Allegro (no Mediterrâneo)

Allegro (no Mediterrâneo)
Allegro nas Baleares

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

QUINTA-FEIRA, 26 DE NOVEMBRO DE 2015

East London

Finalmente conseguimos sair de Richards'Bay com uma janela de tempo suficiente para virmos até East London, a 255 milhas. Largámos nós, o Wayward Wind, o Starblazer, o Aretha e o Circe. Nesse dia largaram de Durban, o Exody, o Ayama, o Garlix e o Tulasi. Só ficaram em Richards'Bay o A Plus 2, o Makena, e, em arranjos, o Hugur e o Chateau Bleu.
Pouco antes de entrarmos em East London, o vento mudou novamente para Sudoeste e não nos permitiu ir mais para a frente. Era o que estava previsto, certo quase ao minuto... Lá dentro já estavam o Wayward Wind, o Aretha, o Starblazer e o Exody. Os restantes que estavam no mar tinham conseguido avançar para Port Elisabeth. O Garlix com múltiplas avarias, eléctricas e sobretudo electrónicas, pois durante a estadia em Durban, estando fundeados, foram atingidos por um relâmpago durante uma trovoada...

Em Richard's Bay tínhamos aproveitado sobretudo para descansar e limpar e secar o barco, mas já estávamos desejosos que as condições atmosféricas nos permitissem avançar. Todos os "Pilots" e almanaques náuticos avisam para não se navegar quando o vento está contra a corrente das Agulhas, e era necessária uma janela de pelo menos 3 dias para nos deixar sair de lá sem se parar em Durban, a 90 milhas, porque o tempo que levaríamos a tratar da burocracia não compensava a estadia por lá, pois não havia lugar na Marina, teríamos que ficar fundeados, com "swell" a entrar no Porto, enfim, os skippers locais pintaram-nos um cenário nada apetecível...

Assim, na cauda de mais um período de vento Sudoeste, quando estava já a enfraquecer, saímos de Richards'Bay, na segunda-feira, 23 de Novembro, pelas 13h. Apanhámos inicialmente um mar ainda agitado com ondas de cerca de 3 metros, vento de SW de 10, por vezes 15 nós, que só deu lugar ao NE no 2o dia ao cair da noite. Foi uma motorada ininterrupta, que se manteve mesmo quando vento e corrente se tornaram favoráveis, porque sabíamos que brevemente o SW ia regressar e queríamos estar abrigados quando tal sucedesse.
Durante a noite de 24 para 25 de Novembro fizemos médias de mais de 9 nós, com um pico de 11,2 graças ao vento favorável e, sobretudo, à corrente das Agulhas que atingiu valores de 3 nós, com um pico de 4,2!
Mesmo assim, o SW ainda nos atingiu pelo meio dia, veio de forma súbita, depois de o barómetro ter vindo a baixar paulatinamente de 1020 na manhã de 24 até 1007 na manhã de 25. Levantou o mar quase de imediato para ondas de perto de 3 metros, e reduziu a nossa velocidade em 3 nós. Felizmente, quando nos aproximámos mais de terra, como recomendam os "Pilots", as ondas diminuíram assim como o vento; infelizmente, a corrente também, mas não se pode ter tudo. Entrámos em East London às 16, e fundeámos no rio, perto dos outros barcos.









East London é  o único porto de rio da África do Sul, e o rio é o Buffalo River. Tem uma entrada fácil, e, cá dentro, pelo menos com o SW, não se sente nem o vento nem a ondulação.
Ontem era a noite do barbecue no "Buffalo River Yacht Club", pelo que levámos de bordo uns belos bifes que grelhámos no Club, acompanhados de um óptimo arroz cozinhado pelo Rui. Foi uma noite bem passada, com as tripulações da frota da WARC e de outros barcos, dos quais alguns latinos - encontrámos pessoas da Argentina, México e Galiza!...
Hoje vai ser o dia de repor o nível de gasóleo a bordo, o que tem que ser feito transportando os jerrycans no dinghy e depois num transporte organizado pelo Club.
Está uma manhã cinzenta, muito húmida, por vezes caindo uma chuva miudinha. Neste momento não há vento nenhum e sente-se uma grande tranquilidade...

MA

sábado, 14 de novembro de 2015

SÁBADO, 14 DE NOVEMBRO DE 2015

Os últimos dois dias do percurso correram bem, entrámos em Richard's Bay antes do mau tempo começar! Nas últimas milhas fomos apanhando corrente favorável, que variou entre 1 e 2,9 nós! Foi óptimo.
Quando nos aproximámos da costa, sentimos um cheiro muito agradável a terra e a plantas muito aromáticas, totalmente inesperado e inesquecível! Já nos tinha acontecido noutras aproximações a terra sentirmos um cheiro diferente, mas este era particularmente agradável!
Já muito próximo da entrada do porto, tivemos a companhia de baleias "humpback" ou baleias jubarte. São muito grandes, 15-16 m, e, apesar do tamanho, dão uns saltos em que saem quase completamente da água, deixando-se em seguida cair de costas! Além desses saltos, põem-se de lado e baterem com a enorme barbatana lateral na água. Por vezes mergulham, deixando-nos ver a barbatana caudal.Também as tínhamos visto na Austrália, e aqui novamente assistimos ao espectáculo com que nos presentearam à chegada! Uma maravilha!
O Vitor, "yellow shirt" veio receber-nos ao canal de acesso à Marina, com o Lin, o vice-comodoro do Zululand Yacht Club, para nos conduzirem até ao nosso pontão, pois os fundos eram baixos, e estava maré baixa.








À chegada ao pontão, fomos presenteados com uma garrafa de champanhe, com a recomendação de a bebermos, a partilharmos, e de darmos também um pouco ao Índico, para lhe agradecer termos tido uma passagem segura e sem incidentes de maior. Assim fizemos, partilhando-a com as tripulações do Wayward Wind e do Chat Eau Bleu, que nos vieram receber também.
Enfim, África recebeu-nos muito bem!!
Nesse dia jantámos no restaurante da Marina, convivendo com as restantes tripulações.
E na quinta-feira, dia 12, tivemos o tour organizado pela WCC, um Safari! Foi no Parque Hluhluwe Umfolosi, um nome quase impossível de pronunciar... Gostámos imenso! Tivemos oportunidade de ver muito de perto elefantes, girafas, rinocerontes, impalas, etc,etc... Só os leões se mantiveram tão ao longe que mal se viram, mesmo com binóculos... Passeámos pelo Parque num jipe aberto, embora com cobertura porque estava um dia chuvoso, durante cerca de 8 horas, com almoço tipo piquenique incluído. Um dia muito bem passado!







 

 














E ontem, sexta-feira, foi o jantar organizado pelo WCC, aqui na Marina, precedido por um espectáculo de danças zulu que valeu a pena ver.
Durante o jantar houve o "prize-giving" sem prémios de competição, uma vez que foi uma perna não competitiva evito à meteorologia.
Houve o  prémio para  a melhor máscara de Halloween (festejado em Reunião), e que foi atribuído, com toda a justiça e aceite por unanimidade, ao Pete Long do Wayward Wind, que se mascarou de mulher fatal e estav impagável, tendo dançado com o Petersburgo do Chat Eau Bleu, e fez rir toda a gente! Foi receber o prémio, fazendo um trejeito com o guardanapo no ombro, a lembrar a echarpe da mulher fatal, o que lhe valeu uma salva de palmas adicional!...
Depois foi o prémio para a "fun competition" que ganhou.... O Allegro!! A pergunta feita era quantas horas de motor faria toda a frota da World ARC desde Reunião até Richards'Bay, e nós tivemos o valor mais aproximado!

E finalmente houve um prémio para a melhor "seamanship" desta perna. E foi para o Ayama, que se desviou da sua rota para ir levar ao Aretha o material necessário para reparar provisoriamente o rigging é poder continuar viagem!
Um "prize-giving" muito mais interessante que o habitual!

DE DOMINGO, 31 DE OUTUBRO A QUARTA-FEIRA, 10 DE NOVEMBRO DE 2015

Há bastante tempo que estou para dar notícias, mas tem sido mais difícil porque esta perna nos tem mantido bastante ocupados.

A preparação para esta perna, “the toughest one” como vem sendo considerada, começou antes da largada, aliás ainda nas Mauritius, onde o tema meteorologia da referida perna foi lançado.
Depois, em La Reunion, foi-se falando e auscultando as diferentes sensibilidades para a situação no sentido de preparar o skippers briefing. É que já se sabia que as condições meteorológicas não eram, de facto, favoráveis.
Nada mesmo. Por isso a competição lhe foi retirada - a perna fazia-se mas sem largada oficial para toda a frota, não seriam contabilizados os tempos, nem a utilização do motor e não haveria entrega dos documentos de chegada.
Finalmente na véspera da “largada”, o Luc (Makena) que vinha revendo a meteo com mais cuidado sugeriu que alguns dos barcos largassem um dia antes para apanharem o mau tempo durante menos tempo. Só um o pôde fazer (Luna Quest).
E com excepção do Tulasi todos largámos no dia previsto mas a horas diferentes.

Depois de termos arranjado uma das bombas de fundo e de termos cheio o depósito de gasóleo, largámos pelas 11:00 horas.
O primeiro dia, muito bom, com o mar a passar de desencontrado a mais coerente, teve momentos de vela muito agradáveis.

Primeiro - o mau tempo.
No 3º dia de viagem (02NOV15), e contando já com a sua chegada, rizámos a vela grande. O vento que durante a tarde se mantivera de NNE entre os 17 e 20 nós aumentou, não baixando, a partir da meia noite, dos 23 nós.
Com o aproximar da chegada da frente, acabámos por arrear a vela grande no 4º dia, então já com ondas de 3,5+ metros.
Pelas 23:00 h, a frente atingiu-nos então. Foi de repente, de facto (confirmámos com outras tripulações). Em menos de um minuto, o vento rondou de N para W e logo a seguir para S, acompanhado de uma enorme chuvada e trovoada.
Durante toda a noite o vento variou entre S, SSW e depois SW, com intensidade entre 20 e 25 nós, permitindo uma progressão muito lenta.
Estas condições mantiveram-se durante o resto da noite e durante os dois dias seguintes.
Na madrugada do 6º dia (05NOV15), mudámos de bordo, para irmos mais para S para nos afastarmos de Madagáscar, que chegou a estar a 90 milhas. Durante cerca de 45 min. Mar muito alto com ondas de 5+ metros, algumas das quais passaram por cima do poço, deixando-o com bastante água, rajadas de 30-35 nós com pontas de 40. O mar foi entrando por toda a parte, albóis, douradas, vidros laterais do salão. Não é a quantidade de água em si que é o mais preocupante, mas sim o que fica molhado. É que ficou tudo molhado, por toda a parte, casa das máquinas incluída. As nossas preocupações vão sobretudo para esta última e para a electrónica. É incrível até onde chega a água destas ondas, que deixa tudo cheio de sal.
Já sabíamos que ia ser assim.
No final do 6º dia, estávamos, finalmente, a fazer 3,5-4 nós com COG de 260º, apenas com um pouco de genoa. O pior tinha passado sem grandes estragos até então detectados.
O 7º dia foi dedicado às avarias e à vela! Foi assim:
- o inversor deixou de indicar a presença de 220V, provavelmente efeito da entrada de água salgada para a casa das máquinas (?).
- o gerador deixou de funcionar (pegava mas parava algum tempo depois). Desta vez foi o impeler que estava partido. Mas depois de substituído, o gerador continuou com o mesmo comportamento (apesar de termos verificado que o impeler estava bom). Agora era o circuito de refrigeração que não chegava a ferrar. Depois de cheio com o macho de fundo fechado, arrancou e não parou mais de trabalhar!
- a sanita da proa avariou e teve que ser substituída, depois de várias tentativas de desobstrução!…
- A vela foi espectacular, dia e noite, a fazer por vezes 7 e 8 nós!
No 8º dia (07NOV15) o vento foi mais para E. Voltámos ao downwind, para outras 24 horas de vela a andar bem.
Anteontem, dia de más notícias - está a surgir uma baixa no SE de África que vai originar ventos de SW a partir de quarta-feira dia 11 (amanhã), portanto contra a corrente das agulhas. E o vento caiu … Para chegarmos a tempo a Richards Bay estamos a fazer uma motorada desde há quase dois dias, mas parados à espera da tormenta é que não podemos ficar.
Vamos ver como correm estes dois dias!

LA

sábado, 31 de outubro de 2015

SÁBADO , 31 DE OUTUBRO DE 2015

Adeus, Reunião!
Largámos há cerca de uma hora e meia de Le Port, para nos dirigirmos para África do Sul, para Richard's Bay, na costa este. Iremos passar a Sul de Madagáscar, e depois o rumo deverá ser quase oeste, se a meteorologia deixar. Há uma corrente que se dirige para Sul, junto à África, a corrente das Agulhas, e devemos atravessá-la quando o vento estiver na mesma direcção que ela. É desaconselhado atravessá-la se o vento vier de Sul, pois o mar fica muito alterado com ondas grandes,  é perigoso. Neste momento está assim, na costa de África, mas, até lá chegarmos, está previsto que mude novamente para norte naquela zona. Vamos ver.
Por enquanto aqui está pouco vento, de Leste, e, como estamos na sombra da ilha, vamos a motor.
O blog não pode ser actualizado enquanto navegamos, por isso iremos dando notícias no site da WCC, no log do Allegro.
Até África!

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

TERÇA-FEIRA, 27 DE OUTUBRO DE 2015

A travessia de Mauricias para Reunião, de 130 milhas foi marcada por falta de vento na largada e na chegada, com um vento favorável durante a maior parte da restante viagem, com períodos a fazermos 7 e 8 nós, ajudados por correntes favoráveis já mais próximo do destino.

Ficámos atracados no Porto de recreio, na localidade de Le Port. Existe já uma Marina nova, mas não tinha lugar para tantos barcos de uma só vez...
Estamos em França, aqui, com as baguetes para o pequeno almoço, o croissants com o café, a boa comida e bebida francesas. Fala-se francês, claro, mas também crioulo.
Só a internet é que não é bem europeia. Comprámos um simcard para usar no iPad como hotspot como temos feito desde as Fiji, e o simcard bloqueou o hotspot. Conclusão, ficámos com internet só no meu iPad, sem possibilidade de a partilhar com nenhum outro dispositivo, e ninguém soube resolver o problema... Dificuldades da França tropical...
Na sexta-feira tivemos o jantar de boas vindas e de distribuição dos prémios. Jantar volante, com "fingerfood" como dizem os ingleses, mas muito bem servido, bem confeccionado e apresentado. As chamuças, os croquetes picantes, a sopa de xuxu, os folhados de queijo. Provamos o rum-ponche e a cerveja locais, e o vinho francês. A sobremesa foi panna cota de frutos vermelhos. Enfim, um requinte muito francês! Houve também uma mostra de dança crioula, enquanto decorria o jantar.
O Sábado foi dia de trabalho a bordo/descanso.
E no Domingo tivemos uma volta pela ilha, organizado pelo WCC. Existe uma autoestrada, "la route des tamarins", que percorre cerca de metade da costa da ilha, muito panorâmica. A ilha é muito bonita, com partes que nos fazem pensar que estamos na Suíça, com montanhas centrais e planícies mais junto à costa. Fomos visitar o vulcão, que se situa no lado este da ilha, e que reentrou em actividade há duas semanas. Não foi possível chegar a ver a cratera activa do vulcão, por dificuldade de acesso e questões de segurança, mas visitámos a região à volta. De vez em quando este vulcão entra em actividade, e despeja lava para a sua encosta este até ao mar, pelo que a estrada tem que ser refeita quando tal acontece. Desta vez, pelo menos até agora, não houve deslizamento de lava para o mar, mas levaram-nos também a ver a costa este, marcada pela presença de lava de anteriores erupções, já recoberta por vegetação, parcialmente nas zonas mais recentes, ou totalmente nas outras mais antigas.
Almoçámos num restaurante de montanha, numa aldeia com pastagens e quintas com explorações agrícolas e criação de vacas leiteiras, parecia mesmo que estávamos na Europa e não perto dos trópicos!...
Aliás, os contrastes e diferentes tipos de paisagem e de actividades desportivas - mergulho, canoagem, alpinismo, parapente, etc - e programas turísticos são incríveis!
Nesta ilha, tal como nas Mauricias, existiu até ao século XVIII uma ave não voadora, chamada o dodo, que constitui o animal emblemático das ilhas. O dodo teria uma carne muito apreciada, o que terá sido uma das razões da sua extinção; outra, é que macacos trazidos de Madagascar, gostariam muito dos ovos do dodo, contribuindo também para o seu desaparecimento. Há "dodos" por todo o lado, cerveja da marca dodo, restaurantes, lojas, etc, etc. Aqui no Porto de recreio, o restaurante é o "Dodo Gourmand" e a escola de mergulho é o "Dodo Palmé"...

SEGUNDA-FEIRA, 26 DE OUTUBRO DE 2015

Nas Mauricias, demos uma volta pela ilha, com um chauffeur de táxi que nos serviu também de guia.
Ainda em Port Louis, levou-nos a visitar a principal mesquita da capital. Mesquita já antiga, com uma enorme árvore no interior. Não pudemos entrar no local das orações, onde, de qualquer forma só os homens podem entrar, mas foi interessante. Eu, como ia de calções, tive que vestir uma espécie de casaco comprido para poder entrar.
A seguir, passámos numa catedral católica, e também entrámos para a visitar. Tinha sido construída pelos escravos, no séc.XVIII.
E, finalmente, visitámos um templo hindu, a religião com mais seguidores na ilha. Curiosamente, era um templo tamir, frequentado por hindus que têm como elemento comum falarem tamul, uma língua falada sobretudo no sueste da India; esses templos têm a particularidade de serem extremamente coloridos, com inúmeras figuras em relevo também elas muito coloridas, e existem vários desses templos espalhados pela ilha. Os templos hindus mais tradicionais ou frequentados pelos outros indianos têm uma cor única e mais sóbria, geralmente amarelada.
Mais tarde passámos por um importante  local de peregrinação hindu, junto a um lago - parecia que estávamos noutro país. É muito curiosa esta diversidade de cultos numa ilha que não é grande, e o modo como parec reinar a tolerância e o respeito entre as várias religiões. Um exemplo para tantos! Esta foi uma interessante visita pelas religiões da ilha. Faltou-nos o budismo...

Depois de sairmos da capital, Port Louis, com os seus enormes contrastes entre zonas muito desenvolvidas dedicadas ao turismo, e as zonas onde vive e trabalha a grande maioria dos mauricianos, muito mais pobre, caótica, com grande densidade populacional, animação e confusão, dirigimo-nos à parte sul e depois oeste da ilha. Vimos os campos de cana de açúcar, as plantações de chá, as praias de areia branca, protegidas do mar aberto pelos recifes de coral, uma antiga residência colonial, e regressámos quando o sol já desaparecia, avistando na distância as zonas montanhosas da região central da ilha. Valeu a pena o tour, conseguimos ficar com uma ideia geral da ilha, embora nos faltasse ver toda a região norte e este.

Os dias passaram-se rapidamente, mas de forma agradável e mais repousaste que o habitual. Arranjos foram só as uniões da vela grande aos carrinhos, que precisaram de substituição, e pouco mais.
O reaprovisionamento foi feito num hipermercado num centro comercial enorme na periferia de Port Louis. E os frescos ficaram para comprar em Reunião.

No dia da largada, dia 22, assistimos a uma curiosa cerimónia de benção da frota e de cada barco, feita por sacerdotes de diferentes credos: hindu, muçulmano, católico e budista. Constituiu um acontecimento marcante da nossa passagem pelas Mauricias!

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

QUINTA-FEIRA, 22 DE OU DE 2015


MAURICIAS

A ilha das Maurícias, juntamente com Reunião e a Ilha Rodrigues, faz parte do Arquipélago de Mascarenhas. Os portugueses descobriram estas ilhas em 1505, e o Arquipélago foi designado de Mascarenhas, por ter sido descoberto pelo navegador Pedro de Mascarenhas. Mas há descrições da ilha em documentos árabes do século X.
Maurícias é a segunda maior ilha do arquipélago, e está protegida do mar pelo terceiro maior recife de coral do mundo.
Localiza-se na zona SW do Oceano Índico, nos 20 graus de latitude Sul e 57,5 graus de longitude Este. Fica a cerca de 120 milhas de Reunião, 500 milhas de Madagáscar, e 1080 milhas de Durban, na África do Sul.
A sua área é de cerca de 1800 Km2, e tem 300 Km de costa. É constituída por um planalto central, com áreas montanhosas dominadas por 3 picos, o mais alto dos quais com 1300 m. É de origem vulcânica.
Tem um clima moderado, com temperaturas médias que oscilam entre 20 graus em Agosto, e 26 graus em Fevereiro.
Depois dos portugueses, a ilha foi sucessivamente ocupada por holandeses, franceses, ingleses, e, finalmente, tornou-se independente em 1968. Desde 1992 é uma república, e o regime político uma democracia parlamentar.
Durante muito tempo foi a cana de açúcar a base da economia do país. Depois desenvolveu-se a indústria têxtil, e serviços. Actualmente, o turismo é o pilar da sua economia.
Existem várias etnias na ilha, originárias maioritariamente da Índia e de África, e em menor número, da Europa e China. Como tal, existem igualmente modos de vida e religiões diferentes, sendo a maioria hindu, logo seguida dos muçulmanos, e havendo também católicos e budistas. Tem 1,2 milhões de habitantes.
A cidade de Port Louis, a capital tem diferentes bairros e acordo com as diferentes etnias: uma "chinatown", um bairro muçulmanos, um bairro indiano, etc, mas todos convivem aparentemente muito bem e reina a tolerância. 
A Marina onde ficámos não é  propriamente uma marina, ficamos encostados a uma zona do porto preparada para os barcos de recreio, com electricidade e água, mas aberta, se bem que com segurança. Esta zona, designada por Caudan Waterfront, além da "Marina", tem ruas cheias de lojas, restaurantes e dois centros comerciais de muito boa qualidade, totalmente preparada para o turismo, e onde é muito agradável estar. A restante cidade é completamente diferente, com um trânsito intenso nas ruas não só de carros, como de pessoas, comércio na rua, etc, bastante caótico. E, à noite, não recomendável para se passear...
Vamos largar hoje para Reunião, onde chegaremos amanhã. Antes teremos uma cerimónia de benção da frota, feita por sacerdotes de diferentes credos. Deve ser muito interessante. 
De Reunião daremos mais notícias.


sábado, 17 de outubro de 2015

QUARTA-FEIRA, 14 DE OUTUBRO DE 2015

Último dia da longa perna Cocos-Maurícias.

E aqui estamos, a cerca de 130 milhas do destino, a cidade de Port Louis, nas Maurícias.
Prevemos chegar amanhã, pelas 1300, hora de Cocos, o que quererá dizer 1030, hora das Maurícias. Pois é, a diferença de hora de Cocos para Maurícias é de 02:30 h. Cocos é UTC + 6.30, e Maurícias UTC + 4. Mais umas milhas para Oeste e ficamos com a mesma hora que em Portugal. Mas isso só lá mais para o meio do Atlântico Sul (Santa Helena)… O que quer dizer, daqui a muitas milhas e muitos dias…

Esta perna tem corrido bem, apesar do mar alto e desencontrado, dos balanços e sacões, das ondas que, de vez em quando e de forma imprevisível, batem com força no casco, fazendo um ruído nada agradável. Já esteve pior, já melhorou, já tornou a piorar, e agora está novamente melhor, ao sabor das altas e das baixas pressões por esse Índico fora, e dos ventos que originam e levantam o mar mesmo a muitas milhas de distancia das frentes…

Avarias, há a registar o apoio do Watt&Sea (o hidrogerador) que se partiu, e agora o GPS que dá a posição para o VHF, que deixou de funcionar desde ontem. Coisas para manter o Skipper “entretido” nas Maurícias.

Pesca, houve poucas tentativas, e sem sucesso, mas a velocidade do barco também não era muito favorável. Peixes voadores no convés de manhã, muitos - num dos dias contámos mais de 30, entre maiorzinhos e minúsculos, mas o habitual era pelo menos uma meia dúzia deles.

De resto, o barco está a precisar de uma boa limpeza, e há um monte de roupa para a lavandaria. Mas não nos podemos queixar muito porque as descrições deste trajecto costumam ser muito mais molhadas, com os barcos todos encharcados ou cheios de humidade, e nós temos apanhado muito pouca chuva, felizmente.

As provisões foram bem calculadas e tivemos frescos até há 3 dias atrás, o que foi muito bom também. E a cerveja do almoço só acaba hoje! E amanhã, se tudo correr bem, já almoçaremos em terra firme!

MA+LA

SEXTA-FEIRA, 09 DE OUTUBRO DE 2015

OCEANO ÍNDICO - Continuação
- COCOS-MAURÍCIAS -

A última noite em Cocos Keeling esteve ainda mais ventosa do que nos outros dias. Choveu um pouco no início da noite.
Na manhã seguinte, segunda-feira, 28 de Setembro de 2015, arrancaríamos para a longa, longa perna de Cocos - Maurícias, com cerca de 2350 milhas.
A previsão meteorológica era de vento entre 15 e 25 nós, predominantemente de Sueste, o que seria bom para uma mareação dentro do rumo. Mas previam-se ondas de 2-3 metros e, sobretudo, existia uma depressão a SE, ainda longe e a progredir relativamente devagar, mas com probabilidade, embora baixa, de se poder transformar em tempestade tropical/ ciclone.
Não sei se foi o vento, se foi a ideia dessa depressão, a probabilidade era baixa, mas não deixava de ser preocupante, mas acordei de madrugada, fui ver como estavam as coisas lá por fora, estavam bem, o barco continuava no mesmo sítio, bem agarrado ao fundo, mas… já não consegui dormir mais. Aproveitei para escrever um pouco no blog, enquanto assistia ao nascer do novo dia. Pouco depois também o Luis apareceu lá por cima.
A largada quase não acontecia, porque o barco que a polícia pusera à disposição para levar o júri de regata para o local, teve uma avaria. Mas conseguiram chegar dentro da hora e dar a largada às 10:00 h. Vários barcos decidiram ir andando e não esperar pela largada, mas a grande maioria ficou e esperou. Finalmente uma largada com vento fresco. À saída do atol, ondas grandes, para nos habituarmos logo ao balanço.
Nesse 1º dia fizemos 162 milhas nas 24h, o que para o Allegro é muito bom.
O 2º dia continuou bem, sempre com vento entre 17-20 nós, ondas de 2-2.5 metros e bom tempo. A má notícia foi descobrirmos que o apoio do hidrogerador, o Watt&Sea, se tinha partido, e ele ia preso só pelos cabos. Tirámo-lo para fora e está a descansar, à espera de arranjo, possivelmente só na África do Sul. E nós, com menos uma fonte de energia a bordo…
Nas comunicações da noite, a informação meteorológica adicional, obtida por alguns dos barcos da frota, aconselhava que se mantivesse o rumo acima dos 13º S de latitude, para se tentar evitar uma zona de swell acentuado, com ondas de 4 m ou mais. Desviámos o rumo para NNW, e assim ficámos toda a noite. O resultado desta estratégia, foi que passámos para último lugar na frota, pois, pelos vistos ninguém levou o conselho tão à letra como nós… Mas, em latitude, ficámos o 2º barco mais a norte. Fraco consolo… Na manhã seguinte retomámos o rumo prévio. E o nosso percurso ficou com um desenho original, uma “marreca”, como o Luis lhe chama.
No 4º dia, dia 1 de Outubro, o vento diminuiu para os 8-12 nós, e mudou para Este, mesmo de popa. De madrugada ligámos o motor, para ajudar a empurrar o Allegro, e de manhã, pusemos o pau na genoa, ficámos a navegar em borboleta, de popa arrasada, com vento de 10-12 nós e a fazermos entre 4.6-5.0 nós no rumo certo. E com o piloto de vento a governar. Um sucesso! Mas, em termos de progressão, o pior dia desta perna: fizemos só 100 milhas nas 24h…
No 5º dia, o vento voltou a aumentar para 16-19 nós, de SE. As ondas também ficaram maiores, entre 3 e 4 metros, e surgiram mais nuvens e alguns “squalls”. Mas voltámos a melhores médias, 158 milhas nas 24h.
Nesta perna tem sido sempre o Rui a fazer o almoço, e eu faço a sopa do jantar. O que quer dizer que comemos muito bem ao almoço (e demais, e pouco “dietético”…), e de forma mais frugal ao jantar, se não fosse pelo pão com manteiga e queijo, e pelo chocolate no final!…
Os dias 6º, 7º e 8º mantiveram-se com o mesmo padrão, bons ventos, de boa direcção, ondas um pouco mais baixas (2-3 m) e alguns squalls. 158, 161, 158 milhas respectivamente.
No 9º dia, 6 de Outubro, chegámos a metade do caminho, o que festejámos com uma bebida ao final da tarde. O vento diminui um pouco, mas fizemos ainda 145 milhas.
No 10º dia, vento de 14-16 nós e, infelizmente, de Este ou ESE. 135 milhas/24 h.
No 11º dia, vento ainda mais fraco. Demos uma ajuda com o motor de madrugada, e de manhã pusemos novamente o pau na genoa. Mas pelas 1500 h, com 8 nós de vento e velocidade a baixar para menos de 4 nós, enrolámos a genoa, mantendo o pau colocado, e ligámos o motor para “motorsailing”…Até às 2000 h, altura em que o vento aumentou e virou para SE, e voltámos à mareação habitual com velas a estibordo e vento pela alheta. E assim temos navegado até agora, 1900 h de dia 9 de Outubro. São horas das comunicações da tarde, e, também, hora de fazer a sopa!…

MA

DOMINGO, 20 DE SETEMBRO A QUINTA-FEIRA, 24 DE SETEMBRO DE 2015

PERNA CHRISTMAS ISLAND - COCOS KEELING

Finalmente uma perna quase sempre com vento!... Não demais, de menos só por pouco tempo, foi muito agradável. O único barulho menos agradável já não foi o do motor, mas apenas o do gerador quando era necessário carregar baterias.
Finalmente fizemos uma perna completa sem termos que ligar o motor, excepto quase à chegada, para nos despacharmos porque o vento deixou de estar de feição e queríamos... chegar!

Cocos Keeling é um atol, com várias pequenas ilhas de areia branca e cobertas de ... coqueiros, como não podia deixar de ser. A água tem um tom turquesa brilhante, parece de postal de anúncio!
Cocos Keeling pertence à Austrália, tal como Christmas Island.
A hora aqui é UTC + 06.30.

Neste atol, várias das ilhas são desabitadas. A ilha mais próxima do local onde fundearam os barcos da frota da World ARC chama-se Direction Island e é desabitada. Apesar disso, tem várias pequenas construções com mesas e bancos corridos, um tecto de madeira, e um local preparado para barbecues. Foi num destes locais que foi feito o check in com as autoridades, que se deslocaram de propósito aqui para esse efeito. E apesar de ser desabitada, temos internet a bordo, não muito eficaz ou rápida, mas dá para ver os mails, embora não dê para fazer downloads...
A ilha seguinte, Home Island, fica a 1,5 milhas desta. Essa é habitada, tem um cais, tem um supermercado, um museu, e várias outras facilidades, até tem separação de lixo para reciclar. É abastecida na estação alta, que termina agora, uma vez por semana, e na estação baixa, uma vez por mês. Os habitantes são muçulmanos, portanto não se consegue comprar carne de porco, fiambre, salsichas ou bacon. Nem álcool! No dia em que chega o abastecimento tem uma variedade de frescos bastante boa, embora muito cara. Tínhamos feito uma encomenda prévia do que queríamos, sistema que a WCC organizará para nós, e que funcionou muito bem. Para além dos frescos, o supermercado estava bem fornecido de carne congelada e artigos não perecíveis. Foi novamente uma agradável surpresa, pois a próxima etapa é muito longa.
Uma milha e meia é perto, mas como tem estado sempre bastante vento, no nosso dinghy seria um banho certo, pois teríamos que ir contra o vento. Felizmente apanhei uma boleia do Jean e da Christiane (A Plus 2), na sexta-feira, e como o dinghy deles é maior e mais rápidque o nosso, os salpicos foram poucos. Comprei sobretudo carne e leite, além de cerveja sem álcool, a única coisa que tinham mais parecida com cerveja, pois a "Ginger Beer" tinha-se esgotado.
E hoje, Sábado, e dia de ir lá buscar as encomendas que cada barco fizera, a WCC organizou o transporte com uma pequena lancha, para os barcos que quisessem. e assim, lá voltei hoje, buscar a encomenda e os frescos, pois ontem chegara o barco de abastecimento.
As mulheres vestem-se com a cabeça tapada, mas não com burca. E muitas delas deslocam-se para o super, sozinhas ou com as crianças, em pequenos buggies. O contraste do traje com a modernidade do transporte não deixa de ser curioso...
A noite passada foi combinado um BBQ para quem quisesse ir, e lá fomos nós com 3 belos bifes comprados nessa tarde, um tacho de um arroz especial feito pelo Rui, e uma garrafa de tinto espanhol, para a praia. Os bifes ficaram óptimos, e o convívio com os outros barcos foi muito agradável!
Hoje à tarde, fomos nós os dois fazer "snorkeling" no canal entre ilhas, nos corais, e depois ficámos a apanhar sol e a preguiçar na praia.
E está noite está tanto vento que anulámos o plano de ir até terra conviver um pouco com as outras tripulações.

MA

sábado, 26 de setembro de 2015

SÁBADO, 19 DE SETEMBRO DE 2015

Tour da Ilha de Christmas Island

Começámos por ir a um ponto elevado da ilha, com uma vista linda sobre o porto. A frota, na sua maioria,ou já tinha partido ou preparava-se para levantar ferro.
Desse ponto vimos os pássaros típicos de Christmas Island, só existentes neste local, e que fazem parte da bandeira da ilha: os "Golden Bosunbirds". São pássaros realmente de cor dourada, com uma cauda longa, da mesma cor. A bandeira local, que só vimos porque o Starblazer tinha uma içada a bordo, tem por fundo a bandeira australiana, no centro um quadrado onde se encontra a imagem do contorno da ilha, que se assemelha muito a um cão, um fox-terrier, e, ao lado deste quadrado, o desenho, a amarelo, dum "Golden Bosunbird".
Vimos, também nesse ponto elevado, os Boobies, os pássaros presentes também nas Galápagos, e em várias outras ilhas do Pacífico. E as fragatas.
Passámos por algumas casas, com aspecto bem mais agradável que os prédios de 2 andares existentes junto ao porto. Passámos também pelo acesso a um centro de detenção, onde vivem não só condenados por vários crimes, sobretudo estrangeiros à espera de serem deportados para os países de origem, como, na sua maioria, emigrantes ilegais, que aportaram clandestinamente a Christmas Island  e aguardam a resolução da sua situação.

Mas a finalidade principal do tour era a observação da selva e dos seus principais habitantes, os caranguejos: "Red Crabs, Blue Crabs e Rubber Crabs". O nome do tour era, precisamente, "Jungle Tour". "Jungle" fez-me pensar em lianas, macacos, animais selvagens... Mas, afinal, não há nada disso por ali, e o objecto de análise são os caranguejos!
Foi um passeio interessante, e agradável, e conseguimos ver os 3 tipos de caranguejos, apesar de estarmos na época seca, e eles gostarem sobretudo de água. Pelas estradas encontrámos sinais de trânsito a avisar para se ter cuidado com os caranguejos, cuidado para não os atropelar, note-se, não porque sejam perigosos... Na época das chuvas, do acasalamento e desova, os caranguejos migram até à água do mar, os machos à frente, seguidos uns dias depois pelas fêmeas, acasalam na água do mar e os machos regressam. As fêmeas desovam na água, e regressam à selva mais tarde, juntamente com os caranguejos filhos. Nessa época, as estradas cobrem-se de caranguejos, e várias estradas são encerradas ao trânsito para defesa dos caranguejos. Na borda de algumas das estradas vêem-se calhas de metal, só interrompidas no local onde existem sob a estrada túneis cobertos por barras metálicas, para que os caranguejos possam atravessar a estrada sem serem atropelados, e sem haver necessidade de encerrar o trânsito aí... Vimos também um método mais recente, construído para que os caranguejos atravessem as estradas, e que são pontes para caranguejos!...
Os caranguejos não são comestíveis, e a principal razão para serem tão protegidos é que limpam a floresta, a selva, das folhas secas e outros detritos, contribuindo para a manutenção da "selva".
E assim foi, na sua essência, o "Jungle Tour".
Ao regressarmos ao porto, quase todos os barcos tinham já largado, e restávamos três.
Aproveitei para fazer um pouco de snorkeling,enquanto o Luís e o Rui ficaram a bordo, ocupados com trabalhos vários.  e valeu a pena. Os corais estão bem vivos na ilha, com cores muito bonitas, e os peixes tropicais praticamente não fogem, até por vezes se aproximam de nós: peixes amarelos, ou com riscas amarelas e pretas, peixes pretos com uma risca branca fosforescente, os peixes papagaio, com tonalidades de azul turquesa e verde, etc.

SEXTA-FEIRA, 18 DE SETEMBRO DE 2015

CHRISTMAS ISLAND

Depois de uma largada quase sem vento, no dia 13 de Setembro, lá fomos andando devagar e com muitas motoradas, para percorrermos as cerca de 600 milhas de Lombok para Christmas Island. Quando chegámos, na Sexta-feira, 18 de Setembro, já os primeiros barcos a chegar estavam quase a preparar-se para seguir viagem. Mas ainda deu para as tripulações se encontrarem nessa noite em terra para um Barbecue.
O dia em que chegámos foi logo muito atarefado. Primeiro com a vinda a bordo da Polícia para fazer o check in. Acabámos o check in em terra com a Alfândega. Para isso tivemos, é claro que encher o dinghy, pôr-lhe o motor, o depósito, os remos... E enchê-lo com os jerrycans vazios, mais os sacos de lixo e ainda o saco para a lavandaria.
No cais esperava-nos o Victor, "yellow shirt", para nos ajudar com as burocracias, combinar connosco o programa para esses dias e, muito importante, com uma pequena camioneta para levar os jerrycans à estação de serviço. Não havia espaço para passageiros, de modo que lá fomos os três a pé até à bomba. Enchidos os depósitos, e mais 3 que a estação de serviço nos emprestou, a camioneta levou-os de volta ao cais.
E nós avançámos para o Supermercado, do outro lado da estrada. Muito mais bem fornecido do que esperávamos, foi uma agradável surpresa. Uma carrinha esperava à saída, para levar as compras para o cais. Pedimos boleia, e lá fomos com as compras. Mas, como precisávamos de mais dólares australianos para Cocos, onde não há ATM, fizemos uma paragem no Banco. Também este não tinha ATM, o dinheiro tinha que ser levantado como se fosse um crédito, com muita burocracia, telefonemas  e tudo. E a carrinha lá fora, com o condutor pacientemente à espera...
Finalmente regressámos ao cais. Levámos para o barco os depósitos de gasóleo, despejámos-los para o depósito, e depois foi necessário voltar a encher mais 2 jerrycans. Enquanto o Luís e o Rui voltavam à estação de serviço, eu fiquei a arrumar as compras. Quando tudo terminou, estávamos já cansados e cheios de fome. Tínhamos pensado comer qualquer coisa em terra, mas o não havia onde, de modo que fomos almoçar para o barco.

Christmas Island pertence à Austrália, e a hora é UTC + 7.
É uma ilha pequena, que viveu durante muitos anos à conta da exploração dos fosfatos. Toda a sua economia girava à volta das minas e transporte de fosfatos.
Quando diminuiu a procura destes, a economia da ilha sofreu uma recessão importante. Procuram agora virar-se mais para o turismo, mas tudo está ainda muito pouco desenvolvido nesse campo.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

QUINTA-FEIRA, 17 DE SETEMBRO DE 2015

De 9 a 13 de Setembro: Ilha de Lombok, na Indonésia
Hora local = UTC+08
Moeda: Rupia (1 US$ = Rp 13017)

Dia 9: a chegada, o abastecimento de gasóleo e um BBQ à noite, com toda a frota.
Lombok pode ser comparada com o que Bali era há 15 anos.
As pessoas são simpáticas, alegres, com sorriso fácil e agradável.
Estão agora a começar a aprender como lidar com o turismo e como tratarem os visitantes.
Lombok é um destino conhecido dos surfistas, com um local, o Desert Point, onde, segundo consta, e com as condições adequadas, se pode surfar um tubo completo com 300 m. Vai ser com certeza muito apreciado!…

Dia 10: Tour de Lombok. Começou com a visita ao mercado local; seguiram-se as olarias caseiras; a visita a um templo que tem a particularidade de ser partilhado pelo culto hindu e muçulmano, e, finalmente ao antigo palácio de Verão do rei, construído num local de nascentes múltiplas, e, como tal, com lagos, uma grande piscina aberta ao público, as instalações do rei e das suas consortes, e dois templos. A meio do dia, um almoço num restaurante com comida típica da Indonésia, bem temperada e condimentada, de que todos gostámos. Infelizmente, não vimos a zona da costa onde se pratica surf.

Dia 11: dia livre, que passámos a bordo, a tentar pôr em dia alguns mails e o blog (coitado, anda bastante atrasado…), a arrumar e limpar um pouco mais o barco.
À noite, houve o jantar da distribuição dos prémios da perna anterior. Estava prometido um “dance show” que não houve. O jantar foi um buffet de comida típica no restaurante do “resort” da “Secrets Island”, sendo “resort” um nome demasiado sonante para a simplicidade do pequeno hotel. Não havia vinho, quem quis levou do barco, mas cerveja não faltou.
E o Allegro ganhou um prémio! Foi o prémio da “Fun Competition”. Em todas as pernas há uma “competição” de brincadeira, sobre assuntos vários. Desta vez a questão era: “Quantas horas de motor faria a frota toda para ir de Darwin até Lombok?" O cálculo que fizemos foi o mais aproximado do somatório do valor declarado pelos vários barcos, de modo que ganhámos esse prémio.

Dia 12: Dia do aprovisionamento. A WCC organizou uma viagem a Mataram, a capital de Lombok, para uma ida ao supermercado: 2 h de trajecto para ir, 2 h lá, e 2 h para voltar. Uma longa viajem. Não precisávamos de muita coisa, mas carne só se arranjava lá… Combinei com o Rui, eu ir ao mercado local comprar os legumes e fruta, para ter tempo de lavar, secar e acondicionar tudo antes da reunião de skippers à tarde, e ele ir ao supermercado comprar a carne, leite, cervejas e pouco mais.
E assim foi. Fui com a Marian e o Peter do Exody ao mercado local. Regressei ao barco e passei o resto da manhã a lavar, secar e acondicionar a fruta e outros vegetais. Entretanto, foi necessário fazer a trasfega de gasóleo de alguns jerricans até encher o depósito que não tinha ficado completamente cheio. Quando acabámos, estava na hora de irmos para a reunião de skippers. Nós a sairmos e o Rui a chegar do supermercado.
Na reunião de skippers confirmou-se o que já se previa, que haveria muito pouco vento nos primeiros dias da perna para Christmas Island…

Dia 13: Largada para a próxima perna!
Ao içarmos a vela grande, constatámos que a fita que prende a ponta da esteira à retranca estava quase completamente rasgada. Há sempre alguma surpresa de última hora. Lá conseguimos substituir e cozer a fita rapidamente. Felizmente, a largada foi adiada 20 min (por nossa causa ou não, não deu para perceber, mas deu muito jeito) e conseguimos largar com quase nenhum atraso em relação aos outros barcos.
Muito pouco vento, muito motor por toda a frota nos 2-3 primeiros dias, e depois um ventinho de 10-15 nós de SE inicialmente, que nos permitiu andar bastante bem, alternando inicialmente com algum “motorsail”, e depois entre 14 e 17 nós de ESE, e aqui vamos nós, a cerca de 100 milhas do destino, prevendo chegar lá ao amanhecer, pois fomos avisados para não fazermos a aproximação durante a noite.
Entretanto, na proximidade da Ilha de Bali, sentimos a corrente mais forte que já apanhámos nesta viagem: 5 nós contra! O barco ia a fazer 6.5 nós no odómetro, e apenas 1,5 no SOG (speed over ground). A nossa proa chegou a ser de 337º e o rumo de 257º! Um desvio originado pela corrente de 80º!… Fomos apanhando várias correntes nesta perna, mas esta foi a mais forte de todas.

Em Christmas Island, amanhã, esperam-nos: o check in (Christmas Island e Cocos Keeling pertencem à Austrália), o abastecimento de gasóleo, o “Jungle Tour” e um BBQ que foi adiado de quinta para sexta-feira. Vamos lá a ver se conseguimos cumprir, num só dia, tantas etapas e expectativas!…

sábado, 12 de setembro de 2015

QUARTA-FEIRA, 9 DE SETEMBRO DE 2015


Chegámos no dia 9 de manhã, a Gili Gede, uma pequena ilha pertencente à ilha de Lombok. Na carta diz que tem uma Marina, a Marina del Ray, que até tem pontões desenhados na carta, mas... é só em projecto. Existem algumas bóias, mas nada mais, e não chegaram para tantos barcos. É a primeira vez que a paragem da World ARC na Indonésia é aqui (anteriormente era em Bali) e  parece que nunca por aqui se tinham visto tantos barcos em simultâneo...
Na aproximação fomos vendo várias velas triangulares coloridas e, já mais perto conseguimos ver que os cascos dos barcos tinham umas extensões laterais em bambu, como se fossem trimarans em miniatura, parecendo uns aranhiços; com um pequeno motor atrás. São os barcos de pesca deles.
Fundeámos, num fundo de areia, sem problemas.
Veio a bordo o Hugh, yellow-shirt, combinar connosco o programa e os timings da nossa estadia aqui.
Logo nesse dia fizemos o abastecimento de gasóleo. Uma aventura!, mas vários barcos ajudaram com os dinghies, e tudo correu razoavelmente. Há um pontão, mas com pouco fundo na proximidade, onde está um camião com gasóleo. Este é transferido para uns bidões grandes, e destes, com uma mangueira já bastante perfurada, é passado o gasóleo para os barcos. A segurar a mangueira ao longo do pontão estão cerca de 12 rapazes, e em cima do barco, mais 3 ou 4, além do Ray, o responsável, um australiano, e que dá o nome à "Marina". Lança-se o ferro, com no Mediterrâneo, e progride-se de popa até à proximidade do pontão, ao qual o barco é preso por cabos. Começa então o abastecimento, e começa o convés a ficar todo sujo de gasóleo, porque a mangueira tem furos. A quantidade de litros que entra no depósito é calculada de forma aproximada, e essa é a quantia cobrada no fim. Para encher os jerrycans, acharam por bem levá-los para terra e encher lá; sempre foi uma zona do barco que foi poupada ao duche de gasóleo...
Regressámos ao nosso local de fundear, próximo do Makena, do A Plus 2 e do Exody. Aí, baldeámos o barco e lavámo-lo com detergente e água salgada.
A baía é muito protegida, o vento que esteve tímido durante toda a travessia para a Indonésia, apareceu com alguma consistência aqui na baía, o que refrescou o ar e o barco, tornando a estadia muito mais agradável.
Praticamente não há mosquitos por cá, o que foi também uma agradável surpresa!...
À noite, vieram-nos buscar num barco local, e fomos a terra jantar: um restaurante na praia, ainda meio em projecto, ao ar livre, com mesas de madeira corridas, umas instalações sanitárias primitivas, uns gralhadores onde eram grelhados os peixes, três de cada vez, o que significou um jantar muito demorado, dando tempo para pormos a conversa em dia com as outras tripulações. Comemos arroz com peixe grelhado, e bebemos cerveja, a única bebida disponível, e soube-nos muito bem! Tudo muito simples, mas com muito boa vontade e muita simpatia.

MA+LA

DOMINGO, 6 DE SETEMBRO DE 2015

Nunca se está contente com o que se tem.
Ou é vento a mais, ou é vento a menos. Ou mar a mais, ou mar a menos. Ou gasóleo a menos, ou gasóleo a menos. Quando, afinal, o que temps tido até agora tem sido excepcional!
Mas hoje o que nos faz falta são os Amigos e a Família para festejarem connosco os 64 anos da minha patroa de alto mar!
O dia começou com um nascer do sol espantoso, que se continuou com um tranquilo dia de vela. O vento é pouco, é verdade. Mas não se pode querer tudo.
Estamos a celebrar os três, e não só os 64 anos da Manela. Celebramos tudo o que nos tem sido proporcionado desde que largámos de Lagos há quase um ano!


LA

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

SEGUNDA-FEIRA, 24 DE AGOSTO DE 2015

Chegada a Darwin

Depois de 10 dias de navegação sem paragens desde Cairns, chegámos esta madrugada, à 01:20, à Fannie Bay, a baía onde fundeámos a aguardar a manhã, próximo da entrada para a Cullen Bay Marina, local onde nos esperava um tratamento especial ao casco antes de termos autorização para entrar em qualquer marina.
Cansados, com algum stress na chegada e no lançar do ferro numa baía representada nas cartas como tendo fundos entre 1,3 e 0,1, mas satisfeitos por mais esta etapa de cerca de 1500 milhas estar concluída.
Acordámos pelas 06:00 horas, para prepararmos os cabos, defensas e efectuarmos os contactos para encostarmos ao pontão onde seria feito o tratamento. O Rally Control chamou-nos no canal 72 antes das 07:00, e já estavam no pontão quando chegámos.
Aproveitámos para encher o depósito de gasóleo, com um sistema muito prático de self-service pago com cartão de crédito.
O pontão é o mesmo em que atracam os ferries que fazem ligações locais, e situa-se mesmo à entrada da Marina, da qual está separado por uma eclusa.  As marés variam entre os 2 m na baixa e os 6 m na praia mar, e as marinas têm este sistema de eclusas evitando assim desníveis grandes de água no seu interior.
Os barcos arrumaram-se no pontão, nós abraçados com o Garlix, e o Luna Quest sem par, e começou cedo a inspecção dos cascos. Os mergulhadores fizeram o diagnóstico - quando perguntámos se era um caso difícil, disseram-nos que não, que estava tudo bastante bem...
Mais tarde veio o técnico, o engenheiro, fazer o tratamento, com um produto desinfectante especial que colocou nas várias (nalgumas das) entradas de água salgada - para o motor, para as sanitas, e nalgumas das saídas - lava-loiças, lavatórios,...
Parece que o problema será um microorganismo, ou um molusco (?) que se reproduz muito facilmente e rapidamente e que poderá afectar o funcionamento das eclusas das marinas.
Tratamento feito, válvulas fechadas durante 10 horas. Só depois das 21:00 h poderemos voltar a usar as válvulas ou a ligar o motor.
Assim sendo, viemos para a Marina tomar um duche de muitos litros de água quente, e almoçar.
Agora sentámos-nos num banco no meio de um relvado, virado para a Fannie Bay, para o local onde fundeámos ontem, a escrever estas linhas.
Viva o descanso! E a terra firme também está a saber bem!...

MA+LA

domingo, 23 de agosto de 2015

QUARTA-FEIRA 22 DE JULHO A DOMINGO 23 DE AGOSTO DE 2015


Há 2 ou 3 dias atrás constatámos que as últimas linhas enviadas para o blog/log tinham sido enviadas há já 1 mês…
Como o tempo passa. Sobretudo quando há coisas importantes.
E foi o que aconteceu. Neste mês houve algumas coisas a exigir mais do nosso tempo:
1 - A travessia de Port Vila para Mackay;
2 - Termos chegado à Austrália;
3 - WARC até ao fim ou não?
4 - O gerador (maldito);
5 - Sydney;
6 - A tripulação doente;
7 - A avaria de última hora.

É destas questões que vamos agora falar.

1 - A travessia de Port Vila para Mackay
Decorreu bem de início, com condições realmente favoráveis.
Mas depois, no terceiro dia, a meteorologia deixou de nos ajudar e a seguir zangou-se connosco. Não nos devemos zangar com ela porque tem argumentos violentos que às vezes utiliza de forma inesperada - muito vento, muita água, depois mais vento e mais água, por toda a parte e, finalmente, para nos convencer envia aquelas ondas a rebentar que sabemos que vêm antes das outras que poem o barco a surfar e depois é uma maçada. Isto correu tudo de uma forma aligeirada, portanto não houve crise. Mas chateia, mesmo, até porque a “combinação” inicial (a feita antes do início da World ARC) era de bom tempo quase sempre… Não era esse o contrato, RS?
Incomodou, portanto.
Mas é espantoso como tudo passa quando se pisa terra firme. É mesmo assim.
De repente quem é que falou em mau tempo? Qual mau tempo? Olha, os do Wayward Wind, vamos lá!

2 - Termos chegado à Austrália
É que termos chegado à Austrália já é, de facto, qualquer coisa. E nós estamos lá.
É uma sensação especial onde tudo se mistura - dificuldades, facilidades, momentos agradáveis e outros desagradáveis, ganhos e perdas, bom e mau tempo, geradores e outras avarias, etc etc.
As celebrações acabam também por nos ocupar mais tempo. Ainda bem!
O blogue é que pode ficar prejudicado …

3 - WARC até ao fim ou não?
Um regresso a casa sem a WARC surgiu então como alternativa ao plano desde sempre definido.
Surgiu quando a tripulação de outro barco optou por regressar a casa via Mediterrâneo, poupando mais de 10.000 Milhas e realizando ainda um cruzeiro na Indonésia durante mais de um mês com o apoio de uma outra organização.
Muito tentador. Mas completamente fora do plano inicial.
Muito mais “soft” mas também sem tudo o que o regresso com a WARC nos vai trazer.
A dúvida não demorou mais do que alguns dias.
Ficámos contentes com a decisão final, com continuarmos com a World ARC, o nosso antigo sonho.
Quando fomos a Sydney, já tudo estava decidido. A partir de então tudo se simplificou.

4 - O gerador (maldito)
O técnico, passados uns minutos de ter chegado disse que tinha que levar o gerador para a oficina (a caixa de um camião) para poder saber o que se passava e umas horas depois chamou-me para me mostrar o interior do gerador - todo cheio de sal, de corrosão, com os fios e peças eléctricas todos destruídos (???). Ele não tinha explicação para a causa do que se tinha passado, mas que o arranjo passava pelo refazer da referida parte eléctrica era claro. O interior, de facto, estava todo destruído. Mas porquê?
E a situação, em termos práticos, era a seguinte:
1 - não se arranjava e tínhamos que fazer o resto da viagem sem gerador como até então - a carregar as baterias com o motor principal (5L/h), sem congelador, com o dessalinizador a fazer 220 V a partir do inversor, a carregar as baterias durante mais 2 horas por cada 110 litros de água produzida .
2 - arranjava-se. Era começar a encomendar peças e esperar que chegassem… Nunca menos de 10-15 dias só para encontrar e encomendar as peças. Podia pôr em causa as datas da WARC.
Não se podia dizer que as hipóteses fossem brilhantes.
3 - surgiu então outra possibilidade - numa loja Fisher Panda, a cerca de 1000 Km de Mackay, havia um gerador igual ao nosso. Era só montar porque era o mesmo modelo. E faziam um desconto de quase 20%.
Achei que não.
A hipótese de regresso pelo Mediterrâneo estava cada vez mais distante, e portanto a necessidade de adquirir o gerador era cada vez mais clara e maior.
No dia seguinte fui encomendá-lo.

5 - Sydney
Encomendado o gerador, que só chegaria segunda ou terça feira, decidimos aproveitar o fim de semana para ir conhecer Sydney. Tínhamos pensado sempre que vir à Austrália e não ir a Sydney era uma pena! Mas faltava arranjar a altura mas adequada…
Voámos de manhã muito cedo no Sábado (06:00), e regressámos na segunda-feira. Foram só praticamente 48 h, mas valeu bem a pena! Ficámos instalados num hotel muito central, no meio da zona comercial da cidade e a 10 min a pé do porto. A primeira coisa que fizemos foi almoçar numa pequena esplanada no… Hyde Park! Cheio de turistas (toda a cidade está cheia de turistas), muito bem arranjado, e tivemos a sorte de ter um tempo excelente!
Depois subimos à Sydney Tower, o que permitiu ter uma vista de 360º e ficar com uma visão de conjunto da cidade. Passeámos pelas ruas das lojas, óptimas lojas, e jantámos por ali.
No Domingo, começámos por um tour de ferry pelo porto de Sydney (o maior porto natural do mundo), extensíssimo, e muito bonito, com uma guia que ia explicando a quem pertenciam algumas das belas mansões que circundavam o porto, e nos ensinava alguma da história da cidade.
Depois seguiu-se um tour num “red-bus”, sem tempo para “hop-on, hop-off”, mas suficiente para ficarmos com uma ideia dos vários bairros da cidade, principais monumentos e pontos de interesse.
E finalmente, fomos visitar a famosa “Opera House”, uma maravilha arquitectónica, e o monumento emblemático de Sydney! Acabámos a beber um copo na longa esplanada junto à “Opera House”, ao pôr do sol, um ponto de encontro muito movimentado aquela hora.
Sydney é uma cidade muito bonita, alegre, acolhedora e cheia de vida! Valeu francamente a visita, apesar de tão curta!

6 - A tripulação doente.
Pois foi. Um de cada vez, mas chegou a todos.
Primeiro o Rui, depois eu e finalmente a Manela.
O Rui ficou no barco, sem sair, durante os dois dias em eu e a Manela fomos a Sydney.
Eu fiquei um dia de cama e a Manela outro. A viagem foi, portanto, atrasada dois dias. Agora já estamos praticamente bem mas não ainda a 100%.
Foi muito incómodo estarmos doentes e de cama, a bordo.
Mas pronto, estamos já quase bons e operacionais.

7 - A avaria de última hora.
Ainda quase não tínhamos largado para Cairns (estávamos a 2 milhas da Marina) quando na revisão final verifiquei que o guincho não estava a funcionar.
Foi uma sorte num sábado encontrarmos um electricista que nos deu uma mão e nos pôs o guincho em condições.
Depois deste contratempo lá largámos então para um longo período de free cruising - cerca de 1500 milhas, a maior parte do tempo que vamos passar na Austrália, desde que chegámos até partirmos para a Indonésia …


LA+MA

quinta-feira, 30 de julho de 2015

QUINTA-FEIRA, 30 DE JULHO DE 2015

Depois daquele desabafo no meio da ventania e do mar mais agitado, andámos assim três dias e depois tudo foi serenando.
Chegámos à passagem da Grande Barreira de Coral, entrada para a "Hydrographer's Passage", à noite do dia 24 de Julho,  para depararmos com uma passagem muito larga, pela qual circulam grandes cargueiros, com marcação excelente feita por faróis bem visíveis, muito bem explicados na carta, um descanso. O mar, dentro da barreira de corais ficou ainda mais tranquilo, e assim foram feitas, a motor, as cerca de 100 milhas que ainda nos separavam do porto de McKay, pois é esse o comprimento da passagem. O motor resolveu começar a aquecer indevidamente a partir de certa altura, o que nunca tinha sucedido antes, mas, felizmente, bastou diminuirmos a velocidade (e as rotações, portanto) para ele aguentar até à Marina, onde chegámos às 02:00 da manhã, com os Yellow Shirts ainda acordados a orientarem-nos por VHF - muito obrigado! Atracámos no pontão do gasóleo. As regras são não sair do barco antes de virem as autoridades, pelo que o pontão para o exterior estava fechado, e mesmo que não estivesse não iríamos a lado nenhum, pois eles levam isto muito a sério... E precisávamos de dormir alguma coisa pois a previsão era que as autoridades viriam a bordo às 06:30 da manhã!

Afinal vieram pelas 07:00, e foram muito simpáticos, eficientes e profissionais. Chegaram primeiro quatro, a mais nova deles com um cão pela trela, com "pantufas" nas patas para não riscar o barco, e passaram tudo (ou quase) a pente fino. Nós já tínhamos conseguido comer tudo o que era legumes e fruta fresca e ovos, os produtos lácteos eram australianos, portanto não houve problema, e tínhamos posto à vista tudo aquilo que tínhamos dúvidas se era aprovado ou não.
Mas essa parte era para os oficiais da quarentena avaliarem, constituídos por uma segunda equipa de dois, que vieram a bordo cerca de uma hora mais tarde. Correu muito bem, só levaram os alhos, e umas pevides e umas folhas para chá que o Rui tinha. Os frascos com a comida em vácuo, cozinhados em casa há quase um ano, e que tínhamos começado a comer pensando que poderiam ser confiscados, não tiveram qualquer problema. Foi muito bom, houve barcos que ficaram sem queijos, sem bacon e sem carne que ainda traziam...

Depois fomos aos escritórios da Marina, disseram-nos qual o pontão e o nosso lugar e voltámos ao barco para o levar para lá. Primeiro enchemos o depósito com gasóleo e depois ligámos o motor. Mas... O motor não pegou! Coisa inédita no nosso motor, nunca tinha acontecido. Voltámos aos escritórios, pedir um reboque que nos levasse para o lugar. Domingo, tudo um pouco mais demorado, ficámos à espera... Apareceu-nos a bordo uma pessoa que perguntou se podia ver o que se passaria com o motor. Sim, claro. E descobriu que era uma peça que, quando se desliga o motor muda para uma posição, reassumindo depois a posição inicial; mas tinha ficado presa na posição de desligado, e portanto o motor não ligava (desculpem, a peça tem um nome próprio, mas eu estou a escrever o blog num café e o Luís está no barco com o electricista, portanto...). Resumindo, ele soltou a peça, e o motor pegou direitinho, e lá fomos para o nosso lugar, no pontão onde estavam os outros barcos da frota.

Já soubemos que o malfadado gerador Fisher Panda não tem arranjo. Tanto tempo perdido em Tahiti, tanta esperança na eficiência dos técnicos australianos... Assunto arrumado!
Agora estão a ver as coisas que se avariaram por ter entrado água do mar pelos orifícios de ventilação da casa das máquinas, da ventoinha da loca das baterias, da ventoinha do duche da popa, etc, etc. Até a luz da casa das máquinas perdeu a tampa com uma onda que entrou lá. Vão rever também o motor.
Tem estado uma ventania na Marina, com 20-25 nós, imagino fora da barreira de coral... Vento frio, já andamos com camisolas e calças compridas. Este é o Inverno deles, mas parece que costuma ser mais ameno.


Temos aproveitado para conviver com as outras tripulações com problemas semelhantes a arranjar, porque algumas voaram até Sidney, e outras já seguiram para o "free cruising" para Darwin.

TERÇA- FEIRA, 21 DE JULHO DE 2015


“J’en ai assez!”, disse o Luís.
“Nous en avons assez!”

São as frases do dia para esta perna Port Vila (Vanuatu) - Mackay (Austrália).
Estamos fartos. Fartos de céu cinzento de dia e escuro como breu à noite. Fartos de mar alterado com ondas a baterem no casco, a molharem o poço, a virem mergulhar a borda do barco na água (e se este barco tem uma borda alta!…) e ainda uma delas, das maiores, a rebentar na nossa popa com um barulho como o da rebentação numa praia!… Fartos de sermos balançados, chocalhados, projectados de um lado para o outro. Fartos de comermos agarrados aos pratos se não queremos que se entornem. Fartos de ventos de 25 a 30 nós, seguidos de 30 a 35 nós, e, como se não bastasse, de 35 a 40 nós, com rajadas até 44!… Fartos de andarmos molhados se não pela chuva, pela água do mar. Fartos de tentarmos dormir e escorregarmos ou sermos projectados de um lado ao outro da cama… Fartos de cozinharmos e lavarmos a loiça aos trambolhões e aos sacões…Todo o barco escorregadio, e todo fechado, porque o vento e a chuva entram pela popa, e temos que ter as tábuas da porta colocadas, e nem pensar em abrir albóis, porque a água do mar entra por qualquer lado…
Há vários dias que não vemos o sol. E estrelas já nem sabemos onde estão… ontem vimos uma risco de lua no céu, mas as nuvens taparam-na novamente e rapidamente.
Enfim, já se compreende porque não demos ainda noticias nesta perna. Porque… “Nous en avos assez!…”
Quando isto melhorar, ou quando chegarmos, procuraremos ser mais “informativos”.
É que há dias assim, mas tantos seguidos custa mais a suportar…


MA

SEGUNDA-FEIRA, 6 DE JULHO DE 2015

Já passava do meio dia quando, finalmente, arrancámos para Tanna.

Tínhamos-nos levantado ainda não eram sete horas para sermos os primeiros a fazer o checkout out.
Os funcionários da Alfândega deveriam chegar pelas 10:00 horas, assim não haveria perdas de tempo. Mas só pelas onze chegaram. "Fiji time" ...

Quando saímos do canal de acesso à Marina quase não havia vento e o mar estava chão. Depois, lenta mas progressivamente, o vento foi aumentando e o mar também.
Ja perto da Navula Passage o vento não baixava dos 20 nós mas o mar continuava com uma ondulação pequena devido à presença dos bancos de coral.
A passagem final do passe foi feita sem problemas. Não deixou contudo de ser feita com especial cuidado dadas as condições e os antecedentes recentes.

Depois apontámos a Tanna.
As condições continuaram-se a deteriorar durante umas 4 a 6 horas. Por essa altura o vento já não baixava dos 20 nós e o mar, sem a protecção dos corais, estava bastante diferente, com uma ondulação de través.
Depois das 18:00, durante o período de comunicação da tarde entre os barcos, exactamente quando estava a dizer que a bordo estava tudo bem, caiu no poço a primeira onda que tinha acabado de varrer o conves. Quando cheguei ao poço onde estava a Manuela, ainda parte da agua não tinha sido drenada.
Foi uma experiência nova, menos agradável. A entrada de água no poço é mais difícil de controlar e é sentida como uma intromissão, à força, numa zona que sentíamos como protegida.
Por mais três vezes tivemos a entrada de água no poço e, mais tarde, uma quarta.
A partir dessa altura houve uma melhoria significativa do vento e do mar que se mantiveram durante toda a noite.

LA