Allegro (no Mediterrâneo)

Allegro (no Mediterrâneo)
Allegro nas Baleares

sábado, 17 de outubro de 2015

SEXTA-FEIRA, 09 DE OUTUBRO DE 2015

OCEANO ÍNDICO - Continuação
- COCOS-MAURÍCIAS -

A última noite em Cocos Keeling esteve ainda mais ventosa do que nos outros dias. Choveu um pouco no início da noite.
Na manhã seguinte, segunda-feira, 28 de Setembro de 2015, arrancaríamos para a longa, longa perna de Cocos - Maurícias, com cerca de 2350 milhas.
A previsão meteorológica era de vento entre 15 e 25 nós, predominantemente de Sueste, o que seria bom para uma mareação dentro do rumo. Mas previam-se ondas de 2-3 metros e, sobretudo, existia uma depressão a SE, ainda longe e a progredir relativamente devagar, mas com probabilidade, embora baixa, de se poder transformar em tempestade tropical/ ciclone.
Não sei se foi o vento, se foi a ideia dessa depressão, a probabilidade era baixa, mas não deixava de ser preocupante, mas acordei de madrugada, fui ver como estavam as coisas lá por fora, estavam bem, o barco continuava no mesmo sítio, bem agarrado ao fundo, mas… já não consegui dormir mais. Aproveitei para escrever um pouco no blog, enquanto assistia ao nascer do novo dia. Pouco depois também o Luis apareceu lá por cima.
A largada quase não acontecia, porque o barco que a polícia pusera à disposição para levar o júri de regata para o local, teve uma avaria. Mas conseguiram chegar dentro da hora e dar a largada às 10:00 h. Vários barcos decidiram ir andando e não esperar pela largada, mas a grande maioria ficou e esperou. Finalmente uma largada com vento fresco. À saída do atol, ondas grandes, para nos habituarmos logo ao balanço.
Nesse 1º dia fizemos 162 milhas nas 24h, o que para o Allegro é muito bom.
O 2º dia continuou bem, sempre com vento entre 17-20 nós, ondas de 2-2.5 metros e bom tempo. A má notícia foi descobrirmos que o apoio do hidrogerador, o Watt&Sea, se tinha partido, e ele ia preso só pelos cabos. Tirámo-lo para fora e está a descansar, à espera de arranjo, possivelmente só na África do Sul. E nós, com menos uma fonte de energia a bordo…
Nas comunicações da noite, a informação meteorológica adicional, obtida por alguns dos barcos da frota, aconselhava que se mantivesse o rumo acima dos 13º S de latitude, para se tentar evitar uma zona de swell acentuado, com ondas de 4 m ou mais. Desviámos o rumo para NNW, e assim ficámos toda a noite. O resultado desta estratégia, foi que passámos para último lugar na frota, pois, pelos vistos ninguém levou o conselho tão à letra como nós… Mas, em latitude, ficámos o 2º barco mais a norte. Fraco consolo… Na manhã seguinte retomámos o rumo prévio. E o nosso percurso ficou com um desenho original, uma “marreca”, como o Luis lhe chama.
No 4º dia, dia 1 de Outubro, o vento diminuiu para os 8-12 nós, e mudou para Este, mesmo de popa. De madrugada ligámos o motor, para ajudar a empurrar o Allegro, e de manhã, pusemos o pau na genoa, ficámos a navegar em borboleta, de popa arrasada, com vento de 10-12 nós e a fazermos entre 4.6-5.0 nós no rumo certo. E com o piloto de vento a governar. Um sucesso! Mas, em termos de progressão, o pior dia desta perna: fizemos só 100 milhas nas 24h…
No 5º dia, o vento voltou a aumentar para 16-19 nós, de SE. As ondas também ficaram maiores, entre 3 e 4 metros, e surgiram mais nuvens e alguns “squalls”. Mas voltámos a melhores médias, 158 milhas nas 24h.
Nesta perna tem sido sempre o Rui a fazer o almoço, e eu faço a sopa do jantar. O que quer dizer que comemos muito bem ao almoço (e demais, e pouco “dietético”…), e de forma mais frugal ao jantar, se não fosse pelo pão com manteiga e queijo, e pelo chocolate no final!…
Os dias 6º, 7º e 8º mantiveram-se com o mesmo padrão, bons ventos, de boa direcção, ondas um pouco mais baixas (2-3 m) e alguns squalls. 158, 161, 158 milhas respectivamente.
No 9º dia, 6 de Outubro, chegámos a metade do caminho, o que festejámos com uma bebida ao final da tarde. O vento diminui um pouco, mas fizemos ainda 145 milhas.
No 10º dia, vento de 14-16 nós e, infelizmente, de Este ou ESE. 135 milhas/24 h.
No 11º dia, vento ainda mais fraco. Demos uma ajuda com o motor de madrugada, e de manhã pusemos novamente o pau na genoa. Mas pelas 1500 h, com 8 nós de vento e velocidade a baixar para menos de 4 nós, enrolámos a genoa, mantendo o pau colocado, e ligámos o motor para “motorsailing”…Até às 2000 h, altura em que o vento aumentou e virou para SE, e voltámos à mareação habitual com velas a estibordo e vento pela alheta. E assim temos navegado até agora, 1900 h de dia 9 de Outubro. São horas das comunicações da tarde, e, também, hora de fazer a sopa!…

MA

DOMINGO, 20 DE SETEMBRO A QUINTA-FEIRA, 24 DE SETEMBRO DE 2015

PERNA CHRISTMAS ISLAND - COCOS KEELING

Finalmente uma perna quase sempre com vento!... Não demais, de menos só por pouco tempo, foi muito agradável. O único barulho menos agradável já não foi o do motor, mas apenas o do gerador quando era necessário carregar baterias.
Finalmente fizemos uma perna completa sem termos que ligar o motor, excepto quase à chegada, para nos despacharmos porque o vento deixou de estar de feição e queríamos... chegar!

Cocos Keeling é um atol, com várias pequenas ilhas de areia branca e cobertas de ... coqueiros, como não podia deixar de ser. A água tem um tom turquesa brilhante, parece de postal de anúncio!
Cocos Keeling pertence à Austrália, tal como Christmas Island.
A hora aqui é UTC + 06.30.

Neste atol, várias das ilhas são desabitadas. A ilha mais próxima do local onde fundearam os barcos da frota da World ARC chama-se Direction Island e é desabitada. Apesar disso, tem várias pequenas construções com mesas e bancos corridos, um tecto de madeira, e um local preparado para barbecues. Foi num destes locais que foi feito o check in com as autoridades, que se deslocaram de propósito aqui para esse efeito. E apesar de ser desabitada, temos internet a bordo, não muito eficaz ou rápida, mas dá para ver os mails, embora não dê para fazer downloads...
A ilha seguinte, Home Island, fica a 1,5 milhas desta. Essa é habitada, tem um cais, tem um supermercado, um museu, e várias outras facilidades, até tem separação de lixo para reciclar. É abastecida na estação alta, que termina agora, uma vez por semana, e na estação baixa, uma vez por mês. Os habitantes são muçulmanos, portanto não se consegue comprar carne de porco, fiambre, salsichas ou bacon. Nem álcool! No dia em que chega o abastecimento tem uma variedade de frescos bastante boa, embora muito cara. Tínhamos feito uma encomenda prévia do que queríamos, sistema que a WCC organizará para nós, e que funcionou muito bem. Para além dos frescos, o supermercado estava bem fornecido de carne congelada e artigos não perecíveis. Foi novamente uma agradável surpresa, pois a próxima etapa é muito longa.
Uma milha e meia é perto, mas como tem estado sempre bastante vento, no nosso dinghy seria um banho certo, pois teríamos que ir contra o vento. Felizmente apanhei uma boleia do Jean e da Christiane (A Plus 2), na sexta-feira, e como o dinghy deles é maior e mais rápidque o nosso, os salpicos foram poucos. Comprei sobretudo carne e leite, além de cerveja sem álcool, a única coisa que tinham mais parecida com cerveja, pois a "Ginger Beer" tinha-se esgotado.
E hoje, Sábado, e dia de ir lá buscar as encomendas que cada barco fizera, a WCC organizou o transporte com uma pequena lancha, para os barcos que quisessem. e assim, lá voltei hoje, buscar a encomenda e os frescos, pois ontem chegara o barco de abastecimento.
As mulheres vestem-se com a cabeça tapada, mas não com burca. E muitas delas deslocam-se para o super, sozinhas ou com as crianças, em pequenos buggies. O contraste do traje com a modernidade do transporte não deixa de ser curioso...
A noite passada foi combinado um BBQ para quem quisesse ir, e lá fomos nós com 3 belos bifes comprados nessa tarde, um tacho de um arroz especial feito pelo Rui, e uma garrafa de tinto espanhol, para a praia. Os bifes ficaram óptimos, e o convívio com os outros barcos foi muito agradável!
Hoje à tarde, fomos nós os dois fazer "snorkeling" no canal entre ilhas, nos corais, e depois ficámos a apanhar sol e a preguiçar na praia.
E está noite está tanto vento que anulámos o plano de ir até terra conviver um pouco com as outras tripulações.

MA

sábado, 26 de setembro de 2015

SÁBADO, 19 DE SETEMBRO DE 2015

Tour da Ilha de Christmas Island

Começámos por ir a um ponto elevado da ilha, com uma vista linda sobre o porto. A frota, na sua maioria,ou já tinha partido ou preparava-se para levantar ferro.
Desse ponto vimos os pássaros típicos de Christmas Island, só existentes neste local, e que fazem parte da bandeira da ilha: os "Golden Bosunbirds". São pássaros realmente de cor dourada, com uma cauda longa, da mesma cor. A bandeira local, que só vimos porque o Starblazer tinha uma içada a bordo, tem por fundo a bandeira australiana, no centro um quadrado onde se encontra a imagem do contorno da ilha, que se assemelha muito a um cão, um fox-terrier, e, ao lado deste quadrado, o desenho, a amarelo, dum "Golden Bosunbird".
Vimos, também nesse ponto elevado, os Boobies, os pássaros presentes também nas Galápagos, e em várias outras ilhas do Pacífico. E as fragatas.
Passámos por algumas casas, com aspecto bem mais agradável que os prédios de 2 andares existentes junto ao porto. Passámos também pelo acesso a um centro de detenção, onde vivem não só condenados por vários crimes, sobretudo estrangeiros à espera de serem deportados para os países de origem, como, na sua maioria, emigrantes ilegais, que aportaram clandestinamente a Christmas Island  e aguardam a resolução da sua situação.

Mas a finalidade principal do tour era a observação da selva e dos seus principais habitantes, os caranguejos: "Red Crabs, Blue Crabs e Rubber Crabs". O nome do tour era, precisamente, "Jungle Tour". "Jungle" fez-me pensar em lianas, macacos, animais selvagens... Mas, afinal, não há nada disso por ali, e o objecto de análise são os caranguejos!
Foi um passeio interessante, e agradável, e conseguimos ver os 3 tipos de caranguejos, apesar de estarmos na época seca, e eles gostarem sobretudo de água. Pelas estradas encontrámos sinais de trânsito a avisar para se ter cuidado com os caranguejos, cuidado para não os atropelar, note-se, não porque sejam perigosos... Na época das chuvas, do acasalamento e desova, os caranguejos migram até à água do mar, os machos à frente, seguidos uns dias depois pelas fêmeas, acasalam na água do mar e os machos regressam. As fêmeas desovam na água, e regressam à selva mais tarde, juntamente com os caranguejos filhos. Nessa época, as estradas cobrem-se de caranguejos, e várias estradas são encerradas ao trânsito para defesa dos caranguejos. Na borda de algumas das estradas vêem-se calhas de metal, só interrompidas no local onde existem sob a estrada túneis cobertos por barras metálicas, para que os caranguejos possam atravessar a estrada sem serem atropelados, e sem haver necessidade de encerrar o trânsito aí... Vimos também um método mais recente, construído para que os caranguejos atravessem as estradas, e que são pontes para caranguejos!...
Os caranguejos não são comestíveis, e a principal razão para serem tão protegidos é que limpam a floresta, a selva, das folhas secas e outros detritos, contribuindo para a manutenção da "selva".
E assim foi, na sua essência, o "Jungle Tour".
Ao regressarmos ao porto, quase todos os barcos tinham já largado, e restávamos três.
Aproveitei para fazer um pouco de snorkeling,enquanto o Luís e o Rui ficaram a bordo, ocupados com trabalhos vários.  e valeu a pena. Os corais estão bem vivos na ilha, com cores muito bonitas, e os peixes tropicais praticamente não fogem, até por vezes se aproximam de nós: peixes amarelos, ou com riscas amarelas e pretas, peixes pretos com uma risca branca fosforescente, os peixes papagaio, com tonalidades de azul turquesa e verde, etc.

SEXTA-FEIRA, 18 DE SETEMBRO DE 2015

CHRISTMAS ISLAND

Depois de uma largada quase sem vento, no dia 13 de Setembro, lá fomos andando devagar e com muitas motoradas, para percorrermos as cerca de 600 milhas de Lombok para Christmas Island. Quando chegámos, na Sexta-feira, 18 de Setembro, já os primeiros barcos a chegar estavam quase a preparar-se para seguir viagem. Mas ainda deu para as tripulações se encontrarem nessa noite em terra para um Barbecue.
O dia em que chegámos foi logo muito atarefado. Primeiro com a vinda a bordo da Polícia para fazer o check in. Acabámos o check in em terra com a Alfândega. Para isso tivemos, é claro que encher o dinghy, pôr-lhe o motor, o depósito, os remos... E enchê-lo com os jerrycans vazios, mais os sacos de lixo e ainda o saco para a lavandaria.
No cais esperava-nos o Victor, "yellow shirt", para nos ajudar com as burocracias, combinar connosco o programa para esses dias e, muito importante, com uma pequena camioneta para levar os jerrycans à estação de serviço. Não havia espaço para passageiros, de modo que lá fomos os três a pé até à bomba. Enchidos os depósitos, e mais 3 que a estação de serviço nos emprestou, a camioneta levou-os de volta ao cais.
E nós avançámos para o Supermercado, do outro lado da estrada. Muito mais bem fornecido do que esperávamos, foi uma agradável surpresa. Uma carrinha esperava à saída, para levar as compras para o cais. Pedimos boleia, e lá fomos com as compras. Mas, como precisávamos de mais dólares australianos para Cocos, onde não há ATM, fizemos uma paragem no Banco. Também este não tinha ATM, o dinheiro tinha que ser levantado como se fosse um crédito, com muita burocracia, telefonemas  e tudo. E a carrinha lá fora, com o condutor pacientemente à espera...
Finalmente regressámos ao cais. Levámos para o barco os depósitos de gasóleo, despejámos-los para o depósito, e depois foi necessário voltar a encher mais 2 jerrycans. Enquanto o Luís e o Rui voltavam à estação de serviço, eu fiquei a arrumar as compras. Quando tudo terminou, estávamos já cansados e cheios de fome. Tínhamos pensado comer qualquer coisa em terra, mas o não havia onde, de modo que fomos almoçar para o barco.

Christmas Island pertence à Austrália, e a hora é UTC + 7.
É uma ilha pequena, que viveu durante muitos anos à conta da exploração dos fosfatos. Toda a sua economia girava à volta das minas e transporte de fosfatos.
Quando diminuiu a procura destes, a economia da ilha sofreu uma recessão importante. Procuram agora virar-se mais para o turismo, mas tudo está ainda muito pouco desenvolvido nesse campo.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

QUINTA-FEIRA, 17 DE SETEMBRO DE 2015

De 9 a 13 de Setembro: Ilha de Lombok, na Indonésia
Hora local = UTC+08
Moeda: Rupia (1 US$ = Rp 13017)

Dia 9: a chegada, o abastecimento de gasóleo e um BBQ à noite, com toda a frota.
Lombok pode ser comparada com o que Bali era há 15 anos.
As pessoas são simpáticas, alegres, com sorriso fácil e agradável.
Estão agora a começar a aprender como lidar com o turismo e como tratarem os visitantes.
Lombok é um destino conhecido dos surfistas, com um local, o Desert Point, onde, segundo consta, e com as condições adequadas, se pode surfar um tubo completo com 300 m. Vai ser com certeza muito apreciado!…

Dia 10: Tour de Lombok. Começou com a visita ao mercado local; seguiram-se as olarias caseiras; a visita a um templo que tem a particularidade de ser partilhado pelo culto hindu e muçulmano, e, finalmente ao antigo palácio de Verão do rei, construído num local de nascentes múltiplas, e, como tal, com lagos, uma grande piscina aberta ao público, as instalações do rei e das suas consortes, e dois templos. A meio do dia, um almoço num restaurante com comida típica da Indonésia, bem temperada e condimentada, de que todos gostámos. Infelizmente, não vimos a zona da costa onde se pratica surf.

Dia 11: dia livre, que passámos a bordo, a tentar pôr em dia alguns mails e o blog (coitado, anda bastante atrasado…), a arrumar e limpar um pouco mais o barco.
À noite, houve o jantar da distribuição dos prémios da perna anterior. Estava prometido um “dance show” que não houve. O jantar foi um buffet de comida típica no restaurante do “resort” da “Secrets Island”, sendo “resort” um nome demasiado sonante para a simplicidade do pequeno hotel. Não havia vinho, quem quis levou do barco, mas cerveja não faltou.
E o Allegro ganhou um prémio! Foi o prémio da “Fun Competition”. Em todas as pernas há uma “competição” de brincadeira, sobre assuntos vários. Desta vez a questão era: “Quantas horas de motor faria a frota toda para ir de Darwin até Lombok?" O cálculo que fizemos foi o mais aproximado do somatório do valor declarado pelos vários barcos, de modo que ganhámos esse prémio.

Dia 12: Dia do aprovisionamento. A WCC organizou uma viagem a Mataram, a capital de Lombok, para uma ida ao supermercado: 2 h de trajecto para ir, 2 h lá, e 2 h para voltar. Uma longa viajem. Não precisávamos de muita coisa, mas carne só se arranjava lá… Combinei com o Rui, eu ir ao mercado local comprar os legumes e fruta, para ter tempo de lavar, secar e acondicionar tudo antes da reunião de skippers à tarde, e ele ir ao supermercado comprar a carne, leite, cervejas e pouco mais.
E assim foi. Fui com a Marian e o Peter do Exody ao mercado local. Regressei ao barco e passei o resto da manhã a lavar, secar e acondicionar a fruta e outros vegetais. Entretanto, foi necessário fazer a trasfega de gasóleo de alguns jerricans até encher o depósito que não tinha ficado completamente cheio. Quando acabámos, estava na hora de irmos para a reunião de skippers. Nós a sairmos e o Rui a chegar do supermercado.
Na reunião de skippers confirmou-se o que já se previa, que haveria muito pouco vento nos primeiros dias da perna para Christmas Island…

Dia 13: Largada para a próxima perna!
Ao içarmos a vela grande, constatámos que a fita que prende a ponta da esteira à retranca estava quase completamente rasgada. Há sempre alguma surpresa de última hora. Lá conseguimos substituir e cozer a fita rapidamente. Felizmente, a largada foi adiada 20 min (por nossa causa ou não, não deu para perceber, mas deu muito jeito) e conseguimos largar com quase nenhum atraso em relação aos outros barcos.
Muito pouco vento, muito motor por toda a frota nos 2-3 primeiros dias, e depois um ventinho de 10-15 nós de SE inicialmente, que nos permitiu andar bastante bem, alternando inicialmente com algum “motorsail”, e depois entre 14 e 17 nós de ESE, e aqui vamos nós, a cerca de 100 milhas do destino, prevendo chegar lá ao amanhecer, pois fomos avisados para não fazermos a aproximação durante a noite.
Entretanto, na proximidade da Ilha de Bali, sentimos a corrente mais forte que já apanhámos nesta viagem: 5 nós contra! O barco ia a fazer 6.5 nós no odómetro, e apenas 1,5 no SOG (speed over ground). A nossa proa chegou a ser de 337º e o rumo de 257º! Um desvio originado pela corrente de 80º!… Fomos apanhando várias correntes nesta perna, mas esta foi a mais forte de todas.

Em Christmas Island, amanhã, esperam-nos: o check in (Christmas Island e Cocos Keeling pertencem à Austrália), o abastecimento de gasóleo, o “Jungle Tour” e um BBQ que foi adiado de quinta para sexta-feira. Vamos lá a ver se conseguimos cumprir, num só dia, tantas etapas e expectativas!…

sábado, 12 de setembro de 2015

QUARTA-FEIRA, 9 DE SETEMBRO DE 2015


Chegámos no dia 9 de manhã, a Gili Gede, uma pequena ilha pertencente à ilha de Lombok. Na carta diz que tem uma Marina, a Marina del Ray, que até tem pontões desenhados na carta, mas... é só em projecto. Existem algumas bóias, mas nada mais, e não chegaram para tantos barcos. É a primeira vez que a paragem da World ARC na Indonésia é aqui (anteriormente era em Bali) e  parece que nunca por aqui se tinham visto tantos barcos em simultâneo...
Na aproximação fomos vendo várias velas triangulares coloridas e, já mais perto conseguimos ver que os cascos dos barcos tinham umas extensões laterais em bambu, como se fossem trimarans em miniatura, parecendo uns aranhiços; com um pequeno motor atrás. São os barcos de pesca deles.
Fundeámos, num fundo de areia, sem problemas.
Veio a bordo o Hugh, yellow-shirt, combinar connosco o programa e os timings da nossa estadia aqui.
Logo nesse dia fizemos o abastecimento de gasóleo. Uma aventura!, mas vários barcos ajudaram com os dinghies, e tudo correu razoavelmente. Há um pontão, mas com pouco fundo na proximidade, onde está um camião com gasóleo. Este é transferido para uns bidões grandes, e destes, com uma mangueira já bastante perfurada, é passado o gasóleo para os barcos. A segurar a mangueira ao longo do pontão estão cerca de 12 rapazes, e em cima do barco, mais 3 ou 4, além do Ray, o responsável, um australiano, e que dá o nome à "Marina". Lança-se o ferro, com no Mediterrâneo, e progride-se de popa até à proximidade do pontão, ao qual o barco é preso por cabos. Começa então o abastecimento, e começa o convés a ficar todo sujo de gasóleo, porque a mangueira tem furos. A quantidade de litros que entra no depósito é calculada de forma aproximada, e essa é a quantia cobrada no fim. Para encher os jerrycans, acharam por bem levá-los para terra e encher lá; sempre foi uma zona do barco que foi poupada ao duche de gasóleo...
Regressámos ao nosso local de fundear, próximo do Makena, do A Plus 2 e do Exody. Aí, baldeámos o barco e lavámo-lo com detergente e água salgada.
A baía é muito protegida, o vento que esteve tímido durante toda a travessia para a Indonésia, apareceu com alguma consistência aqui na baía, o que refrescou o ar e o barco, tornando a estadia muito mais agradável.
Praticamente não há mosquitos por cá, o que foi também uma agradável surpresa!...
À noite, vieram-nos buscar num barco local, e fomos a terra jantar: um restaurante na praia, ainda meio em projecto, ao ar livre, com mesas de madeira corridas, umas instalações sanitárias primitivas, uns gralhadores onde eram grelhados os peixes, três de cada vez, o que significou um jantar muito demorado, dando tempo para pormos a conversa em dia com as outras tripulações. Comemos arroz com peixe grelhado, e bebemos cerveja, a única bebida disponível, e soube-nos muito bem! Tudo muito simples, mas com muito boa vontade e muita simpatia.

MA+LA

DOMINGO, 6 DE SETEMBRO DE 2015

Nunca se está contente com o que se tem.
Ou é vento a mais, ou é vento a menos. Ou mar a mais, ou mar a menos. Ou gasóleo a menos, ou gasóleo a menos. Quando, afinal, o que temps tido até agora tem sido excepcional!
Mas hoje o que nos faz falta são os Amigos e a Família para festejarem connosco os 64 anos da minha patroa de alto mar!
O dia começou com um nascer do sol espantoso, que se continuou com um tranquilo dia de vela. O vento é pouco, é verdade. Mas não se pode querer tudo.
Estamos a celebrar os três, e não só os 64 anos da Manela. Celebramos tudo o que nos tem sido proporcionado desde que largámos de Lagos há quase um ano!


LA