Chegada a Darwin
Depois de 10 dias de navegação sem paragens desde Cairns, chegámos esta madrugada, à 01:20, à Fannie Bay, a baía onde fundeámos a aguardar a manhã, próximo da entrada para a Cullen Bay Marina, local onde nos esperava um tratamento especial ao casco antes de termos autorização para entrar em qualquer marina.
Cansados, com algum stress na chegada e no lançar do ferro numa baía representada nas cartas como tendo fundos entre 1,3 e 0,1, mas satisfeitos por mais esta etapa de cerca de 1500 milhas estar concluída.
Acordámos pelas 06:00 horas, para prepararmos os cabos, defensas e efectuarmos os contactos para encostarmos ao pontão onde seria feito o tratamento. O Rally Control chamou-nos no canal 72 antes das 07:00, e já estavam no pontão quando chegámos.
Aproveitámos para encher o depósito de gasóleo, com um sistema muito prático de self-service pago com cartão de crédito.
O pontão é o mesmo em que atracam os ferries que fazem ligações locais, e situa-se mesmo à entrada da Marina, da qual está separado por uma eclusa. As marés variam entre os 2 m na baixa e os 6 m na praia mar, e as marinas têm este sistema de eclusas evitando assim desníveis grandes de água no seu interior.
Os barcos arrumaram-se no pontão, nós abraçados com o Garlix, e o Luna Quest sem par, e começou cedo a inspecção dos cascos. Os mergulhadores fizeram o diagnóstico - quando perguntámos se era um caso difícil, disseram-nos que não, que estava tudo bastante bem...
Mais tarde veio o técnico, o engenheiro, fazer o tratamento, com um produto desinfectante especial que colocou nas várias (nalgumas das) entradas de água salgada - para o motor, para as sanitas, e nalgumas das saídas - lava-loiças, lavatórios,...
Parece que o problema será um microorganismo, ou um molusco (?) que se reproduz muito facilmente e rapidamente e que poderá afectar o funcionamento das eclusas das marinas.
Tratamento feito, válvulas fechadas durante 10 horas. Só depois das 21:00 h poderemos voltar a usar as válvulas ou a ligar o motor.
Assim sendo, viemos para a Marina tomar um duche de muitos litros de água quente, e almoçar.
Agora sentámos-nos num banco no meio de um relvado, virado para a Fannie Bay, para o local onde fundeámos ontem, a escrever estas linhas.
Viva o descanso! E a terra firme também está a saber bem!...
MA+LA
segunda-feira, 31 de agosto de 2015
domingo, 23 de agosto de 2015
QUARTA-FEIRA 22 DE JULHO A DOMINGO 23 DE AGOSTO DE 2015
Como o tempo passa. Sobretudo quando há coisas importantes.
E foi o que aconteceu. Neste mês houve algumas coisas a exigir mais do nosso tempo:
1 - A travessia de Port Vila para Mackay;
2 - Termos chegado à Austrália;
3 - WARC até ao fim ou não?
4 - O gerador (maldito);
5 - Sydney;
6 - A tripulação doente;
7 - A avaria de última hora.
É destas questões que vamos agora falar.
1 - A travessia de Port Vila para Mackay
Decorreu bem de início, com condições realmente favoráveis.
Mas depois, no terceiro dia, a meteorologia deixou de nos ajudar e a seguir zangou-se connosco. Não nos devemos zangar com ela porque tem argumentos violentos que às vezes utiliza de forma inesperada - muito vento, muita água, depois mais vento e mais água, por toda a parte e, finalmente, para nos convencer envia aquelas ondas a rebentar que sabemos que vêm antes das outras que poem o barco a surfar e depois é uma maçada. Isto correu tudo de uma forma aligeirada, portanto não houve crise. Mas chateia, mesmo, até porque a “combinação” inicial (a feita antes do início da World ARC) era de bom tempo quase sempre… Não era esse o contrato, RS?
Incomodou, portanto.
Mas é espantoso como tudo passa quando se pisa terra firme. É mesmo assim.
De repente quem é que falou em mau tempo? Qual mau tempo? Olha, os do Wayward Wind, vamos lá!
2 - Termos chegado à Austrália
É que termos chegado à Austrália já é, de facto, qualquer coisa. E nós estamos lá.
É uma sensação especial onde tudo se mistura - dificuldades, facilidades, momentos agradáveis e outros desagradáveis, ganhos e perdas, bom e mau tempo, geradores e outras avarias, etc etc.
As celebrações acabam também por nos ocupar mais tempo. Ainda bem!
O blogue é que pode ficar prejudicado …
3 - WARC até ao fim ou não?
Um regresso a casa sem a WARC surgiu então como alternativa ao plano desde sempre definido.
Surgiu quando a tripulação de outro barco optou por regressar a casa via Mediterrâneo, poupando mais de 10.000 Milhas e realizando ainda um cruzeiro na Indonésia durante mais de um mês com o apoio de uma outra organização.
Muito tentador. Mas completamente fora do plano inicial.
Muito mais “soft” mas também sem tudo o que o regresso com a WARC nos vai trazer.
A dúvida não demorou mais do que alguns dias.
Ficámos contentes com a decisão final, com continuarmos com a World ARC, o nosso antigo sonho.
Quando fomos a Sydney, já tudo estava decidido. A partir de então tudo se simplificou.
4 - O gerador (maldito)
O técnico, passados uns minutos de ter chegado disse que tinha que levar o gerador para a oficina (a caixa de um camião) para poder saber o que se passava e umas horas depois chamou-me para me mostrar o interior do gerador - todo cheio de sal, de corrosão, com os fios e peças eléctricas todos destruídos (???). Ele não tinha explicação para a causa do que se tinha passado, mas que o arranjo passava pelo refazer da referida parte eléctrica era claro. O interior, de facto, estava todo destruído. Mas porquê?
E a situação, em termos práticos, era a seguinte:
1 - não se arranjava e tínhamos que fazer o resto da viagem sem gerador como até então - a carregar as baterias com o motor principal (5L/h), sem congelador, com o dessalinizador a fazer 220 V a partir do inversor, a carregar as baterias durante mais 2 horas por cada 110 litros de água produzida .
2 - arranjava-se. Era começar a encomendar peças e esperar que chegassem… Nunca menos de 10-15 dias só para encontrar e encomendar as peças. Podia pôr em causa as datas da WARC.
Não se podia dizer que as hipóteses fossem brilhantes.
3 - surgiu então outra possibilidade - numa loja Fisher Panda, a cerca de 1000 Km de Mackay, havia um gerador igual ao nosso. Era só montar porque era o mesmo modelo. E faziam um desconto de quase 20%.
Achei que não.
A hipótese de regresso pelo Mediterrâneo estava cada vez mais distante, e portanto a necessidade de adquirir o gerador era cada vez mais clara e maior.
No dia seguinte fui encomendá-lo.
5 - Sydney
Encomendado o gerador, que só chegaria segunda ou terça feira, decidimos aproveitar o fim de semana para ir conhecer Sydney. Tínhamos pensado sempre que vir à Austrália e não ir a Sydney era uma pena! Mas faltava arranjar a altura mas adequada…
Voámos de manhã muito cedo no Sábado (06:00), e regressámos na segunda-feira. Foram só praticamente 48 h, mas valeu bem a pena! Ficámos instalados num hotel muito central, no meio da zona comercial da cidade e a 10 min a pé do porto. A primeira coisa que fizemos foi almoçar numa pequena esplanada no… Hyde Park! Cheio de turistas (toda a cidade está cheia de turistas), muito bem arranjado, e tivemos a sorte de ter um tempo excelente!
Depois subimos à Sydney Tower, o que permitiu ter uma vista de 360º e ficar com uma visão de conjunto da cidade. Passeámos pelas ruas das lojas, óptimas lojas, e jantámos por ali.
No Domingo, começámos por um tour de ferry pelo porto de Sydney (o maior porto natural do mundo), extensíssimo, e muito bonito, com uma guia que ia explicando a quem pertenciam algumas das belas mansões que circundavam o porto, e nos ensinava alguma da história da cidade.
Depois seguiu-se um tour num “red-bus”, sem tempo para “hop-on, hop-off”, mas suficiente para ficarmos com uma ideia dos vários bairros da cidade, principais monumentos e pontos de interesse.
E finalmente, fomos visitar a famosa “Opera House”, uma maravilha arquitectónica, e o monumento emblemático de Sydney! Acabámos a beber um copo na longa esplanada junto à “Opera House”, ao pôr do sol, um ponto de encontro muito movimentado aquela hora.
Sydney é uma cidade muito bonita, alegre, acolhedora e cheia de vida! Valeu francamente a visita, apesar de tão curta!
6 - A tripulação doente.
Pois foi. Um de cada vez, mas chegou a todos.
Primeiro o Rui, depois eu e finalmente a Manela.
O Rui ficou no barco, sem sair, durante os dois dias em eu e a Manela fomos a Sydney.
Eu fiquei um dia de cama e a Manela outro. A viagem foi, portanto, atrasada dois dias. Agora já estamos praticamente bem mas não ainda a 100%.
Foi muito incómodo estarmos doentes e de cama, a bordo.
Mas pronto, estamos já quase bons e operacionais.
7 - A avaria de última hora.
Ainda quase não tínhamos largado para Cairns (estávamos a 2 milhas da Marina) quando na revisão final verifiquei que o guincho não estava a funcionar.
Foi uma sorte num sábado encontrarmos um electricista que nos deu uma mão e nos pôs o guincho em condições.
Depois deste contratempo lá largámos então para um longo período de free cruising - cerca de 1500 milhas, a maior parte do tempo que vamos passar na Austrália, desde que chegámos até partirmos para a Indonésia …
LA+MA
E foi o que aconteceu. Neste mês houve algumas coisas a exigir mais do nosso tempo:
1 - A travessia de Port Vila para Mackay;
2 - Termos chegado à Austrália;
3 - WARC até ao fim ou não?
4 - O gerador (maldito);
5 - Sydney;
6 - A tripulação doente;
7 - A avaria de última hora.
É destas questões que vamos agora falar.
1 - A travessia de Port Vila para Mackay
Decorreu bem de início, com condições realmente favoráveis.
Mas depois, no terceiro dia, a meteorologia deixou de nos ajudar e a seguir zangou-se connosco. Não nos devemos zangar com ela porque tem argumentos violentos que às vezes utiliza de forma inesperada - muito vento, muita água, depois mais vento e mais água, por toda a parte e, finalmente, para nos convencer envia aquelas ondas a rebentar que sabemos que vêm antes das outras que poem o barco a surfar e depois é uma maçada. Isto correu tudo de uma forma aligeirada, portanto não houve crise. Mas chateia, mesmo, até porque a “combinação” inicial (a feita antes do início da World ARC) era de bom tempo quase sempre… Não era esse o contrato, RS?
Incomodou, portanto.
Mas é espantoso como tudo passa quando se pisa terra firme. É mesmo assim.
De repente quem é que falou em mau tempo? Qual mau tempo? Olha, os do Wayward Wind, vamos lá!
2 - Termos chegado à Austrália
É que termos chegado à Austrália já é, de facto, qualquer coisa. E nós estamos lá.
É uma sensação especial onde tudo se mistura - dificuldades, facilidades, momentos agradáveis e outros desagradáveis, ganhos e perdas, bom e mau tempo, geradores e outras avarias, etc etc.
As celebrações acabam também por nos ocupar mais tempo. Ainda bem!
O blogue é que pode ficar prejudicado …
3 - WARC até ao fim ou não?
Um regresso a casa sem a WARC surgiu então como alternativa ao plano desde sempre definido.
Surgiu quando a tripulação de outro barco optou por regressar a casa via Mediterrâneo, poupando mais de 10.000 Milhas e realizando ainda um cruzeiro na Indonésia durante mais de um mês com o apoio de uma outra organização.
Muito tentador. Mas completamente fora do plano inicial.
Muito mais “soft” mas também sem tudo o que o regresso com a WARC nos vai trazer.
A dúvida não demorou mais do que alguns dias.
Ficámos contentes com a decisão final, com continuarmos com a World ARC, o nosso antigo sonho.
Quando fomos a Sydney, já tudo estava decidido. A partir de então tudo se simplificou.
4 - O gerador (maldito)
O técnico, passados uns minutos de ter chegado disse que tinha que levar o gerador para a oficina (a caixa de um camião) para poder saber o que se passava e umas horas depois chamou-me para me mostrar o interior do gerador - todo cheio de sal, de corrosão, com os fios e peças eléctricas todos destruídos (???). Ele não tinha explicação para a causa do que se tinha passado, mas que o arranjo passava pelo refazer da referida parte eléctrica era claro. O interior, de facto, estava todo destruído. Mas porquê?
E a situação, em termos práticos, era a seguinte:
1 - não se arranjava e tínhamos que fazer o resto da viagem sem gerador como até então - a carregar as baterias com o motor principal (5L/h), sem congelador, com o dessalinizador a fazer 220 V a partir do inversor, a carregar as baterias durante mais 2 horas por cada 110 litros de água produzida .
2 - arranjava-se. Era começar a encomendar peças e esperar que chegassem… Nunca menos de 10-15 dias só para encontrar e encomendar as peças. Podia pôr em causa as datas da WARC.
Não se podia dizer que as hipóteses fossem brilhantes.
3 - surgiu então outra possibilidade - numa loja Fisher Panda, a cerca de 1000 Km de Mackay, havia um gerador igual ao nosso. Era só montar porque era o mesmo modelo. E faziam um desconto de quase 20%.
Achei que não.
A hipótese de regresso pelo Mediterrâneo estava cada vez mais distante, e portanto a necessidade de adquirir o gerador era cada vez mais clara e maior.
No dia seguinte fui encomendá-lo.
5 - Sydney
Encomendado o gerador, que só chegaria segunda ou terça feira, decidimos aproveitar o fim de semana para ir conhecer Sydney. Tínhamos pensado sempre que vir à Austrália e não ir a Sydney era uma pena! Mas faltava arranjar a altura mas adequada…
Voámos de manhã muito cedo no Sábado (06:00), e regressámos na segunda-feira. Foram só praticamente 48 h, mas valeu bem a pena! Ficámos instalados num hotel muito central, no meio da zona comercial da cidade e a 10 min a pé do porto. A primeira coisa que fizemos foi almoçar numa pequena esplanada no… Hyde Park! Cheio de turistas (toda a cidade está cheia de turistas), muito bem arranjado, e tivemos a sorte de ter um tempo excelente!
Depois subimos à Sydney Tower, o que permitiu ter uma vista de 360º e ficar com uma visão de conjunto da cidade. Passeámos pelas ruas das lojas, óptimas lojas, e jantámos por ali.
No Domingo, começámos por um tour de ferry pelo porto de Sydney (o maior porto natural do mundo), extensíssimo, e muito bonito, com uma guia que ia explicando a quem pertenciam algumas das belas mansões que circundavam o porto, e nos ensinava alguma da história da cidade.
Depois seguiu-se um tour num “red-bus”, sem tempo para “hop-on, hop-off”, mas suficiente para ficarmos com uma ideia dos vários bairros da cidade, principais monumentos e pontos de interesse.
E finalmente, fomos visitar a famosa “Opera House”, uma maravilha arquitectónica, e o monumento emblemático de Sydney! Acabámos a beber um copo na longa esplanada junto à “Opera House”, ao pôr do sol, um ponto de encontro muito movimentado aquela hora.
Sydney é uma cidade muito bonita, alegre, acolhedora e cheia de vida! Valeu francamente a visita, apesar de tão curta!
6 - A tripulação doente.
Pois foi. Um de cada vez, mas chegou a todos.
Primeiro o Rui, depois eu e finalmente a Manela.
O Rui ficou no barco, sem sair, durante os dois dias em eu e a Manela fomos a Sydney.
Eu fiquei um dia de cama e a Manela outro. A viagem foi, portanto, atrasada dois dias. Agora já estamos praticamente bem mas não ainda a 100%.
Foi muito incómodo estarmos doentes e de cama, a bordo.
Mas pronto, estamos já quase bons e operacionais.
7 - A avaria de última hora.
Ainda quase não tínhamos largado para Cairns (estávamos a 2 milhas da Marina) quando na revisão final verifiquei que o guincho não estava a funcionar.
Foi uma sorte num sábado encontrarmos um electricista que nos deu uma mão e nos pôs o guincho em condições.
Depois deste contratempo lá largámos então para um longo período de free cruising - cerca de 1500 milhas, a maior parte do tempo que vamos passar na Austrália, desde que chegámos até partirmos para a Indonésia …
LA+MA
quinta-feira, 30 de julho de 2015
QUINTA-FEIRA, 30 DE JULHO DE 2015
Depois daquele desabafo no meio da ventania e do mar mais agitado, andámos assim três dias e depois tudo foi serenando.
Chegámos à passagem da Grande Barreira de Coral, entrada para a "Hydrographer's Passage", à noite do dia 24 de Julho, para depararmos com uma passagem muito larga, pela qual circulam grandes cargueiros, com marcação excelente feita por faróis bem visíveis, muito bem explicados na carta, um descanso. O mar, dentro da barreira de corais ficou ainda mais tranquilo, e assim foram feitas, a motor, as cerca de 100 milhas que ainda nos separavam do porto de McKay, pois é esse o comprimento da passagem. O motor resolveu começar a aquecer indevidamente a partir de certa altura, o que nunca tinha sucedido antes, mas, felizmente, bastou diminuirmos a velocidade (e as rotações, portanto) para ele aguentar até à Marina, onde chegámos às 02:00 da manhã, com os Yellow Shirts ainda acordados a orientarem-nos por VHF - muito obrigado! Atracámos no pontão do gasóleo. As regras são não sair do barco antes de virem as autoridades, pelo que o pontão para o exterior estava fechado, e mesmo que não estivesse não iríamos a lado nenhum, pois eles levam isto muito a sério... E precisávamos de dormir alguma coisa pois a previsão era que as autoridades viriam a bordo às 06:30 da manhã!
Afinal vieram pelas 07:00, e foram muito simpáticos, eficientes e profissionais. Chegaram primeiro quatro, a mais nova deles com um cão pela trela, com "pantufas" nas patas para não riscar o barco, e passaram tudo (ou quase) a pente fino. Nós já tínhamos conseguido comer tudo o que era legumes e fruta fresca e ovos, os produtos lácteos eram australianos, portanto não houve problema, e tínhamos posto à vista tudo aquilo que tínhamos dúvidas se era aprovado ou não.
Mas essa parte era para os oficiais da quarentena avaliarem, constituídos por uma segunda equipa de dois, que vieram a bordo cerca de uma hora mais tarde. Correu muito bem, só levaram os alhos, e umas pevides e umas folhas para chá que o Rui tinha. Os frascos com a comida em vácuo, cozinhados em casa há quase um ano, e que tínhamos começado a comer pensando que poderiam ser confiscados, não tiveram qualquer problema. Foi muito bom, houve barcos que ficaram sem queijos, sem bacon e sem carne que ainda traziam...
Depois fomos aos escritórios da Marina, disseram-nos qual o pontão e o nosso lugar e voltámos ao barco para o levar para lá. Primeiro enchemos o depósito com gasóleo e depois ligámos o motor. Mas... O motor não pegou! Coisa inédita no nosso motor, nunca tinha acontecido. Voltámos aos escritórios, pedir um reboque que nos levasse para o lugar. Domingo, tudo um pouco mais demorado, ficámos à espera... Apareceu-nos a bordo uma pessoa que perguntou se podia ver o que se passaria com o motor. Sim, claro. E descobriu que era uma peça que, quando se desliga o motor muda para uma posição, reassumindo depois a posição inicial; mas tinha ficado presa na posição de desligado, e portanto o motor não ligava (desculpem, a peça tem um nome próprio, mas eu estou a escrever o blog num café e o Luís está no barco com o electricista, portanto...). Resumindo, ele soltou a peça, e o motor pegou direitinho, e lá fomos para o nosso lugar, no pontão onde estavam os outros barcos da frota.
Já soubemos que o malfadado gerador Fisher Panda não tem arranjo. Tanto tempo perdido em Tahiti, tanta esperança na eficiência dos técnicos australianos... Assunto arrumado!
Agora estão a ver as coisas que se avariaram por ter entrado água do mar pelos orifícios de ventilação da casa das máquinas, da ventoinha da loca das baterias, da ventoinha do duche da popa, etc, etc. Até a luz da casa das máquinas perdeu a tampa com uma onda que entrou lá. Vão rever também o motor.
Tem estado uma ventania na Marina, com 20-25 nós, imagino fora da barreira de coral... Vento frio, já andamos com camisolas e calças compridas. Este é o Inverno deles, mas parece que costuma ser mais ameno.
Temos aproveitado para conviver com as outras tripulações com problemas semelhantes a arranjar, porque algumas voaram até Sidney, e outras já seguiram para o "free cruising" para Darwin.
TERÇA- FEIRA, 21 DE JULHO DE 2015
“J’en ai assez!”, disse o Luís.
“Nous en avons assez!”
São as frases do dia para esta perna Port Vila (Vanuatu) - Mackay (Austrália).
Estamos fartos. Fartos de céu cinzento de dia e escuro como breu à noite. Fartos de mar alterado com ondas a baterem no casco, a molharem o poço, a virem mergulhar a borda do barco na água (e se este barco tem uma borda alta!…) e ainda uma delas, das maiores, a rebentar na nossa popa com um barulho como o da rebentação numa praia!… Fartos de sermos balançados, chocalhados, projectados de um lado para o outro. Fartos de comermos agarrados aos pratos se não queremos que se entornem. Fartos de ventos de 25 a 30 nós, seguidos de 30 a 35 nós, e, como se não bastasse, de 35 a 40 nós, com rajadas até 44!… Fartos de andarmos molhados se não pela chuva, pela água do mar. Fartos de tentarmos dormir e escorregarmos ou sermos projectados de um lado ao outro da cama… Fartos de cozinharmos e lavarmos a loiça aos trambolhões e aos sacões…Todo o barco escorregadio, e todo fechado, porque o vento e a chuva entram pela popa, e temos que ter as tábuas da porta colocadas, e nem pensar em abrir albóis, porque a água do mar entra por qualquer lado…
Há vários dias que não vemos o sol. E estrelas já nem sabemos onde estão… ontem vimos uma risco de lua no céu, mas as nuvens taparam-na novamente e rapidamente.
Enfim, já se compreende porque não demos ainda noticias nesta perna. Porque… “Nous en avos assez!…”
Quando isto melhorar, ou quando chegarmos, procuraremos ser mais “informativos”.
É que há dias assim, mas tantos seguidos custa mais a suportar…
MA
SEGUNDA-FEIRA, 6 DE JULHO DE 2015
Já passava do meio dia quando, finalmente, arrancámos para Tanna.
Tínhamos-nos levantado ainda não eram sete horas para sermos os primeiros a fazer o checkout out.
Os funcionários da Alfândega deveriam chegar pelas 10:00 horas, assim não haveria perdas de tempo. Mas só pelas onze chegaram. "Fiji time" ...
Quando saímos do canal de acesso à Marina quase não havia vento e o mar estava chão. Depois, lenta mas progressivamente, o vento foi aumentando e o mar também.
Ja perto da Navula Passage o vento não baixava dos 20 nós mas o mar continuava com uma ondulação pequena devido à presença dos bancos de coral.
A passagem final do passe foi feita sem problemas. Não deixou contudo de ser feita com especial cuidado dadas as condições e os antecedentes recentes.
Depois apontámos a Tanna.
As condições continuaram-se a deteriorar durante umas 4 a 6 horas. Por essa altura o vento já não baixava dos 20 nós e o mar, sem a protecção dos corais, estava bastante diferente, com uma ondulação de través.
Depois das 18:00, durante o período de comunicação da tarde entre os barcos, exactamente quando estava a dizer que a bordo estava tudo bem, caiu no poço a primeira onda que tinha acabado de varrer o conves. Quando cheguei ao poço onde estava a Manuela, ainda parte da agua não tinha sido drenada.
Foi uma experiência nova, menos agradável. A entrada de água no poço é mais difícil de controlar e é sentida como uma intromissão, à força, numa zona que sentíamos como protegida.
Por mais três vezes tivemos a entrada de água no poço e, mais tarde, uma quarta.
A partir dessa altura houve uma melhoria significativa do vento e do mar que se mantiveram durante toda a noite.
LA
Tínhamos-nos levantado ainda não eram sete horas para sermos os primeiros a fazer o checkout out.
Os funcionários da Alfândega deveriam chegar pelas 10:00 horas, assim não haveria perdas de tempo. Mas só pelas onze chegaram. "Fiji time" ...
Quando saímos do canal de acesso à Marina quase não havia vento e o mar estava chão. Depois, lenta mas progressivamente, o vento foi aumentando e o mar também.
Ja perto da Navula Passage o vento não baixava dos 20 nós mas o mar continuava com uma ondulação pequena devido à presença dos bancos de coral.
A passagem final do passe foi feita sem problemas. Não deixou contudo de ser feita com especial cuidado dadas as condições e os antecedentes recentes.
Depois apontámos a Tanna.
As condições continuaram-se a deteriorar durante umas 4 a 6 horas. Por essa altura o vento já não baixava dos 20 nós e o mar, sem a protecção dos corais, estava bastante diferente, com uma ondulação de través.
Depois das 18:00, durante o período de comunicação da tarde entre os barcos, exactamente quando estava a dizer que a bordo estava tudo bem, caiu no poço a primeira onda que tinha acabado de varrer o conves. Quando cheguei ao poço onde estava a Manuela, ainda parte da agua não tinha sido drenada.
Foi uma experiência nova, menos agradável. A entrada de água no poço é mais difícil de controlar e é sentida como uma intromissão, à força, numa zona que sentíamos como protegida.
Por mais três vezes tivemos a entrada de água no poço e, mais tarde, uma quarta.
A partir dessa altura houve uma melhoria significativa do vento e do mar que se mantiveram durante toda a noite.
LA
domingo, 5 de julho de 2015
DOMINGO, 5 DE JULHO DE 2015
Depois de muitas promessas frustradas de nos colocarem o leme no dia seguinte, foi colocado na quinta-feira, 2 de Junho, e o barco foi para a água na sexta.
Como queríamos experimentar o barco para confirmar se tudo estava bem antes de largarmos para Vanuatu, não largámos no Sábado como a restante frota.
Seguiremos amanhã depois das formalidades da alfândega e emigração para percorrermos as quase 500 milhas para Tanna em Vanuatu.
Como queríamos experimentar o barco para confirmar se tudo estava bem antes de largarmos para Vanuatu, não largámos no Sábado como a restante frota.
Seguiremos amanhã depois das formalidades da alfândega e emigração para percorrermos as quase 500 milhas para Tanna em Vanuatu.
TERÇA-FEIRA, 23 DE JUNHO E QUARTA-FEIRA, 24 DE JUNHO DE 2015
Na terça-feira arrancámos para o último trajecto até Vuda, onde tínhamos marcado a Marina e onde o barco sairia da água para limpar o casco e pôr anti-fouling.
Começámos a andar novamente bem cedo, tínhamos cerca de 60 milhas para fazer, mas sempre em ziguezague. O vento estava predominantemente pela proa, não podíamos abrir a vela para ajudar. O percurso, tal como na véspera, era muito bonito.
Ao longo do dia as nuvens foram aumentando, assim como a intensidade do vento, e quando passámos Lautoka, uma cidade portuária e industrial, ao final do dia, o mar estava já desagradável, e bastante desencontrado, e o vento de proa, 25+ nós.
A Marina de Vuda fica numa zona de recifes, e foi escavado no meio deles uma espécie de corredor de acesso à Marina. Enquanto preparávamos o barco para entra e amarrar, tocámos numa rocha. O embate atingiu sobretudo o eixo do leme que ficou empenado. Fundeámos nessa noite e no dia seguinte fomos rebocados para dentro da Marina.
No dia seguinte, veio rebocar-nos um pequeno barco de fibra, com um motor fora de borda de 15 cavalos, e só um funcionário da Marina a bordo. Ficámos apreensivos, porque o "corredor" de acesso à Marina é estreito e comprido e tem pouco mais de 2 metros de profundidade, e nós com o leme bloqueado, a maré baixa, e algum vento.
Começou o reboque, fomos ajudando com o nosso motor e o leme do piloto de vento. Pouco depois de se iniciar o reboque, numa curva, começou a entrar bastante água para o barco do reboque, e o funcionário, o Mak, teve que largar o cabo e esvaziar o barco. Depois recomeçou, com menos pressa, e lá entrámos na Marina, a ver as pedras das margens do corredor mesmo ali ao lado. Mas o Mak levou-nos a bom porto!
O barco foi tirado da água ao final da manhã. O leme foi retirado no dia seguinte para ser endireitado.
E aqui estamos na Marina de Vuda Point, hoje, dia 29 de Junho, à espera que tudo se arranje e fique pronto para seguirmos viagem.
Aproveitámos para descansar 2 dias num hotel aqui ao lado da Marina. O Rui preferiu ficar a bordo. Nós os dois desde Setembro, e com mais de 12.000 milhas percorridas, só uma noite dormimos fora do barco. Já merecíamos bem o conforto de um hotel!...
Começámos a andar novamente bem cedo, tínhamos cerca de 60 milhas para fazer, mas sempre em ziguezague. O vento estava predominantemente pela proa, não podíamos abrir a vela para ajudar. O percurso, tal como na véspera, era muito bonito.
Ao longo do dia as nuvens foram aumentando, assim como a intensidade do vento, e quando passámos Lautoka, uma cidade portuária e industrial, ao final do dia, o mar estava já desagradável, e bastante desencontrado, e o vento de proa, 25+ nós.
A Marina de Vuda fica numa zona de recifes, e foi escavado no meio deles uma espécie de corredor de acesso à Marina. Enquanto preparávamos o barco para entra e amarrar, tocámos numa rocha. O embate atingiu sobretudo o eixo do leme que ficou empenado. Fundeámos nessa noite e no dia seguinte fomos rebocados para dentro da Marina.
No dia seguinte, veio rebocar-nos um pequeno barco de fibra, com um motor fora de borda de 15 cavalos, e só um funcionário da Marina a bordo. Ficámos apreensivos, porque o "corredor" de acesso à Marina é estreito e comprido e tem pouco mais de 2 metros de profundidade, e nós com o leme bloqueado, a maré baixa, e algum vento.
Começou o reboque, fomos ajudando com o nosso motor e o leme do piloto de vento. Pouco depois de se iniciar o reboque, numa curva, começou a entrar bastante água para o barco do reboque, e o funcionário, o Mak, teve que largar o cabo e esvaziar o barco. Depois recomeçou, com menos pressa, e lá entrámos na Marina, a ver as pedras das margens do corredor mesmo ali ao lado. Mas o Mak levou-nos a bom porto!
O barco foi tirado da água ao final da manhã. O leme foi retirado no dia seguinte para ser endireitado.
E aqui estamos na Marina de Vuda Point, hoje, dia 29 de Junho, à espera que tudo se arranje e fique pronto para seguirmos viagem.
Aproveitámos para descansar 2 dias num hotel aqui ao lado da Marina. O Rui preferiu ficar a bordo. Nós os dois desde Setembro, e com mais de 12.000 milhas percorridas, só uma noite dormimos fora do barco. Já merecíamos bem o conforto de um hotel!...
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