Allegro (no Mediterrâneo)

Allegro (no Mediterrâneo)
Allegro nas Baleares

domingo, 14 de fevereiro de 2016

QUINTA-FEIRA, 4 DE FEVEREIRO DE 2016

Desde que largámos de Santa Helena, temos tido predominantemente vento fraco, dos quadrantes de Este (SE,ESE,E), entre 8 e 12 nós. Por vezes chegou aos 15 e, raramente, aos 20. De vez em quando ligámos o motor para não ficarmos parados. Sempre que o vento permite, navegamos em borboleta, com a genoa no pau. A escota deteriorou-se na extremidade junto ao pau, e tivemos que a cortar e reposicionar; mudámos um pouco a posição do pau e, sobretudo, a tensão na escota da genoa com bom resultado - até agora, não voltou a acontecer. Durante a noite em que não pudemos fazer “borboleta” navegámos demasiado para Norte, e, noutras ocasiões, o vento e, sobretudo a corrente, não nos permitiram um rumo mais directo e desviámo-nos demais para Sul.
Nestes últimos dias, o vento caiu para menos de 10 nós e, depois de fazermos as contas ao gasóleo, decidimos ligar o motor e fazer rumo directo a Salvador. Vamos no 2º dia de motor, e as previsões continuam a não passar dos 10 nós nas zonas onde vamos passando…
Estão uns dias espectaculares, límpidos, poucas nuvens, cada vez mais quentes, assim como a água do mar, que já vai em 29º. As noites agora têm estado estreladas, com o Cruzeiro do Sul a bombordo, a fazer-nos companhia. Saímos de St Helena no quarto crescente, já passou a lua cheia, e o quarto minguante está a acabar. Tantos dias… Uma longa perna.
Já só estamos no mar os 3 barcos que largaram de St Helena a 21 de Janeiro, e o Wayward Wind chega hoje a Salvador. Ficamos nós e o Luna Quest.
O nosso ETA é para Sábado dia 6, de madrugada ou manhã cedo. Sábado de Carnaval.
Estamos desejosos de chegar!…

MA, LA

DEZEMBRO DE 2015 E JANEIRO DE 2016 ATÉ QUINTA-FEIRA, 21

DEZEMBRO 2015 E JANEIRO 2016 ATÉ DOMINGO, DIA 10


Faz hoje 1 ano que começou a Volta ao Mundo, a World ARC, em Saint Lucia!
Estamos todos de parabéns!

A estadia em Cape Town correu muito bem, primeiro com a visita da Ana, Miguel e os filhos. Um tempo para matar algumas saudades e ficar ainda com muitas mais.
Depois o Natal, que começou com um almoço “em português”, a bordo, no dia 24, com o Rui, Anne Marie e a filha do Rui, Maria João, que veio passar o Natal com o pai. Trocámos presentes e almoçámos juntos.
Depois, no dia 25, houve um almoço no pontão, para todas as tripulações que ficaram a bordo dos vários barcos. Éramos 22 adultos, e as 4 crianças da frota. Cada barco contribuiu com parte da refeição. A nós calharam-nos os acompanhamentos. Levámos ainda um bolo-rei que a Anne Marie trouxera de Portugal, e eu fiz um arroz doce, para que houvesse mais um toque típico de casa. Acabámos a tarde instalados a bordo do Aretha, e foi muito agradável.
Na passagem do ano, festejámos novamente com as tripulações dos outros barcos, mas desta vez veio um cozinheiro fazer um barbecue no pontão, e acabámos todos a jantar e a festejar a Passagem do Ano a bordo do Makena. Houve um fogo de artifício à meia noite, prolongado e muito bonito, a fazer lembrar os de Portugal.

Além dos festejos, aproveitámos para fazer algum turismo. A Cidade do Cabo é muito bonita, e não queríamos deixar de ir ao Cabo da Boa Esperança, entre outros locais.

Depois do tempo das Festas, e do descanso em Cape Town, recomeçámos a velejar no dia 6 de Janeiro, iniciando mais uma longa etapa, Cape Town - Salvador da Baía, com passagem por Santa Helena. A etapa Cidade do Cabo - Santa Helena são cerca de 1700 milhas, e Santa Helena - Salvador, 1900 milhas. Em Santa Helena está prevista uma paragem de 3 dias, e a chegada a Salvador deverá ser durante o Carnaval.

O vento na largada era de cerca de 20 nós. Foi aumentando progressivamente para 25-30, e mais tarde 30-35, com rajadas até 42 nós. A direcção era de SSE, favorável nesse aspecto.
O mar tornou-se alto e desencontrado, muito desconfortável, com ondas que entravam para o poço, e pelos vários ventiladores do barco, tornando tudo bastante húmido e escorregadio.
E a temperatura era fresca, as noites frias. A corrente era favorável, a corrente fria de Benguela.

Duraram 3 dias aquelas condições, e ontem começaram a melhorar. Hoje já estamos com 15-20 nós, o mar acalmou muito, e a vida a bordo está mais confortável.

Houve 2 avarias até agora.
Uma, transitória, que se resolveu por si, e que atribuímos a mau contacto devido à humidade: o SSB deixou de emitir. A recepção estava normal, mas os outros barcos não nos ouviam. ao fim de 36 horas, resolveu, e passou a funcionar normalmente. Ainda bem, por todas as razões, e também porque amanhã é o Allegro o barco responsável pelas comunicações, o “net controller”.
A segunda, preocupante, diz respeito ao sistema de transmissão do leme; uma das caixas do sistema, na casa das máquinas, está parcialmente solta. Ainda funciona, mas oscila com os movimentos do leme. Tentámos fixá-la, mas o acesso é muito difícil, prejudicado ainda por cima pelo desalinizador. O movimento, constante, torna tudo ainda mais difícil. Ainda colocámos o leme auxiliar, para imobilizar o leme do barco, mas não foi suficiente para se consertar o problema. A solução, para já, é utilizar o mais possível o leme de vento até se terem as condições para fixar a caixa. Assim sendo, estamos agora a ser governados pelo piloto de vento, que se está a portar muito bem.
É uma avaria que nos pode trazer grandes dificuldades, temos a noção disso. vamos tentar resolvê-la em Sta. Helena com a ajuda do skipper do “Ayama”.
Mas ainda falta tanto tempo e tantas milhas …

LA+MA
 

DE QUINTA-FEIRA, DIA 14 A QUINTA-FEIRA, 21 DE JANEIRO DE 2016


No dia 14 de Janeiro, cruzámos o Meridiano de Greenwich, às 07:51 da manhã (05:51 hora de Greenwich), passando de longitude Este para longitude Oeste!
Utilizando o piloto de vento, mesmo quando andámos a motor, conseguimos poupar o sistema de transmissão do leme, e a avaria não se agravou nem se complicou.

SANTA HELENA
Santa Helena pertence a Inglaterra, sendo a moeda a libra esterlina de Santa Helena.
Foi descoberta pelo português João da Nova em 1502, quando regressava da Índia. Como era dia de Santa Helena (21 de Maio), foi esse o nome dado à Ilha.

Cruzámos a linha de chegada a Santa Helena às 13:06 (hora de Cape Town), do dia 18 de Janeiro. Às 11:35 (hora de Santa Helena) prendemo-nos a uma das bóias amarelas da Baía de Saint James, onde fica a capital da ilha, Jamestown.
A hora é UTC, a mesma que em Portugal, agora no Inverno de lá, menos 2 horas do que na África do Sul.
Vista do mar, a ilha é um grande bloco de rocha negra, vulcânica, com um ar seco e árido. A cidade de Jamestown, um fileira de casas que sobe colina acima, enfiadas num estreito vale entre montanha de cada lado. Ah, e já se vê do mar a famosa escada de Jacob, com os seus 699 degraus, que sobe até ao topo da colina.
Fomos a terra, transportados por um “Water Taxi”, que eles chamam Ferry Boat, mas que é um barco pequeno onde cabem uma dúzia de pessoas, com uma pequena cabine de protecção do “taxista”. A chegada ao cais pode ser difícil quando há mareta, pois é feita com a ajuda de uns cabos com nós, presos a uma estrutura metálica, aos quais nos agarramos para não nos desequilibrarmos. Só vendo!…
Fomos aos “Customs” e seguidamente à Emigração, onde nos fizeram logo check in e check out para daí a 3 dias.
Depois ao Banco, levantar Libras de Santa Helena, que não são aceites em Inglaterra, só na Ilha. Não há ATMs em Santa Helena, e não aceitam cartões de débito ou de crédito para pagamentos. Nem para o gasóleo, nem nos (poucos) restaurantes. Tudo em “cash”.
Jamestown parece que parou no tempo nos anos 50. E em Inglaterra, claro. Tipicamente “british”…
Almoçámos no “Consulate Hotel”, o único da ilha, e único em si próprio…
Regressámos ao Allegro, e Stephan (do Ayama) veio ajudar o Luís a arranjar a caixa do leme. E conseguiram! Menos uma grande dor de cabeça!…
Havia um BBQ nessa noite em terra, mas acabámos por comer num restaurante e ir beber um copo ao St Helena Yacht Club, onde era o BBQ. É um club náutico com umas instalações muito modestas, mas que nos recebeu muito bem. Aliás, por toda a ilha, as pessoas são amáveis, e cumprimentam sempre.
No dia 19, de manhã, o programa foi “Mergulhar com os tubarões baleia”. Tubarões enormes, com 7 a 10 metros, cuja sombra na água já assusta pelo tamanho. Quando mergulhamos junto a eles, é impressionante! São realmente enormes, mexem-se devagar, têm o corpo, negro, sarapintado de pintas brancas, e trazem agarrados a eles os peixes pequenos, as rémoras. São majestosos, e assustadores quando viram a cabeça para nós! Inesquecível!
À tarde, veio um barco transportar o gasóleo para reabastecer o Allegro.
O dia 20, sexta-feira, começou com o Luís a subir ao mastro, de manhã muito cedo, para substituir o “baby stay”.
Depois seguimos para terra para o passeio pela Ilha. Mas não num transporte qualquer. O “mini-bus” que nos transportou era um Chevrolet de 1929, com 18 lugares, descapotável, com um toldo de lona para nos proteger da chuva. Uma relíquia! Visitámos a casa onde viveu Napoleão durante os seus 18 anos de exílio na Ilha, o túmulo onde esteve sepultado, a casa do Governador com as suas enormes tartarugas, sendo a mais velha chamada Jonathan e apresentada como o animal mais idoso do mundo, e as obras do aeroporto. É verdade, Santa Helena vai passar a ter um aeroporto, porque, até aqui, só é abastecida por barco que vem uma vez por semana.
A ilha árida e seca que vimos do mar, é, afinal, no seu interior, verde, húmida, com zonas de vegetação luxuriante e outras zonas de pastagens. Uma muito agradável surpresa.
No dia 21, de manhã, comprámos os frescos. Almoçámos no “Consulate Hotel” com as tripulações dos outros 2 barcos ainda na Ilha, o Luna Quest e o Wayward Wind. E às 16:00 largámos de Santa Helena, para percorrermos as 1900 Milhas que nos separam de S. Salvador da Baía de Todos os Santos.

MA+LA

sábado, 12 de dezembro de 2015

SEGUNDA-FEIRA, 7 DE DEZEMBRO DE 2015

Hoje viemos pôr o barco a seco no estaleiro do Royal Cape Yacht Club.
Saímos cedo da Marina, com o cenário da Table Mountain à distância.
Não têm "travel-lift", portanto o barco, ainda na água, é preso a uma estrutura que tem a parte lateral fora de água, estando a restante parte mergulhada. Prendem o barco muito bem com cabos e depois começam a rebocar todo aquele conjunto, que desliza nuns carris, através de um cabo de aço. Quando o barco começa a sair da água, se constatam que está inclinado, tornam a deixá-lo voltar para trás até ficar a boiar novamente, corrigem a posição dos cabos e... repetem o processo. Fizeram isto para aí 5 vezes até ficarem satisfeitos com a posição, e agora ali está o Allegro, na rampa do estaleiro para limpar o casco, pôr o antifouling, rever os zincos, e polir o casco para ficar todo bonito outra vez, e pronto para mais 2 travessias do Atlântico, o Atlântico Sul de Este para Oeste, e depois o Atlântico Norte, de Oeste para Este, de regresso a casa.

E neste momento, do alto do Allegro, temos uma vista espectacular da Table Mountain, que hoje tem a "toalha de mesa" colocada: um manto de nuvens que descem um bocado pelas bordas da "mesa", parecendo mesmo uma toalha!

Na quarta-feira já temos um programa previsto. Um dos barcos da frota, o Ayama, de nacionalidade sueca, descobriu que há cá uma  marca de vinho Ayama, que é feita aqui perto de Cape Town, a 2 horas de caminho. E combinou com eles uma visita à "vineyard" com prova dos vinhos, para todas as tripulações que quisessem ir. E lá vamos nós todos, claro. Já toda a gente se mete com eles porque tinham uma vinha aqui e não diziam nada...

Amanhã, dia 8 de Dezembro, chegam a Ana, o Miguel e os três filhos. Este blog vai novamente ficar sem notícias frescas, porque tencionamos aproveitar a estadia deles cá para matarmos algumas das muitas saudades acumuladas, não só deles, mas através das notícias que nos trazem, de todos os que ficaram por lá... Provavelmente só depois do dia 20 retomaremos a escrita...

MA

domingo, 6 de dezembro de 2015

TERÇA-FEIRA, 1 DE DEZEMBRO DE 2015

 Na Segunda-feira, 30 de Novembro, dobrámos o Cabo Agulhas, passando do Oceano Índico para o Oceano Atlantico! Este é o ponto mais a sul de África, e o ponto mais a sul de todo o cruzeiro da World ARC, 35º09' Sul. Nessa noite dobrámos depois o Cabo da Boa Esperança, que fica 90 milhas a noroeste do Cabo das Agulhas.
O Cabo da Boa Esperança foi inicialmente chamado Cabo das Tormentas.
Para nós foi, realmente, Cabo da Boa Esperança, pois passámo-lo com bom tempo, havendo apenas a assinalar a presença de muitos barcos de pesca, um dos quais por não ter alterado a rota conforme combinado por VHF, obrigou a manobra "salvadora" de última hora.
A entrada no porto, fez-se com muito nevoeiro. Só foi feita "em segurança" devido à tecnologia actualmente existente - cartas electrónicas, radar e AIS. Um petroleiro com mais de 900 pés e rumando a 12 nós para a entrada do porto "surgiu" e desapareceu quase a seguir a cerca de 100 metros de nós. Pouco depois a visibilidade diminuiu para menos 30 metros, obrigando-nos a seguir na zona mais externa do corredor para termos mais segurança.
Mais tarde, e antes de entrarmos no Porto, começámos a ver os leões marinhos, de papo para o ar a agitarem as barbatanas, ou a mergulharem quando nos aproximávamos. A visibilidade era ainda bastante má pelo que não nos permitiu ver a Table Mountain no seu esplendor.
No acesso à "Victoria and Alfred Waterfront Marina" passámos as duas pontes que se abriram para nos dar passagem.








Toda a zona do Waterfront é actualmente um dos pontos turísticos altos de Cape Town, e está muito bem arranjada.





Encostámos ao pontão reservado para os barcos da World ARC às 07:00 da manhã.

















A chegada a Cape Town é um marco muito importante nesta Volta ao Mundo!
Significa que regressámos ao Atlântico, que ficou para trás o Oceano que mais expectativa nos causou em termos de potenciais perigos, o Índico.

E agora é tempo de paragem mais prolongada, nesta cidade espectacular que é Cape Town.
Paragem para descansarmos, para estarmos com a Família (!) para passarmos o Natal e a Passagem para o Novo Ano, para se fazerem os arranjos necessários no Allegro que se tem portado realmente  bem, e no dia 6 de Janeiro retomar a Viagem.

LA+MA


sexta-feira, 27 de novembro de 2015

QUINTA-FEIRA, 26 DE NOVEMBRO DE 2015

East London

Finalmente conseguimos sair de Richards'Bay com uma janela de tempo suficiente para virmos até East London, a 255 milhas. Largámos nós, o Wayward Wind, o Starblazer, o Aretha e o Circe. Nesse dia largaram de Durban, o Exody, o Ayama, o Garlix e o Tulasi. Só ficaram em Richards'Bay o A Plus 2, o Makena, e, em arranjos, o Hugur e o Chateau Bleu.
Pouco antes de entrarmos em East London, o vento mudou novamente para Sudoeste e não nos permitiu ir mais para a frente. Era o que estava previsto, certo quase ao minuto... Lá dentro já estavam o Wayward Wind, o Aretha, o Starblazer e o Exody. Os restantes que estavam no mar tinham conseguido avançar para Port Elisabeth. O Garlix com múltiplas avarias, eléctricas e sobretudo electrónicas, pois durante a estadia em Durban, estando fundeados, foram atingidos por um relâmpago durante uma trovoada...

Em Richard's Bay tínhamos aproveitado sobretudo para descansar e limpar e secar o barco, mas já estávamos desejosos que as condições atmosféricas nos permitissem avançar. Todos os "Pilots" e almanaques náuticos avisam para não se navegar quando o vento está contra a corrente das Agulhas, e era necessária uma janela de pelo menos 3 dias para nos deixar sair de lá sem se parar em Durban, a 90 milhas, porque o tempo que levaríamos a tratar da burocracia não compensava a estadia por lá, pois não havia lugar na Marina, teríamos que ficar fundeados, com "swell" a entrar no Porto, enfim, os skippers locais pintaram-nos um cenário nada apetecível...

Assim, na cauda de mais um período de vento Sudoeste, quando estava já a enfraquecer, saímos de Richards'Bay, na segunda-feira, 23 de Novembro, pelas 13h. Apanhámos inicialmente um mar ainda agitado com ondas de cerca de 3 metros, vento de SW de 10, por vezes 15 nós, que só deu lugar ao NE no 2o dia ao cair da noite. Foi uma motorada ininterrupta, que se manteve mesmo quando vento e corrente se tornaram favoráveis, porque sabíamos que brevemente o SW ia regressar e queríamos estar abrigados quando tal sucedesse.
Durante a noite de 24 para 25 de Novembro fizemos médias de mais de 9 nós, com um pico de 11,2 graças ao vento favorável e, sobretudo, à corrente das Agulhas que atingiu valores de 3 nós, com um pico de 4,2!
Mesmo assim, o SW ainda nos atingiu pelo meio dia, veio de forma súbita, depois de o barómetro ter vindo a baixar paulatinamente de 1020 na manhã de 24 até 1007 na manhã de 25. Levantou o mar quase de imediato para ondas de perto de 3 metros, e reduziu a nossa velocidade em 3 nós. Felizmente, quando nos aproximámos mais de terra, como recomendam os "Pilots", as ondas diminuíram assim como o vento; infelizmente, a corrente também, mas não se pode ter tudo. Entrámos em East London às 16, e fundeámos no rio, perto dos outros barcos.









East London é  o único porto de rio da África do Sul, e o rio é o Buffalo River. Tem uma entrada fácil, e, cá dentro, pelo menos com o SW, não se sente nem o vento nem a ondulação.
Ontem era a noite do barbecue no "Buffalo River Yacht Club", pelo que levámos de bordo uns belos bifes que grelhámos no Club, acompanhados de um óptimo arroz cozinhado pelo Rui. Foi uma noite bem passada, com as tripulações da frota da WARC e de outros barcos, dos quais alguns latinos - encontrámos pessoas da Argentina, México e Galiza!...
Hoje vai ser o dia de repor o nível de gasóleo a bordo, o que tem que ser feito transportando os jerrycans no dinghy e depois num transporte organizado pelo Club.
Está uma manhã cinzenta, muito húmida, por vezes caindo uma chuva miudinha. Neste momento não há vento nenhum e sente-se uma grande tranquilidade...

MA

sábado, 14 de novembro de 2015

SÁBADO, 14 DE NOVEMBRO DE 2015

Os últimos dois dias do percurso correram bem, entrámos em Richard's Bay antes do mau tempo começar! Nas últimas milhas fomos apanhando corrente favorável, que variou entre 1 e 2,9 nós! Foi óptimo.
Quando nos aproximámos da costa, sentimos um cheiro muito agradável a terra e a plantas muito aromáticas, totalmente inesperado e inesquecível! Já nos tinha acontecido noutras aproximações a terra sentirmos um cheiro diferente, mas este era particularmente agradável!
Já muito próximo da entrada do porto, tivemos a companhia de baleias "humpback" ou baleias jubarte. São muito grandes, 15-16 m, e, apesar do tamanho, dão uns saltos em que saem quase completamente da água, deixando-se em seguida cair de costas! Além desses saltos, põem-se de lado e baterem com a enorme barbatana lateral na água. Por vezes mergulham, deixando-nos ver a barbatana caudal.Também as tínhamos visto na Austrália, e aqui novamente assistimos ao espectáculo com que nos presentearam à chegada! Uma maravilha!
O Vitor, "yellow shirt" veio receber-nos ao canal de acesso à Marina, com o Lin, o vice-comodoro do Zululand Yacht Club, para nos conduzirem até ao nosso pontão, pois os fundos eram baixos, e estava maré baixa.








À chegada ao pontão, fomos presenteados com uma garrafa de champanhe, com a recomendação de a bebermos, a partilharmos, e de darmos também um pouco ao Índico, para lhe agradecer termos tido uma passagem segura e sem incidentes de maior. Assim fizemos, partilhando-a com as tripulações do Wayward Wind e do Chat Eau Bleu, que nos vieram receber também.
Enfim, África recebeu-nos muito bem!!
Nesse dia jantámos no restaurante da Marina, convivendo com as restantes tripulações.
E na quinta-feira, dia 12, tivemos o tour organizado pela WCC, um Safari! Foi no Parque Hluhluwe Umfolosi, um nome quase impossível de pronunciar... Gostámos imenso! Tivemos oportunidade de ver muito de perto elefantes, girafas, rinocerontes, impalas, etc,etc... Só os leões se mantiveram tão ao longe que mal se viram, mesmo com binóculos... Passeámos pelo Parque num jipe aberto, embora com cobertura porque estava um dia chuvoso, durante cerca de 8 horas, com almoço tipo piquenique incluído. Um dia muito bem passado!







 

 














E ontem, sexta-feira, foi o jantar organizado pelo WCC, aqui na Marina, precedido por um espectáculo de danças zulu que valeu a pena ver.
Durante o jantar houve o "prize-giving" sem prémios de competição, uma vez que foi uma perna não competitiva evito à meteorologia.
Houve o  prémio para  a melhor máscara de Halloween (festejado em Reunião), e que foi atribuído, com toda a justiça e aceite por unanimidade, ao Pete Long do Wayward Wind, que se mascarou de mulher fatal e estav impagável, tendo dançado com o Petersburgo do Chat Eau Bleu, e fez rir toda a gente! Foi receber o prémio, fazendo um trejeito com o guardanapo no ombro, a lembrar a echarpe da mulher fatal, o que lhe valeu uma salva de palmas adicional!...
Depois foi o prémio para a "fun competition" que ganhou.... O Allegro!! A pergunta feita era quantas horas de motor faria toda a frota da World ARC desde Reunião até Richards'Bay, e nós tivemos o valor mais aproximado!

E finalmente houve um prémio para a melhor "seamanship" desta perna. E foi para o Ayama, que se desviou da sua rota para ir levar ao Aretha o material necessário para reparar provisoriamente o rigging é poder continuar viagem!
Um "prize-giving" muito mais interessante que o habitual!

DE DOMINGO, 31 DE OUTUBRO A QUARTA-FEIRA, 10 DE NOVEMBRO DE 2015

Há bastante tempo que estou para dar notícias, mas tem sido mais difícil porque esta perna nos tem mantido bastante ocupados.

A preparação para esta perna, “the toughest one” como vem sendo considerada, começou antes da largada, aliás ainda nas Mauritius, onde o tema meteorologia da referida perna foi lançado.
Depois, em La Reunion, foi-se falando e auscultando as diferentes sensibilidades para a situação no sentido de preparar o skippers briefing. É que já se sabia que as condições meteorológicas não eram, de facto, favoráveis.
Nada mesmo. Por isso a competição lhe foi retirada - a perna fazia-se mas sem largada oficial para toda a frota, não seriam contabilizados os tempos, nem a utilização do motor e não haveria entrega dos documentos de chegada.
Finalmente na véspera da “largada”, o Luc (Makena) que vinha revendo a meteo com mais cuidado sugeriu que alguns dos barcos largassem um dia antes para apanharem o mau tempo durante menos tempo. Só um o pôde fazer (Luna Quest).
E com excepção do Tulasi todos largámos no dia previsto mas a horas diferentes.

Depois de termos arranjado uma das bombas de fundo e de termos cheio o depósito de gasóleo, largámos pelas 11:00 horas.
O primeiro dia, muito bom, com o mar a passar de desencontrado a mais coerente, teve momentos de vela muito agradáveis.

Primeiro - o mau tempo.
No 3º dia de viagem (02NOV15), e contando já com a sua chegada, rizámos a vela grande. O vento que durante a tarde se mantivera de NNE entre os 17 e 20 nós aumentou, não baixando, a partir da meia noite, dos 23 nós.
Com o aproximar da chegada da frente, acabámos por arrear a vela grande no 4º dia, então já com ondas de 3,5+ metros.
Pelas 23:00 h, a frente atingiu-nos então. Foi de repente, de facto (confirmámos com outras tripulações). Em menos de um minuto, o vento rondou de N para W e logo a seguir para S, acompanhado de uma enorme chuvada e trovoada.
Durante toda a noite o vento variou entre S, SSW e depois SW, com intensidade entre 20 e 25 nós, permitindo uma progressão muito lenta.
Estas condições mantiveram-se durante o resto da noite e durante os dois dias seguintes.
Na madrugada do 6º dia (05NOV15), mudámos de bordo, para irmos mais para S para nos afastarmos de Madagáscar, que chegou a estar a 90 milhas. Durante cerca de 45 min. Mar muito alto com ondas de 5+ metros, algumas das quais passaram por cima do poço, deixando-o com bastante água, rajadas de 30-35 nós com pontas de 40. O mar foi entrando por toda a parte, albóis, douradas, vidros laterais do salão. Não é a quantidade de água em si que é o mais preocupante, mas sim o que fica molhado. É que ficou tudo molhado, por toda a parte, casa das máquinas incluída. As nossas preocupações vão sobretudo para esta última e para a electrónica. É incrível até onde chega a água destas ondas, que deixa tudo cheio de sal.
Já sabíamos que ia ser assim.
No final do 6º dia, estávamos, finalmente, a fazer 3,5-4 nós com COG de 260º, apenas com um pouco de genoa. O pior tinha passado sem grandes estragos até então detectados.
O 7º dia foi dedicado às avarias e à vela! Foi assim:
- o inversor deixou de indicar a presença de 220V, provavelmente efeito da entrada de água salgada para a casa das máquinas (?).
- o gerador deixou de funcionar (pegava mas parava algum tempo depois). Desta vez foi o impeler que estava partido. Mas depois de substituído, o gerador continuou com o mesmo comportamento (apesar de termos verificado que o impeler estava bom). Agora era o circuito de refrigeração que não chegava a ferrar. Depois de cheio com o macho de fundo fechado, arrancou e não parou mais de trabalhar!
- a sanita da proa avariou e teve que ser substituída, depois de várias tentativas de desobstrução!…
- A vela foi espectacular, dia e noite, a fazer por vezes 7 e 8 nós!
No 8º dia (07NOV15) o vento foi mais para E. Voltámos ao downwind, para outras 24 horas de vela a andar bem.
Anteontem, dia de más notícias - está a surgir uma baixa no SE de África que vai originar ventos de SW a partir de quarta-feira dia 11 (amanhã), portanto contra a corrente das agulhas. E o vento caiu … Para chegarmos a tempo a Richards Bay estamos a fazer uma motorada desde há quase dois dias, mas parados à espera da tormenta é que não podemos ficar.
Vamos ver como correm estes dois dias!

LA