Allegro (no Mediterrâneo)

Allegro (no Mediterrâneo)
Allegro nas Baleares

sábado, 26 de setembro de 2015

SEXTA-FEIRA, 18 DE SETEMBRO DE 2015

CHRISTMAS ISLAND

Depois de uma largada quase sem vento, no dia 13 de Setembro, lá fomos andando devagar e com muitas motoradas, para percorrermos as cerca de 600 milhas de Lombok para Christmas Island. Quando chegámos, na Sexta-feira, 18 de Setembro, já os primeiros barcos a chegar estavam quase a preparar-se para seguir viagem. Mas ainda deu para as tripulações se encontrarem nessa noite em terra para um Barbecue.
O dia em que chegámos foi logo muito atarefado. Primeiro com a vinda a bordo da Polícia para fazer o check in. Acabámos o check in em terra com a Alfândega. Para isso tivemos, é claro que encher o dinghy, pôr-lhe o motor, o depósito, os remos... E enchê-lo com os jerrycans vazios, mais os sacos de lixo e ainda o saco para a lavandaria.
No cais esperava-nos o Victor, "yellow shirt", para nos ajudar com as burocracias, combinar connosco o programa para esses dias e, muito importante, com uma pequena camioneta para levar os jerrycans à estação de serviço. Não havia espaço para passageiros, de modo que lá fomos os três a pé até à bomba. Enchidos os depósitos, e mais 3 que a estação de serviço nos emprestou, a camioneta levou-os de volta ao cais.
E nós avançámos para o Supermercado, do outro lado da estrada. Muito mais bem fornecido do que esperávamos, foi uma agradável surpresa. Uma carrinha esperava à saída, para levar as compras para o cais. Pedimos boleia, e lá fomos com as compras. Mas, como precisávamos de mais dólares australianos para Cocos, onde não há ATM, fizemos uma paragem no Banco. Também este não tinha ATM, o dinheiro tinha que ser levantado como se fosse um crédito, com muita burocracia, telefonemas  e tudo. E a carrinha lá fora, com o condutor pacientemente à espera...
Finalmente regressámos ao cais. Levámos para o barco os depósitos de gasóleo, despejámos-los para o depósito, e depois foi necessário voltar a encher mais 2 jerrycans. Enquanto o Luís e o Rui voltavam à estação de serviço, eu fiquei a arrumar as compras. Quando tudo terminou, estávamos já cansados e cheios de fome. Tínhamos pensado comer qualquer coisa em terra, mas o não havia onde, de modo que fomos almoçar para o barco.

Christmas Island pertence à Austrália, e a hora é UTC + 7.
É uma ilha pequena, que viveu durante muitos anos à conta da exploração dos fosfatos. Toda a sua economia girava à volta das minas e transporte de fosfatos.
Quando diminuiu a procura destes, a economia da ilha sofreu uma recessão importante. Procuram agora virar-se mais para o turismo, mas tudo está ainda muito pouco desenvolvido nesse campo.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

QUINTA-FEIRA, 17 DE SETEMBRO DE 2015

De 9 a 13 de Setembro: Ilha de Lombok, na Indonésia
Hora local = UTC+08
Moeda: Rupia (1 US$ = Rp 13017)

Dia 9: a chegada, o abastecimento de gasóleo e um BBQ à noite, com toda a frota.
Lombok pode ser comparada com o que Bali era há 15 anos.
As pessoas são simpáticas, alegres, com sorriso fácil e agradável.
Estão agora a começar a aprender como lidar com o turismo e como tratarem os visitantes.
Lombok é um destino conhecido dos surfistas, com um local, o Desert Point, onde, segundo consta, e com as condições adequadas, se pode surfar um tubo completo com 300 m. Vai ser com certeza muito apreciado!…

Dia 10: Tour de Lombok. Começou com a visita ao mercado local; seguiram-se as olarias caseiras; a visita a um templo que tem a particularidade de ser partilhado pelo culto hindu e muçulmano, e, finalmente ao antigo palácio de Verão do rei, construído num local de nascentes múltiplas, e, como tal, com lagos, uma grande piscina aberta ao público, as instalações do rei e das suas consortes, e dois templos. A meio do dia, um almoço num restaurante com comida típica da Indonésia, bem temperada e condimentada, de que todos gostámos. Infelizmente, não vimos a zona da costa onde se pratica surf.

Dia 11: dia livre, que passámos a bordo, a tentar pôr em dia alguns mails e o blog (coitado, anda bastante atrasado…), a arrumar e limpar um pouco mais o barco.
À noite, houve o jantar da distribuição dos prémios da perna anterior. Estava prometido um “dance show” que não houve. O jantar foi um buffet de comida típica no restaurante do “resort” da “Secrets Island”, sendo “resort” um nome demasiado sonante para a simplicidade do pequeno hotel. Não havia vinho, quem quis levou do barco, mas cerveja não faltou.
E o Allegro ganhou um prémio! Foi o prémio da “Fun Competition”. Em todas as pernas há uma “competição” de brincadeira, sobre assuntos vários. Desta vez a questão era: “Quantas horas de motor faria a frota toda para ir de Darwin até Lombok?" O cálculo que fizemos foi o mais aproximado do somatório do valor declarado pelos vários barcos, de modo que ganhámos esse prémio.

Dia 12: Dia do aprovisionamento. A WCC organizou uma viagem a Mataram, a capital de Lombok, para uma ida ao supermercado: 2 h de trajecto para ir, 2 h lá, e 2 h para voltar. Uma longa viajem. Não precisávamos de muita coisa, mas carne só se arranjava lá… Combinei com o Rui, eu ir ao mercado local comprar os legumes e fruta, para ter tempo de lavar, secar e acondicionar tudo antes da reunião de skippers à tarde, e ele ir ao supermercado comprar a carne, leite, cervejas e pouco mais.
E assim foi. Fui com a Marian e o Peter do Exody ao mercado local. Regressei ao barco e passei o resto da manhã a lavar, secar e acondicionar a fruta e outros vegetais. Entretanto, foi necessário fazer a trasfega de gasóleo de alguns jerricans até encher o depósito que não tinha ficado completamente cheio. Quando acabámos, estava na hora de irmos para a reunião de skippers. Nós a sairmos e o Rui a chegar do supermercado.
Na reunião de skippers confirmou-se o que já se previa, que haveria muito pouco vento nos primeiros dias da perna para Christmas Island…

Dia 13: Largada para a próxima perna!
Ao içarmos a vela grande, constatámos que a fita que prende a ponta da esteira à retranca estava quase completamente rasgada. Há sempre alguma surpresa de última hora. Lá conseguimos substituir e cozer a fita rapidamente. Felizmente, a largada foi adiada 20 min (por nossa causa ou não, não deu para perceber, mas deu muito jeito) e conseguimos largar com quase nenhum atraso em relação aos outros barcos.
Muito pouco vento, muito motor por toda a frota nos 2-3 primeiros dias, e depois um ventinho de 10-15 nós de SE inicialmente, que nos permitiu andar bastante bem, alternando inicialmente com algum “motorsail”, e depois entre 14 e 17 nós de ESE, e aqui vamos nós, a cerca de 100 milhas do destino, prevendo chegar lá ao amanhecer, pois fomos avisados para não fazermos a aproximação durante a noite.
Entretanto, na proximidade da Ilha de Bali, sentimos a corrente mais forte que já apanhámos nesta viagem: 5 nós contra! O barco ia a fazer 6.5 nós no odómetro, e apenas 1,5 no SOG (speed over ground). A nossa proa chegou a ser de 337º e o rumo de 257º! Um desvio originado pela corrente de 80º!… Fomos apanhando várias correntes nesta perna, mas esta foi a mais forte de todas.

Em Christmas Island, amanhã, esperam-nos: o check in (Christmas Island e Cocos Keeling pertencem à Austrália), o abastecimento de gasóleo, o “Jungle Tour” e um BBQ que foi adiado de quinta para sexta-feira. Vamos lá a ver se conseguimos cumprir, num só dia, tantas etapas e expectativas!…

sábado, 12 de setembro de 2015

QUARTA-FEIRA, 9 DE SETEMBRO DE 2015


Chegámos no dia 9 de manhã, a Gili Gede, uma pequena ilha pertencente à ilha de Lombok. Na carta diz que tem uma Marina, a Marina del Ray, que até tem pontões desenhados na carta, mas... é só em projecto. Existem algumas bóias, mas nada mais, e não chegaram para tantos barcos. É a primeira vez que a paragem da World ARC na Indonésia é aqui (anteriormente era em Bali) e  parece que nunca por aqui se tinham visto tantos barcos em simultâneo...
Na aproximação fomos vendo várias velas triangulares coloridas e, já mais perto conseguimos ver que os cascos dos barcos tinham umas extensões laterais em bambu, como se fossem trimarans em miniatura, parecendo uns aranhiços; com um pequeno motor atrás. São os barcos de pesca deles.
Fundeámos, num fundo de areia, sem problemas.
Veio a bordo o Hugh, yellow-shirt, combinar connosco o programa e os timings da nossa estadia aqui.
Logo nesse dia fizemos o abastecimento de gasóleo. Uma aventura!, mas vários barcos ajudaram com os dinghies, e tudo correu razoavelmente. Há um pontão, mas com pouco fundo na proximidade, onde está um camião com gasóleo. Este é transferido para uns bidões grandes, e destes, com uma mangueira já bastante perfurada, é passado o gasóleo para os barcos. A segurar a mangueira ao longo do pontão estão cerca de 12 rapazes, e em cima do barco, mais 3 ou 4, além do Ray, o responsável, um australiano, e que dá o nome à "Marina". Lança-se o ferro, com no Mediterrâneo, e progride-se de popa até à proximidade do pontão, ao qual o barco é preso por cabos. Começa então o abastecimento, e começa o convés a ficar todo sujo de gasóleo, porque a mangueira tem furos. A quantidade de litros que entra no depósito é calculada de forma aproximada, e essa é a quantia cobrada no fim. Para encher os jerrycans, acharam por bem levá-los para terra e encher lá; sempre foi uma zona do barco que foi poupada ao duche de gasóleo...
Regressámos ao nosso local de fundear, próximo do Makena, do A Plus 2 e do Exody. Aí, baldeámos o barco e lavámo-lo com detergente e água salgada.
A baía é muito protegida, o vento que esteve tímido durante toda a travessia para a Indonésia, apareceu com alguma consistência aqui na baía, o que refrescou o ar e o barco, tornando a estadia muito mais agradável.
Praticamente não há mosquitos por cá, o que foi também uma agradável surpresa!...
À noite, vieram-nos buscar num barco local, e fomos a terra jantar: um restaurante na praia, ainda meio em projecto, ao ar livre, com mesas de madeira corridas, umas instalações sanitárias primitivas, uns gralhadores onde eram grelhados os peixes, três de cada vez, o que significou um jantar muito demorado, dando tempo para pormos a conversa em dia com as outras tripulações. Comemos arroz com peixe grelhado, e bebemos cerveja, a única bebida disponível, e soube-nos muito bem! Tudo muito simples, mas com muito boa vontade e muita simpatia.

MA+LA

DOMINGO, 6 DE SETEMBRO DE 2015

Nunca se está contente com o que se tem.
Ou é vento a mais, ou é vento a menos. Ou mar a mais, ou mar a menos. Ou gasóleo a menos, ou gasóleo a menos. Quando, afinal, o que temps tido até agora tem sido excepcional!
Mas hoje o que nos faz falta são os Amigos e a Família para festejarem connosco os 64 anos da minha patroa de alto mar!
O dia começou com um nascer do sol espantoso, que se continuou com um tranquilo dia de vela. O vento é pouco, é verdade. Mas não se pode querer tudo.
Estamos a celebrar os três, e não só os 64 anos da Manela. Celebramos tudo o que nos tem sido proporcionado desde que largámos de Lagos há quase um ano!


LA

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

SEGUNDA-FEIRA, 24 DE AGOSTO DE 2015

Chegada a Darwin

Depois de 10 dias de navegação sem paragens desde Cairns, chegámos esta madrugada, à 01:20, à Fannie Bay, a baía onde fundeámos a aguardar a manhã, próximo da entrada para a Cullen Bay Marina, local onde nos esperava um tratamento especial ao casco antes de termos autorização para entrar em qualquer marina.
Cansados, com algum stress na chegada e no lançar do ferro numa baía representada nas cartas como tendo fundos entre 1,3 e 0,1, mas satisfeitos por mais esta etapa de cerca de 1500 milhas estar concluída.
Acordámos pelas 06:00 horas, para prepararmos os cabos, defensas e efectuarmos os contactos para encostarmos ao pontão onde seria feito o tratamento. O Rally Control chamou-nos no canal 72 antes das 07:00, e já estavam no pontão quando chegámos.
Aproveitámos para encher o depósito de gasóleo, com um sistema muito prático de self-service pago com cartão de crédito.
O pontão é o mesmo em que atracam os ferries que fazem ligações locais, e situa-se mesmo à entrada da Marina, da qual está separado por uma eclusa.  As marés variam entre os 2 m na baixa e os 6 m na praia mar, e as marinas têm este sistema de eclusas evitando assim desníveis grandes de água no seu interior.
Os barcos arrumaram-se no pontão, nós abraçados com o Garlix, e o Luna Quest sem par, e começou cedo a inspecção dos cascos. Os mergulhadores fizeram o diagnóstico - quando perguntámos se era um caso difícil, disseram-nos que não, que estava tudo bastante bem...
Mais tarde veio o técnico, o engenheiro, fazer o tratamento, com um produto desinfectante especial que colocou nas várias (nalgumas das) entradas de água salgada - para o motor, para as sanitas, e nalgumas das saídas - lava-loiças, lavatórios,...
Parece que o problema será um microorganismo, ou um molusco (?) que se reproduz muito facilmente e rapidamente e que poderá afectar o funcionamento das eclusas das marinas.
Tratamento feito, válvulas fechadas durante 10 horas. Só depois das 21:00 h poderemos voltar a usar as válvulas ou a ligar o motor.
Assim sendo, viemos para a Marina tomar um duche de muitos litros de água quente, e almoçar.
Agora sentámos-nos num banco no meio de um relvado, virado para a Fannie Bay, para o local onde fundeámos ontem, a escrever estas linhas.
Viva o descanso! E a terra firme também está a saber bem!...

MA+LA

domingo, 23 de agosto de 2015

QUARTA-FEIRA 22 DE JULHO A DOMINGO 23 DE AGOSTO DE 2015


Há 2 ou 3 dias atrás constatámos que as últimas linhas enviadas para o blog/log tinham sido enviadas há já 1 mês…
Como o tempo passa. Sobretudo quando há coisas importantes.
E foi o que aconteceu. Neste mês houve algumas coisas a exigir mais do nosso tempo:
1 - A travessia de Port Vila para Mackay;
2 - Termos chegado à Austrália;
3 - WARC até ao fim ou não?
4 - O gerador (maldito);
5 - Sydney;
6 - A tripulação doente;
7 - A avaria de última hora.

É destas questões que vamos agora falar.

1 - A travessia de Port Vila para Mackay
Decorreu bem de início, com condições realmente favoráveis.
Mas depois, no terceiro dia, a meteorologia deixou de nos ajudar e a seguir zangou-se connosco. Não nos devemos zangar com ela porque tem argumentos violentos que às vezes utiliza de forma inesperada - muito vento, muita água, depois mais vento e mais água, por toda a parte e, finalmente, para nos convencer envia aquelas ondas a rebentar que sabemos que vêm antes das outras que poem o barco a surfar e depois é uma maçada. Isto correu tudo de uma forma aligeirada, portanto não houve crise. Mas chateia, mesmo, até porque a “combinação” inicial (a feita antes do início da World ARC) era de bom tempo quase sempre… Não era esse o contrato, RS?
Incomodou, portanto.
Mas é espantoso como tudo passa quando se pisa terra firme. É mesmo assim.
De repente quem é que falou em mau tempo? Qual mau tempo? Olha, os do Wayward Wind, vamos lá!

2 - Termos chegado à Austrália
É que termos chegado à Austrália já é, de facto, qualquer coisa. E nós estamos lá.
É uma sensação especial onde tudo se mistura - dificuldades, facilidades, momentos agradáveis e outros desagradáveis, ganhos e perdas, bom e mau tempo, geradores e outras avarias, etc etc.
As celebrações acabam também por nos ocupar mais tempo. Ainda bem!
O blogue é que pode ficar prejudicado …

3 - WARC até ao fim ou não?
Um regresso a casa sem a WARC surgiu então como alternativa ao plano desde sempre definido.
Surgiu quando a tripulação de outro barco optou por regressar a casa via Mediterrâneo, poupando mais de 10.000 Milhas e realizando ainda um cruzeiro na Indonésia durante mais de um mês com o apoio de uma outra organização.
Muito tentador. Mas completamente fora do plano inicial.
Muito mais “soft” mas também sem tudo o que o regresso com a WARC nos vai trazer.
A dúvida não demorou mais do que alguns dias.
Ficámos contentes com a decisão final, com continuarmos com a World ARC, o nosso antigo sonho.
Quando fomos a Sydney, já tudo estava decidido. A partir de então tudo se simplificou.

4 - O gerador (maldito)
O técnico, passados uns minutos de ter chegado disse que tinha que levar o gerador para a oficina (a caixa de um camião) para poder saber o que se passava e umas horas depois chamou-me para me mostrar o interior do gerador - todo cheio de sal, de corrosão, com os fios e peças eléctricas todos destruídos (???). Ele não tinha explicação para a causa do que se tinha passado, mas que o arranjo passava pelo refazer da referida parte eléctrica era claro. O interior, de facto, estava todo destruído. Mas porquê?
E a situação, em termos práticos, era a seguinte:
1 - não se arranjava e tínhamos que fazer o resto da viagem sem gerador como até então - a carregar as baterias com o motor principal (5L/h), sem congelador, com o dessalinizador a fazer 220 V a partir do inversor, a carregar as baterias durante mais 2 horas por cada 110 litros de água produzida .
2 - arranjava-se. Era começar a encomendar peças e esperar que chegassem… Nunca menos de 10-15 dias só para encontrar e encomendar as peças. Podia pôr em causa as datas da WARC.
Não se podia dizer que as hipóteses fossem brilhantes.
3 - surgiu então outra possibilidade - numa loja Fisher Panda, a cerca de 1000 Km de Mackay, havia um gerador igual ao nosso. Era só montar porque era o mesmo modelo. E faziam um desconto de quase 20%.
Achei que não.
A hipótese de regresso pelo Mediterrâneo estava cada vez mais distante, e portanto a necessidade de adquirir o gerador era cada vez mais clara e maior.
No dia seguinte fui encomendá-lo.

5 - Sydney
Encomendado o gerador, que só chegaria segunda ou terça feira, decidimos aproveitar o fim de semana para ir conhecer Sydney. Tínhamos pensado sempre que vir à Austrália e não ir a Sydney era uma pena! Mas faltava arranjar a altura mas adequada…
Voámos de manhã muito cedo no Sábado (06:00), e regressámos na segunda-feira. Foram só praticamente 48 h, mas valeu bem a pena! Ficámos instalados num hotel muito central, no meio da zona comercial da cidade e a 10 min a pé do porto. A primeira coisa que fizemos foi almoçar numa pequena esplanada no… Hyde Park! Cheio de turistas (toda a cidade está cheia de turistas), muito bem arranjado, e tivemos a sorte de ter um tempo excelente!
Depois subimos à Sydney Tower, o que permitiu ter uma vista de 360º e ficar com uma visão de conjunto da cidade. Passeámos pelas ruas das lojas, óptimas lojas, e jantámos por ali.
No Domingo, começámos por um tour de ferry pelo porto de Sydney (o maior porto natural do mundo), extensíssimo, e muito bonito, com uma guia que ia explicando a quem pertenciam algumas das belas mansões que circundavam o porto, e nos ensinava alguma da história da cidade.
Depois seguiu-se um tour num “red-bus”, sem tempo para “hop-on, hop-off”, mas suficiente para ficarmos com uma ideia dos vários bairros da cidade, principais monumentos e pontos de interesse.
E finalmente, fomos visitar a famosa “Opera House”, uma maravilha arquitectónica, e o monumento emblemático de Sydney! Acabámos a beber um copo na longa esplanada junto à “Opera House”, ao pôr do sol, um ponto de encontro muito movimentado aquela hora.
Sydney é uma cidade muito bonita, alegre, acolhedora e cheia de vida! Valeu francamente a visita, apesar de tão curta!

6 - A tripulação doente.
Pois foi. Um de cada vez, mas chegou a todos.
Primeiro o Rui, depois eu e finalmente a Manela.
O Rui ficou no barco, sem sair, durante os dois dias em eu e a Manela fomos a Sydney.
Eu fiquei um dia de cama e a Manela outro. A viagem foi, portanto, atrasada dois dias. Agora já estamos praticamente bem mas não ainda a 100%.
Foi muito incómodo estarmos doentes e de cama, a bordo.
Mas pronto, estamos já quase bons e operacionais.

7 - A avaria de última hora.
Ainda quase não tínhamos largado para Cairns (estávamos a 2 milhas da Marina) quando na revisão final verifiquei que o guincho não estava a funcionar.
Foi uma sorte num sábado encontrarmos um electricista que nos deu uma mão e nos pôs o guincho em condições.
Depois deste contratempo lá largámos então para um longo período de free cruising - cerca de 1500 milhas, a maior parte do tempo que vamos passar na Austrália, desde que chegámos até partirmos para a Indonésia …


LA+MA

quinta-feira, 30 de julho de 2015

QUINTA-FEIRA, 30 DE JULHO DE 2015

Depois daquele desabafo no meio da ventania e do mar mais agitado, andámos assim três dias e depois tudo foi serenando.
Chegámos à passagem da Grande Barreira de Coral, entrada para a "Hydrographer's Passage", à noite do dia 24 de Julho,  para depararmos com uma passagem muito larga, pela qual circulam grandes cargueiros, com marcação excelente feita por faróis bem visíveis, muito bem explicados na carta, um descanso. O mar, dentro da barreira de corais ficou ainda mais tranquilo, e assim foram feitas, a motor, as cerca de 100 milhas que ainda nos separavam do porto de McKay, pois é esse o comprimento da passagem. O motor resolveu começar a aquecer indevidamente a partir de certa altura, o que nunca tinha sucedido antes, mas, felizmente, bastou diminuirmos a velocidade (e as rotações, portanto) para ele aguentar até à Marina, onde chegámos às 02:00 da manhã, com os Yellow Shirts ainda acordados a orientarem-nos por VHF - muito obrigado! Atracámos no pontão do gasóleo. As regras são não sair do barco antes de virem as autoridades, pelo que o pontão para o exterior estava fechado, e mesmo que não estivesse não iríamos a lado nenhum, pois eles levam isto muito a sério... E precisávamos de dormir alguma coisa pois a previsão era que as autoridades viriam a bordo às 06:30 da manhã!

Afinal vieram pelas 07:00, e foram muito simpáticos, eficientes e profissionais. Chegaram primeiro quatro, a mais nova deles com um cão pela trela, com "pantufas" nas patas para não riscar o barco, e passaram tudo (ou quase) a pente fino. Nós já tínhamos conseguido comer tudo o que era legumes e fruta fresca e ovos, os produtos lácteos eram australianos, portanto não houve problema, e tínhamos posto à vista tudo aquilo que tínhamos dúvidas se era aprovado ou não.
Mas essa parte era para os oficiais da quarentena avaliarem, constituídos por uma segunda equipa de dois, que vieram a bordo cerca de uma hora mais tarde. Correu muito bem, só levaram os alhos, e umas pevides e umas folhas para chá que o Rui tinha. Os frascos com a comida em vácuo, cozinhados em casa há quase um ano, e que tínhamos começado a comer pensando que poderiam ser confiscados, não tiveram qualquer problema. Foi muito bom, houve barcos que ficaram sem queijos, sem bacon e sem carne que ainda traziam...

Depois fomos aos escritórios da Marina, disseram-nos qual o pontão e o nosso lugar e voltámos ao barco para o levar para lá. Primeiro enchemos o depósito com gasóleo e depois ligámos o motor. Mas... O motor não pegou! Coisa inédita no nosso motor, nunca tinha acontecido. Voltámos aos escritórios, pedir um reboque que nos levasse para o lugar. Domingo, tudo um pouco mais demorado, ficámos à espera... Apareceu-nos a bordo uma pessoa que perguntou se podia ver o que se passaria com o motor. Sim, claro. E descobriu que era uma peça que, quando se desliga o motor muda para uma posição, reassumindo depois a posição inicial; mas tinha ficado presa na posição de desligado, e portanto o motor não ligava (desculpem, a peça tem um nome próprio, mas eu estou a escrever o blog num café e o Luís está no barco com o electricista, portanto...). Resumindo, ele soltou a peça, e o motor pegou direitinho, e lá fomos para o nosso lugar, no pontão onde estavam os outros barcos da frota.

Já soubemos que o malfadado gerador Fisher Panda não tem arranjo. Tanto tempo perdido em Tahiti, tanta esperança na eficiência dos técnicos australianos... Assunto arrumado!
Agora estão a ver as coisas que se avariaram por ter entrado água do mar pelos orifícios de ventilação da casa das máquinas, da ventoinha da loca das baterias, da ventoinha do duche da popa, etc, etc. Até a luz da casa das máquinas perdeu a tampa com uma onda que entrou lá. Vão rever também o motor.
Tem estado uma ventania na Marina, com 20-25 nós, imagino fora da barreira de coral... Vento frio, já andamos com camisolas e calças compridas. Este é o Inverno deles, mas parece que costuma ser mais ameno.


Temos aproveitado para conviver com as outras tripulações com problemas semelhantes a arranjar, porque algumas voaram até Sidney, e outras já seguiram para o "free cruising" para Darwin.