Allegro (no Mediterrâneo)

Allegro (no Mediterrâneo)
Allegro nas Baleares

sábado, 14 de novembro de 2015

DE DOMINGO, 31 DE OUTUBRO A QUARTA-FEIRA, 10 DE NOVEMBRO DE 2015

Há bastante tempo que estou para dar notícias, mas tem sido mais difícil porque esta perna nos tem mantido bastante ocupados.

A preparação para esta perna, “the toughest one” como vem sendo considerada, começou antes da largada, aliás ainda nas Mauritius, onde o tema meteorologia da referida perna foi lançado.
Depois, em La Reunion, foi-se falando e auscultando as diferentes sensibilidades para a situação no sentido de preparar o skippers briefing. É que já se sabia que as condições meteorológicas não eram, de facto, favoráveis.
Nada mesmo. Por isso a competição lhe foi retirada - a perna fazia-se mas sem largada oficial para toda a frota, não seriam contabilizados os tempos, nem a utilização do motor e não haveria entrega dos documentos de chegada.
Finalmente na véspera da “largada”, o Luc (Makena) que vinha revendo a meteo com mais cuidado sugeriu que alguns dos barcos largassem um dia antes para apanharem o mau tempo durante menos tempo. Só um o pôde fazer (Luna Quest).
E com excepção do Tulasi todos largámos no dia previsto mas a horas diferentes.

Depois de termos arranjado uma das bombas de fundo e de termos cheio o depósito de gasóleo, largámos pelas 11:00 horas.
O primeiro dia, muito bom, com o mar a passar de desencontrado a mais coerente, teve momentos de vela muito agradáveis.

Primeiro - o mau tempo.
No 3º dia de viagem (02NOV15), e contando já com a sua chegada, rizámos a vela grande. O vento que durante a tarde se mantivera de NNE entre os 17 e 20 nós aumentou, não baixando, a partir da meia noite, dos 23 nós.
Com o aproximar da chegada da frente, acabámos por arrear a vela grande no 4º dia, então já com ondas de 3,5+ metros.
Pelas 23:00 h, a frente atingiu-nos então. Foi de repente, de facto (confirmámos com outras tripulações). Em menos de um minuto, o vento rondou de N para W e logo a seguir para S, acompanhado de uma enorme chuvada e trovoada.
Durante toda a noite o vento variou entre S, SSW e depois SW, com intensidade entre 20 e 25 nós, permitindo uma progressão muito lenta.
Estas condições mantiveram-se durante o resto da noite e durante os dois dias seguintes.
Na madrugada do 6º dia (05NOV15), mudámos de bordo, para irmos mais para S para nos afastarmos de Madagáscar, que chegou a estar a 90 milhas. Durante cerca de 45 min. Mar muito alto com ondas de 5+ metros, algumas das quais passaram por cima do poço, deixando-o com bastante água, rajadas de 30-35 nós com pontas de 40. O mar foi entrando por toda a parte, albóis, douradas, vidros laterais do salão. Não é a quantidade de água em si que é o mais preocupante, mas sim o que fica molhado. É que ficou tudo molhado, por toda a parte, casa das máquinas incluída. As nossas preocupações vão sobretudo para esta última e para a electrónica. É incrível até onde chega a água destas ondas, que deixa tudo cheio de sal.
Já sabíamos que ia ser assim.
No final do 6º dia, estávamos, finalmente, a fazer 3,5-4 nós com COG de 260º, apenas com um pouco de genoa. O pior tinha passado sem grandes estragos até então detectados.
O 7º dia foi dedicado às avarias e à vela! Foi assim:
- o inversor deixou de indicar a presença de 220V, provavelmente efeito da entrada de água salgada para a casa das máquinas (?).
- o gerador deixou de funcionar (pegava mas parava algum tempo depois). Desta vez foi o impeler que estava partido. Mas depois de substituído, o gerador continuou com o mesmo comportamento (apesar de termos verificado que o impeler estava bom). Agora era o circuito de refrigeração que não chegava a ferrar. Depois de cheio com o macho de fundo fechado, arrancou e não parou mais de trabalhar!
- a sanita da proa avariou e teve que ser substituída, depois de várias tentativas de desobstrução!…
- A vela foi espectacular, dia e noite, a fazer por vezes 7 e 8 nós!
No 8º dia (07NOV15) o vento foi mais para E. Voltámos ao downwind, para outras 24 horas de vela a andar bem.
Anteontem, dia de más notícias - está a surgir uma baixa no SE de África que vai originar ventos de SW a partir de quarta-feira dia 11 (amanhã), portanto contra a corrente das agulhas. E o vento caiu … Para chegarmos a tempo a Richards Bay estamos a fazer uma motorada desde há quase dois dias, mas parados à espera da tormenta é que não podemos ficar.
Vamos ver como correm estes dois dias!

LA

sábado, 31 de outubro de 2015

SÁBADO , 31 DE OUTUBRO DE 2015

Adeus, Reunião!
Largámos há cerca de uma hora e meia de Le Port, para nos dirigirmos para África do Sul, para Richard's Bay, na costa este. Iremos passar a Sul de Madagáscar, e depois o rumo deverá ser quase oeste, se a meteorologia deixar. Há uma corrente que se dirige para Sul, junto à África, a corrente das Agulhas, e devemos atravessá-la quando o vento estiver na mesma direcção que ela. É desaconselhado atravessá-la se o vento vier de Sul, pois o mar fica muito alterado com ondas grandes,  é perigoso. Neste momento está assim, na costa de África, mas, até lá chegarmos, está previsto que mude novamente para norte naquela zona. Vamos ver.
Por enquanto aqui está pouco vento, de Leste, e, como estamos na sombra da ilha, vamos a motor.
O blog não pode ser actualizado enquanto navegamos, por isso iremos dando notícias no site da WCC, no log do Allegro.
Até África!

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

TERÇA-FEIRA, 27 DE OUTUBRO DE 2015

A travessia de Mauricias para Reunião, de 130 milhas foi marcada por falta de vento na largada e na chegada, com um vento favorável durante a maior parte da restante viagem, com períodos a fazermos 7 e 8 nós, ajudados por correntes favoráveis já mais próximo do destino.

Ficámos atracados no Porto de recreio, na localidade de Le Port. Existe já uma Marina nova, mas não tinha lugar para tantos barcos de uma só vez...
Estamos em França, aqui, com as baguetes para o pequeno almoço, o croissants com o café, a boa comida e bebida francesas. Fala-se francês, claro, mas também crioulo.
Só a internet é que não é bem europeia. Comprámos um simcard para usar no iPad como hotspot como temos feito desde as Fiji, e o simcard bloqueou o hotspot. Conclusão, ficámos com internet só no meu iPad, sem possibilidade de a partilhar com nenhum outro dispositivo, e ninguém soube resolver o problema... Dificuldades da França tropical...
Na sexta-feira tivemos o jantar de boas vindas e de distribuição dos prémios. Jantar volante, com "fingerfood" como dizem os ingleses, mas muito bem servido, bem confeccionado e apresentado. As chamuças, os croquetes picantes, a sopa de xuxu, os folhados de queijo. Provamos o rum-ponche e a cerveja locais, e o vinho francês. A sobremesa foi panna cota de frutos vermelhos. Enfim, um requinte muito francês! Houve também uma mostra de dança crioula, enquanto decorria o jantar.
O Sábado foi dia de trabalho a bordo/descanso.
E no Domingo tivemos uma volta pela ilha, organizado pelo WCC. Existe uma autoestrada, "la route des tamarins", que percorre cerca de metade da costa da ilha, muito panorâmica. A ilha é muito bonita, com partes que nos fazem pensar que estamos na Suíça, com montanhas centrais e planícies mais junto à costa. Fomos visitar o vulcão, que se situa no lado este da ilha, e que reentrou em actividade há duas semanas. Não foi possível chegar a ver a cratera activa do vulcão, por dificuldade de acesso e questões de segurança, mas visitámos a região à volta. De vez em quando este vulcão entra em actividade, e despeja lava para a sua encosta este até ao mar, pelo que a estrada tem que ser refeita quando tal acontece. Desta vez, pelo menos até agora, não houve deslizamento de lava para o mar, mas levaram-nos também a ver a costa este, marcada pela presença de lava de anteriores erupções, já recoberta por vegetação, parcialmente nas zonas mais recentes, ou totalmente nas outras mais antigas.
Almoçámos num restaurante de montanha, numa aldeia com pastagens e quintas com explorações agrícolas e criação de vacas leiteiras, parecia mesmo que estávamos na Europa e não perto dos trópicos!...
Aliás, os contrastes e diferentes tipos de paisagem e de actividades desportivas - mergulho, canoagem, alpinismo, parapente, etc - e programas turísticos são incríveis!
Nesta ilha, tal como nas Mauricias, existiu até ao século XVIII uma ave não voadora, chamada o dodo, que constitui o animal emblemático das ilhas. O dodo teria uma carne muito apreciada, o que terá sido uma das razões da sua extinção; outra, é que macacos trazidos de Madagascar, gostariam muito dos ovos do dodo, contribuindo também para o seu desaparecimento. Há "dodos" por todo o lado, cerveja da marca dodo, restaurantes, lojas, etc, etc. Aqui no Porto de recreio, o restaurante é o "Dodo Gourmand" e a escola de mergulho é o "Dodo Palmé"...

SEGUNDA-FEIRA, 26 DE OUTUBRO DE 2015

Nas Mauricias, demos uma volta pela ilha, com um chauffeur de táxi que nos serviu também de guia.
Ainda em Port Louis, levou-nos a visitar a principal mesquita da capital. Mesquita já antiga, com uma enorme árvore no interior. Não pudemos entrar no local das orações, onde, de qualquer forma só os homens podem entrar, mas foi interessante. Eu, como ia de calções, tive que vestir uma espécie de casaco comprido para poder entrar.
A seguir, passámos numa catedral católica, e também entrámos para a visitar. Tinha sido construída pelos escravos, no séc.XVIII.
E, finalmente, visitámos um templo hindu, a religião com mais seguidores na ilha. Curiosamente, era um templo tamir, frequentado por hindus que têm como elemento comum falarem tamul, uma língua falada sobretudo no sueste da India; esses templos têm a particularidade de serem extremamente coloridos, com inúmeras figuras em relevo também elas muito coloridas, e existem vários desses templos espalhados pela ilha. Os templos hindus mais tradicionais ou frequentados pelos outros indianos têm uma cor única e mais sóbria, geralmente amarelada.
Mais tarde passámos por um importante  local de peregrinação hindu, junto a um lago - parecia que estávamos noutro país. É muito curiosa esta diversidade de cultos numa ilha que não é grande, e o modo como parec reinar a tolerância e o respeito entre as várias religiões. Um exemplo para tantos! Esta foi uma interessante visita pelas religiões da ilha. Faltou-nos o budismo...

Depois de sairmos da capital, Port Louis, com os seus enormes contrastes entre zonas muito desenvolvidas dedicadas ao turismo, e as zonas onde vive e trabalha a grande maioria dos mauricianos, muito mais pobre, caótica, com grande densidade populacional, animação e confusão, dirigimo-nos à parte sul e depois oeste da ilha. Vimos os campos de cana de açúcar, as plantações de chá, as praias de areia branca, protegidas do mar aberto pelos recifes de coral, uma antiga residência colonial, e regressámos quando o sol já desaparecia, avistando na distância as zonas montanhosas da região central da ilha. Valeu a pena o tour, conseguimos ficar com uma ideia geral da ilha, embora nos faltasse ver toda a região norte e este.

Os dias passaram-se rapidamente, mas de forma agradável e mais repousaste que o habitual. Arranjos foram só as uniões da vela grande aos carrinhos, que precisaram de substituição, e pouco mais.
O reaprovisionamento foi feito num hipermercado num centro comercial enorme na periferia de Port Louis. E os frescos ficaram para comprar em Reunião.

No dia da largada, dia 22, assistimos a uma curiosa cerimónia de benção da frota e de cada barco, feita por sacerdotes de diferentes credos: hindu, muçulmano, católico e budista. Constituiu um acontecimento marcante da nossa passagem pelas Mauricias!

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

QUINTA-FEIRA, 22 DE OU DE 2015


MAURICIAS

A ilha das Maurícias, juntamente com Reunião e a Ilha Rodrigues, faz parte do Arquipélago de Mascarenhas. Os portugueses descobriram estas ilhas em 1505, e o Arquipélago foi designado de Mascarenhas, por ter sido descoberto pelo navegador Pedro de Mascarenhas. Mas há descrições da ilha em documentos árabes do século X.
Maurícias é a segunda maior ilha do arquipélago, e está protegida do mar pelo terceiro maior recife de coral do mundo.
Localiza-se na zona SW do Oceano Índico, nos 20 graus de latitude Sul e 57,5 graus de longitude Este. Fica a cerca de 120 milhas de Reunião, 500 milhas de Madagáscar, e 1080 milhas de Durban, na África do Sul.
A sua área é de cerca de 1800 Km2, e tem 300 Km de costa. É constituída por um planalto central, com áreas montanhosas dominadas por 3 picos, o mais alto dos quais com 1300 m. É de origem vulcânica.
Tem um clima moderado, com temperaturas médias que oscilam entre 20 graus em Agosto, e 26 graus em Fevereiro.
Depois dos portugueses, a ilha foi sucessivamente ocupada por holandeses, franceses, ingleses, e, finalmente, tornou-se independente em 1968. Desde 1992 é uma república, e o regime político uma democracia parlamentar.
Durante muito tempo foi a cana de açúcar a base da economia do país. Depois desenvolveu-se a indústria têxtil, e serviços. Actualmente, o turismo é o pilar da sua economia.
Existem várias etnias na ilha, originárias maioritariamente da Índia e de África, e em menor número, da Europa e China. Como tal, existem igualmente modos de vida e religiões diferentes, sendo a maioria hindu, logo seguida dos muçulmanos, e havendo também católicos e budistas. Tem 1,2 milhões de habitantes.
A cidade de Port Louis, a capital tem diferentes bairros e acordo com as diferentes etnias: uma "chinatown", um bairro muçulmanos, um bairro indiano, etc, mas todos convivem aparentemente muito bem e reina a tolerância. 
A Marina onde ficámos não é  propriamente uma marina, ficamos encostados a uma zona do porto preparada para os barcos de recreio, com electricidade e água, mas aberta, se bem que com segurança. Esta zona, designada por Caudan Waterfront, além da "Marina", tem ruas cheias de lojas, restaurantes e dois centros comerciais de muito boa qualidade, totalmente preparada para o turismo, e onde é muito agradável estar. A restante cidade é completamente diferente, com um trânsito intenso nas ruas não só de carros, como de pessoas, comércio na rua, etc, bastante caótico. E, à noite, não recomendável para se passear...
Vamos largar hoje para Reunião, onde chegaremos amanhã. Antes teremos uma cerimónia de benção da frota, feita por sacerdotes de diferentes credos. Deve ser muito interessante. 
De Reunião daremos mais notícias.


sábado, 17 de outubro de 2015

QUARTA-FEIRA, 14 DE OUTUBRO DE 2015

Último dia da longa perna Cocos-Maurícias.

E aqui estamos, a cerca de 130 milhas do destino, a cidade de Port Louis, nas Maurícias.
Prevemos chegar amanhã, pelas 1300, hora de Cocos, o que quererá dizer 1030, hora das Maurícias. Pois é, a diferença de hora de Cocos para Maurícias é de 02:30 h. Cocos é UTC + 6.30, e Maurícias UTC + 4. Mais umas milhas para Oeste e ficamos com a mesma hora que em Portugal. Mas isso só lá mais para o meio do Atlântico Sul (Santa Helena)… O que quer dizer, daqui a muitas milhas e muitos dias…

Esta perna tem corrido bem, apesar do mar alto e desencontrado, dos balanços e sacões, das ondas que, de vez em quando e de forma imprevisível, batem com força no casco, fazendo um ruído nada agradável. Já esteve pior, já melhorou, já tornou a piorar, e agora está novamente melhor, ao sabor das altas e das baixas pressões por esse Índico fora, e dos ventos que originam e levantam o mar mesmo a muitas milhas de distancia das frentes…

Avarias, há a registar o apoio do Watt&Sea (o hidrogerador) que se partiu, e agora o GPS que dá a posição para o VHF, que deixou de funcionar desde ontem. Coisas para manter o Skipper “entretido” nas Maurícias.

Pesca, houve poucas tentativas, e sem sucesso, mas a velocidade do barco também não era muito favorável. Peixes voadores no convés de manhã, muitos - num dos dias contámos mais de 30, entre maiorzinhos e minúsculos, mas o habitual era pelo menos uma meia dúzia deles.

De resto, o barco está a precisar de uma boa limpeza, e há um monte de roupa para a lavandaria. Mas não nos podemos queixar muito porque as descrições deste trajecto costumam ser muito mais molhadas, com os barcos todos encharcados ou cheios de humidade, e nós temos apanhado muito pouca chuva, felizmente.

As provisões foram bem calculadas e tivemos frescos até há 3 dias atrás, o que foi muito bom também. E a cerveja do almoço só acaba hoje! E amanhã, se tudo correr bem, já almoçaremos em terra firme!

MA+LA

SEXTA-FEIRA, 09 DE OUTUBRO DE 2015

OCEANO ÍNDICO - Continuação
- COCOS-MAURÍCIAS -

A última noite em Cocos Keeling esteve ainda mais ventosa do que nos outros dias. Choveu um pouco no início da noite.
Na manhã seguinte, segunda-feira, 28 de Setembro de 2015, arrancaríamos para a longa, longa perna de Cocos - Maurícias, com cerca de 2350 milhas.
A previsão meteorológica era de vento entre 15 e 25 nós, predominantemente de Sueste, o que seria bom para uma mareação dentro do rumo. Mas previam-se ondas de 2-3 metros e, sobretudo, existia uma depressão a SE, ainda longe e a progredir relativamente devagar, mas com probabilidade, embora baixa, de se poder transformar em tempestade tropical/ ciclone.
Não sei se foi o vento, se foi a ideia dessa depressão, a probabilidade era baixa, mas não deixava de ser preocupante, mas acordei de madrugada, fui ver como estavam as coisas lá por fora, estavam bem, o barco continuava no mesmo sítio, bem agarrado ao fundo, mas… já não consegui dormir mais. Aproveitei para escrever um pouco no blog, enquanto assistia ao nascer do novo dia. Pouco depois também o Luis apareceu lá por cima.
A largada quase não acontecia, porque o barco que a polícia pusera à disposição para levar o júri de regata para o local, teve uma avaria. Mas conseguiram chegar dentro da hora e dar a largada às 10:00 h. Vários barcos decidiram ir andando e não esperar pela largada, mas a grande maioria ficou e esperou. Finalmente uma largada com vento fresco. À saída do atol, ondas grandes, para nos habituarmos logo ao balanço.
Nesse 1º dia fizemos 162 milhas nas 24h, o que para o Allegro é muito bom.
O 2º dia continuou bem, sempre com vento entre 17-20 nós, ondas de 2-2.5 metros e bom tempo. A má notícia foi descobrirmos que o apoio do hidrogerador, o Watt&Sea, se tinha partido, e ele ia preso só pelos cabos. Tirámo-lo para fora e está a descansar, à espera de arranjo, possivelmente só na África do Sul. E nós, com menos uma fonte de energia a bordo…
Nas comunicações da noite, a informação meteorológica adicional, obtida por alguns dos barcos da frota, aconselhava que se mantivesse o rumo acima dos 13º S de latitude, para se tentar evitar uma zona de swell acentuado, com ondas de 4 m ou mais. Desviámos o rumo para NNW, e assim ficámos toda a noite. O resultado desta estratégia, foi que passámos para último lugar na frota, pois, pelos vistos ninguém levou o conselho tão à letra como nós… Mas, em latitude, ficámos o 2º barco mais a norte. Fraco consolo… Na manhã seguinte retomámos o rumo prévio. E o nosso percurso ficou com um desenho original, uma “marreca”, como o Luis lhe chama.
No 4º dia, dia 1 de Outubro, o vento diminuiu para os 8-12 nós, e mudou para Este, mesmo de popa. De madrugada ligámos o motor, para ajudar a empurrar o Allegro, e de manhã, pusemos o pau na genoa, ficámos a navegar em borboleta, de popa arrasada, com vento de 10-12 nós e a fazermos entre 4.6-5.0 nós no rumo certo. E com o piloto de vento a governar. Um sucesso! Mas, em termos de progressão, o pior dia desta perna: fizemos só 100 milhas nas 24h…
No 5º dia, o vento voltou a aumentar para 16-19 nós, de SE. As ondas também ficaram maiores, entre 3 e 4 metros, e surgiram mais nuvens e alguns “squalls”. Mas voltámos a melhores médias, 158 milhas nas 24h.
Nesta perna tem sido sempre o Rui a fazer o almoço, e eu faço a sopa do jantar. O que quer dizer que comemos muito bem ao almoço (e demais, e pouco “dietético”…), e de forma mais frugal ao jantar, se não fosse pelo pão com manteiga e queijo, e pelo chocolate no final!…
Os dias 6º, 7º e 8º mantiveram-se com o mesmo padrão, bons ventos, de boa direcção, ondas um pouco mais baixas (2-3 m) e alguns squalls. 158, 161, 158 milhas respectivamente.
No 9º dia, 6 de Outubro, chegámos a metade do caminho, o que festejámos com uma bebida ao final da tarde. O vento diminui um pouco, mas fizemos ainda 145 milhas.
No 10º dia, vento de 14-16 nós e, infelizmente, de Este ou ESE. 135 milhas/24 h.
No 11º dia, vento ainda mais fraco. Demos uma ajuda com o motor de madrugada, e de manhã pusemos novamente o pau na genoa. Mas pelas 1500 h, com 8 nós de vento e velocidade a baixar para menos de 4 nós, enrolámos a genoa, mantendo o pau colocado, e ligámos o motor para “motorsailing”…Até às 2000 h, altura em que o vento aumentou e virou para SE, e voltámos à mareação habitual com velas a estibordo e vento pela alheta. E assim temos navegado até agora, 1900 h de dia 9 de Outubro. São horas das comunicações da tarde, e, também, hora de fazer a sopa!…

MA