Allegro (no Mediterrâneo)

Allegro (no Mediterrâneo)
Allegro nas Baleares

quinta-feira, 30 de julho de 2015

QUINTA-FEIRA, 30 DE JULHO DE 2015

Depois daquele desabafo no meio da ventania e do mar mais agitado, andámos assim três dias e depois tudo foi serenando.
Chegámos à passagem da Grande Barreira de Coral, entrada para a "Hydrographer's Passage", à noite do dia 24 de Julho,  para depararmos com uma passagem muito larga, pela qual circulam grandes cargueiros, com marcação excelente feita por faróis bem visíveis, muito bem explicados na carta, um descanso. O mar, dentro da barreira de corais ficou ainda mais tranquilo, e assim foram feitas, a motor, as cerca de 100 milhas que ainda nos separavam do porto de McKay, pois é esse o comprimento da passagem. O motor resolveu começar a aquecer indevidamente a partir de certa altura, o que nunca tinha sucedido antes, mas, felizmente, bastou diminuirmos a velocidade (e as rotações, portanto) para ele aguentar até à Marina, onde chegámos às 02:00 da manhã, com os Yellow Shirts ainda acordados a orientarem-nos por VHF - muito obrigado! Atracámos no pontão do gasóleo. As regras são não sair do barco antes de virem as autoridades, pelo que o pontão para o exterior estava fechado, e mesmo que não estivesse não iríamos a lado nenhum, pois eles levam isto muito a sério... E precisávamos de dormir alguma coisa pois a previsão era que as autoridades viriam a bordo às 06:30 da manhã!

Afinal vieram pelas 07:00, e foram muito simpáticos, eficientes e profissionais. Chegaram primeiro quatro, a mais nova deles com um cão pela trela, com "pantufas" nas patas para não riscar o barco, e passaram tudo (ou quase) a pente fino. Nós já tínhamos conseguido comer tudo o que era legumes e fruta fresca e ovos, os produtos lácteos eram australianos, portanto não houve problema, e tínhamos posto à vista tudo aquilo que tínhamos dúvidas se era aprovado ou não.
Mas essa parte era para os oficiais da quarentena avaliarem, constituídos por uma segunda equipa de dois, que vieram a bordo cerca de uma hora mais tarde. Correu muito bem, só levaram os alhos, e umas pevides e umas folhas para chá que o Rui tinha. Os frascos com a comida em vácuo, cozinhados em casa há quase um ano, e que tínhamos começado a comer pensando que poderiam ser confiscados, não tiveram qualquer problema. Foi muito bom, houve barcos que ficaram sem queijos, sem bacon e sem carne que ainda traziam...

Depois fomos aos escritórios da Marina, disseram-nos qual o pontão e o nosso lugar e voltámos ao barco para o levar para lá. Primeiro enchemos o depósito com gasóleo e depois ligámos o motor. Mas... O motor não pegou! Coisa inédita no nosso motor, nunca tinha acontecido. Voltámos aos escritórios, pedir um reboque que nos levasse para o lugar. Domingo, tudo um pouco mais demorado, ficámos à espera... Apareceu-nos a bordo uma pessoa que perguntou se podia ver o que se passaria com o motor. Sim, claro. E descobriu que era uma peça que, quando se desliga o motor muda para uma posição, reassumindo depois a posição inicial; mas tinha ficado presa na posição de desligado, e portanto o motor não ligava (desculpem, a peça tem um nome próprio, mas eu estou a escrever o blog num café e o Luís está no barco com o electricista, portanto...). Resumindo, ele soltou a peça, e o motor pegou direitinho, e lá fomos para o nosso lugar, no pontão onde estavam os outros barcos da frota.

Já soubemos que o malfadado gerador Fisher Panda não tem arranjo. Tanto tempo perdido em Tahiti, tanta esperança na eficiência dos técnicos australianos... Assunto arrumado!
Agora estão a ver as coisas que se avariaram por ter entrado água do mar pelos orifícios de ventilação da casa das máquinas, da ventoinha da loca das baterias, da ventoinha do duche da popa, etc, etc. Até a luz da casa das máquinas perdeu a tampa com uma onda que entrou lá. Vão rever também o motor.
Tem estado uma ventania na Marina, com 20-25 nós, imagino fora da barreira de coral... Vento frio, já andamos com camisolas e calças compridas. Este é o Inverno deles, mas parece que costuma ser mais ameno.


Temos aproveitado para conviver com as outras tripulações com problemas semelhantes a arranjar, porque algumas voaram até Sidney, e outras já seguiram para o "free cruising" para Darwin.

TERÇA- FEIRA, 21 DE JULHO DE 2015


“J’en ai assez!”, disse o Luís.
“Nous en avons assez!”

São as frases do dia para esta perna Port Vila (Vanuatu) - Mackay (Austrália).
Estamos fartos. Fartos de céu cinzento de dia e escuro como breu à noite. Fartos de mar alterado com ondas a baterem no casco, a molharem o poço, a virem mergulhar a borda do barco na água (e se este barco tem uma borda alta!…) e ainda uma delas, das maiores, a rebentar na nossa popa com um barulho como o da rebentação numa praia!… Fartos de sermos balançados, chocalhados, projectados de um lado para o outro. Fartos de comermos agarrados aos pratos se não queremos que se entornem. Fartos de ventos de 25 a 30 nós, seguidos de 30 a 35 nós, e, como se não bastasse, de 35 a 40 nós, com rajadas até 44!… Fartos de andarmos molhados se não pela chuva, pela água do mar. Fartos de tentarmos dormir e escorregarmos ou sermos projectados de um lado ao outro da cama… Fartos de cozinharmos e lavarmos a loiça aos trambolhões e aos sacões…Todo o barco escorregadio, e todo fechado, porque o vento e a chuva entram pela popa, e temos que ter as tábuas da porta colocadas, e nem pensar em abrir albóis, porque a água do mar entra por qualquer lado…
Há vários dias que não vemos o sol. E estrelas já nem sabemos onde estão… ontem vimos uma risco de lua no céu, mas as nuvens taparam-na novamente e rapidamente.
Enfim, já se compreende porque não demos ainda noticias nesta perna. Porque… “Nous en avos assez!…”
Quando isto melhorar, ou quando chegarmos, procuraremos ser mais “informativos”.
É que há dias assim, mas tantos seguidos custa mais a suportar…


MA

SEGUNDA-FEIRA, 6 DE JULHO DE 2015

Já passava do meio dia quando, finalmente, arrancámos para Tanna.

Tínhamos-nos levantado ainda não eram sete horas para sermos os primeiros a fazer o checkout out.
Os funcionários da Alfândega deveriam chegar pelas 10:00 horas, assim não haveria perdas de tempo. Mas só pelas onze chegaram. "Fiji time" ...

Quando saímos do canal de acesso à Marina quase não havia vento e o mar estava chão. Depois, lenta mas progressivamente, o vento foi aumentando e o mar também.
Ja perto da Navula Passage o vento não baixava dos 20 nós mas o mar continuava com uma ondulação pequena devido à presença dos bancos de coral.
A passagem final do passe foi feita sem problemas. Não deixou contudo de ser feita com especial cuidado dadas as condições e os antecedentes recentes.

Depois apontámos a Tanna.
As condições continuaram-se a deteriorar durante umas 4 a 6 horas. Por essa altura o vento já não baixava dos 20 nós e o mar, sem a protecção dos corais, estava bastante diferente, com uma ondulação de través.
Depois das 18:00, durante o período de comunicação da tarde entre os barcos, exactamente quando estava a dizer que a bordo estava tudo bem, caiu no poço a primeira onda que tinha acabado de varrer o conves. Quando cheguei ao poço onde estava a Manuela, ainda parte da agua não tinha sido drenada.
Foi uma experiência nova, menos agradável. A entrada de água no poço é mais difícil de controlar e é sentida como uma intromissão, à força, numa zona que sentíamos como protegida.
Por mais três vezes tivemos a entrada de água no poço e, mais tarde, uma quarta.
A partir dessa altura houve uma melhoria significativa do vento e do mar que se mantiveram durante toda a noite.

LA

domingo, 5 de julho de 2015

DOMINGO, 5 DE JULHO DE 2015

Depois de muitas promessas frustradas de nos colocarem o leme no dia seguinte, foi colocado na quinta-feira, 2 de Junho, e o barco foi para a água na sexta.
Como queríamos experimentar o barco para confirmar se tudo estava bem antes de largarmos para Vanuatu, não largámos no Sábado como a restante frota.
Seguiremos amanhã depois das formalidades da alfândega e emigração para percorrermos as quase 500 milhas para Tanna em Vanuatu.

TERÇA-FEIRA, 23 DE JUNHO E QUARTA-FEIRA, 24 DE JUNHO DE 2015

Na terça-feira arrancámos para o último trajecto até Vuda, onde tínhamos marcado a Marina e onde o barco sairia da água para limpar o casco e pôr anti-fouling.
Começámos a andar novamente bem cedo, tínhamos cerca de 60 milhas para fazer, mas sempre em ziguezague. O vento estava predominantemente pela proa, não podíamos abrir a vela para ajudar. O percurso, tal como na véspera, era muito bonito.
Ao longo do dia as nuvens foram aumentando, assim como a intensidade do vento, e quando passámos Lautoka, uma cidade portuária e industrial, ao final do dia, o mar estava já desagradável, e bastante desencontrado, e o vento de proa, 25+ nós.
A Marina de Vuda fica numa zona de recifes, e foi escavado no meio deles uma espécie de corredor de acesso à Marina. Enquanto preparávamos o barco para entra e amarrar, tocámos numa rocha. O embate atingiu sobretudo o eixo do leme que ficou empenado. Fundeámos nessa noite e no dia seguinte fomos rebocados para dentro da Marina.

No dia seguinte, veio rebocar-nos um pequeno barco de fibra, com um motor fora de borda de 15 cavalos, e só um funcionário da Marina a bordo. Ficámos apreensivos, porque o "corredor" de acesso à Marina é estreito e comprido e tem pouco mais de 2 metros de profundidade, e nós com o leme bloqueado, a maré baixa, e algum vento.
Começou o reboque, fomos ajudando com o nosso motor e o leme do piloto de vento. Pouco depois de se iniciar o reboque, numa curva, começou a entrar bastante água para o barco do reboque, e o funcionário, o Mak, teve que largar o cabo e esvaziar o barco. Depois recomeçou, com menos pressa, e lá entrámos na Marina, a ver as pedras das margens do corredor mesmo ali ao lado. Mas o Mak levou-nos a bom porto!

O barco foi tirado da água ao final da manhã. O leme foi retirado no dia seguinte para ser endireitado.

E aqui estamos na Marina de Vuda Point, hoje, dia 29 de Junho, à espera que tudo se arranje e fique pronto para seguirmos viagem.
Aproveitámos para descansar 2 dias num hotel aqui ao lado da Marina. O Rui preferiu ficar a bordo. Nós os dois desde Setembro, e com mais de 12.000 milhas percorridas, só uma noite dormimos fora do barco. Já merecíamos bem o conforto de um hotel!...