Nas Mauricias, demos uma volta pela ilha, com um chauffeur de táxi que nos serviu também de guia.
Ainda em Port Louis, levou-nos a visitar a principal mesquita da capital. Mesquita já antiga, com uma enorme árvore no interior. Não pudemos entrar no local das orações, onde, de qualquer forma só os homens podem entrar, mas foi interessante. Eu, como ia de calções, tive que vestir uma espécie de casaco comprido para poder entrar.
A seguir, passámos numa catedral católica, e também entrámos para a visitar. Tinha sido construída pelos escravos, no séc.XVIII.
E, finalmente, visitámos um templo hindu, a religião com mais seguidores na ilha. Curiosamente, era um templo tamir, frequentado por hindus que têm como elemento comum falarem tamul, uma língua falada sobretudo no sueste da India; esses templos têm a particularidade de serem extremamente coloridos, com inúmeras figuras em relevo também elas muito coloridas, e existem vários desses templos espalhados pela ilha. Os templos hindus mais tradicionais ou frequentados pelos outros indianos têm uma cor única e mais sóbria, geralmente amarelada.
Mais tarde passámos por um importante local de peregrinação hindu, junto a um lago - parecia que estávamos noutro país. É muito curiosa esta diversidade de cultos numa ilha que não é grande, e o modo como parec reinar a tolerância e o respeito entre as várias religiões. Um exemplo para tantos! Esta foi uma interessante visita pelas religiões da ilha. Faltou-nos o budismo...
Depois de sairmos da capital, Port Louis, com os seus enormes contrastes entre zonas muito desenvolvidas dedicadas ao turismo, e as zonas onde vive e trabalha a grande maioria dos mauricianos, muito mais pobre, caótica, com grande densidade populacional, animação e confusão, dirigimo-nos à parte sul e depois oeste da ilha. Vimos os campos de cana de açúcar, as plantações de chá, as praias de areia branca, protegidas do mar aberto pelos recifes de coral, uma antiga residência colonial, e regressámos quando o sol já desaparecia, avistando na distância as zonas montanhosas da região central da ilha. Valeu a pena o tour, conseguimos ficar com uma ideia geral da ilha, embora nos faltasse ver toda a região norte e este.
Os dias passaram-se rapidamente, mas de forma agradável e mais repousaste que o habitual. Arranjos foram só as uniões da vela grande aos carrinhos, que precisaram de substituição, e pouco mais.
O reaprovisionamento foi feito num hipermercado num centro comercial enorme na periferia de Port Louis. E os frescos ficaram para comprar em Reunião.
No dia da largada, dia 22, assistimos a uma curiosa cerimónia de benção da frota e de cada barco, feita por sacerdotes de diferentes credos: hindu, muçulmano, católico e budista. Constituiu um acontecimento marcante da nossa passagem pelas Mauricias!
sexta-feira, 30 de outubro de 2015
quarta-feira, 21 de outubro de 2015
QUINTA-FEIRA, 22 DE OU DE 2015
MAURICIAS
A ilha das Maurícias, juntamente com Reunião e a Ilha Rodrigues, faz parte do Arquipélago de Mascarenhas. Os portugueses descobriram estas ilhas em 1505, e o Arquipélago foi designado de Mascarenhas, por ter sido descoberto pelo navegador Pedro de Mascarenhas. Mas há descrições da ilha em documentos árabes do século X.
Maurícias é a segunda maior ilha do arquipélago, e está protegida do mar pelo terceiro maior recife de coral do mundo.
Localiza-se na zona SW do Oceano Índico, nos 20 graus de latitude Sul e 57,5 graus de longitude Este. Fica a cerca de 120 milhas de Reunião, 500 milhas de Madagáscar, e 1080 milhas de Durban, na África do Sul.
A sua área é de cerca de 1800 Km2, e tem 300 Km de costa. É constituída por um planalto central, com áreas montanhosas dominadas por 3 picos, o mais alto dos quais com 1300 m. É de origem vulcânica.
Tem um clima moderado, com temperaturas médias que oscilam entre 20 graus em Agosto, e 26 graus em Fevereiro.
Depois dos portugueses, a ilha foi sucessivamente ocupada por holandeses, franceses, ingleses, e, finalmente, tornou-se independente em 1968. Desde 1992 é uma república, e o regime político uma democracia parlamentar.
Durante muito tempo foi a cana de açúcar a base da economia do país. Depois desenvolveu-se a indústria têxtil, e serviços. Actualmente, o turismo é o pilar da sua economia.
Existem várias etnias na ilha, originárias maioritariamente da Índia e de África, e em menor número, da Europa e China. Como tal, existem igualmente modos de vida e religiões diferentes, sendo a maioria hindu, logo seguida dos muçulmanos, e havendo também católicos e budistas. Tem 1,2 milhões de habitantes.
A cidade de Port Louis, a capital tem diferentes bairros e acordo com as diferentes etnias: uma "chinatown", um bairro muçulmanos, um bairro indiano, etc, mas todos convivem aparentemente muito bem e reina a tolerância.
A Marina onde ficámos não é propriamente uma marina, ficamos encostados a uma zona do porto preparada para os barcos de recreio, com electricidade e água, mas aberta, se bem que com segurança. Esta zona, designada por Caudan Waterfront, além da "Marina", tem ruas cheias de lojas, restaurantes e dois centros comerciais de muito boa qualidade, totalmente preparada para o turismo, e onde é muito agradável estar. A restante cidade é completamente diferente, com um trânsito intenso nas ruas não só de carros, como de pessoas, comércio na rua, etc, bastante caótico. E, à noite, não recomendável para se passear...
Vamos largar hoje para Reunião, onde chegaremos amanhã. Antes teremos uma cerimónia de benção da frota, feita por sacerdotes de diferentes credos. Deve ser muito interessante.
De Reunião daremos mais notícias.
sábado, 17 de outubro de 2015
QUARTA-FEIRA, 14 DE OUTUBRO DE 2015
Último dia da longa perna Cocos-Maurícias.
E aqui estamos, a cerca de 130 milhas do destino, a cidade de Port Louis, nas Maurícias.
Prevemos chegar amanhã, pelas 1300, hora de Cocos, o que quererá dizer 1030, hora das Maurícias. Pois é, a diferença de hora de Cocos para Maurícias é de 02:30 h. Cocos é UTC + 6.30, e Maurícias UTC + 4. Mais umas milhas para Oeste e ficamos com a mesma hora que em Portugal. Mas isso só lá mais para o meio do Atlântico Sul (Santa Helena)… O que quer dizer, daqui a muitas milhas e muitos dias…
Esta perna tem corrido bem, apesar do mar alto e desencontrado, dos balanços e sacões, das ondas que, de vez em quando e de forma imprevisível, batem com força no casco, fazendo um ruído nada agradável. Já esteve pior, já melhorou, já tornou a piorar, e agora está novamente melhor, ao sabor das altas e das baixas pressões por esse Índico fora, e dos ventos que originam e levantam o mar mesmo a muitas milhas de distancia das frentes…
Avarias, há a registar o apoio do Watt&Sea (o hidrogerador) que se partiu, e agora o GPS que dá a posição para o VHF, que deixou de funcionar desde ontem. Coisas para manter o Skipper “entretido” nas Maurícias.
Pesca, houve poucas tentativas, e sem sucesso, mas a velocidade do barco também não era muito favorável. Peixes voadores no convés de manhã, muitos - num dos dias contámos mais de 30, entre maiorzinhos e minúsculos, mas o habitual era pelo menos uma meia dúzia deles.
De resto, o barco está a precisar de uma boa limpeza, e há um monte de roupa para a lavandaria. Mas não nos podemos queixar muito porque as descrições deste trajecto costumam ser muito mais molhadas, com os barcos todos encharcados ou cheios de humidade, e nós temos apanhado muito pouca chuva, felizmente.
As provisões foram bem calculadas e tivemos frescos até há 3 dias atrás, o que foi muito bom também. E a cerveja do almoço só acaba hoje! E amanhã, se tudo correr bem, já almoçaremos em terra firme!
MA+LA
E aqui estamos, a cerca de 130 milhas do destino, a cidade de Port Louis, nas Maurícias.
Prevemos chegar amanhã, pelas 1300, hora de Cocos, o que quererá dizer 1030, hora das Maurícias. Pois é, a diferença de hora de Cocos para Maurícias é de 02:30 h. Cocos é UTC + 6.30, e Maurícias UTC + 4. Mais umas milhas para Oeste e ficamos com a mesma hora que em Portugal. Mas isso só lá mais para o meio do Atlântico Sul (Santa Helena)… O que quer dizer, daqui a muitas milhas e muitos dias…
Esta perna tem corrido bem, apesar do mar alto e desencontrado, dos balanços e sacões, das ondas que, de vez em quando e de forma imprevisível, batem com força no casco, fazendo um ruído nada agradável. Já esteve pior, já melhorou, já tornou a piorar, e agora está novamente melhor, ao sabor das altas e das baixas pressões por esse Índico fora, e dos ventos que originam e levantam o mar mesmo a muitas milhas de distancia das frentes…
Avarias, há a registar o apoio do Watt&Sea (o hidrogerador) que se partiu, e agora o GPS que dá a posição para o VHF, que deixou de funcionar desde ontem. Coisas para manter o Skipper “entretido” nas Maurícias.
Pesca, houve poucas tentativas, e sem sucesso, mas a velocidade do barco também não era muito favorável. Peixes voadores no convés de manhã, muitos - num dos dias contámos mais de 30, entre maiorzinhos e minúsculos, mas o habitual era pelo menos uma meia dúzia deles.
De resto, o barco está a precisar de uma boa limpeza, e há um monte de roupa para a lavandaria. Mas não nos podemos queixar muito porque as descrições deste trajecto costumam ser muito mais molhadas, com os barcos todos encharcados ou cheios de humidade, e nós temos apanhado muito pouca chuva, felizmente.
As provisões foram bem calculadas e tivemos frescos até há 3 dias atrás, o que foi muito bom também. E a cerveja do almoço só acaba hoje! E amanhã, se tudo correr bem, já almoçaremos em terra firme!
MA+LA
SEXTA-FEIRA, 09 DE OUTUBRO DE 2015
OCEANO ÍNDICO - Continuação
- COCOS-MAURÍCIAS -
A última noite em Cocos Keeling esteve ainda mais ventosa do que nos outros dias. Choveu um pouco no início da noite.
Na manhã seguinte, segunda-feira, 28 de Setembro de 2015, arrancaríamos para a longa, longa perna de Cocos - Maurícias, com cerca de 2350 milhas.
A previsão meteorológica era de vento entre 15 e 25 nós, predominantemente de Sueste, o que seria bom para uma mareação dentro do rumo. Mas previam-se ondas de 2-3 metros e, sobretudo, existia uma depressão a SE, ainda longe e a progredir relativamente devagar, mas com probabilidade, embora baixa, de se poder transformar em tempestade tropical/ ciclone.
Não sei se foi o vento, se foi a ideia dessa depressão, a probabilidade era baixa, mas não deixava de ser preocupante, mas acordei de madrugada, fui ver como estavam as coisas lá por fora, estavam bem, o barco continuava no mesmo sítio, bem agarrado ao fundo, mas… já não consegui dormir mais. Aproveitei para escrever um pouco no blog, enquanto assistia ao nascer do novo dia. Pouco depois também o Luis apareceu lá por cima.
A largada quase não acontecia, porque o barco que a polícia pusera à disposição para levar o júri de regata para o local, teve uma avaria. Mas conseguiram chegar dentro da hora e dar a largada às 10:00 h. Vários barcos decidiram ir andando e não esperar pela largada, mas a grande maioria ficou e esperou. Finalmente uma largada com vento fresco. À saída do atol, ondas grandes, para nos habituarmos logo ao balanço.
Nesse 1º dia fizemos 162 milhas nas 24h, o que para o Allegro é muito bom.
O 2º dia continuou bem, sempre com vento entre 17-20 nós, ondas de 2-2.5 metros e bom tempo. A má notícia foi descobrirmos que o apoio do hidrogerador, o Watt&Sea, se tinha partido, e ele ia preso só pelos cabos. Tirámo-lo para fora e está a descansar, à espera de arranjo, possivelmente só na África do Sul. E nós, com menos uma fonte de energia a bordo…
Nas comunicações da noite, a informação meteorológica adicional, obtida por alguns dos barcos da frota, aconselhava que se mantivesse o rumo acima dos 13º S de latitude, para se tentar evitar uma zona de swell acentuado, com ondas de 4 m ou mais. Desviámos o rumo para NNW, e assim ficámos toda a noite. O resultado desta estratégia, foi que passámos para último lugar na frota, pois, pelos vistos ninguém levou o conselho tão à letra como nós… Mas, em latitude, ficámos o 2º barco mais a norte. Fraco consolo… Na manhã seguinte retomámos o rumo prévio. E o nosso percurso ficou com um desenho original, uma “marreca”, como o Luis lhe chama.
No 4º dia, dia 1 de Outubro, o vento diminuiu para os 8-12 nós, e mudou para Este, mesmo de popa. De madrugada ligámos o motor, para ajudar a empurrar o Allegro, e de manhã, pusemos o pau na genoa, ficámos a navegar em borboleta, de popa arrasada, com vento de 10-12 nós e a fazermos entre 4.6-5.0 nós no rumo certo. E com o piloto de vento a governar. Um sucesso! Mas, em termos de progressão, o pior dia desta perna: fizemos só 100 milhas nas 24h…
No 5º dia, o vento voltou a aumentar para 16-19 nós, de SE. As ondas também ficaram maiores, entre 3 e 4 metros, e surgiram mais nuvens e alguns “squalls”. Mas voltámos a melhores médias, 158 milhas nas 24h.
Nesta perna tem sido sempre o Rui a fazer o almoço, e eu faço a sopa do jantar. O que quer dizer que comemos muito bem ao almoço (e demais, e pouco “dietético”…), e de forma mais frugal ao jantar, se não fosse pelo pão com manteiga e queijo, e pelo chocolate no final!…
Os dias 6º, 7º e 8º mantiveram-se com o mesmo padrão, bons ventos, de boa direcção, ondas um pouco mais baixas (2-3 m) e alguns squalls. 158, 161, 158 milhas respectivamente.
No 9º dia, 6 de Outubro, chegámos a metade do caminho, o que festejámos com uma bebida ao final da tarde. O vento diminui um pouco, mas fizemos ainda 145 milhas.
No 10º dia, vento de 14-16 nós e, infelizmente, de Este ou ESE. 135 milhas/24 h.
No 11º dia, vento ainda mais fraco. Demos uma ajuda com o motor de madrugada, e de manhã pusemos novamente o pau na genoa. Mas pelas 1500 h, com 8 nós de vento e velocidade a baixar para menos de 4 nós, enrolámos a genoa, mantendo o pau colocado, e ligámos o motor para “motorsailing”…Até às 2000 h, altura em que o vento aumentou e virou para SE, e voltámos à mareação habitual com velas a estibordo e vento pela alheta. E assim temos navegado até agora, 1900 h de dia 9 de Outubro. São horas das comunicações da tarde, e, também, hora de fazer a sopa!…
MA
A última noite em Cocos Keeling esteve ainda mais ventosa do que nos outros dias. Choveu um pouco no início da noite.
Na manhã seguinte, segunda-feira, 28 de Setembro de 2015, arrancaríamos para a longa, longa perna de Cocos - Maurícias, com cerca de 2350 milhas.
A previsão meteorológica era de vento entre 15 e 25 nós, predominantemente de Sueste, o que seria bom para uma mareação dentro do rumo. Mas previam-se ondas de 2-3 metros e, sobretudo, existia uma depressão a SE, ainda longe e a progredir relativamente devagar, mas com probabilidade, embora baixa, de se poder transformar em tempestade tropical/ ciclone.
Não sei se foi o vento, se foi a ideia dessa depressão, a probabilidade era baixa, mas não deixava de ser preocupante, mas acordei de madrugada, fui ver como estavam as coisas lá por fora, estavam bem, o barco continuava no mesmo sítio, bem agarrado ao fundo, mas… já não consegui dormir mais. Aproveitei para escrever um pouco no blog, enquanto assistia ao nascer do novo dia. Pouco depois também o Luis apareceu lá por cima.
A largada quase não acontecia, porque o barco que a polícia pusera à disposição para levar o júri de regata para o local, teve uma avaria. Mas conseguiram chegar dentro da hora e dar a largada às 10:00 h. Vários barcos decidiram ir andando e não esperar pela largada, mas a grande maioria ficou e esperou. Finalmente uma largada com vento fresco. À saída do atol, ondas grandes, para nos habituarmos logo ao balanço.
Nesse 1º dia fizemos 162 milhas nas 24h, o que para o Allegro é muito bom.
O 2º dia continuou bem, sempre com vento entre 17-20 nós, ondas de 2-2.5 metros e bom tempo. A má notícia foi descobrirmos que o apoio do hidrogerador, o Watt&Sea, se tinha partido, e ele ia preso só pelos cabos. Tirámo-lo para fora e está a descansar, à espera de arranjo, possivelmente só na África do Sul. E nós, com menos uma fonte de energia a bordo…
Nas comunicações da noite, a informação meteorológica adicional, obtida por alguns dos barcos da frota, aconselhava que se mantivesse o rumo acima dos 13º S de latitude, para se tentar evitar uma zona de swell acentuado, com ondas de 4 m ou mais. Desviámos o rumo para NNW, e assim ficámos toda a noite. O resultado desta estratégia, foi que passámos para último lugar na frota, pois, pelos vistos ninguém levou o conselho tão à letra como nós… Mas, em latitude, ficámos o 2º barco mais a norte. Fraco consolo… Na manhã seguinte retomámos o rumo prévio. E o nosso percurso ficou com um desenho original, uma “marreca”, como o Luis lhe chama.
No 4º dia, dia 1 de Outubro, o vento diminuiu para os 8-12 nós, e mudou para Este, mesmo de popa. De madrugada ligámos o motor, para ajudar a empurrar o Allegro, e de manhã, pusemos o pau na genoa, ficámos a navegar em borboleta, de popa arrasada, com vento de 10-12 nós e a fazermos entre 4.6-5.0 nós no rumo certo. E com o piloto de vento a governar. Um sucesso! Mas, em termos de progressão, o pior dia desta perna: fizemos só 100 milhas nas 24h…
No 5º dia, o vento voltou a aumentar para 16-19 nós, de SE. As ondas também ficaram maiores, entre 3 e 4 metros, e surgiram mais nuvens e alguns “squalls”. Mas voltámos a melhores médias, 158 milhas nas 24h.
Nesta perna tem sido sempre o Rui a fazer o almoço, e eu faço a sopa do jantar. O que quer dizer que comemos muito bem ao almoço (e demais, e pouco “dietético”…), e de forma mais frugal ao jantar, se não fosse pelo pão com manteiga e queijo, e pelo chocolate no final!…
Os dias 6º, 7º e 8º mantiveram-se com o mesmo padrão, bons ventos, de boa direcção, ondas um pouco mais baixas (2-3 m) e alguns squalls. 158, 161, 158 milhas respectivamente.
No 9º dia, 6 de Outubro, chegámos a metade do caminho, o que festejámos com uma bebida ao final da tarde. O vento diminui um pouco, mas fizemos ainda 145 milhas.
No 10º dia, vento de 14-16 nós e, infelizmente, de Este ou ESE. 135 milhas/24 h.
No 11º dia, vento ainda mais fraco. Demos uma ajuda com o motor de madrugada, e de manhã pusemos novamente o pau na genoa. Mas pelas 1500 h, com 8 nós de vento e velocidade a baixar para menos de 4 nós, enrolámos a genoa, mantendo o pau colocado, e ligámos o motor para “motorsailing”…Até às 2000 h, altura em que o vento aumentou e virou para SE, e voltámos à mareação habitual com velas a estibordo e vento pela alheta. E assim temos navegado até agora, 1900 h de dia 9 de Outubro. São horas das comunicações da tarde, e, também, hora de fazer a sopa!…
MA
DOMINGO, 20 DE SETEMBRO A QUINTA-FEIRA, 24 DE SETEMBRO DE 2015
PERNA CHRISTMAS ISLAND - COCOS KEELING
Finalmente uma perna quase sempre com vento!... Não demais, de menos só por pouco tempo, foi muito agradável. O único barulho menos agradável já não foi o do motor, mas apenas o do gerador quando era necessário carregar baterias.
Finalmente fizemos uma perna completa sem termos que ligar o motor, excepto quase à chegada, para nos despacharmos porque o vento deixou de estar de feição e queríamos... chegar!
Cocos Keeling é um atol, com várias pequenas ilhas de areia branca e cobertas de ... coqueiros, como não podia deixar de ser. A água tem um tom turquesa brilhante, parece de postal de anúncio!
Cocos Keeling pertence à Austrália, tal como Christmas Island.
A hora aqui é UTC + 06.30.
Neste atol, várias das ilhas são desabitadas. A ilha mais próxima do local onde fundearam os barcos da frota da World ARC chama-se Direction Island e é desabitada. Apesar disso, tem várias pequenas construções com mesas e bancos corridos, um tecto de madeira, e um local preparado para barbecues. Foi num destes locais que foi feito o check in com as autoridades, que se deslocaram de propósito aqui para esse efeito. E apesar de ser desabitada, temos internet a bordo, não muito eficaz ou rápida, mas dá para ver os mails, embora não dê para fazer downloads...
A ilha seguinte, Home Island, fica a 1,5 milhas desta. Essa é habitada, tem um cais, tem um supermercado, um museu, e várias outras facilidades, até tem separação de lixo para reciclar. É abastecida na estação alta, que termina agora, uma vez por semana, e na estação baixa, uma vez por mês. Os habitantes são muçulmanos, portanto não se consegue comprar carne de porco, fiambre, salsichas ou bacon. Nem álcool! No dia em que chega o abastecimento tem uma variedade de frescos bastante boa, embora muito cara. Tínhamos feito uma encomenda prévia do que queríamos, sistema que a WCC organizará para nós, e que funcionou muito bem. Para além dos frescos, o supermercado estava bem fornecido de carne congelada e artigos não perecíveis. Foi novamente uma agradável surpresa, pois a próxima etapa é muito longa.
Uma milha e meia é perto, mas como tem estado sempre bastante vento, no nosso dinghy seria um banho certo, pois teríamos que ir contra o vento. Felizmente apanhei uma boleia do Jean e da Christiane (A Plus 2), na sexta-feira, e como o dinghy deles é maior e mais rápidque o nosso, os salpicos foram poucos. Comprei sobretudo carne e leite, além de cerveja sem álcool, a única coisa que tinham mais parecida com cerveja, pois a "Ginger Beer" tinha-se esgotado.
E hoje, Sábado, e dia de ir lá buscar as encomendas que cada barco fizera, a WCC organizou o transporte com uma pequena lancha, para os barcos que quisessem. e assim, lá voltei hoje, buscar a encomenda e os frescos, pois ontem chegara o barco de abastecimento.
As mulheres vestem-se com a cabeça tapada, mas não com burca. E muitas delas deslocam-se para o super, sozinhas ou com as crianças, em pequenos buggies. O contraste do traje com a modernidade do transporte não deixa de ser curioso...
A noite passada foi combinado um BBQ para quem quisesse ir, e lá fomos nós com 3 belos bifes comprados nessa tarde, um tacho de um arroz especial feito pelo Rui, e uma garrafa de tinto espanhol, para a praia. Os bifes ficaram óptimos, e o convívio com os outros barcos foi muito agradável!
Hoje à tarde, fomos nós os dois fazer "snorkeling" no canal entre ilhas, nos corais, e depois ficámos a apanhar sol e a preguiçar na praia.
E está noite está tanto vento que anulámos o plano de ir até terra conviver um pouco com as outras tripulações.
MA
Finalmente uma perna quase sempre com vento!... Não demais, de menos só por pouco tempo, foi muito agradável. O único barulho menos agradável já não foi o do motor, mas apenas o do gerador quando era necessário carregar baterias.
Finalmente fizemos uma perna completa sem termos que ligar o motor, excepto quase à chegada, para nos despacharmos porque o vento deixou de estar de feição e queríamos... chegar!
Cocos Keeling é um atol, com várias pequenas ilhas de areia branca e cobertas de ... coqueiros, como não podia deixar de ser. A água tem um tom turquesa brilhante, parece de postal de anúncio!
Cocos Keeling pertence à Austrália, tal como Christmas Island.
A hora aqui é UTC + 06.30.
Neste atol, várias das ilhas são desabitadas. A ilha mais próxima do local onde fundearam os barcos da frota da World ARC chama-se Direction Island e é desabitada. Apesar disso, tem várias pequenas construções com mesas e bancos corridos, um tecto de madeira, e um local preparado para barbecues. Foi num destes locais que foi feito o check in com as autoridades, que se deslocaram de propósito aqui para esse efeito. E apesar de ser desabitada, temos internet a bordo, não muito eficaz ou rápida, mas dá para ver os mails, embora não dê para fazer downloads...
A ilha seguinte, Home Island, fica a 1,5 milhas desta. Essa é habitada, tem um cais, tem um supermercado, um museu, e várias outras facilidades, até tem separação de lixo para reciclar. É abastecida na estação alta, que termina agora, uma vez por semana, e na estação baixa, uma vez por mês. Os habitantes são muçulmanos, portanto não se consegue comprar carne de porco, fiambre, salsichas ou bacon. Nem álcool! No dia em que chega o abastecimento tem uma variedade de frescos bastante boa, embora muito cara. Tínhamos feito uma encomenda prévia do que queríamos, sistema que a WCC organizará para nós, e que funcionou muito bem. Para além dos frescos, o supermercado estava bem fornecido de carne congelada e artigos não perecíveis. Foi novamente uma agradável surpresa, pois a próxima etapa é muito longa.
Uma milha e meia é perto, mas como tem estado sempre bastante vento, no nosso dinghy seria um banho certo, pois teríamos que ir contra o vento. Felizmente apanhei uma boleia do Jean e da Christiane (A Plus 2), na sexta-feira, e como o dinghy deles é maior e mais rápidque o nosso, os salpicos foram poucos. Comprei sobretudo carne e leite, além de cerveja sem álcool, a única coisa que tinham mais parecida com cerveja, pois a "Ginger Beer" tinha-se esgotado.
E hoje, Sábado, e dia de ir lá buscar as encomendas que cada barco fizera, a WCC organizou o transporte com uma pequena lancha, para os barcos que quisessem. e assim, lá voltei hoje, buscar a encomenda e os frescos, pois ontem chegara o barco de abastecimento.
As mulheres vestem-se com a cabeça tapada, mas não com burca. E muitas delas deslocam-se para o super, sozinhas ou com as crianças, em pequenos buggies. O contraste do traje com a modernidade do transporte não deixa de ser curioso...
A noite passada foi combinado um BBQ para quem quisesse ir, e lá fomos nós com 3 belos bifes comprados nessa tarde, um tacho de um arroz especial feito pelo Rui, e uma garrafa de tinto espanhol, para a praia. Os bifes ficaram óptimos, e o convívio com os outros barcos foi muito agradável!
Hoje à tarde, fomos nós os dois fazer "snorkeling" no canal entre ilhas, nos corais, e depois ficámos a apanhar sol e a preguiçar na praia.
E está noite está tanto vento que anulámos o plano de ir até terra conviver um pouco com as outras tripulações.
MA
sábado, 26 de setembro de 2015
SÁBADO, 19 DE SETEMBRO DE 2015
Tour da Ilha de Christmas Island
Começámos por ir a um ponto elevado da ilha, com uma vista linda sobre o porto. A frota, na sua maioria,ou já tinha partido ou preparava-se para levantar ferro.
Desse ponto vimos os pássaros típicos de Christmas Island, só existentes neste local, e que fazem parte da bandeira da ilha: os "Golden Bosunbirds". São pássaros realmente de cor dourada, com uma cauda longa, da mesma cor. A bandeira local, que só vimos porque o Starblazer tinha uma içada a bordo, tem por fundo a bandeira australiana, no centro um quadrado onde se encontra a imagem do contorno da ilha, que se assemelha muito a um cão, um fox-terrier, e, ao lado deste quadrado, o desenho, a amarelo, dum "Golden Bosunbird".
Vimos, também nesse ponto elevado, os Boobies, os pássaros presentes também nas Galápagos, e em várias outras ilhas do Pacífico. E as fragatas.
Passámos por algumas casas, com aspecto bem mais agradável que os prédios de 2 andares existentes junto ao porto. Passámos também pelo acesso a um centro de detenção, onde vivem não só condenados por vários crimes, sobretudo estrangeiros à espera de serem deportados para os países de origem, como, na sua maioria, emigrantes ilegais, que aportaram clandestinamente a Christmas Island e aguardam a resolução da sua situação.
Mas a finalidade principal do tour era a observação da selva e dos seus principais habitantes, os caranguejos: "Red Crabs, Blue Crabs e Rubber Crabs". O nome do tour era, precisamente, "Jungle Tour". "Jungle" fez-me pensar em lianas, macacos, animais selvagens... Mas, afinal, não há nada disso por ali, e o objecto de análise são os caranguejos!
Foi um passeio interessante, e agradável, e conseguimos ver os 3 tipos de caranguejos, apesar de estarmos na época seca, e eles gostarem sobretudo de água. Pelas estradas encontrámos sinais de trânsito a avisar para se ter cuidado com os caranguejos, cuidado para não os atropelar, note-se, não porque sejam perigosos... Na época das chuvas, do acasalamento e desova, os caranguejos migram até à água do mar, os machos à frente, seguidos uns dias depois pelas fêmeas, acasalam na água do mar e os machos regressam. As fêmeas desovam na água, e regressam à selva mais tarde, juntamente com os caranguejos filhos. Nessa época, as estradas cobrem-se de caranguejos, e várias estradas são encerradas ao trânsito para defesa dos caranguejos. Na borda de algumas das estradas vêem-se calhas de metal, só interrompidas no local onde existem sob a estrada túneis cobertos por barras metálicas, para que os caranguejos possam atravessar a estrada sem serem atropelados, e sem haver necessidade de encerrar o trânsito aí... Vimos também um método mais recente, construído para que os caranguejos atravessem as estradas, e que são pontes para caranguejos!...
Os caranguejos não são comestíveis, e a principal razão para serem tão protegidos é que limpam a floresta, a selva, das folhas secas e outros detritos, contribuindo para a manutenção da "selva".
E assim foi, na sua essência, o "Jungle Tour".
Ao regressarmos ao porto, quase todos os barcos tinham já largado, e restávamos três.
Aproveitei para fazer um pouco de snorkeling,enquanto o Luís e o Rui ficaram a bordo, ocupados com trabalhos vários. e valeu a pena. Os corais estão bem vivos na ilha, com cores muito bonitas, e os peixes tropicais praticamente não fogem, até por vezes se aproximam de nós: peixes amarelos, ou com riscas amarelas e pretas, peixes pretos com uma risca branca fosforescente, os peixes papagaio, com tonalidades de azul turquesa e verde, etc.
Começámos por ir a um ponto elevado da ilha, com uma vista linda sobre o porto. A frota, na sua maioria,ou já tinha partido ou preparava-se para levantar ferro.
Desse ponto vimos os pássaros típicos de Christmas Island, só existentes neste local, e que fazem parte da bandeira da ilha: os "Golden Bosunbirds". São pássaros realmente de cor dourada, com uma cauda longa, da mesma cor. A bandeira local, que só vimos porque o Starblazer tinha uma içada a bordo, tem por fundo a bandeira australiana, no centro um quadrado onde se encontra a imagem do contorno da ilha, que se assemelha muito a um cão, um fox-terrier, e, ao lado deste quadrado, o desenho, a amarelo, dum "Golden Bosunbird".
Vimos, também nesse ponto elevado, os Boobies, os pássaros presentes também nas Galápagos, e em várias outras ilhas do Pacífico. E as fragatas.
Passámos por algumas casas, com aspecto bem mais agradável que os prédios de 2 andares existentes junto ao porto. Passámos também pelo acesso a um centro de detenção, onde vivem não só condenados por vários crimes, sobretudo estrangeiros à espera de serem deportados para os países de origem, como, na sua maioria, emigrantes ilegais, que aportaram clandestinamente a Christmas Island e aguardam a resolução da sua situação.
Mas a finalidade principal do tour era a observação da selva e dos seus principais habitantes, os caranguejos: "Red Crabs, Blue Crabs e Rubber Crabs". O nome do tour era, precisamente, "Jungle Tour". "Jungle" fez-me pensar em lianas, macacos, animais selvagens... Mas, afinal, não há nada disso por ali, e o objecto de análise são os caranguejos!
Foi um passeio interessante, e agradável, e conseguimos ver os 3 tipos de caranguejos, apesar de estarmos na época seca, e eles gostarem sobretudo de água. Pelas estradas encontrámos sinais de trânsito a avisar para se ter cuidado com os caranguejos, cuidado para não os atropelar, note-se, não porque sejam perigosos... Na época das chuvas, do acasalamento e desova, os caranguejos migram até à água do mar, os machos à frente, seguidos uns dias depois pelas fêmeas, acasalam na água do mar e os machos regressam. As fêmeas desovam na água, e regressam à selva mais tarde, juntamente com os caranguejos filhos. Nessa época, as estradas cobrem-se de caranguejos, e várias estradas são encerradas ao trânsito para defesa dos caranguejos. Na borda de algumas das estradas vêem-se calhas de metal, só interrompidas no local onde existem sob a estrada túneis cobertos por barras metálicas, para que os caranguejos possam atravessar a estrada sem serem atropelados, e sem haver necessidade de encerrar o trânsito aí... Vimos também um método mais recente, construído para que os caranguejos atravessem as estradas, e que são pontes para caranguejos!...
Os caranguejos não são comestíveis, e a principal razão para serem tão protegidos é que limpam a floresta, a selva, das folhas secas e outros detritos, contribuindo para a manutenção da "selva".
E assim foi, na sua essência, o "Jungle Tour".
Ao regressarmos ao porto, quase todos os barcos tinham já largado, e restávamos três.
Aproveitei para fazer um pouco de snorkeling,enquanto o Luís e o Rui ficaram a bordo, ocupados com trabalhos vários. e valeu a pena. Os corais estão bem vivos na ilha, com cores muito bonitas, e os peixes tropicais praticamente não fogem, até por vezes se aproximam de nós: peixes amarelos, ou com riscas amarelas e pretas, peixes pretos com uma risca branca fosforescente, os peixes papagaio, com tonalidades de azul turquesa e verde, etc.
SEXTA-FEIRA, 18 DE SETEMBRO DE 2015
CHRISTMAS ISLAND
Depois de uma largada quase sem vento, no dia 13 de Setembro, lá fomos andando devagar e com muitas motoradas, para percorrermos as cerca de 600 milhas de Lombok para Christmas Island. Quando chegámos, na Sexta-feira, 18 de Setembro, já os primeiros barcos a chegar estavam quase a preparar-se para seguir viagem. Mas ainda deu para as tripulações se encontrarem nessa noite em terra para um Barbecue.
O dia em que chegámos foi logo muito atarefado. Primeiro com a vinda a bordo da Polícia para fazer o check in. Acabámos o check in em terra com a Alfândega. Para isso tivemos, é claro que encher o dinghy, pôr-lhe o motor, o depósito, os remos... E enchê-lo com os jerrycans vazios, mais os sacos de lixo e ainda o saco para a lavandaria.
No cais esperava-nos o Victor, "yellow shirt", para nos ajudar com as burocracias, combinar connosco o programa para esses dias e, muito importante, com uma pequena camioneta para levar os jerrycans à estação de serviço. Não havia espaço para passageiros, de modo que lá fomos os três a pé até à bomba. Enchidos os depósitos, e mais 3 que a estação de serviço nos emprestou, a camioneta levou-os de volta ao cais.
E nós avançámos para o Supermercado, do outro lado da estrada. Muito mais bem fornecido do que esperávamos, foi uma agradável surpresa. Uma carrinha esperava à saída, para levar as compras para o cais. Pedimos boleia, e lá fomos com as compras. Mas, como precisávamos de mais dólares australianos para Cocos, onde não há ATM, fizemos uma paragem no Banco. Também este não tinha ATM, o dinheiro tinha que ser levantado como se fosse um crédito, com muita burocracia, telefonemas e tudo. E a carrinha lá fora, com o condutor pacientemente à espera...
Finalmente regressámos ao cais. Levámos para o barco os depósitos de gasóleo, despejámos-los para o depósito, e depois foi necessário voltar a encher mais 2 jerrycans. Enquanto o Luís e o Rui voltavam à estação de serviço, eu fiquei a arrumar as compras. Quando tudo terminou, estávamos já cansados e cheios de fome. Tínhamos pensado comer qualquer coisa em terra, mas o não havia onde, de modo que fomos almoçar para o barco.
Christmas Island pertence à Austrália, e a hora é UTC + 7.
É uma ilha pequena, que viveu durante muitos anos à conta da exploração dos fosfatos. Toda a sua economia girava à volta das minas e transporte de fosfatos.
Quando diminuiu a procura destes, a economia da ilha sofreu uma recessão importante. Procuram agora virar-se mais para o turismo, mas tudo está ainda muito pouco desenvolvido nesse campo.
Depois de uma largada quase sem vento, no dia 13 de Setembro, lá fomos andando devagar e com muitas motoradas, para percorrermos as cerca de 600 milhas de Lombok para Christmas Island. Quando chegámos, na Sexta-feira, 18 de Setembro, já os primeiros barcos a chegar estavam quase a preparar-se para seguir viagem. Mas ainda deu para as tripulações se encontrarem nessa noite em terra para um Barbecue.
O dia em que chegámos foi logo muito atarefado. Primeiro com a vinda a bordo da Polícia para fazer o check in. Acabámos o check in em terra com a Alfândega. Para isso tivemos, é claro que encher o dinghy, pôr-lhe o motor, o depósito, os remos... E enchê-lo com os jerrycans vazios, mais os sacos de lixo e ainda o saco para a lavandaria.
No cais esperava-nos o Victor, "yellow shirt", para nos ajudar com as burocracias, combinar connosco o programa para esses dias e, muito importante, com uma pequena camioneta para levar os jerrycans à estação de serviço. Não havia espaço para passageiros, de modo que lá fomos os três a pé até à bomba. Enchidos os depósitos, e mais 3 que a estação de serviço nos emprestou, a camioneta levou-os de volta ao cais.
E nós avançámos para o Supermercado, do outro lado da estrada. Muito mais bem fornecido do que esperávamos, foi uma agradável surpresa. Uma carrinha esperava à saída, para levar as compras para o cais. Pedimos boleia, e lá fomos com as compras. Mas, como precisávamos de mais dólares australianos para Cocos, onde não há ATM, fizemos uma paragem no Banco. Também este não tinha ATM, o dinheiro tinha que ser levantado como se fosse um crédito, com muita burocracia, telefonemas e tudo. E a carrinha lá fora, com o condutor pacientemente à espera...
Finalmente regressámos ao cais. Levámos para o barco os depósitos de gasóleo, despejámos-los para o depósito, e depois foi necessário voltar a encher mais 2 jerrycans. Enquanto o Luís e o Rui voltavam à estação de serviço, eu fiquei a arrumar as compras. Quando tudo terminou, estávamos já cansados e cheios de fome. Tínhamos pensado comer qualquer coisa em terra, mas o não havia onde, de modo que fomos almoçar para o barco.
Christmas Island pertence à Austrália, e a hora é UTC + 7.
É uma ilha pequena, que viveu durante muitos anos à conta da exploração dos fosfatos. Toda a sua economia girava à volta das minas e transporte de fosfatos.
Quando diminuiu a procura destes, a economia da ilha sofreu uma recessão importante. Procuram agora virar-se mais para o turismo, mas tudo está ainda muito pouco desenvolvido nesse campo.
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