruptor...
A Stephanie já veio receber o dinheiro da roupa (ontem não tinha troco). E às 10:00 vêm-nos buscar ao cais para uma visita a uma "quinta" de pérolas. É aproveitar para condensar o turismo todo nestes dois dias que aqui passamos, porque queremos chegar a Tahiti com tempo para arranjar as avarias.

MA+LA

QUINTA-FEIRA 09 DE ABRIL DE 2015 A DOMINGO 12 DE ABRIL DE 2015


 

Não fizemos uma referência ao enrolamento, por duas vezes, do cabo do segundo ferro à volta do leme.
De facto isso aconteceu depois de um outro barco que estava ao pé de nós nos ter levantado o cabo (e o ferro) quando levantou fero e saiu. Depois disso a nossa posição foi-se alterando muito lentamente mas na terça e, depois na quarta tive que mergulhar para o libertar.


A largada de Hiva Oa demorou mais tempo porque soltar o arinque do ferro foi mais trabalhoso do que esperávamos.
Depois de largarmos, no dia 09, às 13.20, percorremos o canal de separação entre as ilhas Hiva Oa e Tahuata a motor, porque o mar estava desencontrado e o vento irregular nessa zona, e dirigimo-nos para Sudoeste, em direcção às Tuamotus, mais precisamente ao atol de Fakarava.
Enquanto tivemos por bombordo a Ilha de Tahuata, com as suas montanhas, o vento, de SE, foi soprando com as irregularidades próprias da sombra da ilha. Depois de ultrapassada esta, houve um momento em que pensámos que o vento ia cair, mas pouco depois aumentou para 15-20 nós, de ESE e assim se manteve toda a noite, e o dia seguinte, permitindo-nos um rumo directo ao destino e a bom ritmo.
Ontem, dia 11, já foi mais irregular, com alturas de vento fraco, em que ligámos o motor, e períodos de bom vento.

Hoje tinha começado bem o dia.
Ontem conseguíramos andar razoavelmente bem durante a manhã e tarde e a noite foi calma e produtiva em termos de aproximação do waypoint.
Parece começar tudo a decorrer de uma forma mais “normal” sem mais problemas!

Hoje tinha começado bem o dia ...
Mas depois complicou-se quando a Manela me disse que o inversor não estava a trabalhar.
Desta vez é o inversor que produz 220 (produz?) que depois não chegam ao seu destino. É como com os 220V do gerador.
Tudo continua a parecer passar pelo interruptor separador (para utilização dos 220V do gerador ou do inversor).
Agora ambos não introduzem os 220V no sistema eléctrico do barco.
Por isso agora deixamos de poder fazer água porque o estávamos a fazer recorrendo ao inversor e o inversor avariou.
Isto até Taiti, onde espero tudo se venha a resolver de uma form definitiva.

Quanto ao resto, muito pouco vento, entre os 6 e os 11-12 nós, por isso progredimos lentamente. Já tivemos o motor ligado durante algum tempo durante a manhã e, se tudo continuar assim, voltamos a fazê-lo à tarde e, quem sabe, à noite. Para tentarmos ir a Fakarava.


LA+MÁ

QUINTA-FEIRA 2 DE ABRIL A QUINTA-FEIRA 9 DE ABRIL DE 2015

MARQUESAS - TAHUATA

Depois de 28 dias de mar, de Galápagos para as Marquesas, chegámos à Ilha de Tahuata na madrugada de dia 2 de Abril: às 03.30 hora de Galápagos, e à meia noite, hora das Marquesas. Aqui são UTC menos 09.30 h.

Chegámos à Baía de Hana Moe Noa, onde pernoitavam vários barcos da frota da World ARC depois de no dia anterior terem tido o Rendezvous numa baía mais a Sul. Ninguém acordou em nenhum dos barcos e, ajudados pelo luar, fundeámos sem problemas em cerca de 10 m, e deitámos-nos a descansar, que bem precisávamos.
Acordámos de manhã, com a voz do Rui lá fora a falar francês com alguém, e pensámos que estaria a comprar fruta a algum indígena. Quando chegámos lá fora, é que percebemos: tinha sido a Sarah do Makena que tinha vindo no dinghy trazer-nos fruta, legumes, leite, pão, manteiga, ovos, tudo aquilo que achou que estaríamos há mais tempo a precisar. Foi uma surpresa fantástica! Pouco depois, o Casper do Aretha trouxe também uma toranja e uma papaia grandes, e… um jerrycan com gasóleo! Finalmente, apareceram o Jean e a Christiane do A Plus 2, com os habituais chocolates, que já se transformaram numa brincadeira entre nós! A recepção não podia ter sido mais calorosa e amiga! Ficámos encantados!
E, para terminar em grande, fomos convidados para tomar o pequeno almoço a bordo do Makena, um catamaran de 65 pés, onde foram chegando as tripulações do Aretha (os pais, os 3 filhos - 9, 8 e 3 anos, e uma amiga), do A Plus 2 (Jean e Christiane) e do Exody (Peter, Marian e um amigo). Assim, pudemos conviver com todos enquanto bebíamos cappuccinos e comíamos fruta e crepes feitos pela Sarah, que estavam uma delícia! O Luc veio-nos buscar e trazer ao barco. O Kai, o filho de 1 ano que temos vindo a ver crescer ao longo da viagem, está mais crescido, mas ainda não anda (já houve apostas quanto à data em que começaria a andar, mas ninguém acertou!). A bordo do Makena vive também o David, pai da Sarah.
Do alto do andar superior do Makena vimos mantas grandes a nadarem à superfície, com a parte inferior muito branca bem visível enquanto nadavam majestosamente. Muito bonito! Vimos também uma tartaruga grande e vários golfinhos. Tudo isto numa água duma transparência incrível!
Depois chegou a hora de irmos embora, depois de um banho de mar com “snorkeling”, durante o qual vimos peixes de várias cores e feitios.
Levantámos ferro e… estava anormalmente difícil e pesado. O ferro tinha trazido para a superfície, encaixado nele, um enorme bloco de coral!
Com a ajuda do Jean e da Christiane no dinghy deles, conseguimos que se soltasse, e pudemos seguir viagem, com muita pena de não podermos ficar com a frota… Mas tínhamos que ir fazer o check in, abastecer de gasóleo e comes e bebes, na Ilha de Hiva Oa.

MARQUESAS - HIVA OA

Um plano simples, aparentemente. Chegar lá, abastecer, dar uma vista de olhos pela ilha, ir à internet e ao supermercado, e seguir viagem para as Tuamotus.
Mas… Era Páscoa! E Páscoa na Ilha de Hiva Oa significa feriados de 5ª a 2ª inclusive, com tudo fechado, incluída a única estação de serviço da ilha!…

A Ilha de Hiva Oa é uma ilha alongada, no sentido Este-Oeste, com 23 milhas de comprimento, fazendo uma espécie de virgula à volta da enorme “Baie des Traitres” aberta a Este e exposta aos ventos dominantes. As costas são escarpadas, os abrigos pouco numerosos, e o único ancoradouro abrigado é a Baía de Tahauku, na proximidade da vila de Atuona (a 4 Km), aberta a sudoeste e pouco profunda, que tem um pequeno porto, estação de serviço com uma loja pequena, mas bem abastecida, com as coisas básicas para um reabastecimento (por incrível que pareça, aí encontrámos Magnum Double Chocolat, o gelado preferido do Luís!), água potável, um duche público rudimentar, e o pior pontão para dinghys que encontrámos até agora!
Há dois pontões para dinghys, um de madeira mais perto da estação de serviço e outro de cimento mais perto do local que serviu de “escritório” primeiro para WCC, agora para o Blue Planet Rally (organizado pelo Jimmy Cornell).
Em qualquer deles há parafusos, pregos e enormes irregularidades que facilmente perfuram os dinghys!
Todos os anos (este também) acontecem esses acidentes e nada se faz para o evitar. Quando se regressa de terra nunca se sabe o que se vai encontrar.

Fundeámos nessa baía, com ferro à proa e à popa, em 5 m de água.

À chegada contactámos a Sandra por VHF, um contacto indicado pela Rally Control, e que muito nos ajudou. É também ela que trata da lavandaria, pelo que, mal a vimos, na 6ª Feira de manhã, lhe entregámos logo os vários sacos de roupa acumulados em 4 semanas de viagem.
Levou-nos à “Gendarmerie” fazer o check in da Polinésia Francesa. Aí encontrámos os polícias mais simpáticos da viagem. Ela, mais nova, mas a chefe do posto, era daqui da Polinésia. E ele, presumivelmente vindo de França visto que não falava muito polinésio, também muito simpático e prestável. Num instante, agradável, se despachou a burocracia necessária.
Mas, em relação ao papel que nos isenta de pagar o imposto do gasóleo, o que se traduz em gasóleo a metade do preço, esse tinha que ser tratado na “Mairie, e só ficar pronto na 3ª Feira, dia 7, ao início da tarde. E como entretanto chegou o barco grande que abastece a ilha, a estação de serviço fechou para ser abastecida. E, portanto, só na 4ª Feira, dia 8 de Abril pudemos, finalmente fazer o abastecimento de gasóleo!…

A vila de Atuona é pequena, constituída essencialmente por uma estrada principal, ao longo da qual se encontram, além da “Gendarmerie” e da “Mairie”, supermercados, pequenas lojas razoavelmente abastecidas, um posto de correios, um Banco com ATM, a agência da “Air Tahiti”, farmácia, um pequeno hospital, um centro cultural dedicado a Paul Gauguin, que aqui viveu no início do século XIX, e o cemitério onde se encontram os túmulos de Gauguin e de Jacques Brel, que viveu nesta ilha durante os seus últimos 3 anos. Também nessa estrada se encontra o “Salon de Thé Chez Eliane”, uma espécie de armazém arranjado com mesas e sofás, onde se comem uns bons crepes e, principalmente, o único local público com (medíocre) acesso à internet.

Conseguimos ir à internet nesse local no Sábado de manhã e na 3ª Feira dia 7, porque nos outros dias esteve fechado.

Queríamos ter ido visitar o centro cultural Gauguin, mas com tantos feriados não conseguimos.

Os supermercados abriam geralmente durante a manhã, mas havia rotura de vários stocks, nomeadamente coisas tão simples como batatas e cebolas, porque estavam à espera do barco de reabastecimento. Só na 3ª Feira o comércio retomou o ritmo normal.

No Domingo de Páscoa fomos dar uma volta pela Ilha, num carro com condutor que nos serviu também de guia.
A Ilha de Hiva Oa é montanhosa, com um relevo muito irregular, coberta de floresta virgem, mangais, pinheiros da Polinésia nos locais mais elevados, e toda esta vegetação é densa e exuberante.
As estradas têm alguns troços em cimento, e outros em terra batida, e esta é a razão porque quase só se vêem carros de todo o terreno, com tracção às 4 rodas.

Fomos ver os “Tikis”, estátuas em pedra de figuras humanas, representando sobretudo deuses, chefes tribais ou guerreiros. Vimos um primeiro Tiki isolado, chamado “Tiki sorridente”, uma figura feminina, com cerca de 1 metro de altura, situada próximo de um antigo altar de sacrifícios, constituído por enormes pedras planas sobrepostas.
O nosso condutor levou-nos, depois, a ver o aeroporto da ilha, Aeroporto Jacques Brel, um aeroporto pequeno, muito simples e curioso, nomeado assim porque o cantor belga Jacques Brel, além de ter vivido aqui alguns anos, era piloto, e participou em várias ajudas humanitárias com o seu avião.

Seguimos depois para o lado norte da Ilha, para Puaumau, pequeno porto, conhecido por aí se situar o maior conjunto arqueológico da Ilha, um santuário com inúmeros “Tikis”.
Numa das aldeias por onde passámos, havia uma festa de Páscoa, constituída por um grande almoço comunitário, onde se encontrava o Bispo das Marquesas. Quando nos viram, convidaram-nos para partilhar do almoço deles. Foi um convite que não podíamos recusar. Assim, provámos frango com papaia verde e molho de leite de côco, arroz à cantonês, uma delícia, banana frita e vários outros petiscos. A grande maioria da ilha é católica, mas existem também anglicanos, mormons e a igreja evangélica.

Almoçámos em Puaumau, um picnic levado pelo condutor, onde se destacaram as mangas e as toranjas, que eram óptimas!

De regresso ao barco, foi jantar e descansar. Isto é, era para ser…
O Luís ligou o motor para carregar baterias, e passado algum tempo detectou uma fuga de gases de escape por uma fenda na panela…

Na 2ª Feira, a Sandra arranjou-nos um mecânico, que trabalha no aeroporto, e que veio à tarde. Em dois tempos tirou a panela de escape e levou-a com ele para soldar. Trouxe-a de volta no dia seguinte ao fim da tarde, recolocou-a, e parece estar a funcionar bem.
E já agora, que tínhamos o dia estragado, veio de manhã um técnico de frio arranjar o congelador, que parece estar a funcionar novamente. Só não pudemos experimentar durante tempo suficiente porque estávamos em contenção de energia, enquanto não abastecêssemos.

Na 4ª Feira dia 08, conseguimos finalmente abastecer o barco de gasóleo! Isso significou cinco viagens de dinghy até ao pontão perto da estação de serviço, com 5 jerrycans de cada vez, que tiveram que ser carregados à mão porque não há qualquer carrinho que facilite a tarefa. Mas o pior aspecto de todos é o facto de os pontões para dinghys desta ilha serem umas autênticas armadilhas para os pobres barquitos. Todos os anos vários barcos se furam ou rasgam naqueles pontões.

Depois de todas estas viagens, acabou-se o gasóleo na bomba! Felizmente já tínhamos o necessário para nós, só 2 jerrycans ficaram por encher.

À tarde fomos, o Rui e eu, ao supermercado abastecer. Nesta ilha não há táxis. Pede-se boleia, e geralmente alguém nos leva. Desta vez tivemos a sorte de quem nos levou se ter disposto a esperar por nós e a trazer-nos de volta. Chamava-se “A P” (?) e disse que ia fazer de nosso táxi. E assim foi!
À chegada ao dinghy, mesmo quando tínhamos acabado de meter os sacos e caixas todos lá dentro, caiu uma chuvada súbita e torrencial, que nos encharcou em dois tempos, assim como às nossas compras. E os albóis tinham ficado abertos… (pois é RS!) Enfim, compras e barco molhados, mas barco abastecido, que é o que importa.

Hiva Oa já chega!
Amanhã levantaremos ferro (foi o que pensámos no dia 08).


MA+LA

Depois de 28 dias de mar, de Galápagos para as Marquesas, chegámos à Ilha de Tahuata na madrugada de dia 2 de Abril: às 03.30 hora de Galápagos, e à meia noite, hora das Marquesas. Aqui são UTC menos 09.30 h.
Chegámos à Baía de Hana Moe Noa, onde pernoitavam vários barcos da frota da World ARC depois de no dia anterior terem tido o Rendezvous numa baía mais a Sul. Ninguém acordou em nenhum dos barcos e, ajudados pelo luar, fundeámos sem problemas em cerca de 10 m, e deitámos-nos a descansar, que bem precisávamos.
Acordámos de manhã, com a voz do Rui lá fora a falar francês com alguém, e pensámos que estaria a comprar fruta a algum indígena. Quando chegámos lá fora, é que percebemos: tinha sido a Sarah do Makena que tinha vindo no dinghy trazer-nos fruta, legumes, leite, pão, manteiga, ovos, tudo aquilo que achou que estaríamos há mais tempo a precisar. Foi uma surpresa fantástica! Pouco depois, o Casper do Aretha trouxe também uma toranja e uma papaia grandes, e… um jerrycan com gasóleo! Finalmente, apareceram o Jean e a Christiane do A Plus 2, com os habituais chocolates, que já se transformaram numa brincadeira entre nós! A recepção não podia ter sido mais calorosa e amiga! Ficámos encantados!
E, para terminar em grande, fomos convidados para tomar o pequeno almoço a bordo do Makena, um catamaran de 65 pés, onde foram chegando as tripulações do Aretha (os pais, os 3 filhos - 9, 8 e 3 anos, e uma amiga), do A Plus 2 (Jean e Christiane) e do Exody (Peter, Marian e um amigo). Assim, pudemos conviver com todos enquanto bebíamos cappuccinos e comíamos fruta e crepes feitos pela Sarah, que estavam uma delícia! O Luc veio-nos buscar e trazer ao barco. O Kai, o filho de 1 ano que temos vindo a ver crescer ao longo da viagem, está mais crescido, mas ainda não anda (já houve apostas quanto à data em que começaria a andar, mas ninguém acertou!). A bordo do Makena vive também o David, pai da Sarah.
Do alto do andar superior do Makena vimos mantas grandes a nadarem à superfície, com a parte inferior muito branca bem visível enquanto nadavam majestosamente. Muito bonito! Vimos também uma tartaruga grande e vários golfinhos. Tudo isto numa água duma transparência incrível!
Depois chegou a hora de irmos embora, depois de um banho de mar com “snorkeling”, durante o qual vimos peixes de várias cores e feitios.
Levantámos ferro e… estava anormalmente difícil e pesado. O ferro tinha trazido para a superfície, encaixado nele, um enorme bloco de coral!
Com a ajuda do Jean e da Christiane no dinghy deles, conseguimos que se soltasse, e pudemos seguir viagem, com muita pena de não podermos ficar com a frota… Mas tínhamos que ir fazer o check in, abastecer de gasóleo e comes e bebes, na Ilha de Hiva Oa.

MARQUESAS - HIVA OA

Um plano simples, aparentemente. Chegar lá, abastecer, dar uma vista de olhos pela ilha, ir à internet e ao supermercado, e seguir viagem para as Tuamotus.
Mas… Era Páscoa! E Páscoa na Ilha de Hiva Oa significa feriados de 5ª a 2ª inclusive, com tudo fechado, incluída a única estação de serviço da ilha!…

A Ilha de Hiva Oa é uma ilha alongada, no sentido Este-Oeste, com 23 milhas de comprimento, fazendo uma espécie de virgula à volta da enorme “Baie des Traitres” aberta a Este e exposta aos ventos dominantes. As costas são escarpadas, os abrigos pouco numerosos, e o único ancoradouro abrigado é a Baía de Tahauku, na proximidade da vila de Atuona (a 4 Km), aberta a sudoeste e pouco profunda, que tem um pequeno porto, estação de serviço com uma loja pequena, mas bem abastecida, com as coisas básicas para um reabastecimento (por incrível que pareça, aí encontrámos Magnum Double Chocolat, o gelado preferido do Luís!), água potável, um duche público rudimentar, e o pior pontão para dinghys que encontrámos até agora!
Há dois pontões para dinghys, um de madeira mais perto da estação de serviço e outro de cimento mais perto do local que serviu de “escritório” primeiro para WCC, agora para o Blue Planet Rally (organizado pelo Jimmy Cornell).
Em qualquer deles há parafusos, pregos e enormes irregularidades que facilmente perfuram os dinghys!
Todos os anos (este também) acontecem esses acidentes e nada se faz para o evitar. Quando se regressa de terra nunca se sabe o que se vai encontrar.

Fundeámos nessa baía, com ferro à proa e à popa, em 5 m de água.

À chegada contactámos a Sandra por VHF, um contacto indicado pela Rally Control, e que muito nos ajudou. É também ela que trata da lavandaria, pelo que, mal a vimos, na 6ª Feira de manhã, lhe entregámos logo os vários sacos de roupa acumulados em 4 semanas de viagem.
Levou-nos à “Gendarmerie” fazer o check in da Polinésia Francesa. Aí encontrámos os polícias mais simpáticos da viagem. Ela, mais nova, mas a chefe do posto, era daqui da Polinésia. E ele, presumivelmente vindo de França visto que não falava muito polinésio, também muito simpático e prestável. Num instante, agradável, se despachou a burocracia necessária.
Mas, em relação ao papel que nos isenta de pagar o imposto do gasóleo, o que se traduz em gasóleo a metade do preço, esse tinha que ser tratado na “Mairie, e só ficar pronto na 3ª Feira, dia 7, ao início da tarde. E como entretanto chegou o barco grande que abastece a ilha, a estação de serviço fechou para ser abastecida. E, portanto, só na 4ª Feira, dia 8 de Abril pudemos, finalmente fazer o abastecimento de gasóleo!…

A vila de Atuona é pequena, constituída essencialmente por uma estrada principal, ao longo da qual se encontram, além da “Gendarmerie” e da “Mairie”, supermercados, pequenas lojas razoavelmente abastecidas, um posto de correios, um Banco com ATM, a agência da “Air Tahiti”, farmácia, um pequeno hospital, um centro cultural dedicado a Paul Gauguin, que aqui viveu no início do século XIX, e o cemitério onde se encontram os túmulos de Gauguin e de Jacques Brel, que viveu nesta ilha durante os seus últimos 3 anos. Também nessa estrada se encontra o “Salon de Thé Chez Eliane”, uma espécie de armazém arranjado com mesas e sofás, onde se comem uns bons crepes e, principalmente, o único local público com (medíocre) acesso à internet.

Conseguimos ir à internet nesse local no Sábado de manhã e na 3ª Feira dia 7, porque nos outros dias esteve fechado.

Queríamos ter ido visitar o centro cultural Gauguin, mas com tantos feriados não conseguimos.

Os supermercados abriam geralmente durante a manhã, mas havia rotura de vários stocks, nomeadamente coisas tão simples como batatas e cebolas, porque estavam à espera do barco de reabastecimento. Só na 3ª Feira o comércio retomou o ritmo normal.

No Domingo de Páscoa fomos dar uma volta pela Ilha, num carro com condutor que nos serviu também de guia.
A Ilha de Hiva Oa é montanhosa, com um relevo muito irregular, coberta de floresta virgem, mangais, pinheiros da Polinésia nos locais mais elevados, e toda esta vegetação é densa e exuberante.
As estradas têm alguns troços em cimento, e outros em terra batida, e esta é a razão porque quase só se vêem carros de todo o terreno, com tracção às 4 rodas.

Fomos ver os “Tikis”, estátuas em pedra de figuras humanas, representando sobretudo deuses, chefes tribais ou guerreiros. Vimos um primeiro Tiki isolado, chamado “Tiki sorridente”, uma figura feminina, com cerca de 1 metro de altura, situada próximo de um antigo altar de sacrifícios, constituído por enormes pedras planas sobrepostas.
O nosso condutor levou-nos, depois, a ver o aeroporto da ilha, Aeroporto Jacques Brel, um aeroporto pequeno, muito simples e curioso, nomeado assim porque o cantor belga Jacques Brel, além de ter vivido aqui alguns anos, era piloto, e participou em várias ajudas humanitárias com o seu avião.

Seguimos depois para o lado norte da Ilha, para Puaumau, pequeno porto, conhecido por aí se situar o maior conjunto arqueológico da Ilha, um santuário com inúmeros “Tikis”.
Numa das aldeias por onde passámos, havia uma festa de Páscoa, constituída por um grande almoço comunitário, onde se encontrava o Bispo das Marquesas. Quando nos viram, convidaram-nos para partilhar do almoço deles. Foi um convite que não podíamos recusar. Assim, provámos frango com papaia verde e molho de leite de côco, arroz à cantonês, uma delícia, banana frita e vários outros petiscos. A grande maioria da ilha é católica, mas existem também anglicanos, mormons e a igreja evangélica.

Almoçámos em Puaumau, um picnic levado pelo condutor, onde se destacaram as mangas e as toranjas, que eram óptimas!

De regresso ao barco, foi jantar e descansar. Isto é, era para ser…
O Luís ligou o motor para carregar baterias, e passado algum tempo detectou uma fuga de gases de escape por uma fenda na panela…

Na 2ª Feira, a Sandra arranjou-nos um mecânico, que trabalha no aeroporto, e que veio à tarde. Em dois tempos tirou a panela de escape e levou-a com ele para soldar. Trouxe-a de volta no dia seguinte ao fim da tarde, recolocou-a, e parece estar a funcionar bem.
E já agora, que tínhamos o dia estragado, veio de manhã um técnico de frio arranjar o congelador, que parece estar a funcionar novamente. Só não pudemos experimentar durante tempo suficiente porque estávamos em contenção de energia, enquanto não abastecêssemos.

Na 4ª Feira dia 08, conseguimos finalmente abastecer o barco de gasóleo! Isso significou cinco viagens de dinghy até ao pontão perto da estação de serviço, com 5 jerrycans de cada vez, que tiveram que ser carregados à mão porque não há qualquer carrinho que facilite a tarefa. Mas o pior aspecto de todos é o facto de os pontões para dinghys desta ilha serem umas autênticas armadilhas para os pobres barquitos. Todos os anos vários barcos se furam ou rasgam naqueles pontões.

Depois de todas estas viagens, acabou-se o gasóleo na bomba! Felizmente já tínhamos o necessário para nós, só 2 jerrycans ficaram por encher.

À tarde fomos, o Rui e eu, ao supermercado abastecer. Nesta ilha não há táxis. Pede-se boleia, e geralmente alguém nos leva. Desta vez tivemos a sorte de quem nos levou se ter disposto a esperar por nós e a trazer-nos de volta. Chamava-se “A P” (?) e disse que ia fazer de nosso táxi. E assim foi!
À chegada ao dinghy, mesmo quando tínhamos acabado de meter os sacos e caixas todos lá dentro, caiu uma chuvada súbita e torrencial, que nos encharcou em dois tempos, assim como às nossas compras. E os albóis tinham ficado abertos… (pois é RS!) Enfim, compras e barco molhados, mas barco abastecido, que é o que importa.

Hiva Oa já chega!
Amanhã levantaremos ferro (foi o que pensámos no dia 08).


MA+LA