Allegro (no Mediterrâneo)

Allegro (no Mediterrâneo)
Allegro nas Baleares

domingo, 20 de março de 2016

SÁBADO, 20 DE FEVEREIRO, A TERÇA-FEIRA, 8 DE MARÇO DE 2016

Allegro - SÁBADO, 20 DE FEVEREIRO, A TERÇA-FEIRA, 8 DE MARÇO DE 2016



De Salvador para Fernando Noronha, começámos com vento fraco no 1º dia e tivemos que usar o motor para avançarmos. O 2º dia foi um dia de vários “squalls” e à tarde rizámos a vela grande. Nesse dia pagámos caro termo-nos esquecido de fechar o macho de fundo do lavatório, e tivemos uma inundação no WC da popa, que deu bastante trabalho a limpar…
No 3º dia, vento variável, e acabámos por ter de ligar o motor para nos afastarmos da costa; foi a última vez que o ligámos. Daí para a frente, vento sempre regular, entre 12 e 17 nós, e corrente favorável. O céu foi limpando e choveu menos; dois dias de vela muito agradáveis.


Chegámos a Fernando Noronha a 25 de Fevereiro, pelas 09:00, e fundeámos junto ao porto.
Como em Fernando Noronha é +1 h que em Salvador ou Fortaleza, já eram11h. Tarde para apanharmos os oficiais para nos darem a entrada, porque se aproximava a hora do almoço. Um pouco antes das 14:00h, o Luís foi no dinghy do Hugur, tratar das formalidades (muito demoradas…). Nessa noite jantámos no Restaurante Mergulhão, no morro junto ao porto, onde nos receberam muito bem, com muita simpatia e boa comida e agradável serviço. Caipirinha, queijo coalhado grelhado e moqueca de camarão. E café de saco, no final - aos anos que não via fazer, e não bebia, café de saco!… Jantámos com os Hugur, Ayama e Starblazer. Aretha e Wayward Wind regressaram a bordo pouco depois de nós chegarmos ao restaurante.

Muitas nuvens, muita, muita chuva, muito “rolar” no ancoradouro. Mesmo assim, valeu a pena. Não pudemos fazer “snorkelling”, uma das actividades mais recomendadas da Ilha, porque a visibilidade estava má, mas visitámos a Ilha no “Ônibus” que a atravessa de 1/2 em 1/2 hora. Fomos à Praia do Sueste, onde as tartarugas vêm desovar na época própria, e onde vimos pequenos tubarões dos recifes à borda de água, junto aos nossos pés. Tomámos um óptimo banho de mar na Praia do Sancho (à qual só se tem acesso descendo dois lanços de escadas verticais colocadas em buracos das rochas, e muitos outros degraus de pedra até à areia…), com água a 29 ºC. Caminhámos pelos montes à beira-mar para vermos os principais miradouros com vistas muito bonitas, e parámos na Vila dos Remédios, a principal povoação da Ilha.
Para despedida, no dia 27, Sábado, almoçámos novamente no “Mergulhão”, peixe “crocante” e risotto de camarão que estava uma delícia.
Largámos às 17:15, com pena de não podermos estar mais tempo…

De Fernando Noronha para Fortaleza, apanhámos vento favorável, corrente forte e favorável, alguns squalls fortes no 1ºdia, depois bom tempo. Tudo era tão a favor, que tivemos que ir reduzindo pano para não chegarmos de noite (tinham-nos avisado que não era recomendável), e acabámos por ter um período em que, sem velas, fizemos durante várias horas, SOG de 4.8 a 5.1 nós!

Chegámos a Fortaleza às 09:00. Tivemos que ancorar durante umas horas fora da Marina porque estava com a lotação completa, até sair um barco no início da tarde.
A Marina tem péssimas condições porque os pontões estão meio destruídos, não pudemos ficar encostados a nenhum, e as tripulações de vários barcos tinham que se deslocar no dinghy para terem acesso aos pontões…
à parte esse “pequeno” pormenor, tudo o resto foi muito agradável. A Marina pertence a um complexo com Hotel, piscina com esplanada e bom wifi, táxis sempre disponíveis no Hotel, de forma que acabou por sem uma estadia agradável e bastante descontraída.
O pouco tempo não deu para conhecer Fortaleza, mas ficámos com boa impressão do pouco que vimos.
Cidade grande, com 3 milhões de habitantes, onde parece que será Verão o ano inteiro, muito virada para o turismo, com muito comércio, muitas praias, uma longa avenida à beira-mar (um calçadão…), gente afável e simpática.
Na 1ª noite fomos jantar ao “Boteco da Praia”, quase todas as tripulações, um serviço muito demorado (éramos muitos…), e boa comida. Depois passeio a pé, e café e digestivo no “Café Havana” com os Hugur e os Ayama.
Abastecemos de gasóleo através de jerricans, com a ajuda do Victor “yellow shirt”. Comprámos os frescos e usámos a lavandaria na cidade.
Na 2ª (e última!) noite, jantámos na esplanada da piscina, a aproveitar o wifi e a tomarmos a última caipirinha realmente brasileira.

Largámos a 3 de Março para a última perna desta Volta ao Mundo: Fortaleza-Grenada.
É verdade. Está a acabar!
Temos tido bom vento, corrente favorável, muitos squalls e bastante chuva.
Hoje tivemos a visita do maior “cardume” de golfinhos desta Volta. Deviam ser uns quarenta ou cinquenta e ficaram connosco para aí durante uma hora. Parece que adivinharam que estamos a chegar ao fim da Volta!…

Hoje, faz 16 anos que largámos para o Brasil, para repetir a Viagem do Pedro Álvares Cabral.
Hoje, de regresso a casa, estamos a deixar o Brasil a poucos dias de concluirmos, em Grenada, a nossa Volta ao Mundo em barco à vela.


MA+LA

terça-feira, 1 de março de 2016

QUARTA-FEIRA, 17 DE FEVEREIRO A SÁBADO, 20 DE FEVEREIRO DE 2016

A manhã e o princípio da tarde de quarta-feira foram passados à espera da caixa ou de notícias dela.
A manhã e o princípio da tarde foram passados à espera da caixa ou de notícias dela. 
Até que pelas 1600 se ouviu “Allegro??????” e “está aqui a peça”.
E estava. Com deficiências mas estava e em condições de ser montada.

Depois de bem avaliada pelo Steffan, foi colocada. Finalmente, ao fim de mais de uma semana, o leme podia, outra vez, ser utilizado.
Após duas horas estava tudo pronto!
Foi um momento muito agradável e de descontracção. Tudo volta a ser mais real. E possível …
Assim, ficou decidido que largaríamos no sábado com destino a Fernando de Noronha.

QUINTA-
Na quinta aproveitámos para fazer um Tour pela cidade no Hop on, Hop off e ficarmos com uma noção mais correcta da cidade.
À noite os Starblazers jantaram a bordo. Foi muito agradável. Eles são boas pessoas, simples e amigos um do outro. O ambiente foi muito agradável.

SEXTA
Na sexta, cedo, começou a preparação dp Allegro para duas pernas pequenas - cerca de seiscentas milhas para Fernando de Noronha e, depois, trezentas e poucas para Fortaleza.
Entre outras era necessário comprovar o normal funcionamento de algumas coisas, nomeadamente do guincho. Mais uma vez o guincho não queria colaborar - guincho preso e o motor não funcionando …
Isto noutros locais não é complicado mas em Salvador é preciso um grande empenho para, ao se pedir a intervenção de um electricista não se acabar a substituir o guincho e a ter uma obra para mais de uma semana.
Assim aceitei a ajuda do John do Starblazer que é Eng. Electrotécnico. Era um cabo para o disjuntor do guincho que estava partido - o disjuntor salta se houver uma sobrecarga ou se houver um curto-circuito e rearma automaticamente passados 10 segundos.
Pelo meio da tarde estava tudo resolvido e arranjado.
Durante a sexta-feira foram ainda compradas as provisões pela Manuela e o Rui.
Mais para o fim da tarde chegou a genoa com 40 “pensos duplos” …

No princípio da tarde o Agente Ramon concluiu a papelada para completar o chek out para Fernando de Noronha e Fortaleza.
Finalmente, antes do jantar houve G&T a bordo do Starblazer.
Um dia em cheio!

SÁBADO
Foi colocada e içada a genoa de manhã cedo.

Acabámos por largar pelas 10:45, depois do Serginho (marinheiro da Marina) ter limpo o Watt and Sea e a sonda do odómetro (não fosse estar bloqueada).
Depois de sair da Baía rumámos a Norte com uma bolina inicialmente cerrada mas que passadas algumas horas foi folgando. Com o vento muito regular e o mar a ajudar fomos rumando bem.
Para o final do dia mudámos de bordo por estarmos muito perto de terra.
A única vez! Faltando-nos pouco mais de 100 milhas para chegarmos a Fernando de Noronha e não voltámos a mudar de bordo …


LA

sábado, 20 de fevereiro de 2016

TERÇA-FEIRA, 16 DE FEVEREIRO DE 2016


É hoje o dia da verdade, ou pelo menos de grande parte da verdade.
É hoje que vamos saber se o sistema de governo do Allegro fica em condições de poder funcionar.

No Allegro, o sistema de transmissão entre a roda do leme e o quadrante não é feito por cabos. Faz-se através de veios (eixos) metálicos, cilíndricos, separados por caixas onde a direcção do eixo que entra na caixa é diferente da do eixo que dela sai.
Estas caixas, fixadas com firmeza a zonas estruturais têm no seu interior rodas dentadas que articulando-se umas com as outras transmitem o movimento de rotação de eixo para eixo.
No Allegro, numa destas caixas (na que fica entre a casa das máquina e o camarote da popa) as referidas rodas dentadas apresentam alguns dentes muito danificados. A substituição do seu conteúdo é, portanto, necessária.

O responsável pelos trabalhos de arranjo feitos na Marina, Marcelo, foi quem ficou de encontrar a oficina para refazer o “miolo” da caixa.
A caixa tem de estar em condições de bom funcionamento e tem de ser correctamente montada para podermos continuar com segurança.

Como alternativa, tentámos ainda encontrar uma caixa completa para substituição. Trocámos e-mails com representantes da Lewmar em Portugal, na América e no Brasil (se houvesse uma caixa no Brasil toda a pesadíssima burocracia ficaria muito simplificada), mas não conseguimos nada até agora.



Hoje é o dia em que Marcelo ficou de ter a caixa pronta para poder ser montada.
Ele garante que vai estar pronta hoje.
Eu quero ver.

O Carnaval e outros pormenores, responsáveis por mais de uma semana de atrasos, fizeram com que o tempo, para ir e visitar Fernando de Noronha e chegar a Fortaleza a tempo do rendezvous comece a escassear. 

Vamos ver o que vai acontecer


LA

domingo, 14 de fevereiro de 2016

QUINTA-FEIRA, 4 DE FEVEREIRO DE 2016

Desde que largámos de Santa Helena, temos tido predominantemente vento fraco, dos quadrantes de Este (SE,ESE,E), entre 8 e 12 nós. Por vezes chegou aos 15 e, raramente, aos 20. De vez em quando ligámos o motor para não ficarmos parados. Sempre que o vento permite, navegamos em borboleta, com a genoa no pau. A escota deteriorou-se na extremidade junto ao pau, e tivemos que a cortar e reposicionar; mudámos um pouco a posição do pau e, sobretudo, a tensão na escota da genoa com bom resultado - até agora, não voltou a acontecer. Durante a noite em que não pudemos fazer “borboleta” navegámos demasiado para Norte, e, noutras ocasiões, o vento e, sobretudo a corrente, não nos permitiram um rumo mais directo e desviámo-nos demais para Sul.
Nestes últimos dias, o vento caiu para menos de 10 nós e, depois de fazermos as contas ao gasóleo, decidimos ligar o motor e fazer rumo directo a Salvador. Vamos no 2º dia de motor, e as previsões continuam a não passar dos 10 nós nas zonas onde vamos passando…
Estão uns dias espectaculares, límpidos, poucas nuvens, cada vez mais quentes, assim como a água do mar, que já vai em 29º. As noites agora têm estado estreladas, com o Cruzeiro do Sul a bombordo, a fazer-nos companhia. Saímos de St Helena no quarto crescente, já passou a lua cheia, e o quarto minguante está a acabar. Tantos dias… Uma longa perna.
Já só estamos no mar os 3 barcos que largaram de St Helena a 21 de Janeiro, e o Wayward Wind chega hoje a Salvador. Ficamos nós e o Luna Quest.
O nosso ETA é para Sábado dia 6, de madrugada ou manhã cedo. Sábado de Carnaval.
Estamos desejosos de chegar!…

MA, LA

DEZEMBRO DE 2015 E JANEIRO DE 2016 ATÉ QUINTA-FEIRA, 21

DEZEMBRO 2015 E JANEIRO 2016 ATÉ DOMINGO, DIA 10


Faz hoje 1 ano que começou a Volta ao Mundo, a World ARC, em Saint Lucia!
Estamos todos de parabéns!

A estadia em Cape Town correu muito bem, primeiro com a visita da Ana, Miguel e os filhos. Um tempo para matar algumas saudades e ficar ainda com muitas mais.
Depois o Natal, que começou com um almoço “em português”, a bordo, no dia 24, com o Rui, Anne Marie e a filha do Rui, Maria João, que veio passar o Natal com o pai. Trocámos presentes e almoçámos juntos.
Depois, no dia 25, houve um almoço no pontão, para todas as tripulações que ficaram a bordo dos vários barcos. Éramos 22 adultos, e as 4 crianças da frota. Cada barco contribuiu com parte da refeição. A nós calharam-nos os acompanhamentos. Levámos ainda um bolo-rei que a Anne Marie trouxera de Portugal, e eu fiz um arroz doce, para que houvesse mais um toque típico de casa. Acabámos a tarde instalados a bordo do Aretha, e foi muito agradável.
Na passagem do ano, festejámos novamente com as tripulações dos outros barcos, mas desta vez veio um cozinheiro fazer um barbecue no pontão, e acabámos todos a jantar e a festejar a Passagem do Ano a bordo do Makena. Houve um fogo de artifício à meia noite, prolongado e muito bonito, a fazer lembrar os de Portugal.

Além dos festejos, aproveitámos para fazer algum turismo. A Cidade do Cabo é muito bonita, e não queríamos deixar de ir ao Cabo da Boa Esperança, entre outros locais.

Depois do tempo das Festas, e do descanso em Cape Town, recomeçámos a velejar no dia 6 de Janeiro, iniciando mais uma longa etapa, Cape Town - Salvador da Baía, com passagem por Santa Helena. A etapa Cidade do Cabo - Santa Helena são cerca de 1700 milhas, e Santa Helena - Salvador, 1900 milhas. Em Santa Helena está prevista uma paragem de 3 dias, e a chegada a Salvador deverá ser durante o Carnaval.

O vento na largada era de cerca de 20 nós. Foi aumentando progressivamente para 25-30, e mais tarde 30-35, com rajadas até 42 nós. A direcção era de SSE, favorável nesse aspecto.
O mar tornou-se alto e desencontrado, muito desconfortável, com ondas que entravam para o poço, e pelos vários ventiladores do barco, tornando tudo bastante húmido e escorregadio.
E a temperatura era fresca, as noites frias. A corrente era favorável, a corrente fria de Benguela.

Duraram 3 dias aquelas condições, e ontem começaram a melhorar. Hoje já estamos com 15-20 nós, o mar acalmou muito, e a vida a bordo está mais confortável.

Houve 2 avarias até agora.
Uma, transitória, que se resolveu por si, e que atribuímos a mau contacto devido à humidade: o SSB deixou de emitir. A recepção estava normal, mas os outros barcos não nos ouviam. ao fim de 36 horas, resolveu, e passou a funcionar normalmente. Ainda bem, por todas as razões, e também porque amanhã é o Allegro o barco responsável pelas comunicações, o “net controller”.
A segunda, preocupante, diz respeito ao sistema de transmissão do leme; uma das caixas do sistema, na casa das máquinas, está parcialmente solta. Ainda funciona, mas oscila com os movimentos do leme. Tentámos fixá-la, mas o acesso é muito difícil, prejudicado ainda por cima pelo desalinizador. O movimento, constante, torna tudo ainda mais difícil. Ainda colocámos o leme auxiliar, para imobilizar o leme do barco, mas não foi suficiente para se consertar o problema. A solução, para já, é utilizar o mais possível o leme de vento até se terem as condições para fixar a caixa. Assim sendo, estamos agora a ser governados pelo piloto de vento, que se está a portar muito bem.
É uma avaria que nos pode trazer grandes dificuldades, temos a noção disso. vamos tentar resolvê-la em Sta. Helena com a ajuda do skipper do “Ayama”.
Mas ainda falta tanto tempo e tantas milhas …

LA+MA
 

DE QUINTA-FEIRA, DIA 14 A QUINTA-FEIRA, 21 DE JANEIRO DE 2016


No dia 14 de Janeiro, cruzámos o Meridiano de Greenwich, às 07:51 da manhã (05:51 hora de Greenwich), passando de longitude Este para longitude Oeste!
Utilizando o piloto de vento, mesmo quando andámos a motor, conseguimos poupar o sistema de transmissão do leme, e a avaria não se agravou nem se complicou.

SANTA HELENA
Santa Helena pertence a Inglaterra, sendo a moeda a libra esterlina de Santa Helena.
Foi descoberta pelo português João da Nova em 1502, quando regressava da Índia. Como era dia de Santa Helena (21 de Maio), foi esse o nome dado à Ilha.

Cruzámos a linha de chegada a Santa Helena às 13:06 (hora de Cape Town), do dia 18 de Janeiro. Às 11:35 (hora de Santa Helena) prendemo-nos a uma das bóias amarelas da Baía de Saint James, onde fica a capital da ilha, Jamestown.
A hora é UTC, a mesma que em Portugal, agora no Inverno de lá, menos 2 horas do que na África do Sul.
Vista do mar, a ilha é um grande bloco de rocha negra, vulcânica, com um ar seco e árido. A cidade de Jamestown, um fileira de casas que sobe colina acima, enfiadas num estreito vale entre montanha de cada lado. Ah, e já se vê do mar a famosa escada de Jacob, com os seus 699 degraus, que sobe até ao topo da colina.
Fomos a terra, transportados por um “Water Taxi”, que eles chamam Ferry Boat, mas que é um barco pequeno onde cabem uma dúzia de pessoas, com uma pequena cabine de protecção do “taxista”. A chegada ao cais pode ser difícil quando há mareta, pois é feita com a ajuda de uns cabos com nós, presos a uma estrutura metálica, aos quais nos agarramos para não nos desequilibrarmos. Só vendo!…
Fomos aos “Customs” e seguidamente à Emigração, onde nos fizeram logo check in e check out para daí a 3 dias.
Depois ao Banco, levantar Libras de Santa Helena, que não são aceites em Inglaterra, só na Ilha. Não há ATMs em Santa Helena, e não aceitam cartões de débito ou de crédito para pagamentos. Nem para o gasóleo, nem nos (poucos) restaurantes. Tudo em “cash”.
Jamestown parece que parou no tempo nos anos 50. E em Inglaterra, claro. Tipicamente “british”…
Almoçámos no “Consulate Hotel”, o único da ilha, e único em si próprio…
Regressámos ao Allegro, e Stephan (do Ayama) veio ajudar o Luís a arranjar a caixa do leme. E conseguiram! Menos uma grande dor de cabeça!…
Havia um BBQ nessa noite em terra, mas acabámos por comer num restaurante e ir beber um copo ao St Helena Yacht Club, onde era o BBQ. É um club náutico com umas instalações muito modestas, mas que nos recebeu muito bem. Aliás, por toda a ilha, as pessoas são amáveis, e cumprimentam sempre.
No dia 19, de manhã, o programa foi “Mergulhar com os tubarões baleia”. Tubarões enormes, com 7 a 10 metros, cuja sombra na água já assusta pelo tamanho. Quando mergulhamos junto a eles, é impressionante! São realmente enormes, mexem-se devagar, têm o corpo, negro, sarapintado de pintas brancas, e trazem agarrados a eles os peixes pequenos, as rémoras. São majestosos, e assustadores quando viram a cabeça para nós! Inesquecível!
À tarde, veio um barco transportar o gasóleo para reabastecer o Allegro.
O dia 20, sexta-feira, começou com o Luís a subir ao mastro, de manhã muito cedo, para substituir o “baby stay”.
Depois seguimos para terra para o passeio pela Ilha. Mas não num transporte qualquer. O “mini-bus” que nos transportou era um Chevrolet de 1929, com 18 lugares, descapotável, com um toldo de lona para nos proteger da chuva. Uma relíquia! Visitámos a casa onde viveu Napoleão durante os seus 18 anos de exílio na Ilha, o túmulo onde esteve sepultado, a casa do Governador com as suas enormes tartarugas, sendo a mais velha chamada Jonathan e apresentada como o animal mais idoso do mundo, e as obras do aeroporto. É verdade, Santa Helena vai passar a ter um aeroporto, porque, até aqui, só é abastecida por barco que vem uma vez por semana.
A ilha árida e seca que vimos do mar, é, afinal, no seu interior, verde, húmida, com zonas de vegetação luxuriante e outras zonas de pastagens. Uma muito agradável surpresa.
No dia 21, de manhã, comprámos os frescos. Almoçámos no “Consulate Hotel” com as tripulações dos outros 2 barcos ainda na Ilha, o Luna Quest e o Wayward Wind. E às 16:00 largámos de Santa Helena, para percorrermos as 1900 Milhas que nos separam de S. Salvador da Baía de Todos os Santos.

MA+LA

sábado, 12 de dezembro de 2015

SEGUNDA-FEIRA, 7 DE DEZEMBRO DE 2015

Hoje viemos pôr o barco a seco no estaleiro do Royal Cape Yacht Club.
Saímos cedo da Marina, com o cenário da Table Mountain à distância.
Não têm "travel-lift", portanto o barco, ainda na água, é preso a uma estrutura que tem a parte lateral fora de água, estando a restante parte mergulhada. Prendem o barco muito bem com cabos e depois começam a rebocar todo aquele conjunto, que desliza nuns carris, através de um cabo de aço. Quando o barco começa a sair da água, se constatam que está inclinado, tornam a deixá-lo voltar para trás até ficar a boiar novamente, corrigem a posição dos cabos e... repetem o processo. Fizeram isto para aí 5 vezes até ficarem satisfeitos com a posição, e agora ali está o Allegro, na rampa do estaleiro para limpar o casco, pôr o antifouling, rever os zincos, e polir o casco para ficar todo bonito outra vez, e pronto para mais 2 travessias do Atlântico, o Atlântico Sul de Este para Oeste, e depois o Atlântico Norte, de Oeste para Este, de regresso a casa.

E neste momento, do alto do Allegro, temos uma vista espectacular da Table Mountain, que hoje tem a "toalha de mesa" colocada: um manto de nuvens que descem um bocado pelas bordas da "mesa", parecendo mesmo uma toalha!

Na quarta-feira já temos um programa previsto. Um dos barcos da frota, o Ayama, de nacionalidade sueca, descobriu que há cá uma  marca de vinho Ayama, que é feita aqui perto de Cape Town, a 2 horas de caminho. E combinou com eles uma visita à "vineyard" com prova dos vinhos, para todas as tripulações que quisessem ir. E lá vamos nós todos, claro. Já toda a gente se mete com eles porque tinham uma vinha aqui e não diziam nada...

Amanhã, dia 8 de Dezembro, chegam a Ana, o Miguel e os três filhos. Este blog vai novamente ficar sem notícias frescas, porque tencionamos aproveitar a estadia deles cá para matarmos algumas das muitas saudades acumuladas, não só deles, mas através das notícias que nos trazem, de todos os que ficaram por lá... Provavelmente só depois do dia 20 retomaremos a escrita...

MA

domingo, 6 de dezembro de 2015

TERÇA-FEIRA, 1 DE DEZEMBRO DE 2015

 Na Segunda-feira, 30 de Novembro, dobrámos o Cabo Agulhas, passando do Oceano Índico para o Oceano Atlantico! Este é o ponto mais a sul de África, e o ponto mais a sul de todo o cruzeiro da World ARC, 35º09' Sul. Nessa noite dobrámos depois o Cabo da Boa Esperança, que fica 90 milhas a noroeste do Cabo das Agulhas.
O Cabo da Boa Esperança foi inicialmente chamado Cabo das Tormentas.
Para nós foi, realmente, Cabo da Boa Esperança, pois passámo-lo com bom tempo, havendo apenas a assinalar a presença de muitos barcos de pesca, um dos quais por não ter alterado a rota conforme combinado por VHF, obrigou a manobra "salvadora" de última hora.
A entrada no porto, fez-se com muito nevoeiro. Só foi feita "em segurança" devido à tecnologia actualmente existente - cartas electrónicas, radar e AIS. Um petroleiro com mais de 900 pés e rumando a 12 nós para a entrada do porto "surgiu" e desapareceu quase a seguir a cerca de 100 metros de nós. Pouco depois a visibilidade diminuiu para menos 30 metros, obrigando-nos a seguir na zona mais externa do corredor para termos mais segurança.
Mais tarde, e antes de entrarmos no Porto, começámos a ver os leões marinhos, de papo para o ar a agitarem as barbatanas, ou a mergulharem quando nos aproximávamos. A visibilidade era ainda bastante má pelo que não nos permitiu ver a Table Mountain no seu esplendor.
No acesso à "Victoria and Alfred Waterfront Marina" passámos as duas pontes que se abriram para nos dar passagem.








Toda a zona do Waterfront é actualmente um dos pontos turísticos altos de Cape Town, e está muito bem arranjada.





Encostámos ao pontão reservado para os barcos da World ARC às 07:00 da manhã.

















A chegada a Cape Town é um marco muito importante nesta Volta ao Mundo!
Significa que regressámos ao Atlântico, que ficou para trás o Oceano que mais expectativa nos causou em termos de potenciais perigos, o Índico.

E agora é tempo de paragem mais prolongada, nesta cidade espectacular que é Cape Town.
Paragem para descansarmos, para estarmos com a Família (!) para passarmos o Natal e a Passagem para o Novo Ano, para se fazerem os arranjos necessários no Allegro que se tem portado realmente  bem, e no dia 6 de Janeiro retomar a Viagem.

LA+MA