DEZEMBRO 2015 E JANEIRO 2016 ATÉ DOMINGO, DIA 10
Faz hoje 1 ano que começou a Volta ao Mundo, a World ARC, em Saint Lucia!
Estamos todos de parabéns!
A estadia em Cape Town correu muito bem, primeiro com a visita da Ana, Miguel e os filhos. Um tempo para matar algumas saudades e ficar ainda com muitas mais.
Depois o Natal, que começou com um almoço “em português”, a bordo, no dia 24, com o Rui, Anne Marie e a filha do Rui, Maria João, que veio passar o Natal com o pai. Trocámos presentes e almoçámos juntos.
Depois, no dia 25, houve um almoço no pontão, para todas as tripulações que ficaram a bordo dos vários barcos. Éramos 22 adultos, e as 4 crianças da frota. Cada barco contribuiu com parte da refeição. A nós calharam-nos os acompanhamentos. Levámos ainda um bolo-rei que a Anne Marie trouxera de Portugal, e eu fiz um arroz doce, para que houvesse mais um toque típico de casa. Acabámos a tarde instalados a bordo do Aretha, e foi muito agradável.
Na passagem do ano, festejámos novamente com as tripulações dos outros barcos, mas desta vez veio um cozinheiro fazer um barbecue no pontão, e acabámos todos a jantar e a festejar a Passagem do Ano a bordo do Makena. Houve um fogo de artifício à meia noite, prolongado e muito bonito, a fazer lembrar os de Portugal.
Além dos festejos, aproveitámos para fazer algum turismo. A Cidade do Cabo é muito bonita, e não queríamos deixar de ir ao Cabo da Boa Esperança, entre outros locais.
Depois do tempo das Festas, e do descanso em Cape Town, recomeçámos a velejar no dia 6 de Janeiro, iniciando mais uma longa etapa, Cape Town - Salvador da Baía, com passagem por Santa Helena. A etapa Cidade do Cabo - Santa Helena são cerca de 1700 milhas, e Santa Helena - Salvador, 1900 milhas. Em Santa Helena está prevista uma paragem de 3 dias, e a chegada a Salvador deverá ser durante o Carnaval.
O vento na largada era de cerca de 20 nós. Foi aumentando progressivamente para 25-30, e mais tarde 30-35, com rajadas até 42 nós. A direcção era de SSE, favorável nesse aspecto.
O mar tornou-se alto e desencontrado, muito desconfortável, com ondas que entravam para o poço, e pelos vários ventiladores do barco, tornando tudo bastante húmido e escorregadio.
E a temperatura era fresca, as noites frias. A corrente era favorável, a corrente fria de Benguela.
Duraram 3 dias aquelas condições, e ontem começaram a melhorar. Hoje já estamos com 15-20 nós, o mar acalmou muito, e a vida a bordo está mais confortável.
Houve 2 avarias até agora.
Uma, transitória, que se resolveu por si, e que atribuímos a mau contacto devido à humidade: o SSB deixou de emitir. A recepção estava normal, mas os outros barcos não nos ouviam. ao fim de 36 horas, resolveu, e passou a funcionar normalmente. Ainda bem, por todas as razões, e também porque amanhã é o Allegro o barco responsável pelas comunicações, o “net controller”.
A segunda, preocupante, diz respeito ao sistema de transmissão do leme; uma das caixas do sistema, na casa das máquinas, está parcialmente solta. Ainda funciona, mas oscila com os movimentos do leme. Tentámos fixá-la, mas o acesso é muito difícil, prejudicado ainda por cima pelo desalinizador. O movimento, constante, torna tudo ainda mais difícil. Ainda colocámos o leme auxiliar, para imobilizar o leme do barco, mas não foi suficiente para se consertar o problema. A solução, para já, é utilizar o mais possível o leme de vento até se terem as condições para fixar a caixa. Assim sendo, estamos agora a ser governados pelo piloto de vento, que se está a portar muito bem.
É uma avaria que nos pode trazer grandes dificuldades, temos a noção disso. vamos tentar resolvê-la em Sta. Helena com a ajuda do skipper do “Ayama”.
Mas ainda falta tanto tempo e tantas milhas …
LA+MA
DE QUINTA-FEIRA, DIA 14 A QUINTA-FEIRA, 21 DE JANEIRO DE 2016
No dia 14 de Janeiro, cruzámos o Meridiano de Greenwich, às 07:51 da manhã (05:51 hora de Greenwich), passando de longitude Este para longitude Oeste!
Utilizando o piloto de vento, mesmo quando andámos a motor, conseguimos poupar o sistema de transmissão do leme, e a avaria não se agravou nem se complicou.
SANTA HELENA
Santa Helena pertence a Inglaterra, sendo a moeda a libra esterlina de Santa Helena.
Foi descoberta pelo português João da Nova em 1502, quando regressava da Índia. Como era dia de Santa Helena (21 de Maio), foi esse o nome dado à Ilha.
Cruzámos a linha de chegada a Santa Helena às 13:06 (hora de Cape Town), do dia 18 de Janeiro. Às 11:35 (hora de Santa Helena) prendemo-nos a uma das bóias amarelas da Baía de Saint James, onde fica a capital da ilha, Jamestown.
A hora é UTC, a mesma que em Portugal, agora no Inverno de lá, menos 2 horas do que na África do Sul.
Vista do mar, a ilha é um grande bloco de rocha negra, vulcânica, com um ar seco e árido. A cidade de Jamestown, um fileira de casas que sobe colina acima, enfiadas num estreito vale entre montanha de cada lado. Ah, e já se vê do mar a famosa escada de Jacob, com os seus 699 degraus, que sobe até ao topo da colina.
Fomos a terra, transportados por um “Water Taxi”, que eles chamam Ferry Boat, mas que é um barco pequeno onde cabem uma dúzia de pessoas, com uma pequena cabine de protecção do “taxista”. A chegada ao cais pode ser difícil quando há mareta, pois é feita com a ajuda de uns cabos com nós, presos a uma estrutura metálica, aos quais nos agarramos para não nos desequilibrarmos. Só vendo!…
Fomos aos “Customs” e seguidamente à Emigração, onde nos fizeram logo check in e check out para daí a 3 dias.
Depois ao Banco, levantar Libras de Santa Helena, que não são aceites em Inglaterra, só na Ilha. Não há ATMs em Santa Helena, e não aceitam cartões de débito ou de crédito para pagamentos. Nem para o gasóleo, nem nos (poucos) restaurantes. Tudo em “cash”.
Jamestown parece que parou no tempo nos anos 50. E em Inglaterra, claro. Tipicamente “british”…
Almoçámos no “Consulate Hotel”, o único da ilha, e único em si próprio…
Regressámos ao Allegro, e Stephan (do Ayama) veio ajudar o Luís a arranjar a caixa do leme. E conseguiram! Menos uma grande dor de cabeça!…
Havia um BBQ nessa noite em terra, mas acabámos por comer num restaurante e ir beber um copo ao St Helena Yacht Club, onde era o BBQ. É um club náutico com umas instalações muito modestas, mas que nos recebeu muito bem. Aliás, por toda a ilha, as pessoas são amáveis, e cumprimentam sempre.
No dia 19, de manhã, o programa foi “Mergulhar com os tubarões baleia”. Tubarões enormes, com 7 a 10 metros, cuja sombra na água já assusta pelo tamanho. Quando mergulhamos junto a eles, é impressionante! São realmente enormes, mexem-se devagar, têm o corpo, negro, sarapintado de pintas brancas, e trazem agarrados a eles os peixes pequenos, as rémoras. São majestosos, e assustadores quando viram a cabeça para nós! Inesquecível!
À tarde, veio um barco transportar o gasóleo para reabastecer o Allegro.
O dia 20, sexta-feira, começou com o Luís a subir ao mastro, de manhã muito cedo, para substituir o “baby stay”.
Depois seguimos para terra para o passeio pela Ilha. Mas não num transporte qualquer. O “mini-bus” que nos transportou era um Chevrolet de 1929, com 18 lugares, descapotável, com um toldo de lona para nos proteger da chuva. Uma relíquia! Visitámos a casa onde viveu Napoleão durante os seus 18 anos de exílio na Ilha, o túmulo onde esteve sepultado, a casa do Governador com as suas enormes tartarugas, sendo a mais velha chamada Jonathan e apresentada como o animal mais idoso do mundo, e as obras do aeroporto. É verdade, Santa Helena vai passar a ter um aeroporto, porque, até aqui, só é abastecida por barco que vem uma vez por semana.
A ilha árida e seca que vimos do mar, é, afinal, no seu interior, verde, húmida, com zonas de vegetação luxuriante e outras zonas de pastagens. Uma muito agradável surpresa.
No dia 21, de manhã, comprámos os frescos. Almoçámos no “Consulate Hotel” com as tripulações dos outros 2 barcos ainda na Ilha, o Luna Quest e o Wayward Wind. E às 16:00 largámos de Santa Helena, para percorrermos as 1900 Milhas que nos separam de S. Salvador da Baía de Todos os Santos.
MA+LA
SANTA HELENA
Santa Helena pertence a Inglaterra, sendo a moeda a libra esterlina de Santa Helena.
Foi descoberta pelo português João da Nova em 1502, quando regressava da Índia. Como era dia de Santa Helena (21 de Maio), foi esse o nome dado à Ilha.
Cruzámos a linha de chegada a Santa Helena às 13:06 (hora de Cape Town), do dia 18 de Janeiro. Às 11:35 (hora de Santa Helena) prendemo-nos a uma das bóias amarelas da Baía de Saint James, onde fica a capital da ilha, Jamestown.
A hora é UTC, a mesma que em Portugal, agora no Inverno de lá, menos 2 horas do que na África do Sul.
Vista do mar, a ilha é um grande bloco de rocha negra, vulcânica, com um ar seco e árido. A cidade de Jamestown, um fileira de casas que sobe colina acima, enfiadas num estreito vale entre montanha de cada lado. Ah, e já se vê do mar a famosa escada de Jacob, com os seus 699 degraus, que sobe até ao topo da colina.
Fomos a terra, transportados por um “Water Taxi”, que eles chamam Ferry Boat, mas que é um barco pequeno onde cabem uma dúzia de pessoas, com uma pequena cabine de protecção do “taxista”. A chegada ao cais pode ser difícil quando há mareta, pois é feita com a ajuda de uns cabos com nós, presos a uma estrutura metálica, aos quais nos agarramos para não nos desequilibrarmos. Só vendo!…
Fomos aos “Customs” e seguidamente à Emigração, onde nos fizeram logo check in e check out para daí a 3 dias.
Depois ao Banco, levantar Libras de Santa Helena, que não são aceites em Inglaterra, só na Ilha. Não há ATMs em Santa Helena, e não aceitam cartões de débito ou de crédito para pagamentos. Nem para o gasóleo, nem nos (poucos) restaurantes. Tudo em “cash”.
Jamestown parece que parou no tempo nos anos 50. E em Inglaterra, claro. Tipicamente “british”…
Almoçámos no “Consulate Hotel”, o único da ilha, e único em si próprio…
Regressámos ao Allegro, e Stephan (do Ayama) veio ajudar o Luís a arranjar a caixa do leme. E conseguiram! Menos uma grande dor de cabeça!…
Havia um BBQ nessa noite em terra, mas acabámos por comer num restaurante e ir beber um copo ao St Helena Yacht Club, onde era o BBQ. É um club náutico com umas instalações muito modestas, mas que nos recebeu muito bem. Aliás, por toda a ilha, as pessoas são amáveis, e cumprimentam sempre.
No dia 19, de manhã, o programa foi “Mergulhar com os tubarões baleia”. Tubarões enormes, com 7 a 10 metros, cuja sombra na água já assusta pelo tamanho. Quando mergulhamos junto a eles, é impressionante! São realmente enormes, mexem-se devagar, têm o corpo, negro, sarapintado de pintas brancas, e trazem agarrados a eles os peixes pequenos, as rémoras. São majestosos, e assustadores quando viram a cabeça para nós! Inesquecível!
À tarde, veio um barco transportar o gasóleo para reabastecer o Allegro.
O dia 20, sexta-feira, começou com o Luís a subir ao mastro, de manhã muito cedo, para substituir o “baby stay”.
Depois seguimos para terra para o passeio pela Ilha. Mas não num transporte qualquer. O “mini-bus” que nos transportou era um Chevrolet de 1929, com 18 lugares, descapotável, com um toldo de lona para nos proteger da chuva. Uma relíquia! Visitámos a casa onde viveu Napoleão durante os seus 18 anos de exílio na Ilha, o túmulo onde esteve sepultado, a casa do Governador com as suas enormes tartarugas, sendo a mais velha chamada Jonathan e apresentada como o animal mais idoso do mundo, e as obras do aeroporto. É verdade, Santa Helena vai passar a ter um aeroporto, porque, até aqui, só é abastecida por barco que vem uma vez por semana.
A ilha árida e seca que vimos do mar, é, afinal, no seu interior, verde, húmida, com zonas de vegetação luxuriante e outras zonas de pastagens. Uma muito agradável surpresa.
No dia 21, de manhã, comprámos os frescos. Almoçámos no “Consulate Hotel” com as tripulações dos outros 2 barcos ainda na Ilha, o Luna Quest e o Wayward Wind. E às 16:00 largámos de Santa Helena, para percorrermos as 1900 Milhas que nos separam de S. Salvador da Baía de Todos os Santos.
MA+LA

























