Depois de mais de 24 h sem vento (já é sina nossa...) e a motor, chegámos ao atol de Fakarava, no Arquipélago das Tuamotus.
O passe do Atol é surpreendentemente largo, a maré estava no estofo antes da enchente, e não havia vento - situação ideal para entrar na lagoa do atol tranquilamente.
Percorremos o canal balizado até à aldeia de Rotoava. Aí encontrámos fundeados vários barcos da frota. O Makena, e apareceu logo o Luc no dinghy para nos indicar onde fundear; o Aretha, o Exocet Strike, o Garlix, e o Pentagrama que chegou mesmo à nossa frente.
Fundeámos com arinque em 12m, fundo de areia e com cabeças de coral. A água varia entre o azul (mais fundo), o verde escuro, o verde claro (mais turquesa)... A costa é plana, com mais vegetação do que supúnhamos, pela descrição do guia. E a lagoa é imensa.
Acabados de fundear e já tínhamos a Stephanie, o contacto local da World ARC, a perguntar de que é que precisávamos e a dar informações sobre Rotoava. Levou logo a roupa para lavar.
Enchemos o dinghy, e fomos nele cumprimentar os vários barcos conhecidos. Tomámos um café no Aretha, onde havia Legos espalhados pelo poço. Os três miúdos fizeram-nos também companhia, intervindo na conversa. Muito simpáticos. A mais novinha, que fez 3 anos no dia 5, não pára quieta, não pára de falar, e estivemos a construir Legos as duas. O Casper e a Nichola deram-nos muitas sugestões de programas a fazer aqui.
Depois fomos a terra. Levámos o lixo, claro. Há um pequeno porto, de cimento, onde podemos deixar o dinghy abrigado, do lado de dentro, e onde afraca o barco que abastece a ilha e, por vezes, barcos de passageiros, paquetes de turismo.
Logo nessa zona fica a cantina escolar, cheia de crianças a entrar, e das suas vozes e risos a ecoar no porto. Por trás, a escola primária, a única que existe na ilha, para prosseguirem os estudos as crianças têm que ir para Tahiti ou Rangiroa. Depois, a "Mairie", os Correios, com um ATM no mesmo edifício, e um pequeno hospital, que neste momento funciona apenas com enfermeiros, visto que o único médico existente na ilha se foi embora... Podemos encarar a hipótese de o substituir, mas... fica um bocado fora de mão!...
Toda aqueles edifícios são novos, muito limpos e cuidados. A rua, de cimento, estende-se ao longo da faixa de terra, ao bordo da lagoa. Passámos por duas lojas que vendem um pouco de tudo, pela loja que vende as famosas pérolas negras, principal fonte de rendimento da ilha, para além do turismo, pelo centro de mergulho e por duas igrejas. Há coqueiros por todo o lado, mas também pinheiros da Polinésia e arbustos floridos e flores. Esperava um local muito árido, só com coqueiros, mas afinal... é muito bonito.
Almoçámos num snackbar rudimentar, mas comemos bem.
E depois fomos ao centro de mergulho. Era só para sabermos informações, mas ia mergulhar um grupo pequeno, e o Luís aproveitou para ir logo. Ao Rui não o deixaram, porque, pela lei francesa, precisava de uma declaração médica e de um seguro específicos para o mergulho, que não tinha... Ficou com muita pena.
O Luís gostou imenso! Foram mergulhar no passe, na entrada do atol, com a corrente a sair para o mar, levando com ela um grande movimento de peixes, de todas as cores e feitios, incluindo os inevitáveis tubarões!...
Voltámos ao barco, recebemos a roupa lavada, vestimos roupa seca e fomos jantar a terra. A Elda veio buscar-nos ao cais, num carro todo o terreno, como é costume aqui, e levou-nos a jantar ao restaurante dela, muito simples, com varanda sobre a água. O marido chegou da pesca, com seis atuns, enquanto preparavam o nosso jantar: "mahi mahi" grelhado, com salada, batatas fritas ou arroz. O casal tinha vários cães, que entravam na água de vez em quando e ladravam aos "peixes". Fomos observar. Afinal os peixinhos eram tubarões pequenos, e, de vez em quando, tubarões maiores aproximavam-se, sobretudo depois de o pescador ter atirado para a água as tripas dos peixes que pescaram. O tubarão maior que vimos chegar ali, era bem mais comprido que a minha altura, e chegava tão perto da margem, que ficava com o dorso fora de água!... Com as luzes do restaurante, começávamos por ver a barbatana dorsal dos maiores iluminada pelas luzes, a aproximar-se da varanda. Os cães ficavam malucos! Perguntámos se os tubarões não lhes mordiam. Responderam que não, que às vezes eram eles que mordiam aos tubarões!... Já nada é como pensávamos que era! Um tubarão parece ser, afinal, um animal inofensivo. Mas continua a meter-nos respeito!
A Elda trouxe-nos de volta e dormimos o sono dos justos, numa água que não mexe, o barco quieto, um ventinho para refrescar o calor da noite...
De manhã, um banho de mar para começar, com água a 29 graus.
Depois, às 08:00, veio o Andy, do Pentagram ver o que se passa com a nossa electricidade, gerador, inversor, interruptor...
A Stephanie já veio receber o dinheiro da roupa (ontem não tinha troco). E às 10:00 vêm-nos buscar ao cais para uma visita a uma "quinta" de pérolas. É aproveitar para condensar o turismo todo nestes dois dias que aqui passamos, porque queremos chegar a Tahiti com tempo para arranjar as avarias.
MA+LA
Espantoso... estou mesmo com inveja. Hoje almocei com a minha tripulação (Vilela, João Blasques, Vilela filho e Tiago Brarens). A conversa entre outras coisas sobre as Antilhas deu-me umas saudades danadas dos bons tempos por lá passados e sobretudo da facilidade de navegação na região, pesem os ventos e mares bem mais fortes e agitados do que o que lêramos e prevíamos. Chegar a sítios como os que vocês descrevem e vou vendo no Google Earth é um privilégio, com ou sem geradores, inversores ou panelas de escape... bem... quase! Boa continuação! Mané
ResponderEliminarOlá olá é tão bom saber novas vossas..e que novas, meu Deus, isso deve ser mesmo um paraíso.Não sei se têm recebido algumas notícias que enviei, sabia que estavam a chegar a uma nova paragem mas não dei conta do tempo a passar. Essa dos tubarões tem piada já que devem ser bem maiores que os cães, pelos vistos manda quem ladra hehehe. Por cá estamos quase prontos a partir rumo à Grécia, vamos lá ver se com ela no Euro ou fora do Euro. Beijinhos, saudades e bons ventos Locas e Miguel.
ResponderEliminarOlá Locas!
EliminarTemos recebido as mensagens e a mais importante é a da vossa largada para a Grécia.
Que tenham as melhores condições e que cheguem bem!
Abraços e beijos,
Luís & Manuela
Boas noticias.Entretanto julgo que chegaram hoje ao Tahiti e, espero á solução de todos os problemas, mas cuidado com os "ajudantes" que há por aí. Havia um tal "Sebastien" bastante colaborante mas para usar com cuidado. Também devem ter cuidado com os choques térmicos que essas águas podem provocar. Divirtam-se e cuidem-se. Rui & Ana
ResponderEliminarEstamos em Raiatea com partida marcada para 10MAI em direcção Tong com passagem por Suwarow e Niue.
EliminarO tal ajudante era Sebastien ou Laurent?
Estamos na Marina de Apooiti. Espectacular.
Abraços e beijos,
Luís & Manuela
Caro Luis, hoje é o teu dia !!! Que seja o início de um ano muito feliz, que as avarias se resolvam rápida e económicamente, e tudo de bom. Um abraço muito grande com a amizade de sempre.
ResponderEliminarLocas e Miguel
P.S. Sexta dia 1 Maio, começamos a nossa "pequena" viagem para a Grécia, onde mais ano menos ano nos encontraremos de novo!
Só desejo que vão bem e depressa para depois lá irmos ter convosco ...
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ResponderEliminarParabéns !!!!Dr Luís Adão um dia muito Feliz e continuação de boa viagem! Beijs Beta (bloco operatório -HNSR)
ResponderEliminarObrigado Beta! Fico muito satisfeito por se ter lembrado.
EliminarEstamos a gostar imenso, estamos quase a meio caminho
Um beijo!
Parabéns.... Beijinho grande! Alex.
ResponderEliminarAlex, muito obrigado.
EliminarUm beijo também para ti!
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ResponderEliminarPARABÉNS!!!!! Dr Adão, hoje é um dia especial, nos muitos dias especiais que está a desfrutar, bjs e continuação de boa viagem, (como vê as "cotas" não o perdem de vista... neste caso de blogue), neves
ResponderEliminarObrigado Paula!
ResponderEliminarA chefe das Cotas não está desatenta ...
Tem sido uma viagem espectacular.
Um beijo para todas!