Allegro (no Mediterrâneo)

Allegro (no Mediterrâneo)
Allegro nas Baleares

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

MENSAGENS ENVIADAS PARA O BLOG DO WCC - 19 NOV A 06 DEZ 2014

19 a 26 de Novembro de 2014

Manter em dia um blog enquanto se percorrem pernas que duram duas, ou, às vezes, três semanas, torna-se impossível.
Por isso começamos hoje esta coluna - para que aqueles que querem saber mais sobre nós o possam fazer.
Este é um espaço que o WCC põe à disposição de todos os barcos, por isso o vamos aproveitar.
Para lhe aceder:
- vai-se ao site da WCC, à sua "Home Page"
 <www.worldcruising.com>
Depois escolhe-se ARC
Depois, escolhe-se "Logs" (na coluna do lado esquerdo) e
Finalmente escolhe-se o barco Allegro.
Nesse espaço serão colocados textos durante o período em que estivermos no mar, que ao chegarmos a terra publicaremos no nosso blogue.


A estadia em Cabo Verde foi demasiado curta e muito marcada pelo abandono do projecto pelos dois tripulantes mais recentes - o Zé Pedro e a Rita.
Foi com muita pena que tivemos que aceitar a sua decisão.
Tivéramos momentos muito agradáveis de interajuda e convívio entre todos nós, que vimos terminar de uma forma súbita e nunca esperada.
Ficam as boas recordações.

Largámos do Mindelo atrasados e mais atrasados ficámos com a busca do barco e da bóia da linha de largada (???).
Rapidamente passámos da zona de aceleração entre ilhas para a zona de sombra de Santo Antão.
Ao pôr do sol eram vários os participantes parados à espera de um pouco de vento.
Finalmente o Mané (Magelanus III) avisou-nos por VHF da existência de uma zona com vento mais à frente, que nunca chegámos a encontrar.
Acabou por ser uma noite cheia de “vento de porão”.

A viagem tem decorrido globalmente muito bem, com um ou outro momento mais atarefado quando as condições de tempo o exigiram.
O barco tem-se portado bem, com excepção da sua tendência não controlável em oscilar permanentemente de um bordo para o outro, o que lhe dificulta a progressão com ventos até aos 15 nós, ventos que temos tido frequentemente.
A rotina diária começa agora a instalar-se.
Os quartos estão a ser feitos pelos três, com um período diurno de 4 h cada um, e dois períodos nocturnos de 2 h também para cada um.
Os almoços e jantares continuam a ser principescos, sempre confeccionados pelo Rui, que é um cozinheiro de valor ímpar. Tem sido um bom companheiro.
As comunicações por SSB têm funcionado bem, se bem que a distancia crescente entre os barcos da frota as torne por vezes menos claras.
Por VHF, as comunicações não são exequíveis dada a referida distância que separa os diferentes barcos.
Em relação à pesca, as coisas não estão a correr bem. O único peixe que (quase) pescámos, um dourado pequeno, fugiu ao ser içado para bordo.

Contamos chegar a Saint Lucia para o final da próxima semana.

LA


6ª Feira, 28 de Novembro de 2014

Desta vez não teve graça.
Eram cerca de 18 horas. O gerador estava a trabalhar há cerca de 1 hora, agora com um ruído estranho e diferente do habitual.
Por baixo dos paneiros, era só água!
Não sabíamos se era doce ou salgada. Estava por baixo do salão, a meio e dos lados, na casa das máquinas, na zona do corredor da cozinha, e, menos, nos camarotes de BB e EB, e no WC da proa.
Não tinha gasóleo, mas tinha uma tonalidade cinzenta escura e um sabor salgado.
A casa das máquinas, essa, estava francamente quente, com uma atmosfera fumarenta, densa e húmida.
Depois de esvaziada toda aquela água, e de verificarmos que não se refazia, começámos a ficar mais sossegados.
Tudo fazia pensar tratar-se de um problema com o gerador (entretanto, logo desligado). Mas dentro da sua caixa, tudo estava bem.
Foi uma lanterna que nos mostrou um gotejar por baixo da panela de escape do gerador, que, depois de se ligar novamente o gerador, se transformou num jorro de água sob pressão.

Tudo estava molhado e escorregadio.
Nada parava quieto, nem nós.

Depois de acabarmos de esgotar a água que se encontrava em locais mais escondidos, o saldo era o seguinte:
1) Impossibilidade de utilizarmos o gerador para carregar baterias ou produzir água com o dessalinizador;
2) Contenção de energia - desligar definitivamente o congelador, que vinha a trabalhar mal desde há algum tempo; desligar o frigorífico; reduzir ao mínimo o consumo da electrónica e da iluminação;
3) Ausência de pressão na canalização da água por avaria das duas bombas de água.

Em poucos segundos, 1000 milhas que nos pareciam já poucas (e que íamos festejar ao jantar), tinham-se transformado numa dor de cabeça.
Não era isto o combinado!…

Faltava esclarecer porque é que o nível do gasóleo tinha baixado tanto.
Depois do transvase de 3 jerricans (com a luz do dia já quase inexistente), fomos finalmente jantar.
Cozinhados sempre de alto nível. Desta vez, foi uma “canja fingida”, para ser fácil de cozinhar e de comer!…

Felizmente, há reserva grande de água potável a bordo, o vento continua regular, e o mar está finalmente mais sossegado.
Para usar água doce, utiliza-se a bomba de pé do lavatório do WC da proa.
A loiça lava-se com água salgada, graças à bomba instalada no lava-loiças.

LA + MA

Pensei sempre que o Fisher Panda (o gerador…) nos poderia vir a dar problemas. Até constituía já uma piada entre nós. Afinal, o coitado estava inocente! A culpada foi a panela do escape dele!

Pregou-nos um bom susto, esta brincadeira.
Quando o Luís levantou o paneiro da sala e vimos a água sob o chão do salão e a chegar já ao nível dele, aquela massa de água oscilando de um lado para o outro com os movimentos do barco, no meio do oceano, a 1000 milhas da costa… Metia muito respeito. Foi um momento emocionante!

Felizmente, encontrou-se a causa, e o remédio é só (!) não ligarmos mais o dito Fisher Panda!…

MA


Segunda-feira 01 Dezembro 2014

Tem sido um dia agradável, com o mar e o vento ainda um bocado remexidos, mas já com um aspecto mais parecido com o esperado para os alísios.

Esta tarde tive de ir novamente à popa do barco, para aceder à porta do leme do Hydrovane, por ser necessário dar um jeito no freio do pin.
Não ficou exactamente como queria, mas ficou muito melhor. Foi o que o mar permitiu. O barco com as velas recolhidas, faz 3-4 nós!…

Os “squalls” continuam escassos e muito pacíficos. Mas já apanhámos algumas chuvadas maiores.
Faltam-nos ainda 700 e poucas milhas para a linha de chegada que queríamos cortar, a todo o esforço, dentro do limite definido: 1200 h locais do dia 08 de Dezembro, em St. Lucia.

Depois de tanto empenho e esforço, não cruzar a linha de chegada é decepcionante. Mas o gasóleo tem mesmo que ser racionado.

Mas já falta pouco. O moral está bom, e as refeições continuam fantásticas.

Hoje estivemos a verificar o conteúdo do congelador, porque ele não estava a funcionar em condições e acabou por ter que ser desligado no regime de poupança de energia, quando constatámos que não podíamos ligar o gerador.
Foi mais animador do que esperávamos. À parte umas poucas coisas que tiveram que ir servir de alimento aos peixinhos, já foi feito o inventário, e começámos logo hoje com uma feijoada com pézinhos de porco, entrecosto e chouriço preto, que estava muito boa.

Parámos com as tentativas de pesca para “despacharmos” a comida do congelador.

LA+MA


Terça-feira 02 de Dezembro de 2014

Hoje o dia acordou com um magnífico nascer do sol a que se seguiu uma manhã e uma tarde quentíssimas.
Vento é que nada, ou quase nada, porque só raramente chega aos 12 nós. Tantas milhas para fazer e tão pouco vento.

Há bocado fizemos uma tentativa para pôr o barco a andar com vento. Depois de passado o squall, rapidamente passámos para os 2,1 nós. Ainda pensámos em tomar um duche com água doce mas o squall acabou por passar mais longe.

Depois das comunicações falámos com o Mané - estão bem, cerca de 150 Milhas à nossa frente (mais ou menos um dia) têm tido algumas avarias mas poucas e pouco importantes. Ainda bem! Também não têm comunicado com ninguém …

Vamos ver o que a noite nos reserva...

Até amanhã!


Sábado, 06 de Dezembro de 2014

Hoje o vento tem estado permanentemente inferior a 8 nós.
Apanhámos com um “squall” grande, carregado de chuva fresca e com algum vento, mas com uma duração limitada e uma direcção inadequada (dos quadrantes Sul).
Assim, temos vindo a motor.
Contamos chegar amanhã à tarde.
Está um tempo quente e abafado.
Hoje o almoço foi feito por mim - Arroz de salsichas e “Crumble” de maçã. Foi dia de folga do "cozinheiro Rui"...
Interrompemos temporariamente as tentativas de pesca, porque há muitas algas à superfície e já tivemos que recolher a amostra várias vezes e desembaraçá-la do meio de um emaranhado de algas.
Nas primeiras vezes ficámos todos entusiasmados com o barulho da linha a correr, para depois constatarmos que só tínhamos pescado algas!
O Luís tentou perceber o que se passa com as bombas de água. Parecem ter ficado isoladas.
De Saint Lucia daremos mais notícias.

MA+LA

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