Sábado já vamos estar a caminho!
E estávamos!
Aquela semana passou
quase sem nos darmos conta do que havia ainda para fazer e do que se ia
fazendo.
A meio da semana a
tripulação juntou-se a nós passando, também, a colaborar nos últimos
preparativos.
O Allegro, cada vez
mais pesado, foi aceitando no seu interior mantimentos, água e diverso
material.
Finalmente a semana
chegava ao fim. Os afazeres foram, então, substituídos pela Família a 100%.
Noite de Sexta-feira 26 de Setembro de
2014
Jantámos com os
Filhos e Netos e também com o meu Sogro e com o Zé Pedro e a Lena. Foi um
jantar agradável.
Depois encontrámo-nos,
Pais, Filhos e Netos, no bar do Hotel onde o Miguel e a Família ficaram para
estarmos, mais um pouco, uns com os outros. Proporcionaram-nos um resto de
noite que não esquecemos. A Virb não terá sido, afinal, senão o pretexto para nos juntarmos. A História dos Avós, os
desenhos com os comentários deles, a sequência de fotografias, a presença de
todos e o ambiente gerado deixou uma recordação clara e rica que vai perdurar
durante estes dois anos. Ficámos mesmo de barriga cheia!
Sábado, 27 de Setembro de
2014
Os preparativos iam ainda
atrasados quando todos começaram a chegar. Familiares, Amigos, Tripulantes.
Sim, o resto da tripulação veio de Lisboa, expressamente, para compartilhar os
primeiros momentos da aventura de todos nós – Anne Marie, Teresa, Ricardo e
Margarida.
Depois das
fotografias e das despedidas finais (sempre difíceis), acabámos por partir com
coisas em lugar ainda não definitivo (o que não é assim uma raridade tão
grande...).
Largámos às 1200 horas. Em ponto. Curiosamente ao som do repicar de um sino (ou mais?) da cidade de Lagos.




As primeiras milhas foram percorridas a motor porque o vento mal dava para nos fazer avançar (NE fraco).
Às 1600 o Hydrovane foi afinado e passou a controlar a rota. As expectativas eram grandes em relação ao seu desempenho depois do “upgrade” a que fora submetido.
O resto do dia e
noite de sábado decorreram sem dificuldades, apenas a instalação progressiva de
uma ondulação de SW prejudicava o início da viagem.
Domingo 28 de Setembro de 2014


O vento voltou a cair
e pelas 0330 o motor foi novamente ligado tendo ficado a trabalhar até às 1800.
Depois disso só voltou a ser ligado pelas 0200 do dia seguinte.
Choveu, com alguma
intensidade, por dois ou três pequenos períodos.
O rumo foi-se
mantendo nos 210°.

Sempre que o motor é ligado o “Índio” é dispensado das suas funções e substituído pelo piloto automático electrónico. É frequente os pilotos, o electrónico ou os de vento, terem um nome ou alcunha, e serem tratados de uma forma mais “próxima” devido ao inestimável serviço que desempenham a bordo; o nosso foi assim baptisado em 2000 aquando do Brasil 500.
Segunda-feira 29 de Setembro de 2014
De acordo com a
previsão, as condições meteorológicas começaram a deteriorar-se.
A madrugada e parte
da manhã tinham sido feitas a motor que foi desligado pelo meio dia com o vento
já fixado nos quadrantes Norte e com uma intensidade a aumentar de forma
progressiva e continuada.
A meio da tarde,
ainda com Força 4, decidi colocar um riso na grande, manobra que correu bem. O
Allegro adquiriu outra estabilidade não tendo havido perda significativa da
velocidade.
A medida cautelosa
mostrou-se completamente adequada no início da noite quando o vento subiu para
Força 5 e durante a madrugada para Força 5-6.
Durante este dia a
altura das ondas foi de ±1,5m.
Terça-feira 30 de Setembro de 2014
As condições
meteorológicas continuaram a sofrer um agravamento durante todo o dia.
O vento aumentando durante
a madrugada e manhã atingiu Força 7 (com picos raros de 35 nós) e assim ficou
até por volta da hora do almoço tendo, depois, baixado para Força 6.
O mar cresceu e a
agitação no interior do Allegro também. Há coisas que só assim são
convenientemente estivadas.
Durante todo este
período, e fruto da agitação do mar e do vento, a VG cambou por 3 vezes (duas
durante a madrugada e outra já de manhã).
É uma experiência
muito desagradável. Uma falha material pode dar origem a um situação muito
grave.
A cambadela tem uma
força enorme, a vela vai de um para o outro bordo numa fracção de segundo e a
retranca projectará qualquer objecto que encontre no seu caminho borda-fora.
A tensão no preventer,
que tinha sido aumentada foi-o novamente.
Os quartos de noite foram
reforçados para fazer face à situação tendo sido necessário fazer leme à mão
algumas vezes.
Quarta-feira 01 de Outubro de 2014
A partir de
quarta-feira as condições meteorológicas melhoraram progressivamente. Melhoria
lenta mas progressiva das condições de navegação.
Quinta-feira 02 de Outubro de 2014
Quinta-feira 02 de Outubro de 2014
Continuação prevista de melhoria das condições atmosféricas (vento Força 4 passando a 3 e atenuação da ondulação).
Alteração de rumo,
com o Hydrovane, às 0400, 0515 e 0730.
Chegámos à Marina de
Puerto Calero pelas 1200. Bem!
Os funcionários são
bem educados e prestáveis e informam sobre qualquer assunto.
O balneários são espaçosos e limpos.
A internet é fiável
mas dão só uma password por lugar de atracação (depois conseguimos outra).
Depois de um duche
prolongado foi altura de uma cerveja num dos bares da Marina.
E depois lavar e
arrumar o Allegro, alugar um carro para o dia seguinte, jantar e descansar.
Comentários
(sob esta rubrica
faremos um ou outro comentário que nos pareça ter interesse, referente à
descrição acabada de fazer ou não)
Hydrovane –
inexcedível! Ou como uma pequena porta de leme comandada por uma pá dirigida
pela força do vento, consegue controlar e recolocar no rumo certo uma
embarcação com 19+ toneladas a navegar com ondas de 4m e vento de Força 7
Tripulação - adaptação a duas novas realidades – uma, a vida a bordo de uma embarcação
sempre em movimento e com espaço limitado para cada um; a outra, a adaptação e
integração individual no grupo.
Medidas cautelosas e
oportunas – rizar sempre a tempo
A cambadela ...
(LA)
(LA)















Olá marinheiros, é bom saber que tudo correu de feição no primeiro percurso. Agora é passear e descansar até á partida "a sério". Abraços e beijinhos.
ResponderEliminarLocas e Miguel Benis
Uff até que enfim que há noticias! Começo a entender o que é estar do lado de cá. Gostei das primeiras impressões, deu para "viver" a progressão do Allegro, deu para me lembrar dos problemas de estiva mas fiquei preocupado com as "cambadelas" e com a afinação do " preventer", muito importante e difícil. Eu dei-me bem com um "stopper". A primeira perna já está, agora é desfrutar. Beijinhos e abraços. Rui & Ana
ResponderEliminarOlá, Allegros! Só é pena o dia 21 de Setembro estar depois do dia 2 de Outubro, em vez de antes. Continuem o bom trabalho no blogue, sempre que possível. Luís Adão (filho).
ResponderEliminarOlá a Todos,
ResponderEliminarSo far so good,...
Parabéns pela primeira etapa!
Isso das cambadelas é que foi chato, porque é que não colocaram um travão de retranca, tipo Walder? um moitão de 8, também faz o trabalho com um cabo de duas voltas ao moitão, custa só 10-15 euros mais o cabo de acordo com o cumprimento do barco.
Votos de bons ventos e não abusem do "Índio",...
Abraços,
Pedro Diener
Walder, Walder, meu querido travão... há que afinar isso bem, meu caro Adão! Como sabes, também nós fomos abanados por tempo duro, com rajadas de 38 nós. Felizmente não houve sequer ameaça de cambadelas embora o rapaz Walder tivesse sido "apertado" E, claro, concordo convosco. O principal é prever e tomar as medidas adequadas o mais cedo possível, nomeadamente reduzir pano. Ao que parece a vossa 1a. etapa terá sido parecida com a nossa (se bem que, após os dois primeiros dias de vento favorável, nós tenhamos tido sempre ventos contra), com bom início, sacudidela valente e chegada tranquila. Até breve!
ResponderEliminarMané