Chegámos à passagem da Grande Barreira de Coral, entrada para a "Hydrographer's Passage", à noite do dia 24 de Julho, para depararmos com uma passagem muito larga, pela qual circulam grandes cargueiros, com marcação excelente feita por faróis bem visíveis, muito bem explicados na carta, um descanso. O mar, dentro da barreira de corais ficou ainda mais tranquilo, e assim foram feitas, a motor, as cerca de 100 milhas que ainda nos separavam do porto de McKay, pois é esse o comprimento da passagem. O motor resolveu começar a aquecer indevidamente a partir de certa altura, o que nunca tinha sucedido antes, mas, felizmente, bastou diminuirmos a velocidade (e as rotações, portanto) para ele aguentar até à Marina, onde chegámos às 02:00 da manhã, com os Yellow Shirts ainda acordados a orientarem-nos por VHF - muito obrigado! Atracámos no pontão do gasóleo. As regras são não sair do barco antes de virem as autoridades, pelo que o pontão para o exterior estava fechado, e mesmo que não estivesse não iríamos a lado nenhum, pois eles levam isto muito a sério... E precisávamos de dormir alguma coisa pois a previsão era que as autoridades viriam a bordo às 06:30 da manhã!
Afinal vieram pelas 07:00, e foram muito simpáticos, eficientes e profissionais. Chegaram primeiro quatro, a mais nova deles com um cão pela trela, com "pantufas" nas patas para não riscar o barco, e passaram tudo (ou quase) a pente fino. Nós já tínhamos conseguido comer tudo o que era legumes e fruta fresca e ovos, os produtos lácteos eram australianos, portanto não houve problema, e tínhamos posto à vista tudo aquilo que tínhamos dúvidas se era aprovado ou não.
Mas essa parte era para os oficiais da quarentena avaliarem, constituídos por uma segunda equipa de dois, que vieram a bordo cerca de uma hora mais tarde. Correu muito bem, só levaram os alhos, e umas pevides e umas folhas para chá que o Rui tinha. Os frascos com a comida em vácuo, cozinhados em casa há quase um ano, e que tínhamos começado a comer pensando que poderiam ser confiscados, não tiveram qualquer problema. Foi muito bom, houve barcos que ficaram sem queijos, sem bacon e sem carne que ainda traziam...
Depois fomos aos escritórios da Marina, disseram-nos qual o pontão e o nosso lugar e voltámos ao barco para o levar para lá. Primeiro enchemos o depósito com gasóleo e depois ligámos o motor. Mas... O motor não pegou! Coisa inédita no nosso motor, nunca tinha acontecido. Voltámos aos escritórios, pedir um reboque que nos levasse para o lugar. Domingo, tudo um pouco mais demorado, ficámos à espera... Apareceu-nos a bordo uma pessoa que perguntou se podia ver o que se passaria com o motor. Sim, claro. E descobriu que era uma peça que, quando se desliga o motor muda para uma posição, reassumindo depois a posição inicial; mas tinha ficado presa na posição de desligado, e portanto o motor não ligava (desculpem, a peça tem um nome próprio, mas eu estou a escrever o blog num café e o Luís está no barco com o electricista, portanto...). Resumindo, ele soltou a peça, e o motor pegou direitinho, e lá fomos para o nosso lugar, no pontão onde estavam os outros barcos da frota.
Já soubemos que o malfadado gerador Fisher Panda não tem arranjo. Tanto tempo perdido em Tahiti, tanta esperança na eficiência dos técnicos australianos... Assunto arrumado!
Agora estão a ver as coisas que se avariaram por ter entrado água do mar pelos orifícios de ventilação da casa das máquinas, da ventoinha da loca das baterias, da ventoinha do duche da popa, etc, etc. Até a luz da casa das máquinas perdeu a tampa com uma onda que entrou lá. Vão rever também o motor.
Tem estado uma ventania na Marina, com 20-25 nós, imagino fora da barreira de coral... Vento frio, já andamos com camisolas e calças compridas. Este é o Inverno deles, mas parece que costuma ser mais ameno.
Temos aproveitado para conviver com as outras tripulações com problemas semelhantes a arranjar, porque algumas voaram até Sidney, e outras já seguiram para o "free cruising" para Darwin.