Allegro (no Mediterrâneo)

Allegro (no Mediterrâneo)
Allegro nas Baleares

quinta-feira, 30 de abril de 2015

QUARTA-FEIRA, 30 DE ABRIL DE 2015

TAHITI

Chegámos há mais de uma semana e continuamos "estacionados" na Marina Taina, a cerca de 10 km da capital da Ilha, Papeete.
A Ilha de Tahiti ė como que uma mistura das ilhas altas das Marquesas, com os atóis das Tuamotus. É uma ilha alta, montanhosa, muito verde, e está rodeada de recifes que envolvem uma lagoa, tal como os atóis.
Há dois acessos possíveis para a Marina de Taina: um, entrando através do passe de Papeete, frente à cidade de Papeete, e seguindo depois um longo canal (Canal de Faa), balizado, e que passa no enfiamento do Aeroporto de Tahiti, sendo necessário pedir permissão para passar, por VHF;  outro, mais a Sul, pelo Passe Taapuna, balizado, acessível, mas impressionante porque, logo a seguir à zona balizada, está o recife com a rebentação de ondas suficientemente grandes para estar cheio de surfistas!... Assim, nós vamos a passar num local com água relativamente calma e profunda, e ali ao lado estão os surfistas e as ondas a rebentarem!









Entrámos por este último acesso, seguimos o canal balizado (na realidade, é o extremo Sul do Canal Faa, que é bastante longo, percorrido no sentido inverso).
A Marina é agradável, tem dois restaurantes simpáticos, lavandaria self-service, sanitários e duches bons, tem abastecimento de gasóleo, e está a 15 min a pé de um centro comercial com um Carrefour bem abastecido, e com várias lojas úteis.




Começaram logo a tratar do nosso gerador ou, pelo menos, a tentar, visto que não conseguiram dar com o problema... Tudo o que pensavam que podia ser a causa, despitavam com medições electricas que, todas elas, davam resultados correctos... Conclusão: cada componente parece estar bem, mas o conjunto não produz 220 V. E tudo isto com troca de mails com a Fisher Panda France!
Decidimos, então, arrancar sem gerador e tentarmos arranjá-lo na Austrália. Um dos barcos da frota tinha um gerador portátil que aluga, e levamos esse connosco até à Austrália.

 Entretanto fomos fazer um "tour" pelo Vale de Papenoo, para vermos as cascatas e a cratera do antigo vulcão transformada em lago. Tivemos azar porque choveu quase todo o tempo. Assim, vimos muitas cascatas, de facto, muita água a escorrer pela montanha, mas a cratera não estava visível devido às nuvens. Almoçámos no Restaurante Maroto, pertencente a uma pequena umidade hoteleira com 6 quartos, e onde comemos comida tipicamente tahitiana: carpaccio de atum com salada, e frango com espinafres e leite de coco.



 Fomos também ao "rendezvous" na nova Marina de Papeete, durante o qual assistimos à inauguração da Marina. Estavam quase todas as tripulações presentes, e foi bom para conviver. Nesse dia fomos jantar às "Roulottes", um programa típico daqui, onde, ao ar livre, estão dispostas mesas compridas, e em várias rulotes se cozinha um pouco de tudo, mas predominantemente fritos. Foi simpático pelo convívio com os outros barcos, novamente.


 Em Papeete, visitámos o mercado, com dois pisos: em baixo, a venda de fruta, legumes, artigos regionais e de artesanato; em cima, várias pequenas lojas onde se vendem as famosas pérolas negras (e não só) da Polinésia Francesa. Várias bancas com arranjos de flores, incluindo as coroas que elas utilizam bastantes vezes, contribuem também para o colorido daquele mercado.





A flor no cabelo, é muito comum em todas as idades, e é utlizada no quotidiano, dando uma graça muito particular às tahitianas!
 Papeete não é bonita, tem muitas semelhanças com bairros chineses de outras cidades, e, de facto, 15% da população de Tahiti é chinesa, e muito mais é descendente de casamentos entre chineses e tahitianos. Mas tem uns jardins agradáveis à borda de água, e alguns edifícios bonitos.



No dia 28 celebrámos o Aniversário do Skipper, aqui na Marina, com uma fatia de bolo (de chocolate, claro!) e uma bebida, às 11 h da manhã, visto que vários barcos da frota partiam daqui pouco depois. Estiveram presentes o Aretha, Exocet Strike, Hugur e Juno. O Luís ficou muito contente com a "surpresa"!
























E hoje estamos de partida para Moorea, a ilha que fica aqui muito próximo, e atrás da qual todos os dias temos visto o sol a pôr-se!...



MA+LA

quarta-feira, 15 de abril de 2015

TERÇA-FEIRA, 14 E QUARTA-FEIRA, 15 DE ABRIL DE 2015

Depois de mais de 24 h sem vento (já é sina nossa...) e a motor, chegámos ao atol de Fakarava, no Arquipélago das Tuamotus.
O passe do Atol é surpreendentemente largo, a maré estava no estofo antes da enchente, e não havia vento - situação ideal para entrar na lagoa do atol tranquilamente.
Percorremos o canal balizado até à aldeia de Rotoava. Aí encontrámos fundeados vários barcos da frota. O Makena, e apareceu logo o Luc no dinghy para nos indicar onde fundear; o Aretha, o Exocet Strike, o Garlix, e o Pentagrama que chegou mesmo à nossa frente.
Fundeámos com arinque em 12m, fundo de areia e com cabeças de coral. A água varia entre o azul (mais fundo), o verde escuro, o verde claro (mais turquesa)... A costa é plana, com mais vegetação do que supúnhamos, pela descrição do guia. E a lagoa é imensa.
Acabados de fundear e já tínhamos a Stephanie, o contacto local da World ARC, a perguntar de que é que precisávamos e a dar informações sobre Rotoava. Levou logo a roupa para lavar.
Enchemos o dinghy, e fomos nele cumprimentar os vários barcos conhecidos. Tomámos um café no Aretha, onde havia Legos espalhados pelo poço. Os três miúdos fizeram-nos também companhia, intervindo na conversa. Muito simpáticos. A mais novinha, que fez 3 anos no dia 5, não pára quieta, não pára de falar, e estivemos a construir Legos as duas. O Casper e a Nichola deram-nos muitas sugestões de programas a fazer aqui.
Depois fomos a terra. Levámos o lixo, claro. Há um pequeno porto, de cimento, onde podemos deixar o dinghy abrigado, do lado de dentro, e onde afraca o barco que abastece a ilha e, por vezes, barcos de passageiros, paquetes de turismo.
Logo nessa zona fica a cantina escolar, cheia de crianças a entrar, e das suas vozes e risos a ecoar no porto. Por trás, a escola primária, a única que existe na ilha, para prosseguirem os estudos as crianças têm que ir para Tahiti ou Rangiroa. Depois, a "Mairie", os Correios, com um ATM no mesmo edifício, e um pequeno hospital, que neste momento funciona apenas com enfermeiros, visto que o único médico existente na ilha se foi embora... Podemos encarar a hipótese de o substituir, mas... fica um bocado fora de mão!...

Toda aqueles edifícios são novos, muito limpos e cuidados. A rua, de cimento, estende-se ao longo da faixa de terra, ao bordo da lagoa. Passámos por duas lojas que vendem um pouco de tudo, pela loja que vende as famosas pérolas negras, principal fonte de rendimento da ilha, para além do turismo, pelo centro de mergulho e por duas igrejas. Há coqueiros por todo o lado, mas também pinheiros da Polinésia e arbustos floridos e flores. Esperava um local muito árido, só com coqueiros, mas afinal... é muito bonito.
Almoçámos num snackbar rudimentar, mas comemos bem.
E depois fomos ao centro de mergulho. Era só para sabermos informações, mas ia mergulhar um grupo pequeno, e o Luís aproveitou para ir logo. Ao Rui não o deixaram, porque, pela lei francesa, precisava de uma declaração médica e de um seguro específicos para o mergulho, que não tinha... Ficou com muita pena.
O Luís gostou imenso! Foram mergulhar no passe, na entrada do atol, com a corrente a sair para o mar, levando com ela um grande movimento de peixes, de todas as cores e feitios, incluindo os inevitáveis tubarões!...
Voltámos ao barco, recebemos a roupa lavada, vestimos roupa seca e fomos jantar a terra. A Elda veio buscar-nos ao cais, num carro todo o terreno, como é costume aqui, e levou-nos a jantar ao restaurante dela, muito simples, com varanda sobre a água. O marido chegou da pesca, com seis atuns, enquanto preparavam o nosso jantar: "mahi mahi" grelhado, com salada, batatas fritas ou arroz. O casal tinha vários cães, que entravam na água de vez em quando e ladravam aos "peixes". Fomos observar. Afinal os peixinhos eram tubarões pequenos, e, de vez em quando, tubarões maiores aproximavam-se, sobretudo depois de o pescador ter atirado para a água as tripas dos peixes que pescaram. O tubarão maior que vimos chegar ali, era bem mais comprido que a minha altura, e chegava tão perto da margem, que ficava com o dorso fora de água!... Com as luzes do restaurante, começávamos por ver a barbatana dorsal dos maiores iluminada pelas luzes, a aproximar-se da varanda. Os cães ficavam malucos! Perguntámos se os tubarões não lhes mordiam. Responderam que não, que às vezes eram eles que mordiam aos tubarões!... Já nada é como pensávamos que era! Um tubarão parece ser, afinal, um animal inofensivo. Mas continua a meter-nos respeito!
A Elda trouxe-nos de volta e dormimos o sono dos justos, numa água que não mexe, o barco quieto, um ventinho para refrescar o calor da noite...
De manhã, um banho de mar para começar, com água a 29 graus.
Depois, às 08:00, veio o Andy, do Pentagram ver o que se passa com a nossa electricidade, gerador, inversor, interruptor...
A Stephanie já veio receber o dinheiro da roupa (ontem não tinha troco). E às 10:00 vêm-nos buscar ao cais para uma visita a uma "quinta" de pérolas. É aproveitar para condensar o turismo todo nestes dois dias que aqui passamos, porque queremos chegar a Tahiti com tempo para arranjar as avarias.

MA+LA

QUINTA-FEIRA 09 DE ABRIL DE 2015 A DOMINGO 12 DE ABRIL DE 2015


 

Não fizemos uma referência ao enrolamento, por duas vezes, do cabo do segundo ferro à volta do leme.
De facto isso aconteceu depois de um outro barco que estava ao pé de nós nos ter levantado o cabo (e o ferro) quando levantou fero e saiu. Depois disso a nossa posição foi-se alterando muito lentamente mas na terça e, depois na quarta tive que mergulhar para o libertar.


A largada de Hiva Oa demorou mais tempo porque soltar o arinque do ferro foi mais trabalhoso do que esperávamos.
Depois de largarmos, no dia 09, às 13.20, percorremos o canal de separação entre as ilhas Hiva Oa e Tahuata a motor, porque o mar estava desencontrado e o vento irregular nessa zona, e dirigimo-nos para Sudoeste, em direcção às Tuamotus, mais precisamente ao atol de Fakarava.
Enquanto tivemos por bombordo a Ilha de Tahuata, com as suas montanhas, o vento, de SE, foi soprando com as irregularidades próprias da sombra da ilha. Depois de ultrapassada esta, houve um momento em que pensámos que o vento ia cair, mas pouco depois aumentou para 15-20 nós, de ESE e assim se manteve toda a noite, e o dia seguinte, permitindo-nos um rumo directo ao destino e a bom ritmo.
Ontem, dia 11, já foi mais irregular, com alturas de vento fraco, em que ligámos o motor, e períodos de bom vento.

Hoje tinha começado bem o dia.
Ontem conseguíramos andar razoavelmente bem durante a manhã e tarde e a noite foi calma e produtiva em termos de aproximação do waypoint.
Parece começar tudo a decorrer de uma forma mais “normal” sem mais problemas!

Hoje tinha começado bem o dia ...
Mas depois complicou-se quando a Manela me disse que o inversor não estava a trabalhar.
Desta vez é o inversor que produz 220 (produz?) que depois não chegam ao seu destino. É como com os 220V do gerador.
Tudo continua a parecer passar pelo interruptor separador (para utilização dos 220V do gerador ou do inversor).
Agora ambos não introduzem os 220V no sistema eléctrico do barco.
Por isso agora deixamos de poder fazer água porque o estávamos a fazer recorrendo ao inversor e o inversor avariou.
Isto até Taiti, onde espero tudo se venha a resolver de uma form definitiva.

Quanto ao resto, muito pouco vento, entre os 6 e os 11-12 nós, por isso progredimos lentamente. Já tivemos o motor ligado durante algum tempo durante a manhã e, se tudo continuar assim, voltamos a fazê-lo à tarde e, quem sabe, à noite. Para tentarmos ir a Fakarava.


LA+MÁ

QUINTA-FEIRA 2 DE ABRIL A QUINTA-FEIRA 9 DE ABRIL DE 2015

MARQUESAS - TAHUATA

Depois de 28 dias de mar, de Galápagos para as Marquesas, chegámos à Ilha de Tahuata na madrugada de dia 2 de Abril: às 03.30 hora de Galápagos, e à meia noite, hora das Marquesas. Aqui são UTC menos 09.30 h.

Chegámos à Baía de Hana Moe Noa, onde pernoitavam vários barcos da frota da World ARC depois de no dia anterior terem tido o Rendezvous numa baía mais a Sul. Ninguém acordou em nenhum dos barcos e, ajudados pelo luar, fundeámos sem problemas em cerca de 10 m, e deitámos-nos a descansar, que bem precisávamos.
Acordámos de manhã, com a voz do Rui lá fora a falar francês com alguém, e pensámos que estaria a comprar fruta a algum indígena. Quando chegámos lá fora, é que percebemos: tinha sido a Sarah do Makena que tinha vindo no dinghy trazer-nos fruta, legumes, leite, pão, manteiga, ovos, tudo aquilo que achou que estaríamos há mais tempo a precisar. Foi uma surpresa fantástica! Pouco depois, o Casper do Aretha trouxe também uma toranja e uma papaia grandes, e… um jerrycan com gasóleo! Finalmente, apareceram o Jean e a Christiane do A Plus 2, com os habituais chocolates, que já se transformaram numa brincadeira entre nós! A recepção não podia ter sido mais calorosa e amiga! Ficámos encantados!
E, para terminar em grande, fomos convidados para tomar o pequeno almoço a bordo do Makena, um catamaran de 65 pés, onde foram chegando as tripulações do Aretha (os pais, os 3 filhos - 9, 8 e 3 anos, e uma amiga), do A Plus 2 (Jean e Christiane) e do Exody (Peter, Marian e um amigo). Assim, pudemos conviver com todos enquanto bebíamos cappuccinos e comíamos fruta e crepes feitos pela Sarah, que estavam uma delícia! O Luc veio-nos buscar e trazer ao barco. O Kai, o filho de 1 ano que temos vindo a ver crescer ao longo da viagem, está mais crescido, mas ainda não anda (já houve apostas quanto à data em que começaria a andar, mas ninguém acertou!). A bordo do Makena vive também o David, pai da Sarah.
Do alto do andar superior do Makena vimos mantas grandes a nadarem à superfície, com a parte inferior muito branca bem visível enquanto nadavam majestosamente. Muito bonito! Vimos também uma tartaruga grande e vários golfinhos. Tudo isto numa água duma transparência incrível!
Depois chegou a hora de irmos embora, depois de um banho de mar com “snorkeling”, durante o qual vimos peixes de várias cores e feitios.
Levantámos ferro e… estava anormalmente difícil e pesado. O ferro tinha trazido para a superfície, encaixado nele, um enorme bloco de coral!
Com a ajuda do Jean e da Christiane no dinghy deles, conseguimos que se soltasse, e pudemos seguir viagem, com muita pena de não podermos ficar com a frota… Mas tínhamos que ir fazer o check in, abastecer de gasóleo e comes e bebes, na Ilha de Hiva Oa.

MARQUESAS - HIVA OA

Um plano simples, aparentemente. Chegar lá, abastecer, dar uma vista de olhos pela ilha, ir à internet e ao supermercado, e seguir viagem para as Tuamotus.
Mas… Era Páscoa! E Páscoa na Ilha de Hiva Oa significa feriados de 5ª a 2ª inclusive, com tudo fechado, incluída a única estação de serviço da ilha!…

A Ilha de Hiva Oa é uma ilha alongada, no sentido Este-Oeste, com 23 milhas de comprimento, fazendo uma espécie de virgula à volta da enorme “Baie des Traitres” aberta a Este e exposta aos ventos dominantes. As costas são escarpadas, os abrigos pouco numerosos, e o único ancoradouro abrigado é a Baía de Tahauku, na proximidade da vila de Atuona (a 4 Km), aberta a sudoeste e pouco profunda, que tem um pequeno porto, estação de serviço com uma loja pequena, mas bem abastecida, com as coisas básicas para um reabastecimento (por incrível que pareça, aí encontrámos Magnum Double Chocolat, o gelado preferido do Luís!), água potável, um duche público rudimentar, e o pior pontão para dinghys que encontrámos até agora!
Há dois pontões para dinghys, um de madeira mais perto da estação de serviço e outro de cimento mais perto do local que serviu de “escritório” primeiro para WCC, agora para o Blue Planet Rally (organizado pelo Jimmy Cornell).
Em qualquer deles há parafusos, pregos e enormes irregularidades que facilmente perfuram os dinghys!
Todos os anos (este também) acontecem esses acidentes e nada se faz para o evitar. Quando se regressa de terra nunca se sabe o que se vai encontrar.

Fundeámos nessa baía, com ferro à proa e à popa, em 5 m de água.

À chegada contactámos a Sandra por VHF, um contacto indicado pela Rally Control, e que muito nos ajudou. É também ela que trata da lavandaria, pelo que, mal a vimos, na 6ª Feira de manhã, lhe entregámos logo os vários sacos de roupa acumulados em 4 semanas de viagem.
Levou-nos à “Gendarmerie” fazer o check in da Polinésia Francesa. Aí encontrámos os polícias mais simpáticos da viagem. Ela, mais nova, mas a chefe do posto, era daqui da Polinésia. E ele, presumivelmente vindo de França visto que não falava muito polinésio, também muito simpático e prestável. Num instante, agradável, se despachou a burocracia necessária.
Mas, em relação ao papel que nos isenta de pagar o imposto do gasóleo, o que se traduz em gasóleo a metade do preço, esse tinha que ser tratado na “Mairie, e só ficar pronto na 3ª Feira, dia 7, ao início da tarde. E como entretanto chegou o barco grande que abastece a ilha, a estação de serviço fechou para ser abastecida. E, portanto, só na 4ª Feira, dia 8 de Abril pudemos, finalmente fazer o abastecimento de gasóleo!…

A vila de Atuona é pequena, constituída essencialmente por uma estrada principal, ao longo da qual se encontram, além da “Gendarmerie” e da “Mairie”, supermercados, pequenas lojas razoavelmente abastecidas, um posto de correios, um Banco com ATM, a agência da “Air Tahiti”, farmácia, um pequeno hospital, um centro cultural dedicado a Paul Gauguin, que aqui viveu no início do século XIX, e o cemitério onde se encontram os túmulos de Gauguin e de Jacques Brel, que viveu nesta ilha durante os seus últimos 3 anos. Também nessa estrada se encontra o “Salon de Thé Chez Eliane”, uma espécie de armazém arranjado com mesas e sofás, onde se comem uns bons crepes e, principalmente, o único local público com (medíocre) acesso à internet.

Conseguimos ir à internet nesse local no Sábado de manhã e na 3ª Feira dia 7, porque nos outros dias esteve fechado.

Queríamos ter ido visitar o centro cultural Gauguin, mas com tantos feriados não conseguimos.

Os supermercados abriam geralmente durante a manhã, mas havia rotura de vários stocks, nomeadamente coisas tão simples como batatas e cebolas, porque estavam à espera do barco de reabastecimento. Só na 3ª Feira o comércio retomou o ritmo normal.

No Domingo de Páscoa fomos dar uma volta pela Ilha, num carro com condutor que nos serviu também de guia.
A Ilha de Hiva Oa é montanhosa, com um relevo muito irregular, coberta de floresta virgem, mangais, pinheiros da Polinésia nos locais mais elevados, e toda esta vegetação é densa e exuberante.
As estradas têm alguns troços em cimento, e outros em terra batida, e esta é a razão porque quase só se vêem carros de todo o terreno, com tracção às 4 rodas.

Fomos ver os “Tikis”, estátuas em pedra de figuras humanas, representando sobretudo deuses, chefes tribais ou guerreiros. Vimos um primeiro Tiki isolado, chamado “Tiki sorridente”, uma figura feminina, com cerca de 1 metro de altura, situada próximo de um antigo altar de sacrifícios, constituído por enormes pedras planas sobrepostas.
O nosso condutor levou-nos, depois, a ver o aeroporto da ilha, Aeroporto Jacques Brel, um aeroporto pequeno, muito simples e curioso, nomeado assim porque o cantor belga Jacques Brel, além de ter vivido aqui alguns anos, era piloto, e participou em várias ajudas humanitárias com o seu avião.

Seguimos depois para o lado norte da Ilha, para Puaumau, pequeno porto, conhecido por aí se situar o maior conjunto arqueológico da Ilha, um santuário com inúmeros “Tikis”.
Numa das aldeias por onde passámos, havia uma festa de Páscoa, constituída por um grande almoço comunitário, onde se encontrava o Bispo das Marquesas. Quando nos viram, convidaram-nos para partilhar do almoço deles. Foi um convite que não podíamos recusar. Assim, provámos frango com papaia verde e molho de leite de côco, arroz à cantonês, uma delícia, banana frita e vários outros petiscos. A grande maioria da ilha é católica, mas existem também anglicanos, mormons e a igreja evangélica.

Almoçámos em Puaumau, um picnic levado pelo condutor, onde se destacaram as mangas e as toranjas, que eram óptimas!

De regresso ao barco, foi jantar e descansar. Isto é, era para ser…
O Luís ligou o motor para carregar baterias, e passado algum tempo detectou uma fuga de gases de escape por uma fenda na panela…

Na 2ª Feira, a Sandra arranjou-nos um mecânico, que trabalha no aeroporto, e que veio à tarde. Em dois tempos tirou a panela de escape e levou-a com ele para soldar. Trouxe-a de volta no dia seguinte ao fim da tarde, recolocou-a, e parece estar a funcionar bem.
E já agora, que tínhamos o dia estragado, veio de manhã um técnico de frio arranjar o congelador, que parece estar a funcionar novamente. Só não pudemos experimentar durante tempo suficiente porque estávamos em contenção de energia, enquanto não abastecêssemos.

Na 4ª Feira dia 08, conseguimos finalmente abastecer o barco de gasóleo! Isso significou cinco viagens de dinghy até ao pontão perto da estação de serviço, com 5 jerrycans de cada vez, que tiveram que ser carregados à mão porque não há qualquer carrinho que facilite a tarefa. Mas o pior aspecto de todos é o facto de os pontões para dinghys desta ilha serem umas autênticas armadilhas para os pobres barquitos. Todos os anos vários barcos se furam ou rasgam naqueles pontões.

Depois de todas estas viagens, acabou-se o gasóleo na bomba! Felizmente já tínhamos o necessário para nós, só 2 jerrycans ficaram por encher.

À tarde fomos, o Rui e eu, ao supermercado abastecer. Nesta ilha não há táxis. Pede-se boleia, e geralmente alguém nos leva. Desta vez tivemos a sorte de quem nos levou se ter disposto a esperar por nós e a trazer-nos de volta. Chamava-se “A P” (?) e disse que ia fazer de nosso táxi. E assim foi!
À chegada ao dinghy, mesmo quando tínhamos acabado de meter os sacos e caixas todos lá dentro, caiu uma chuvada súbita e torrencial, que nos encharcou em dois tempos, assim como às nossas compras. E os albóis tinham ficado abertos… (pois é RS!) Enfim, compras e barco molhados, mas barco abastecido, que é o que importa.

Hiva Oa já chega!
Amanhã levantaremos ferro (foi o que pensámos no dia 08).


MA+LA

Depois de 28 dias de mar, de Galápagos para as Marquesas, chegámos à Ilha de Tahuata na madrugada de dia 2 de Abril: às 03.30 hora de Galápagos, e à meia noite, hora das Marquesas. Aqui são UTC menos 09.30 h.
Chegámos à Baía de Hana Moe Noa, onde pernoitavam vários barcos da frota da World ARC depois de no dia anterior terem tido o Rendezvous numa baía mais a Sul. Ninguém acordou em nenhum dos barcos e, ajudados pelo luar, fundeámos sem problemas em cerca de 10 m, e deitámos-nos a descansar, que bem precisávamos.
Acordámos de manhã, com a voz do Rui lá fora a falar francês com alguém, e pensámos que estaria a comprar fruta a algum indígena. Quando chegámos lá fora, é que percebemos: tinha sido a Sarah do Makena que tinha vindo no dinghy trazer-nos fruta, legumes, leite, pão, manteiga, ovos, tudo aquilo que achou que estaríamos há mais tempo a precisar. Foi uma surpresa fantástica! Pouco depois, o Casper do Aretha trouxe também uma toranja e uma papaia grandes, e… um jerrycan com gasóleo! Finalmente, apareceram o Jean e a Christiane do A Plus 2, com os habituais chocolates, que já se transformaram numa brincadeira entre nós! A recepção não podia ter sido mais calorosa e amiga! Ficámos encantados!
E, para terminar em grande, fomos convidados para tomar o pequeno almoço a bordo do Makena, um catamaran de 65 pés, onde foram chegando as tripulações do Aretha (os pais, os 3 filhos - 9, 8 e 3 anos, e uma amiga), do A Plus 2 (Jean e Christiane) e do Exody (Peter, Marian e um amigo). Assim, pudemos conviver com todos enquanto bebíamos cappuccinos e comíamos fruta e crepes feitos pela Sarah, que estavam uma delícia! O Luc veio-nos buscar e trazer ao barco. O Kai, o filho de 1 ano que temos vindo a ver crescer ao longo da viagem, está mais crescido, mas ainda não anda (já houve apostas quanto à data em que começaria a andar, mas ninguém acertou!). A bordo do Makena vive também o David, pai da Sarah.
Do alto do andar superior do Makena vimos mantas grandes a nadarem à superfície, com a parte inferior muito branca bem visível enquanto nadavam majestosamente. Muito bonito! Vimos também uma tartaruga grande e vários golfinhos. Tudo isto numa água duma transparência incrível!
Depois chegou a hora de irmos embora, depois de um banho de mar com “snorkeling”, durante o qual vimos peixes de várias cores e feitios.
Levantámos ferro e… estava anormalmente difícil e pesado. O ferro tinha trazido para a superfície, encaixado nele, um enorme bloco de coral!
Com a ajuda do Jean e da Christiane no dinghy deles, conseguimos que se soltasse, e pudemos seguir viagem, com muita pena de não podermos ficar com a frota… Mas tínhamos que ir fazer o check in, abastecer de gasóleo e comes e bebes, na Ilha de Hiva Oa.

MARQUESAS - HIVA OA

Um plano simples, aparentemente. Chegar lá, abastecer, dar uma vista de olhos pela ilha, ir à internet e ao supermercado, e seguir viagem para as Tuamotus.
Mas… Era Páscoa! E Páscoa na Ilha de Hiva Oa significa feriados de 5ª a 2ª inclusive, com tudo fechado, incluída a única estação de serviço da ilha!…

A Ilha de Hiva Oa é uma ilha alongada, no sentido Este-Oeste, com 23 milhas de comprimento, fazendo uma espécie de virgula à volta da enorme “Baie des Traitres” aberta a Este e exposta aos ventos dominantes. As costas são escarpadas, os abrigos pouco numerosos, e o único ancoradouro abrigado é a Baía de Tahauku, na proximidade da vila de Atuona (a 4 Km), aberta a sudoeste e pouco profunda, que tem um pequeno porto, estação de serviço com uma loja pequena, mas bem abastecida, com as coisas básicas para um reabastecimento (por incrível que pareça, aí encontrámos Magnum Double Chocolat, o gelado preferido do Luís!), água potável, um duche público rudimentar, e o pior pontão para dinghys que encontrámos até agora!
Há dois pontões para dinghys, um de madeira mais perto da estação de serviço e outro de cimento mais perto do local que serviu de “escritório” primeiro para WCC, agora para o Blue Planet Rally (organizado pelo Jimmy Cornell).
Em qualquer deles há parafusos, pregos e enormes irregularidades que facilmente perfuram os dinghys!
Todos os anos (este também) acontecem esses acidentes e nada se faz para o evitar. Quando se regressa de terra nunca se sabe o que se vai encontrar.

Fundeámos nessa baía, com ferro à proa e à popa, em 5 m de água.

À chegada contactámos a Sandra por VHF, um contacto indicado pela Rally Control, e que muito nos ajudou. É também ela que trata da lavandaria, pelo que, mal a vimos, na 6ª Feira de manhã, lhe entregámos logo os vários sacos de roupa acumulados em 4 semanas de viagem.
Levou-nos à “Gendarmerie” fazer o check in da Polinésia Francesa. Aí encontrámos os polícias mais simpáticos da viagem. Ela, mais nova, mas a chefe do posto, era daqui da Polinésia. E ele, presumivelmente vindo de França visto que não falava muito polinésio, também muito simpático e prestável. Num instante, agradável, se despachou a burocracia necessária.
Mas, em relação ao papel que nos isenta de pagar o imposto do gasóleo, o que se traduz em gasóleo a metade do preço, esse tinha que ser tratado na “Mairie, e só ficar pronto na 3ª Feira, dia 7, ao início da tarde. E como entretanto chegou o barco grande que abastece a ilha, a estação de serviço fechou para ser abastecida. E, portanto, só na 4ª Feira, dia 8 de Abril pudemos, finalmente fazer o abastecimento de gasóleo!…

A vila de Atuona é pequena, constituída essencialmente por uma estrada principal, ao longo da qual se encontram, além da “Gendarmerie” e da “Mairie”, supermercados, pequenas lojas razoavelmente abastecidas, um posto de correios, um Banco com ATM, a agência da “Air Tahiti”, farmácia, um pequeno hospital, um centro cultural dedicado a Paul Gauguin, que aqui viveu no início do século XIX, e o cemitério onde se encontram os túmulos de Gauguin e de Jacques Brel, que viveu nesta ilha durante os seus últimos 3 anos. Também nessa estrada se encontra o “Salon de Thé Chez Eliane”, uma espécie de armazém arranjado com mesas e sofás, onde se comem uns bons crepes e, principalmente, o único local público com (medíocre) acesso à internet.

Conseguimos ir à internet nesse local no Sábado de manhã e na 3ª Feira dia 7, porque nos outros dias esteve fechado.

Queríamos ter ido visitar o centro cultural Gauguin, mas com tantos feriados não conseguimos.

Os supermercados abriam geralmente durante a manhã, mas havia rotura de vários stocks, nomeadamente coisas tão simples como batatas e cebolas, porque estavam à espera do barco de reabastecimento. Só na 3ª Feira o comércio retomou o ritmo normal.

No Domingo de Páscoa fomos dar uma volta pela Ilha, num carro com condutor que nos serviu também de guia.
A Ilha de Hiva Oa é montanhosa, com um relevo muito irregular, coberta de floresta virgem, mangais, pinheiros da Polinésia nos locais mais elevados, e toda esta vegetação é densa e exuberante.
As estradas têm alguns troços em cimento, e outros em terra batida, e esta é a razão porque quase só se vêem carros de todo o terreno, com tracção às 4 rodas.

Fomos ver os “Tikis”, estátuas em pedra de figuras humanas, representando sobretudo deuses, chefes tribais ou guerreiros. Vimos um primeiro Tiki isolado, chamado “Tiki sorridente”, uma figura feminina, com cerca de 1 metro de altura, situada próximo de um antigo altar de sacrifícios, constituído por enormes pedras planas sobrepostas.
O nosso condutor levou-nos, depois, a ver o aeroporto da ilha, Aeroporto Jacques Brel, um aeroporto pequeno, muito simples e curioso, nomeado assim porque o cantor belga Jacques Brel, além de ter vivido aqui alguns anos, era piloto, e participou em várias ajudas humanitárias com o seu avião.

Seguimos depois para o lado norte da Ilha, para Puaumau, pequeno porto, conhecido por aí se situar o maior conjunto arqueológico da Ilha, um santuário com inúmeros “Tikis”.
Numa das aldeias por onde passámos, havia uma festa de Páscoa, constituída por um grande almoço comunitário, onde se encontrava o Bispo das Marquesas. Quando nos viram, convidaram-nos para partilhar do almoço deles. Foi um convite que não podíamos recusar. Assim, provámos frango com papaia verde e molho de leite de côco, arroz à cantonês, uma delícia, banana frita e vários outros petiscos. A grande maioria da ilha é católica, mas existem também anglicanos, mormons e a igreja evangélica.

Almoçámos em Puaumau, um picnic levado pelo condutor, onde se destacaram as mangas e as toranjas, que eram óptimas!

De regresso ao barco, foi jantar e descansar. Isto é, era para ser…
O Luís ligou o motor para carregar baterias, e passado algum tempo detectou uma fuga de gases de escape por uma fenda na panela…

Na 2ª Feira, a Sandra arranjou-nos um mecânico, que trabalha no aeroporto, e que veio à tarde. Em dois tempos tirou a panela de escape e levou-a com ele para soldar. Trouxe-a de volta no dia seguinte ao fim da tarde, recolocou-a, e parece estar a funcionar bem.
E já agora, que tínhamos o dia estragado, veio de manhã um técnico de frio arranjar o congelador, que parece estar a funcionar novamente. Só não pudemos experimentar durante tempo suficiente porque estávamos em contenção de energia, enquanto não abastecêssemos.

Na 4ª Feira dia 08, conseguimos finalmente abastecer o barco de gasóleo! Isso significou cinco viagens de dinghy até ao pontão perto da estação de serviço, com 5 jerrycans de cada vez, que tiveram que ser carregados à mão porque não há qualquer carrinho que facilite a tarefa. Mas o pior aspecto de todos é o facto de os pontões para dinghys desta ilha serem umas autênticas armadilhas para os pobres barquitos. Todos os anos vários barcos se furam ou rasgam naqueles pontões.

Depois de todas estas viagens, acabou-se o gasóleo na bomba! Felizmente já tínhamos o necessário para nós, só 2 jerrycans ficaram por encher.

À tarde fomos, o Rui e eu, ao supermercado abastecer. Nesta ilha não há táxis. Pede-se boleia, e geralmente alguém nos leva. Desta vez tivemos a sorte de quem nos levou se ter disposto a esperar por nós e a trazer-nos de volta. Chamava-se “A P” (?) e disse que ia fazer de nosso táxi. E assim foi!
À chegada ao dinghy, mesmo quando tínhamos acabado de meter os sacos e caixas todos lá dentro, caiu uma chuvada súbita e torrencial, que nos encharcou em dois tempos, assim como às nossas compras. E os albóis tinham ficado abertos… (pois é RS!) Enfim, compras e barco molhados, mas barco abastecido, que é o que importa.

Hiva Oa já chega!
Amanhã levantaremos ferro (foi o que pensámos no dia 08).


MA+LA

sábado, 4 de abril de 2015

SEXTA-FEIRA 27 DE MARÇO DE 2015

Quase mais uma semana se passou e o vento, apesar de melhor, continua a dar provas de pouco interesse por nós.

Aqui no Pacífico, pelo menos na zona onde nos encontramos, o vento que vai soprar durante o dia, aparece cedo pela manhã, normalmente com o nascer do sol.
Depois de se instalar de uma forma progressiva mas despachada, sopra com mais força até depois da hora do almoço, abrandando a seguir um pouco até que para o final da tarde começa a cair para a força que vai ter durante a noite. Assim é, digamos, bastante previsível o que se vai passar nas 6-8 horas seguintes.
Até agora não temos tido mais de 12-16 nós durante o período em que sopra com mais força e 8-11 no resto do dia e noite. O que já é bem bom. À noite cai, ás vezes, para 7 e 6 nós. Agora, 23 horas locais, 1330 horas em Lisboa, temos 8-9 nós de vento regular com alguma ondulação. O resultado é uma progressão a cerca de 2,8-3,0 nós o que não é nada porque ainda nos faltam cerca de 500 milhas para Hiva Oa.
Mas estamos bem, com o moral bastante bom.
Se as condições não piorarem, devemos chegar quarta-feira a Hiva Oa, uma das principais ilhas do Arquipélago das Marquesas.
Queríamos chegar até ao dia 31 para podermos confraternizar com as outras tripulações no Rendezvous que vai ter lugar no dia 01ABR na ilha Tahuata.
Quanto à visita e exploração das ilhas dos diferentes grupos, essa, vai ser condicionada (esperamos que pouco) pelo tempo que vamos ter que reservar para os arranjos das avarias.

Devido às limitações impostas pela avaria do gerador, estamos agora sem frio a bordo.
O congelador já tinha sido desligado por avaria - não produz frio e acumula gelo em quantidade muito significativa num tubo de cobre que se encontra fora do espaço do congelador propriamente dito.
O frigorífico foi agora desligado para redução do consumo de energia.
Os frescos já foram todos consumidos e os outros vão sê-lo agora. Quando fizemos o aprovisionamento para esta perna fizemos-lo para 5 semanas. Decidimos bem!
Quanto à produção de água está a ser feita com recurso ao inversor. Tem é um preço pago pelas baterias porque o alternador não consegue gerar suficiente energia. Assim há um consumo de cerca de 20 Ah por cada hora que o dessalinisador trabalha, energia que tem depois de ser reposta.
Colocamos muita expectativa na reparação das avarias no Tahiti.

Os dias passam de uma forma agradável, continuada, sem sobressaltos, sempre com magníficos almoços e jantares (o jantar é sempre uma sopa, mas as sopas do Rui são como que refeições completas …).

O pôr do sol é que tem sido um dos momentos altos do dia. Regra geral é muito bonito, com tons de amarelo e laranja intensos, mais ou menos vivos. A luminosidade é grande e o contraste com o azul escuro do mar torna o desaparecimento do sol num momento em que todos paramos e o ficamos a observar.
Outra coisa que temos tido são noites com luares de grande luminosidade. O luar no hemisfério Sul tem uma intensidade espantosa. Estamos em quarto crescente e a intensidade do luar é francamente superior à que temos em Lisboa com lua cheia. Para navegar à noite é extremamente agradável.

Vou interromper agora para ir chamar a Manuela que vai entrar de quarto.
Actualmente e com três tripulantes cada um de nós faz, à noite (das 22 às 08 horas), dois períodos de 2 horas (4 horas ao todo), com manutenção do horário por opção nossa. O intervalo entre cada período é portanto de 4 horas.
Temo-nos dado muito bem com este esquema que iniciámos quando, na ARC+, passámos de 5 para 3 tripulantes.

Por hoje é tudo.
Boa noite e até amanhã!

DOMINGO 22 DE MARÇO DE 2015


Pacífico.Pacífico mas não tanto …Este é o 5º dia sem vento.Temos desfrutado, de facto, de dias excepcionais em relação às condições do céu (azul e limpo), temperatura, ondulação e mesmo o vento, apesar de fraco, tem sido agradável.O problema é estarmos a meio da maior perna da WARC, 2900 milhas. Este pequeno pormenor está a transformar dias excepcionais em “maus” dias de vela.Tínhamos previsto concluir esta perna antes do dia 27 e não o vamos poder fazer antes do fim do mês (isto se houver vento), o que vai alterar muito a nossa vida. Vamos tratar de toda a parte legal (burocrática, passaportes, “clearance” e às vezes outras questões), dos abastecimentos (víveres e combustível), do planeamento da visita às Marquesas e às Tuamotus, etc..

A presença dos Yellow Shirts que tem sido sempre preciosa sob todos os aspectos, tem tornando a nossa vida extremamente fácil e agradável. Tendo-o sentido até agora da forma mais cómoda, estamo-nos agora a preparar para a falta desse apoio.

Em relação à visita e exploração das Marquesas vai ser feita se possível, uma vez que depende do tempo que nos sobrar.
Pelo meio estamos a tentar simplificar a coordenação dos arranjos - gerador e congelador, que vão ser feitos só no Tahiti, a cerca de 800 milhas de Hiva Oa.
Esta, uma visão menos optimista de uma parte de uma viagem que tem, até agora, decorrido da melhor maneira.

Vamos ver o que Eolo nos reserva …


DOMINGO, 8 A SÁBADO, 14 DE MARÇO DE 2015

DOMINGO, 8 E SEGUNDA-FEIRA, 9 DE MARÇO DE 2016

A noite de Sábado para Domingo foi uma noite de chuvadas. Foram squalls uns atrás dos outros, com os respectivos aguaceiros e ventanias.O Allegro ficou todo molhado (e lavado) por fora, e todo húmido, escorregadio e peganhento por dentro! Além disso, o mar também se tornou mais desencontrado, e o barco rolava de um bordo para o outro constantemente. Andar lá dentro significava andar aos bordos, a bater nas paredes e nos vários obstáculos pelo caminho. As tentativas para se dormir dentro do barco significavam rolar na cama aos sacões, de um lado para o outro, sem posição estável. Tentar dormir cá fora, era igual a ficar todo molhado. Enfim, muito desconfortável.

Felizmente, durante a manhã de Domingo, o céu desanuviou-se e acabou por ser um dia de sol, que contribuiu para secar o barco por fora e por dentro, assim como as almofadas de fora, os cabos, os sapatos, etc…
De madrugada voltou a chuva, mas durante a manhã regressou o sol, para ficar até ao fim do dia.
O gerador tem dado algum trabalho. Primeiro parou sozinho, e o Luís verificou que era a pressão do óleo baixa. Estas coisas acontecem sempre de noite, e assim foi, na noite de Sábado para Domingo. Ontem de manhã, repôs-se o nível.
Depois voltou a ligar-se ao fim do dia, e além de fazer um barulho diferente, não expelia água pelo escape. Era o impeller. Foi substituído hoje. Pôs-se a trabalhar e tudo parecia bem: saía água normalmente pelo escape e não saía pelo local do impeller. Como tínhamos tido o motor a trabalhar durante a noite para carregar baterias, só agora, já de noite, foi necessário ligar o gerador. Ora constatou-se que ele agora deixa sair água pelo local do impeller… Amanhã, com luz do dia, lá terá que se rever novamente o que se passa. E, entretanto, teremos que carregar baterias hoje novamente com o motor, o que é menos eficiente e gasta mais gasóleo.
Não está fácil, este gerador!…
Para animar, temos comido muito bem. Ontem, uns belos bifes com molho de mostarda, que estavam uma delícia. Hoje, um risotto óptimo. E à noite, sopas de legumes que também têm estado muito boas. Nem tudo é difícil a bordo!…


TERÇA-FEIRA 10 DE MARÇO DE 2015 A SÁBADO 14 DE MARÇO DE 2015

Geradores

O tempo tem-se passado à volta do gerador e dos seus problemas.

Apesar de uma “alguma” má fama que o material Fisher Panda tem, confesso que sempre acreditei que não íamos ter problemas. O gerador é novo, tem-lhe sido feita a manutenção, enquanto em Portugal nunca falhou, etc. Por isso tudo ia correr bem, com certeza! Mas não tem corrido, não.

É verdade que os primeiros problemas não tiveram a ver com o gerador propriamente dito - o buraco na panela de escape e depois os fusíveis velhos e mal (?) dimensionados.

Mas agora está a ser diferente. Em menos de 15 dias já vai no 3º impeller, há agora mais uma fuga na tubagem da bomba de água salgada e por último trabalha mas não produz 220V nem para a sua própria bateria, coisa que nunca tinha acontecido.

O problema é que do gerador depende a carga das baterias, o desalinisador, a economia de diesel (o motor principal consome quase dez vezes mais), quase todos os gadjets (cada vez em maior número) e, portanto, o seu não funcionamento tem várias repercussões na vida a bordo.

Continuo a pensar que este nosso gerador é uma obra bem concebida. Parece-me é muito frágil.

Quanto a assistência …

Em Hiva Oa, para onde nos dirigimos ( ainda a 1745NM) não há assistência.

Assistência mesmo, só vai haver no Tahiti, a mais de oitocentas e tal milhas de Hiva Oa (mais dez dias de viagem).

E pelo caminho todos aqueles lugares paradisíacos que desejamos visitar.

Estamos na fase de análise antes de decisões.

Mas o Fisher Panda ou muda radicalmente ou nunca mais!

E o congelador? Esse também avariou.

Não sei porquê mas à volta de um tubo de cobre que dá duas voltas, existe uma “luva” de gelo que se está sempre a formar e a derreter, molhando o que lhe fica por baixo e, creio eu, condicionando o normal arrefecimento do seu conteúdo. Dos 18 graus que fazia em Portugal passou para 12 em Saint Lucia, depois para 8 no Pacífico e agora não passa dos 4 graus negativos. Serão, como dizem, as temperaturas exteriores mais altas a impedir o normal funcionamento? Talvez, mas com a falta de energia a bordo devido aos problemas do gerador, o destino do congelador é “off” até ser tratado por outro especialista …

Para além daqueles problemas, tudo tem decorrido muito bem com o tempo a ficar cada vez melhor e as condições meteorológicas também. E o barco tem-se portado muito bem mesmo.

Mas que fique bem claro que continuamos contentes e satisfeitos com o que estamos a fazer, que desejamos, cada vez mais, continuar até Lagos.

Todos os barcos têm avarias, maiores ou menores, tudo faz parte da realização de um projecto como o nosso.

Mas se o gerador for arranjado, melhor ainda!
Contamos chegar a 27 de Março. Este ano, no final de cada reunião de skippers, cada um faz uma previsão da data de chegada do seu barco. Desta vez a nossa previsão é para esse dia. Continuamos a achar que é possível.

E como o gerador já está fora de combate não vai haver mais avarias até ao Tahiti. Esperamos.



LA






QUARTA-FEIRA, 4 A SÁBADO, 7 DE MARÇO DE 2015

Largámos finalmente! Não é que estivéssemos há muito tempo nas Galápagos (estivemos lá 15 dias), mas chega uma altura em que começamos a desejar largar para uma nova perna. Esta nova perna vai ter 2980 milhas. É por isso considerada a mais comprida de toda a World ARC.Largámos bem, com quase todos os barcos a largarem como se fossem para uma regata. Foi bonito.

O primeiro dia decorreu sem nada de significativo a assinalar: vento a favor, corrente a favor, ondas de altura moderada. Foi um dia que nos foi favorável. A noite veio com uma lua cheia a iluminar tudo até ao horizonte. Contudo, à medida que as horas iam passando o vento começou a diminuir, obrigando-nos, quando o SOG (“speed over ground”) chegou aos 2,5 nós, a ligar o motor. Ficámos um pouco desapontados porque a previsão era para vento fraco, mas não tão fraco…
O dia seguinte começou com um nascer do sol radioso, vento e ondas q.b.. O vento lá voltou, não forte, mas com intensidade suficiente para manter o barco a andar. E assim se manteve todo o dia.
Depois de um anoitecer vulgar, a lua, que continuava cheia, acabou por deixar de estar encoberta pelas nuvens, e iluminou de uma forma incrível o mar e o barco. O ambiente originado pela intensidade da luz da lua, os seus reflexos no mar, o barco com as velas enfunadas que deslizava quase sem fazer atrito, criaram condições deslumbrantes que há muito tempo não tínhamos. Acabámos por ficar noite dentro a saborear o que nos estava a ser proporcionado.
Mas não há bela sem senão - o gerador que tinha sido posto a trabalhar para fazer água, parou subitamente com uma indicação de falta de pressão de óleo. Felizmente já tinha carregado as baterias e feito 150 litros de água. No dia seguinte confirmámos a diminuição do nível do óleo, e repusemo-lo no valor correcto.
Ontem já tudo foi diferente. O vento foi caindo até que passou a ser insuficiente para manter o barco a progredir e com um mínimo de estabilidade. De facto, o Allegro, com pouco vento e com alguma ondulação de través, adquire um movimento de rolar de um bordo para o outro, atingindo por vezes 25 ou mais graus. É um rolar desagradável, e muito prejudicial para o material, obrigando por vezes a baixar as velas e a ligar o motor. Foi o que aconteceu desta vez. Só ao fim de muitas horas é que o vento começou a manter velocidades de 12-13 nós, permitindo-nos de novo içar as velas.
Hoje tem sido um dia mais “molhado”, com alguns squalls; não foram muitos, mas arrastaram com eles parte do sal que impregna todo o barco. Recorde-se que a última vez que estivemos numa marina com água doce foi em Flamenco Marina, na Cidade do Panamá.
E assim se passaram os 4 primeiros dias de uma série previsível de cerca de 24.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

SEGUNDA-FEIRA 23 DE FEVEREIRO DE 2015

SEGUNDA-FEIRA 23 E TERÇA-FEIRA 24 DE FEVEREIRO DE 2015

Viemos ontem de Puerto Baquerizo Moreno para Puerto Ayora, o centro tecnicamente mais desenvolvido para arranjos, aqui nas Galápagos. É, portanto, o “fim da linha” …
Portanto a esperança que depositamos na qualificação e no trabalho do electricista é total (e final …).

Tenho que confessar que nunca pensei que esta situação se pusesse pôr. O gerador sempre tem trabalhado bem e o que aconteceu (deixou de haver 220V disponíveis no barco apesar de o gerador continuar a trabalhar normalmente e a produzir 220V (na linha que alimenta o carregador da sua própria bateria eles estão lá os 220V).
O resultado é não dispormos de 220V nem para carregar baterias, nem para fazer água, os dois principais utilizadores dos 220V a bordo.
Termos então de o fazer através do alternador do motor principal - consumo muito mais elevado, e horas de trabalho para o motor principal.
Um gerador bom, de confiança, é fundamental e sede de muito bem estar e tranquilidade. A vida a bordo modifica-se por completo sem ele. Basta pensar na diferença entre ter ou não congelador e/ou frigorífico …

O Agente da WCC, Ricardo Arenas, já esteve comigo esta tarde.
O electricista, Cláudio, ainda hoje (?) ou amanhã vem a bordo para começar o trabalho.
Vamos ver…

À tarde, quando fomos a terra beber uma cerveja estivemos com a Teresa Gago.



TERÇA-FEIRA 24 DE FEVEREIRO DE 2015

Hoje foi um grande dia!

Quando o electricista Cláudio chegou logo percebi a sua simplicidade e grande boa vontade mas um nível de conhecimentos que me pareceu ficar bastante aquém do que estava a precisar de observar.
Expliquei-lhe tudo o que se tinha passado, sem esquecer que tinham sido identificados dois fusíveis fundidos e que deveriam ser substituídos por dois disjuntores.
Seguiu-se a parte prática onde se percorreram parte dos passos que o Per (do “Ayama”) já tinha percorrido.
Até que chegou aos tais fusíveis!
Estavam fundidos!
Só então percebeu que já lho tinha dito quando ele chegou e lhe fiz o historial do que se tinha passado.
Estávamos depois do meio da manhã. O Cláudio acabou por interromper o seu trabalho a bordo do Allegro porque não parava de ser chamado para resolver outras questões e ficou de voltar às 1500 horas.
Fomos a terra desanuviar. Já estávamos realmente pelos cabelos, fartos de um problema que parecia simples mas que não se resolvia e de pensar como ia ser a perna das 2900 milhas sem gerador …
Sem gerador e sem frigorífico ou sem congelador, porque se não há gerador não há outros luxos.
Passeámos, almoçámos, saboreámos umas cervejas e regressámos, mais refeitos.

Pelas 1500 lá estávamos todos novamente a trabalhar.
Mas os disjuntores não podiam ser colocados porque a placa metálica que os ia suportar tinha uns 05/10 mm a mais …
Assim o Cláudio saiu novamente porque tinha que ir cortar a placa e eu não tinha material para a cortar. E não paravam de o chamar …
Pouco tempo depois estava de volta para montar os disjuntores. Quando acabou pediu-me para ligar tudo.
E tudo funcionou !!! E os disjuntores de 10A não saltaram quando liguei o carregador de baterias. Só não liguei, simultaneamente, o dessalinizador porque a água da baía está tão suja que corria o risco de sujar as membranas.
O Cláudio estava feliz (e nós também!), sorria. A mesma simplicidade e boa vontade continuavam a transparecer no seu olhar, como se não tivesse feito nada de extraordinário. De facto não foi extraordinário, mas a partir daquele momento a nossa vida mudou completamente.
As baterias foram carregadas completamente em metade do tempo que tinha sido necessário para as carregar com o alternador, foram carregados telemóveis, computadores, iPads, baterias das câmaras fotográficas e de vídeo, enfim todos os gadjets. A vida voltou ao “normal” porque voltámos a ter, novamente, energia suficiente para manter toda esta tecnologia.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

QUINTA-FEIRA, 19 A DOMINGO, 22 DE FEVEREIRO DE 2015

E aqui estamos nós, chegados a Galápagos!
Para já, a impressão é óptima!
Durante a viagem para cá, com uma noite de muito vento, dias sem vento e dias equilibrados (houve de tudo um pouco!...), tivemos por várias vezes a visita de pássaros que se instalavam à proa, tendo variado entre um e três. Vendo agora fotos de pássaros daqui, concluímos que alguns deles eram alcatrazes de bico azul e patas vermelhas!
Quando nos aproximámos demos com uma foca a nadar ao lado do barco.
E à chegada ao porto para ancorarmos, um grupo de leões marinhos apanhava banhos de sol numas rochas próximas da margem. Depois vimos o que já tínhamos lido: leões marinhos a treparem para todos os barcos a que conseguem ter acesso, refastelados nos degraus de trás dos catamarans, e nas popas dos barcos com popas baixas.




Quando viemos a terra, num taxi aquático, no cais estava uma família deles, com um pequenino a querer mamar, numa mãe meio preguiçosa, que mal se mexia, e com o pai na água a fazer uns rosnidos barulhentos. Enfim, isto está a prometer, e explica o encanto de Darwin por estas terras!

Este início foi escrito no dia da chegada aqui, à Ilha de San Cristobal, no Arquipélago das Galápagos.
Chegámos no dia 19 de Fevereiro de manhã. As vindas a terra são por taxi aquático, o que acaba por ser muito mais simples  do que utilizar o dinghy, até porque não é caro.

Nesse dia foi logo combinado com a equipa da WCC que dá apoio ao Rally , a vinda a bordo da equipa de inspecção das autoridades de Galápagos. Já tínhamos preparado tudo com antecedência, desde limpar o fundo do barco (foi feito na Marina em Shelter Bay); até à separação do lixo em lixo orgânico e lixo reciclável durante a viagem para aqui; comermos todos os frescos que podiam levantar problemas (tínhamos uma lista extensa de alimentos proibidos, como laranjas, e de alimentos com restrições, como bananas por exemplo); colarmos uns avisos bem à vista a dizer para não se deitar lixo no mar, ou para se usar o tanque de águas sujas durante a permanência aqui; e finalmente tínhamos colocado bem à vista os detergentes e sabonetes amigos do ambiente oferecidos pelo Pedro e a Tânia em Portugal!
E a inspecção correu muito bem, e tivemos autorização para vir a terra.
 Diariamente há uma "happy hour" entre as 5 e as 8 da tarde, no Hotel Miconia,  onde está instalado o Rally Control, para convívio das tripulações e para se tratar dos papéis necessários ao prosseguimento da viagem. Lá fomos e mais uma vez foi agradável saber notícias dos outros barcos, os sucessos, os problemas, as aventuras e as soluções. É uma faceta muito interessante deste cruzeiro em grupo, conversar e ir conhecendo as diferentes histórias dos barcos, skippers e tripulantes.
Acabámos a jantar num restaurante de grelhados, uma construção em madeira despretensiosa, mas em que os pratos vinham muito bem apresentados e decorados. Contrastes simpáticos!








Entretanto descobrimos que o gerador, apesar de arrancar normalmente, não produzia 220 V... Assim, não carrega as baterias, nem pode fazer funcionar o dessalinizador. Tem que ser resolvido. Conseguiu-se que viesse a bordo um electricista daqui de San Cristobal. Ficámos os dois a bordo por causa disso, enquanto o Rui e a Teresa foram fazer um passeio pela ilha, ver uma lagoa no interior duma cratera de vulcão, ver uma espécie de quinta onde os animais aí criados são, nada mais nada menos que tartarugas gigantescas, e ainda uma casa numa árvore que é a maior árvore do país Equador.
O electricista fez o seu melhor, mas não conseguiu detectar a causa da avaria nem resolvê-la.

No dia 21, Sábado, fomos fazer um tour já marcada pelo WCC, chamado "Kicker Rock Tour". Já várias tripulações de outros barcos o tinham feito e descreviam-no como muito bom, de modo que as nossas expectativas eram muito altas. E não foram defraudadas!
Tratava-se de ir fazer "snorkeling" junto a uma rocha chamada "Kicker Rock". Trata-se de uma rocha vulcânica, no meio do mar, que sofreu uma fissura que a dividiu em duas. É imponente. É um local de nidificação de várias aves, entre elas os alcatrazes de patas azuis ou vermelhas (ou "blue feet boobies" ou "red feet boobies") e a fragata.
Para além disso, tem uma vida subaquática muito rica, e portanto fazer "snorkeling" aí é muito especial. E foi! Uma experiência inesquecível! Andamos a nadar por entre múltiplos cardumes de peixes pequenos e... por cima de tubarões de várias espécies, incluindo tubarões-martelo, tubarões das Galápagos, tubarões com as pontas das barbatanas pretas ("black tip sharks"), ou brancas ("white tip. sharks"). Sim, tubarões!... Que estavam uns 3 ou 4 metros abaixo de nós, e não nos ligavam nenhuma!
Vimos também vários tipos de raias, marmoreadas ou cheias de pintas brancas. Em cardumes de 4 ou 5, passavam majestosamente por baixo de nós, uma maravilha! E ainda as tartarugas, com as quais também nadámos. Foi um a experiência em cheio!
Antes de irmos para Kicker Rock, ainda fomos à praia de Longaria, fazer snorkeling. A caminho, vimos iguanas marinhas, e, na praia, alguns leões marinhos. durante o snorkeling vimos vários tipos de peixes, raias e tartarugas.
Na proximidade de Kicker Rock, tivemos tambem a surpresa de vermos cinco baleias, bastante próximas do barco!



Almoçámos a bordo da lancha que nos levou, e depois fomos ainda a uma praia de areia muito branca, com alguns leis marinhos por ali, caranguejos vermelhos nas rochas negras, e um banho com uma temperatura fantástica!
Soubemos depois que enquanto passeámos pela praia, um leão marinho entrou para bordo da lancha e instalou-se lá dentro, no sítio onde antes pousávamos os pés quando estávamos sentados. Incrível! Estão mesmo por todo o lado, e não se assustam com a presença de pessoas. O condutor da lancha teve que o afugentar!
Foi um dia que não esqueceremos!
 Ao fim da tarde vieram cá a bordo o Per e a Christine (tripulantes do Ayama). Ele percebe de arranjos em barcos, parte eléctrica, motores e geradores, e ofereceu-se para vir cá tentar perceber o que se passava. E assim foi. Depois de várias horas a trabalhar, a suar (a casa das máquinas é quentíssima), disse-nos que o problema não parecia ser do gerador, mas sim de conexões já à saída dele. O Luís passou o tempo com ele  a ajudá-lo no que podia, e nós estivemos a conversar com a Christine. Acabaram por  jantar cá connosco e ele prometeu voltar hoje para continuar.

Entretanto, o Luís decidiu ir para Puerto Ayora na Ilha de Santa Cruz, onde há muito mais recursos,  em vez de ir para a ilha Isabel, a mais bonita e interessante, como estava previsto. A possibilidade de nos resolverem o problema nas Galápagos reside em Puerto Ayora. Assim, teve que se alterar o plano de "zarpe" de Isabella para Santa Cruz, o que foi feito esta manhã com o agente da WCC.

A seguir ao almoço, o Per voltou, e por aqui está há muito tempo. Descobriu um fusível que fundiu, e que é certamente parte do problema. Só falta saber porque fundiu...

Entretanto a Teresa começou a ver o fim das suas férias a aproximar-se, e decidiu ir conhecer mais um pouco das Galápagos. Quando foi a terra esta manhã, comprou um bilhete de ferry e foi hoje para Santa Cruz. Só depois soube que nós vamos amanhã para lá. Lá nos encontraremos então. A nossa ideia é, uma vez lá a tentar arranjar a avaria, ir a Isabella de ferry para conhecer mais essa ilha que parece ser a mais interessante.

TERÇA-FEIRA, 24 DE FEVEREIRO DE 2015

Aproveitando um intervalo no trabalho do electricista, fomos ver o Parque Natural e a Fundação Darwin, onde se faz criação de tartarugas, e onde existem tambem iguanas terrestres. aqui ficam umas imagens.










quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

SEXTA-FEIRA 13 DE FEVEREIRO DE 2015

15 February 2015


Sexta-feira dia 13 …

Todos parecíamos com pouca vontade de arrancar, houve até quem perguntasse, pelo VHF, se a hora da largada tinha sido alterada.
Mas às 11:00 estávamos já a caminho.

Largámos com 15-16 nós, já então com sinais do vento ir aumentar. Largámos, quase todos, com as velas rizadas.
A parte inicial do caminho exige alguma atenção devido à pouca água que existe por vezes, mas depois de ultrapassada a navegação é simples e pudemos passar a dar mais atenção ao vento e ao mar.
Vento e mar que foram aumentando de uma forma constante, devagar mas sempre a aumentar.
Manteve esta tendência durante toda a tarde e continuou durante a noite de forma a manter velocidades de vento primeiro sempre acima dos 20 nós primeiro e depois, mais tarde pela noite dentro, sempre acima dos 30. Para tornar a situação mais emocionante, atravessámos uma zona de tráfego mais intenso com barcos em posição e com rumo a necessitar de contacto por VHF para garantir que nos viam e que se iam desviar.
Tudo se foi resolvendo, e o Allegro portou-se realmente bem.
Não houve quartos, estávamos no poço quando era preciso. As rajadas mais intensas (algumas) ultrapassaram os 42 nós, a velocidade máxima do Allegro os 11 nós. O barco manteve um andamento, por vários períodos de tempo de ora 7 ora 8 ora mesmo 9 nós de velocidade. Tudo se foi passando de uma forma cautelosa mas bastante trabalhosa. Houve uma ou outra cambadela tendo-se um dos mordedores do moitão da vela grande partido. Já foi substituído.
Já pela madrugada dentro, o mar e o vento foram-se apaziguando, também progressivamente, seguindo-se uma tranquilidade que nos permitiu recuperar.
Agora estamos há 36 horas a motor porque o vento continua abaixo dos 5 nós.
Mantemo-nos a singrar para SW à procura dos ventos de Leste.
Um pormenor que me chamou a atenção - no Oceano Atlântico, a intensidade de vento que tivemos, desencadearia um comportamento do mar muito pior.

QUINTA-FEIRA, 05 A SÁBADO, 07 DE FEVEREIRO DE 2015 - CIDADE DO PANAMA

15 February 2015

Na 5ªFeira, dia 5, fizemos um “tour” pela Cidade do Panamá, que nos levou primeiro ao ponto mais alto da cidade, para vermos a vista e compreendermos melhor a disposição da cidade. Atravessámos depois a Puente del Centenario, que nos permitiu ver, de terra, as eclusas de Pedro Miguel e Miraflores que atravessáramos na véspera. E, nessa zona, circundada por montes elevados constituídos por terreno de grande dureza, vimos o “Colebra Cut”, assim designado pela sua tortuosidade. Esta foi a porção do Canal de mais difícil construção, pela dureza do terreno, e onde o número de mortes de trabalhadores foi maior.
O “tour” terminou no “Casco Viejo”, isto é, na parte antiga da Cidade do Panamá. Está em fase de recuperação, com vários edifícios já recuperados, alguns muito bonitos. Mas tem ainda muitos muito degradados. Dentro de uns anos, depois de muito trabalho, poderá vir a ficar muito bonita. Por lá reencontrámos as Índias Guna a venderem as suas “molas”, mais baratas do que em San Blas…
Almoçámos no “Mercado Marítimo”, zona popular com o mercado de peixe e várias esplanadas à volta para se comer “ceviche”, peixe frito ou marisco.
A Margarida e Ricardo deixaram o Allegro no dia 5. Estava combinado desde Lisboa que o fariam na Cidade do Panamá. Como ainda têm dias de férias ficaram uns ias num Hotel na Cidade e foram depois para Contadora, em Las Perlas, onde voltámos a estar juntos.
Fomos jantar com eles à parte moderna da cidade, a zona dos arranha-céus. São imensos, construídos todos nos últimos 14 anos. Visto de longe é muito bonito, tem bom aspecto, e a vista da Marina de Flamenco para a zona dos prédios ao final do dia, ou durante a noite, é bonita. Quando se chega perto, tudo o que é infra-estruturas, e aspectos de pormenor, é incrível. Os passeios com buracos enormes, inesperados e não assinalados; os fios eléctricos das ruas todos à vista, em molhes pendurados dos postes; uma ribeira poluída, a céu aberto passa entre dois arranha-céus… Enfim, uma balbúrdia e uma desordem.
Mas achámos que eles são um povo alegre, que gosta de dançar, cantar e… de jogar. Há casinos com máquinas e mesas de jogo por todo o lado na Cidade do Panamá.
O jantar foi óptimo, num Restaurante de carne, tirámos as saudades de uns bons bifes!…
Abastecemos de gasóleo no dia 6, e mudaram-nos para um pontão mais abrigado do vento, e com fingers, se bem que novamente sem electricidade. Não se pode ter tudo, pelos vistos…
A Marina onde ficámos não tinha lavandaria e a ida a uma lavandaria na cidade foi complicada, sobretudo por falta de informação. Acabámos numa Lavamatix, lavandaria self servicegerida por chineses. A comunidade chinesa é enorme aqui também.
O aprovisionamento do barco fizemo-lo num centro comercial imenso com dezenas (centenas?) de lojas de marca e um grande hipermercado, o Allbrook Mall.
E assim, no final do dia 7, ficámos prontos para zarpar no dia seguinte.

QUARTA-FEIRA 04 DE FEVEREIRO DE 20015

15 February 2015

A noite passou-se muito bem.
O amanhecer foi diferente de todos os outros porque se acompanhou de uma “algazarra” ensurdecedora e assustadora inicialmente por nós atribuída a animais selvagens. Mas a intensidade era tal que nos pareceu que não poderia ter essa origem. Pensámos, então, que se trataria de de um ruído com ponto de partida nas máquinas e obras do alargamento do canal. Só mais tarde, o Advisor nos disse que eram, de facto, macacos que produziam aquele ruído. Imaginar o tamanho dum tal macaco a partir do ruído ouvido era difícil pois a intensidade e a natureza do som propriamente dito sugeriam um enorme animal.

Pelas 07:00 horas começaram a chegar os Advisors.
Soltaram-se as amarras, e o caminho na direcção das eclusas teve início.
Depois tudo se repetiu, nas locas de Pedro Miguel e depois nas de Miraflores. Agora mais “rotinado” o trabalho de encostar e amarrar os barcos, de entrar no canal e parar no sítio indicado foi mais fácil e perfeito. A mudança para um nível mais baixo em relação ao Lago Gatun tornou, ainda mais rápida a passagem destas eclusas.
Quando se abriu de Miraflores o caminho em frente levou-nos ao Pacífico que, diz-se, começar quando se passa por baixo da Ponte América, local onde se ouviram as nossas palmas e um apito da buzina.

Tínhamos chegado ao Oceano Pacífico, sem dúvida outro marco na nossa viagem!
Dirigimo-nos para a Marina de Flamenco onde chegámos e amarrámos a meio da tarde.
Marina de médias e grandes lanchas com condições mais que precárias - sem água e sem electricidade em muitos pontões, sem um segurança em permanência na porta de acesso que está sempre fechada, sem internet, sem casas de banho capazes, com um só outro duche também quase sempre fechado, com as casas de banho que nos foram destinadas muito longe do pontão onde estávamos, em péssimas condições e com acesso, também, para os funcionários do estaleiro, sem lavandaria …
Má, francamente má esta Marina que pratica os preços mais elevados que até agora suportámos.

Encostámos a um pontão novo com muito espaço perto da entrada da Marina, em posição desabrigada. Estavam lá o "Juno” e o "Luna Quest”. O “A Plus 2” já se tinha ido embora.
Durante a tarde fomos a uma pequena reunião na Marina Plaiyta onde ficou parte da frota.
O jantar, com espectáculo ao vivo (dança do ventre) foi agradável.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

TERÇA-FEIRA, 03 DE FEVEREIRO DE 2015 - CANAL DO PANAMÁ (1)

Atravessar o Canal do Panamá.
É um pensamento habitualmente de curta duração e intensidade, porque não passa, geralmente, de um momento de imaginação. Pensa-se em como deve ser interessante fazê-lo.

Desta vez foi diferente porque íamos mesmo atravessar o canal.
A chegada a Shelter Bay Marina, último ponto antes da travessia, contribuiu para tornar tudo ainda mais real:
- 1 - primeiro a subida do Allegro para controlar o estado do anti-fouling e substituir o zinco do hélice;
- 2 - depois a reunião de preparação com o Paul Tetlow onde nos foi explicado tudo o que ia acontecer, com bastante pormenor, no dia seguinte - horas, locais, grupos de barcos, nome dos "Advisers", conduta a ter com eles, canais de comunicação, etc, etc;
- 3 - reunião entre os diferentes barcos que vão fazer a travessia abraçados (a travessia faz-se, habitualmente, com os barcos abraçados 3 a 3) para definir quem vai a BB e a EB do barco mais importante (o que vai no meio, habitualmente um catamaran), como se prepara e executa o "abraçar" dos barcos, quem fornece as defensas, quem fornece os cabos;
- a entrega nos barcos dos cabos de nylon que vão serão utilizados pelos "line handlers" e dos pneus que servirão de defensas para o lado de fora dos barcos de fora (para não riscar o casco em caso de qualquer problema).
No dia seguinte a manhã passou-se na preparação final dos barcos.
Pelas 15:15 estávamos a caminho da zona de fundeio F. VHF canais 72 e 12 e pedido de autorização para cruzar o canal para nos dirigirmos para a zona F e fundear.
Pelas 16:30 os Advisers estavam a bordo dos diferentes barcos e a explicação do que se ia passar tinha sido dada. O "nosso" chamava-se Osvaldo e achou óptimo o jantar que lhe preparámos - bacalhau espiritual. Comeu, repetiu, tirou uma fotografia que enviou à Mulher e escreveu a receita!
Já íamos, entretanto, a caminho, as eclusas estavam mais perto. Com vento moderado de N, tivemos frequentemente que meter marcha à ré para diminuir a velocidade.
Progressivamente fomos tomando as posições indicadas, nós paralelamente e a BB do "Afar VI" que ia no centro, o Indra a EB (não pertence ao Rally).
Então, de repente, tudo começou a acontecer - às ordens dadas pelos Advisers todos começaram a trabalhar como se nunca tivessem feito outra coisa. No convés, do lado de dentro dos varandins todos colaboravam, passando cabos da proa de um dos barcos para a popa do outro, cabos da proa de um para a proa do outro e da popa de um para a popa do outro, tal como tinha sido combinado na reunião de véspera, aproximando e prendendo os 3 barcos como se fossem um só. O governo dos 3 barcos era agora mantido pelo motor do central e corrigido pelos motores dos outros dois, encaminhando-nos para a entrada da eclusa onde entrámos bem alinhados. Já lá dentro foram feitas as últimas correcções antes dos Line Handlers do canal lançarem, sobre o convés, os cabos que depois usaram para recolherem os outros cabos de nylon de grande bitola. Os três barcos abraçados são mantidos em posição na eclusa pelos 4 cabos de nylon de grande bitola - dois vão para a proa de cada um dos barcos laterais e dois para a sua popa. Foram estes 4 cabos de nylon que foram depois utilizados para imobilizarem e manterem parado o grupo de três embarcações.
Agora tudo estava pronto para elevar o nível da água em cerca de 12 metros. A azáfama a bordo dos três barcos parou progressivamente dando a todos a possibilidade de disfrutarem do espectáculo.
A entrada de água processa-se com grande rapidez, dando origem a correntes visíveis que interferem significativamente com a estabilidade dos barcos que às vezes se começam a atravessar, obrigando a correcções nem sempre fáceis de fazer porque têm que afectar os três barcos.
Antes de abrirem as eclusas, os 4 cabos de nylon voltam novamente para cada um dos barcos que se encontram nas extremidades.
Inicia-se depois o caminho até à eclusa seguinte onde tudo se repete para se subirem outros tantos metros e, depois, o mesmo, na terceira.
Assim se completa a subida para o lago Gatun para onde se sai quando se abrem as comportas.
Dirigimo-nos depois para uma zona de fundeio, com sondas sempre acima dos 18 metros. Nessa zona existem duas grandes boias onde os barcos que acabaram esta primeira parte podem ficar, também abraçados, até ao dia seguinte. Foi o que aconteceu, ficámos 4  barcos abraçados numa boia e 4 na outra.
(...)


LA

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

SÁBADO, 31 DE JANEIRO DE 2015