Chegada a Darwin
Depois de 10 dias de navegação sem paragens desde Cairns, chegámos esta madrugada, à 01:20, à Fannie Bay, a baía onde fundeámos a aguardar a manhã, próximo da entrada para a Cullen Bay Marina, local onde nos esperava um tratamento especial ao casco antes de termos autorização para entrar em qualquer marina.
Cansados, com algum stress na chegada e no lançar do ferro numa baía representada nas cartas como tendo fundos entre 1,3 e 0,1, mas satisfeitos por mais esta etapa de cerca de 1500 milhas estar concluída.
Acordámos pelas 06:00 horas, para prepararmos os cabos, defensas e efectuarmos os contactos para encostarmos ao pontão onde seria feito o tratamento. O Rally Control chamou-nos no canal 72 antes das 07:00, e já estavam no pontão quando chegámos.
Aproveitámos para encher o depósito de gasóleo, com um sistema muito prático de self-service pago com cartão de crédito.
O pontão é o mesmo em que atracam os ferries que fazem ligações locais, e situa-se mesmo à entrada da Marina, da qual está separado por uma eclusa. As marés variam entre os 2 m na baixa e os 6 m na praia mar, e as marinas têm este sistema de eclusas evitando assim desníveis grandes de água no seu interior.
Os barcos arrumaram-se no pontão, nós abraçados com o Garlix, e o Luna Quest sem par, e começou cedo a inspecção dos cascos. Os mergulhadores fizeram o diagnóstico - quando perguntámos se era um caso difícil, disseram-nos que não, que estava tudo bastante bem...
Mais tarde veio o técnico, o engenheiro, fazer o tratamento, com um produto desinfectante especial que colocou nas várias (nalgumas das) entradas de água salgada - para o motor, para as sanitas, e nalgumas das saídas - lava-loiças, lavatórios,...
Parece que o problema será um microorganismo, ou um molusco (?) que se reproduz muito facilmente e rapidamente e que poderá afectar o funcionamento das eclusas das marinas.
Tratamento feito, válvulas fechadas durante 10 horas. Só depois das 21:00 h poderemos voltar a usar as válvulas ou a ligar o motor.
Assim sendo, viemos para a Marina tomar um duche de muitos litros de água quente, e almoçar.
Agora sentámos-nos num banco no meio de um relvado, virado para a Fannie Bay, para o local onde fundeámos ontem, a escrever estas linhas.
Viva o descanso! E a terra firme também está a saber bem!...
MA+LA
Allegro (no Mediterrâneo)
Allegro nas Baleares
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
domingo, 23 de agosto de 2015
QUARTA-FEIRA 22 DE JULHO A DOMINGO 23 DE AGOSTO DE 2015
Como o tempo passa. Sobretudo quando há coisas importantes.
E foi o que aconteceu. Neste mês houve algumas coisas a exigir mais do nosso tempo:
1 - A travessia de Port Vila para Mackay;
2 - Termos chegado à Austrália;
3 - WARC até ao fim ou não?
4 - O gerador (maldito);
5 - Sydney;
6 - A tripulação doente;
7 - A avaria de última hora.
É destas questões que vamos agora falar.
1 - A travessia de Port Vila para Mackay
Decorreu bem de início, com condições realmente favoráveis.
Mas depois, no terceiro dia, a meteorologia deixou de nos ajudar e a seguir zangou-se connosco. Não nos devemos zangar com ela porque tem argumentos violentos que às vezes utiliza de forma inesperada - muito vento, muita água, depois mais vento e mais água, por toda a parte e, finalmente, para nos convencer envia aquelas ondas a rebentar que sabemos que vêm antes das outras que poem o barco a surfar e depois é uma maçada. Isto correu tudo de uma forma aligeirada, portanto não houve crise. Mas chateia, mesmo, até porque a “combinação” inicial (a feita antes do início da World ARC) era de bom tempo quase sempre… Não era esse o contrato, RS?
Incomodou, portanto.
Mas é espantoso como tudo passa quando se pisa terra firme. É mesmo assim.
De repente quem é que falou em mau tempo? Qual mau tempo? Olha, os do Wayward Wind, vamos lá!
2 - Termos chegado à Austrália
É que termos chegado à Austrália já é, de facto, qualquer coisa. E nós estamos lá.
É uma sensação especial onde tudo se mistura - dificuldades, facilidades, momentos agradáveis e outros desagradáveis, ganhos e perdas, bom e mau tempo, geradores e outras avarias, etc etc.
As celebrações acabam também por nos ocupar mais tempo. Ainda bem!
O blogue é que pode ficar prejudicado …
3 - WARC até ao fim ou não?
Um regresso a casa sem a WARC surgiu então como alternativa ao plano desde sempre definido.
Surgiu quando a tripulação de outro barco optou por regressar a casa via Mediterrâneo, poupando mais de 10.000 Milhas e realizando ainda um cruzeiro na Indonésia durante mais de um mês com o apoio de uma outra organização.
Muito tentador. Mas completamente fora do plano inicial.
Muito mais “soft” mas também sem tudo o que o regresso com a WARC nos vai trazer.
A dúvida não demorou mais do que alguns dias.
Ficámos contentes com a decisão final, com continuarmos com a World ARC, o nosso antigo sonho.
Quando fomos a Sydney, já tudo estava decidido. A partir de então tudo se simplificou.
4 - O gerador (maldito)
O técnico, passados uns minutos de ter chegado disse que tinha que levar o gerador para a oficina (a caixa de um camião) para poder saber o que se passava e umas horas depois chamou-me para me mostrar o interior do gerador - todo cheio de sal, de corrosão, com os fios e peças eléctricas todos destruídos (???). Ele não tinha explicação para a causa do que se tinha passado, mas que o arranjo passava pelo refazer da referida parte eléctrica era claro. O interior, de facto, estava todo destruído. Mas porquê?
E a situação, em termos práticos, era a seguinte:
1 - não se arranjava e tínhamos que fazer o resto da viagem sem gerador como até então - a carregar as baterias com o motor principal (5L/h), sem congelador, com o dessalinizador a fazer 220 V a partir do inversor, a carregar as baterias durante mais 2 horas por cada 110 litros de água produzida .
2 - arranjava-se. Era começar a encomendar peças e esperar que chegassem… Nunca menos de 10-15 dias só para encontrar e encomendar as peças. Podia pôr em causa as datas da WARC.
Não se podia dizer que as hipóteses fossem brilhantes.
3 - surgiu então outra possibilidade - numa loja Fisher Panda, a cerca de 1000 Km de Mackay, havia um gerador igual ao nosso. Era só montar porque era o mesmo modelo. E faziam um desconto de quase 20%.
Achei que não.
A hipótese de regresso pelo Mediterrâneo estava cada vez mais distante, e portanto a necessidade de adquirir o gerador era cada vez mais clara e maior.
No dia seguinte fui encomendá-lo.
5 - Sydney
Encomendado o gerador, que só chegaria segunda ou terça feira, decidimos aproveitar o fim de semana para ir conhecer Sydney. Tínhamos pensado sempre que vir à Austrália e não ir a Sydney era uma pena! Mas faltava arranjar a altura mas adequada…
Voámos de manhã muito cedo no Sábado (06:00), e regressámos na segunda-feira. Foram só praticamente 48 h, mas valeu bem a pena! Ficámos instalados num hotel muito central, no meio da zona comercial da cidade e a 10 min a pé do porto. A primeira coisa que fizemos foi almoçar numa pequena esplanada no… Hyde Park! Cheio de turistas (toda a cidade está cheia de turistas), muito bem arranjado, e tivemos a sorte de ter um tempo excelente!
Depois subimos à Sydney Tower, o que permitiu ter uma vista de 360º e ficar com uma visão de conjunto da cidade. Passeámos pelas ruas das lojas, óptimas lojas, e jantámos por ali.
No Domingo, começámos por um tour de ferry pelo porto de Sydney (o maior porto natural do mundo), extensíssimo, e muito bonito, com uma guia que ia explicando a quem pertenciam algumas das belas mansões que circundavam o porto, e nos ensinava alguma da história da cidade.
Depois seguiu-se um tour num “red-bus”, sem tempo para “hop-on, hop-off”, mas suficiente para ficarmos com uma ideia dos vários bairros da cidade, principais monumentos e pontos de interesse.
E finalmente, fomos visitar a famosa “Opera House”, uma maravilha arquitectónica, e o monumento emblemático de Sydney! Acabámos a beber um copo na longa esplanada junto à “Opera House”, ao pôr do sol, um ponto de encontro muito movimentado aquela hora.
Sydney é uma cidade muito bonita, alegre, acolhedora e cheia de vida! Valeu francamente a visita, apesar de tão curta!
6 - A tripulação doente.
Pois foi. Um de cada vez, mas chegou a todos.
Primeiro o Rui, depois eu e finalmente a Manela.
O Rui ficou no barco, sem sair, durante os dois dias em eu e a Manela fomos a Sydney.
Eu fiquei um dia de cama e a Manela outro. A viagem foi, portanto, atrasada dois dias. Agora já estamos praticamente bem mas não ainda a 100%.
Foi muito incómodo estarmos doentes e de cama, a bordo.
Mas pronto, estamos já quase bons e operacionais.
7 - A avaria de última hora.
Ainda quase não tínhamos largado para Cairns (estávamos a 2 milhas da Marina) quando na revisão final verifiquei que o guincho não estava a funcionar.
Foi uma sorte num sábado encontrarmos um electricista que nos deu uma mão e nos pôs o guincho em condições.
Depois deste contratempo lá largámos então para um longo período de free cruising - cerca de 1500 milhas, a maior parte do tempo que vamos passar na Austrália, desde que chegámos até partirmos para a Indonésia …
LA+MA
E foi o que aconteceu. Neste mês houve algumas coisas a exigir mais do nosso tempo:
1 - A travessia de Port Vila para Mackay;
2 - Termos chegado à Austrália;
3 - WARC até ao fim ou não?
4 - O gerador (maldito);
5 - Sydney;
6 - A tripulação doente;
7 - A avaria de última hora.
É destas questões que vamos agora falar.
1 - A travessia de Port Vila para Mackay
Decorreu bem de início, com condições realmente favoráveis.
Mas depois, no terceiro dia, a meteorologia deixou de nos ajudar e a seguir zangou-se connosco. Não nos devemos zangar com ela porque tem argumentos violentos que às vezes utiliza de forma inesperada - muito vento, muita água, depois mais vento e mais água, por toda a parte e, finalmente, para nos convencer envia aquelas ondas a rebentar que sabemos que vêm antes das outras que poem o barco a surfar e depois é uma maçada. Isto correu tudo de uma forma aligeirada, portanto não houve crise. Mas chateia, mesmo, até porque a “combinação” inicial (a feita antes do início da World ARC) era de bom tempo quase sempre… Não era esse o contrato, RS?
Incomodou, portanto.
Mas é espantoso como tudo passa quando se pisa terra firme. É mesmo assim.
De repente quem é que falou em mau tempo? Qual mau tempo? Olha, os do Wayward Wind, vamos lá!
2 - Termos chegado à Austrália
É que termos chegado à Austrália já é, de facto, qualquer coisa. E nós estamos lá.
É uma sensação especial onde tudo se mistura - dificuldades, facilidades, momentos agradáveis e outros desagradáveis, ganhos e perdas, bom e mau tempo, geradores e outras avarias, etc etc.
As celebrações acabam também por nos ocupar mais tempo. Ainda bem!
O blogue é que pode ficar prejudicado …
3 - WARC até ao fim ou não?
Um regresso a casa sem a WARC surgiu então como alternativa ao plano desde sempre definido.
Surgiu quando a tripulação de outro barco optou por regressar a casa via Mediterrâneo, poupando mais de 10.000 Milhas e realizando ainda um cruzeiro na Indonésia durante mais de um mês com o apoio de uma outra organização.
Muito tentador. Mas completamente fora do plano inicial.
Muito mais “soft” mas também sem tudo o que o regresso com a WARC nos vai trazer.
A dúvida não demorou mais do que alguns dias.
Ficámos contentes com a decisão final, com continuarmos com a World ARC, o nosso antigo sonho.
Quando fomos a Sydney, já tudo estava decidido. A partir de então tudo se simplificou.
4 - O gerador (maldito)
O técnico, passados uns minutos de ter chegado disse que tinha que levar o gerador para a oficina (a caixa de um camião) para poder saber o que se passava e umas horas depois chamou-me para me mostrar o interior do gerador - todo cheio de sal, de corrosão, com os fios e peças eléctricas todos destruídos (???). Ele não tinha explicação para a causa do que se tinha passado, mas que o arranjo passava pelo refazer da referida parte eléctrica era claro. O interior, de facto, estava todo destruído. Mas porquê?
E a situação, em termos práticos, era a seguinte:
1 - não se arranjava e tínhamos que fazer o resto da viagem sem gerador como até então - a carregar as baterias com o motor principal (5L/h), sem congelador, com o dessalinizador a fazer 220 V a partir do inversor, a carregar as baterias durante mais 2 horas por cada 110 litros de água produzida .
2 - arranjava-se. Era começar a encomendar peças e esperar que chegassem… Nunca menos de 10-15 dias só para encontrar e encomendar as peças. Podia pôr em causa as datas da WARC.
Não se podia dizer que as hipóteses fossem brilhantes.
3 - surgiu então outra possibilidade - numa loja Fisher Panda, a cerca de 1000 Km de Mackay, havia um gerador igual ao nosso. Era só montar porque era o mesmo modelo. E faziam um desconto de quase 20%.
Achei que não.
A hipótese de regresso pelo Mediterrâneo estava cada vez mais distante, e portanto a necessidade de adquirir o gerador era cada vez mais clara e maior.
No dia seguinte fui encomendá-lo.
5 - Sydney
Encomendado o gerador, que só chegaria segunda ou terça feira, decidimos aproveitar o fim de semana para ir conhecer Sydney. Tínhamos pensado sempre que vir à Austrália e não ir a Sydney era uma pena! Mas faltava arranjar a altura mas adequada…
Voámos de manhã muito cedo no Sábado (06:00), e regressámos na segunda-feira. Foram só praticamente 48 h, mas valeu bem a pena! Ficámos instalados num hotel muito central, no meio da zona comercial da cidade e a 10 min a pé do porto. A primeira coisa que fizemos foi almoçar numa pequena esplanada no… Hyde Park! Cheio de turistas (toda a cidade está cheia de turistas), muito bem arranjado, e tivemos a sorte de ter um tempo excelente!
Depois subimos à Sydney Tower, o que permitiu ter uma vista de 360º e ficar com uma visão de conjunto da cidade. Passeámos pelas ruas das lojas, óptimas lojas, e jantámos por ali.
No Domingo, começámos por um tour de ferry pelo porto de Sydney (o maior porto natural do mundo), extensíssimo, e muito bonito, com uma guia que ia explicando a quem pertenciam algumas das belas mansões que circundavam o porto, e nos ensinava alguma da história da cidade.
Depois seguiu-se um tour num “red-bus”, sem tempo para “hop-on, hop-off”, mas suficiente para ficarmos com uma ideia dos vários bairros da cidade, principais monumentos e pontos de interesse.
E finalmente, fomos visitar a famosa “Opera House”, uma maravilha arquitectónica, e o monumento emblemático de Sydney! Acabámos a beber um copo na longa esplanada junto à “Opera House”, ao pôr do sol, um ponto de encontro muito movimentado aquela hora.
Sydney é uma cidade muito bonita, alegre, acolhedora e cheia de vida! Valeu francamente a visita, apesar de tão curta!
6 - A tripulação doente.
Pois foi. Um de cada vez, mas chegou a todos.
Primeiro o Rui, depois eu e finalmente a Manela.
O Rui ficou no barco, sem sair, durante os dois dias em eu e a Manela fomos a Sydney.
Eu fiquei um dia de cama e a Manela outro. A viagem foi, portanto, atrasada dois dias. Agora já estamos praticamente bem mas não ainda a 100%.
Foi muito incómodo estarmos doentes e de cama, a bordo.
Mas pronto, estamos já quase bons e operacionais.
7 - A avaria de última hora.
Ainda quase não tínhamos largado para Cairns (estávamos a 2 milhas da Marina) quando na revisão final verifiquei que o guincho não estava a funcionar.
Foi uma sorte num sábado encontrarmos um electricista que nos deu uma mão e nos pôs o guincho em condições.
Depois deste contratempo lá largámos então para um longo período de free cruising - cerca de 1500 milhas, a maior parte do tempo que vamos passar na Austrália, desde que chegámos até partirmos para a Indonésia …
LA+MA
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