Allegro (no Mediterrâneo)

Allegro (no Mediterrâneo)
Allegro nas Baleares

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

QUINTA-FEIRA, 26 DE NOVEMBRO DE 2015

East London

Finalmente conseguimos sair de Richards'Bay com uma janela de tempo suficiente para virmos até East London, a 255 milhas. Largámos nós, o Wayward Wind, o Starblazer, o Aretha e o Circe. Nesse dia largaram de Durban, o Exody, o Ayama, o Garlix e o Tulasi. Só ficaram em Richards'Bay o A Plus 2, o Makena, e, em arranjos, o Hugur e o Chateau Bleu.
Pouco antes de entrarmos em East London, o vento mudou novamente para Sudoeste e não nos permitiu ir mais para a frente. Era o que estava previsto, certo quase ao minuto... Lá dentro já estavam o Wayward Wind, o Aretha, o Starblazer e o Exody. Os restantes que estavam no mar tinham conseguido avançar para Port Elisabeth. O Garlix com múltiplas avarias, eléctricas e sobretudo electrónicas, pois durante a estadia em Durban, estando fundeados, foram atingidos por um relâmpago durante uma trovoada...

Em Richard's Bay tínhamos aproveitado sobretudo para descansar e limpar e secar o barco, mas já estávamos desejosos que as condições atmosféricas nos permitissem avançar. Todos os "Pilots" e almanaques náuticos avisam para não se navegar quando o vento está contra a corrente das Agulhas, e era necessária uma janela de pelo menos 3 dias para nos deixar sair de lá sem se parar em Durban, a 90 milhas, porque o tempo que levaríamos a tratar da burocracia não compensava a estadia por lá, pois não havia lugar na Marina, teríamos que ficar fundeados, com "swell" a entrar no Porto, enfim, os skippers locais pintaram-nos um cenário nada apetecível...

Assim, na cauda de mais um período de vento Sudoeste, quando estava já a enfraquecer, saímos de Richards'Bay, na segunda-feira, 23 de Novembro, pelas 13h. Apanhámos inicialmente um mar ainda agitado com ondas de cerca de 3 metros, vento de SW de 10, por vezes 15 nós, que só deu lugar ao NE no 2o dia ao cair da noite. Foi uma motorada ininterrupta, que se manteve mesmo quando vento e corrente se tornaram favoráveis, porque sabíamos que brevemente o SW ia regressar e queríamos estar abrigados quando tal sucedesse.
Durante a noite de 24 para 25 de Novembro fizemos médias de mais de 9 nós, com um pico de 11,2 graças ao vento favorável e, sobretudo, à corrente das Agulhas que atingiu valores de 3 nós, com um pico de 4,2!
Mesmo assim, o SW ainda nos atingiu pelo meio dia, veio de forma súbita, depois de o barómetro ter vindo a baixar paulatinamente de 1020 na manhã de 24 até 1007 na manhã de 25. Levantou o mar quase de imediato para ondas de perto de 3 metros, e reduziu a nossa velocidade em 3 nós. Felizmente, quando nos aproximámos mais de terra, como recomendam os "Pilots", as ondas diminuíram assim como o vento; infelizmente, a corrente também, mas não se pode ter tudo. Entrámos em East London às 16, e fundeámos no rio, perto dos outros barcos.









East London é  o único porto de rio da África do Sul, e o rio é o Buffalo River. Tem uma entrada fácil, e, cá dentro, pelo menos com o SW, não se sente nem o vento nem a ondulação.
Ontem era a noite do barbecue no "Buffalo River Yacht Club", pelo que levámos de bordo uns belos bifes que grelhámos no Club, acompanhados de um óptimo arroz cozinhado pelo Rui. Foi uma noite bem passada, com as tripulações da frota da WARC e de outros barcos, dos quais alguns latinos - encontrámos pessoas da Argentina, México e Galiza!...
Hoje vai ser o dia de repor o nível de gasóleo a bordo, o que tem que ser feito transportando os jerrycans no dinghy e depois num transporte organizado pelo Club.
Está uma manhã cinzenta, muito húmida, por vezes caindo uma chuva miudinha. Neste momento não há vento nenhum e sente-se uma grande tranquilidade...

MA

sábado, 14 de novembro de 2015

SÁBADO, 14 DE NOVEMBRO DE 2015

Os últimos dois dias do percurso correram bem, entrámos em Richard's Bay antes do mau tempo começar! Nas últimas milhas fomos apanhando corrente favorável, que variou entre 1 e 2,9 nós! Foi óptimo.
Quando nos aproximámos da costa, sentimos um cheiro muito agradável a terra e a plantas muito aromáticas, totalmente inesperado e inesquecível! Já nos tinha acontecido noutras aproximações a terra sentirmos um cheiro diferente, mas este era particularmente agradável!
Já muito próximo da entrada do porto, tivemos a companhia de baleias "humpback" ou baleias jubarte. São muito grandes, 15-16 m, e, apesar do tamanho, dão uns saltos em que saem quase completamente da água, deixando-se em seguida cair de costas! Além desses saltos, põem-se de lado e baterem com a enorme barbatana lateral na água. Por vezes mergulham, deixando-nos ver a barbatana caudal.Também as tínhamos visto na Austrália, e aqui novamente assistimos ao espectáculo com que nos presentearam à chegada! Uma maravilha!
O Vitor, "yellow shirt" veio receber-nos ao canal de acesso à Marina, com o Lin, o vice-comodoro do Zululand Yacht Club, para nos conduzirem até ao nosso pontão, pois os fundos eram baixos, e estava maré baixa.








À chegada ao pontão, fomos presenteados com uma garrafa de champanhe, com a recomendação de a bebermos, a partilharmos, e de darmos também um pouco ao Índico, para lhe agradecer termos tido uma passagem segura e sem incidentes de maior. Assim fizemos, partilhando-a com as tripulações do Wayward Wind e do Chat Eau Bleu, que nos vieram receber também.
Enfim, África recebeu-nos muito bem!!
Nesse dia jantámos no restaurante da Marina, convivendo com as restantes tripulações.
E na quinta-feira, dia 12, tivemos o tour organizado pela WCC, um Safari! Foi no Parque Hluhluwe Umfolosi, um nome quase impossível de pronunciar... Gostámos imenso! Tivemos oportunidade de ver muito de perto elefantes, girafas, rinocerontes, impalas, etc,etc... Só os leões se mantiveram tão ao longe que mal se viram, mesmo com binóculos... Passeámos pelo Parque num jipe aberto, embora com cobertura porque estava um dia chuvoso, durante cerca de 8 horas, com almoço tipo piquenique incluído. Um dia muito bem passado!







 

 














E ontem, sexta-feira, foi o jantar organizado pelo WCC, aqui na Marina, precedido por um espectáculo de danças zulu que valeu a pena ver.
Durante o jantar houve o "prize-giving" sem prémios de competição, uma vez que foi uma perna não competitiva evito à meteorologia.
Houve o  prémio para  a melhor máscara de Halloween (festejado em Reunião), e que foi atribuído, com toda a justiça e aceite por unanimidade, ao Pete Long do Wayward Wind, que se mascarou de mulher fatal e estav impagável, tendo dançado com o Petersburgo do Chat Eau Bleu, e fez rir toda a gente! Foi receber o prémio, fazendo um trejeito com o guardanapo no ombro, a lembrar a echarpe da mulher fatal, o que lhe valeu uma salva de palmas adicional!...
Depois foi o prémio para a "fun competition" que ganhou.... O Allegro!! A pergunta feita era quantas horas de motor faria toda a frota da World ARC desde Reunião até Richards'Bay, e nós tivemos o valor mais aproximado!

E finalmente houve um prémio para a melhor "seamanship" desta perna. E foi para o Ayama, que se desviou da sua rota para ir levar ao Aretha o material necessário para reparar provisoriamente o rigging é poder continuar viagem!
Um "prize-giving" muito mais interessante que o habitual!

DE DOMINGO, 31 DE OUTUBRO A QUARTA-FEIRA, 10 DE NOVEMBRO DE 2015

Há bastante tempo que estou para dar notícias, mas tem sido mais difícil porque esta perna nos tem mantido bastante ocupados.

A preparação para esta perna, “the toughest one” como vem sendo considerada, começou antes da largada, aliás ainda nas Mauritius, onde o tema meteorologia da referida perna foi lançado.
Depois, em La Reunion, foi-se falando e auscultando as diferentes sensibilidades para a situação no sentido de preparar o skippers briefing. É que já se sabia que as condições meteorológicas não eram, de facto, favoráveis.
Nada mesmo. Por isso a competição lhe foi retirada - a perna fazia-se mas sem largada oficial para toda a frota, não seriam contabilizados os tempos, nem a utilização do motor e não haveria entrega dos documentos de chegada.
Finalmente na véspera da “largada”, o Luc (Makena) que vinha revendo a meteo com mais cuidado sugeriu que alguns dos barcos largassem um dia antes para apanharem o mau tempo durante menos tempo. Só um o pôde fazer (Luna Quest).
E com excepção do Tulasi todos largámos no dia previsto mas a horas diferentes.

Depois de termos arranjado uma das bombas de fundo e de termos cheio o depósito de gasóleo, largámos pelas 11:00 horas.
O primeiro dia, muito bom, com o mar a passar de desencontrado a mais coerente, teve momentos de vela muito agradáveis.

Primeiro - o mau tempo.
No 3º dia de viagem (02NOV15), e contando já com a sua chegada, rizámos a vela grande. O vento que durante a tarde se mantivera de NNE entre os 17 e 20 nós aumentou, não baixando, a partir da meia noite, dos 23 nós.
Com o aproximar da chegada da frente, acabámos por arrear a vela grande no 4º dia, então já com ondas de 3,5+ metros.
Pelas 23:00 h, a frente atingiu-nos então. Foi de repente, de facto (confirmámos com outras tripulações). Em menos de um minuto, o vento rondou de N para W e logo a seguir para S, acompanhado de uma enorme chuvada e trovoada.
Durante toda a noite o vento variou entre S, SSW e depois SW, com intensidade entre 20 e 25 nós, permitindo uma progressão muito lenta.
Estas condições mantiveram-se durante o resto da noite e durante os dois dias seguintes.
Na madrugada do 6º dia (05NOV15), mudámos de bordo, para irmos mais para S para nos afastarmos de Madagáscar, que chegou a estar a 90 milhas. Durante cerca de 45 min. Mar muito alto com ondas de 5+ metros, algumas das quais passaram por cima do poço, deixando-o com bastante água, rajadas de 30-35 nós com pontas de 40. O mar foi entrando por toda a parte, albóis, douradas, vidros laterais do salão. Não é a quantidade de água em si que é o mais preocupante, mas sim o que fica molhado. É que ficou tudo molhado, por toda a parte, casa das máquinas incluída. As nossas preocupações vão sobretudo para esta última e para a electrónica. É incrível até onde chega a água destas ondas, que deixa tudo cheio de sal.
Já sabíamos que ia ser assim.
No final do 6º dia, estávamos, finalmente, a fazer 3,5-4 nós com COG de 260º, apenas com um pouco de genoa. O pior tinha passado sem grandes estragos até então detectados.
O 7º dia foi dedicado às avarias e à vela! Foi assim:
- o inversor deixou de indicar a presença de 220V, provavelmente efeito da entrada de água salgada para a casa das máquinas (?).
- o gerador deixou de funcionar (pegava mas parava algum tempo depois). Desta vez foi o impeler que estava partido. Mas depois de substituído, o gerador continuou com o mesmo comportamento (apesar de termos verificado que o impeler estava bom). Agora era o circuito de refrigeração que não chegava a ferrar. Depois de cheio com o macho de fundo fechado, arrancou e não parou mais de trabalhar!
- a sanita da proa avariou e teve que ser substituída, depois de várias tentativas de desobstrução!…
- A vela foi espectacular, dia e noite, a fazer por vezes 7 e 8 nós!
No 8º dia (07NOV15) o vento foi mais para E. Voltámos ao downwind, para outras 24 horas de vela a andar bem.
Anteontem, dia de más notícias - está a surgir uma baixa no SE de África que vai originar ventos de SW a partir de quarta-feira dia 11 (amanhã), portanto contra a corrente das agulhas. E o vento caiu … Para chegarmos a tempo a Richards Bay estamos a fazer uma motorada desde há quase dois dias, mas parados à espera da tormenta é que não podemos ficar.
Vamos ver como correm estes dois dias!

LA

sábado, 31 de outubro de 2015

SÁBADO , 31 DE OUTUBRO DE 2015

Adeus, Reunião!
Largámos há cerca de uma hora e meia de Le Port, para nos dirigirmos para África do Sul, para Richard's Bay, na costa este. Iremos passar a Sul de Madagáscar, e depois o rumo deverá ser quase oeste, se a meteorologia deixar. Há uma corrente que se dirige para Sul, junto à África, a corrente das Agulhas, e devemos atravessá-la quando o vento estiver na mesma direcção que ela. É desaconselhado atravessá-la se o vento vier de Sul, pois o mar fica muito alterado com ondas grandes,  é perigoso. Neste momento está assim, na costa de África, mas, até lá chegarmos, está previsto que mude novamente para norte naquela zona. Vamos ver.
Por enquanto aqui está pouco vento, de Leste, e, como estamos na sombra da ilha, vamos a motor.
O blog não pode ser actualizado enquanto navegamos, por isso iremos dando notícias no site da WCC, no log do Allegro.
Até África!

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

TERÇA-FEIRA, 27 DE OUTUBRO DE 2015

A travessia de Mauricias para Reunião, de 130 milhas foi marcada por falta de vento na largada e na chegada, com um vento favorável durante a maior parte da restante viagem, com períodos a fazermos 7 e 8 nós, ajudados por correntes favoráveis já mais próximo do destino.

Ficámos atracados no Porto de recreio, na localidade de Le Port. Existe já uma Marina nova, mas não tinha lugar para tantos barcos de uma só vez...
Estamos em França, aqui, com as baguetes para o pequeno almoço, o croissants com o café, a boa comida e bebida francesas. Fala-se francês, claro, mas também crioulo.
Só a internet é que não é bem europeia. Comprámos um simcard para usar no iPad como hotspot como temos feito desde as Fiji, e o simcard bloqueou o hotspot. Conclusão, ficámos com internet só no meu iPad, sem possibilidade de a partilhar com nenhum outro dispositivo, e ninguém soube resolver o problema... Dificuldades da França tropical...
Na sexta-feira tivemos o jantar de boas vindas e de distribuição dos prémios. Jantar volante, com "fingerfood" como dizem os ingleses, mas muito bem servido, bem confeccionado e apresentado. As chamuças, os croquetes picantes, a sopa de xuxu, os folhados de queijo. Provamos o rum-ponche e a cerveja locais, e o vinho francês. A sobremesa foi panna cota de frutos vermelhos. Enfim, um requinte muito francês! Houve também uma mostra de dança crioula, enquanto decorria o jantar.
O Sábado foi dia de trabalho a bordo/descanso.
E no Domingo tivemos uma volta pela ilha, organizado pelo WCC. Existe uma autoestrada, "la route des tamarins", que percorre cerca de metade da costa da ilha, muito panorâmica. A ilha é muito bonita, com partes que nos fazem pensar que estamos na Suíça, com montanhas centrais e planícies mais junto à costa. Fomos visitar o vulcão, que se situa no lado este da ilha, e que reentrou em actividade há duas semanas. Não foi possível chegar a ver a cratera activa do vulcão, por dificuldade de acesso e questões de segurança, mas visitámos a região à volta. De vez em quando este vulcão entra em actividade, e despeja lava para a sua encosta este até ao mar, pelo que a estrada tem que ser refeita quando tal acontece. Desta vez, pelo menos até agora, não houve deslizamento de lava para o mar, mas levaram-nos também a ver a costa este, marcada pela presença de lava de anteriores erupções, já recoberta por vegetação, parcialmente nas zonas mais recentes, ou totalmente nas outras mais antigas.
Almoçámos num restaurante de montanha, numa aldeia com pastagens e quintas com explorações agrícolas e criação de vacas leiteiras, parecia mesmo que estávamos na Europa e não perto dos trópicos!...
Aliás, os contrastes e diferentes tipos de paisagem e de actividades desportivas - mergulho, canoagem, alpinismo, parapente, etc - e programas turísticos são incríveis!
Nesta ilha, tal como nas Mauricias, existiu até ao século XVIII uma ave não voadora, chamada o dodo, que constitui o animal emblemático das ilhas. O dodo teria uma carne muito apreciada, o que terá sido uma das razões da sua extinção; outra, é que macacos trazidos de Madagascar, gostariam muito dos ovos do dodo, contribuindo também para o seu desaparecimento. Há "dodos" por todo o lado, cerveja da marca dodo, restaurantes, lojas, etc, etc. Aqui no Porto de recreio, o restaurante é o "Dodo Gourmand" e a escola de mergulho é o "Dodo Palmé"...

SEGUNDA-FEIRA, 26 DE OUTUBRO DE 2015

Nas Mauricias, demos uma volta pela ilha, com um chauffeur de táxi que nos serviu também de guia.
Ainda em Port Louis, levou-nos a visitar a principal mesquita da capital. Mesquita já antiga, com uma enorme árvore no interior. Não pudemos entrar no local das orações, onde, de qualquer forma só os homens podem entrar, mas foi interessante. Eu, como ia de calções, tive que vestir uma espécie de casaco comprido para poder entrar.
A seguir, passámos numa catedral católica, e também entrámos para a visitar. Tinha sido construída pelos escravos, no séc.XVIII.
E, finalmente, visitámos um templo hindu, a religião com mais seguidores na ilha. Curiosamente, era um templo tamir, frequentado por hindus que têm como elemento comum falarem tamul, uma língua falada sobretudo no sueste da India; esses templos têm a particularidade de serem extremamente coloridos, com inúmeras figuras em relevo também elas muito coloridas, e existem vários desses templos espalhados pela ilha. Os templos hindus mais tradicionais ou frequentados pelos outros indianos têm uma cor única e mais sóbria, geralmente amarelada.
Mais tarde passámos por um importante  local de peregrinação hindu, junto a um lago - parecia que estávamos noutro país. É muito curiosa esta diversidade de cultos numa ilha que não é grande, e o modo como parec reinar a tolerância e o respeito entre as várias religiões. Um exemplo para tantos! Esta foi uma interessante visita pelas religiões da ilha. Faltou-nos o budismo...

Depois de sairmos da capital, Port Louis, com os seus enormes contrastes entre zonas muito desenvolvidas dedicadas ao turismo, e as zonas onde vive e trabalha a grande maioria dos mauricianos, muito mais pobre, caótica, com grande densidade populacional, animação e confusão, dirigimo-nos à parte sul e depois oeste da ilha. Vimos os campos de cana de açúcar, as plantações de chá, as praias de areia branca, protegidas do mar aberto pelos recifes de coral, uma antiga residência colonial, e regressámos quando o sol já desaparecia, avistando na distância as zonas montanhosas da região central da ilha. Valeu a pena o tour, conseguimos ficar com uma ideia geral da ilha, embora nos faltasse ver toda a região norte e este.

Os dias passaram-se rapidamente, mas de forma agradável e mais repousaste que o habitual. Arranjos foram só as uniões da vela grande aos carrinhos, que precisaram de substituição, e pouco mais.
O reaprovisionamento foi feito num hipermercado num centro comercial enorme na periferia de Port Louis. E os frescos ficaram para comprar em Reunião.

No dia da largada, dia 22, assistimos a uma curiosa cerimónia de benção da frota e de cada barco, feita por sacerdotes de diferentes credos: hindu, muçulmano, católico e budista. Constituiu um acontecimento marcante da nossa passagem pelas Mauricias!

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

QUINTA-FEIRA, 22 DE OU DE 2015


MAURICIAS

A ilha das Maurícias, juntamente com Reunião e a Ilha Rodrigues, faz parte do Arquipélago de Mascarenhas. Os portugueses descobriram estas ilhas em 1505, e o Arquipélago foi designado de Mascarenhas, por ter sido descoberto pelo navegador Pedro de Mascarenhas. Mas há descrições da ilha em documentos árabes do século X.
Maurícias é a segunda maior ilha do arquipélago, e está protegida do mar pelo terceiro maior recife de coral do mundo.
Localiza-se na zona SW do Oceano Índico, nos 20 graus de latitude Sul e 57,5 graus de longitude Este. Fica a cerca de 120 milhas de Reunião, 500 milhas de Madagáscar, e 1080 milhas de Durban, na África do Sul.
A sua área é de cerca de 1800 Km2, e tem 300 Km de costa. É constituída por um planalto central, com áreas montanhosas dominadas por 3 picos, o mais alto dos quais com 1300 m. É de origem vulcânica.
Tem um clima moderado, com temperaturas médias que oscilam entre 20 graus em Agosto, e 26 graus em Fevereiro.
Depois dos portugueses, a ilha foi sucessivamente ocupada por holandeses, franceses, ingleses, e, finalmente, tornou-se independente em 1968. Desde 1992 é uma república, e o regime político uma democracia parlamentar.
Durante muito tempo foi a cana de açúcar a base da economia do país. Depois desenvolveu-se a indústria têxtil, e serviços. Actualmente, o turismo é o pilar da sua economia.
Existem várias etnias na ilha, originárias maioritariamente da Índia e de África, e em menor número, da Europa e China. Como tal, existem igualmente modos de vida e religiões diferentes, sendo a maioria hindu, logo seguida dos muçulmanos, e havendo também católicos e budistas. Tem 1,2 milhões de habitantes.
A cidade de Port Louis, a capital tem diferentes bairros e acordo com as diferentes etnias: uma "chinatown", um bairro muçulmanos, um bairro indiano, etc, mas todos convivem aparentemente muito bem e reina a tolerância. 
A Marina onde ficámos não é  propriamente uma marina, ficamos encostados a uma zona do porto preparada para os barcos de recreio, com electricidade e água, mas aberta, se bem que com segurança. Esta zona, designada por Caudan Waterfront, além da "Marina", tem ruas cheias de lojas, restaurantes e dois centros comerciais de muito boa qualidade, totalmente preparada para o turismo, e onde é muito agradável estar. A restante cidade é completamente diferente, com um trânsito intenso nas ruas não só de carros, como de pessoas, comércio na rua, etc, bastante caótico. E, à noite, não recomendável para se passear...
Vamos largar hoje para Reunião, onde chegaremos amanhã. Antes teremos uma cerimónia de benção da frota, feita por sacerdotes de diferentes credos. Deve ser muito interessante. 
De Reunião daremos mais notícias.