Allegro (no Mediterrâneo)

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Allegro nas Baleares

quarta-feira, 15 de abril de 2015

QUINTA-FEIRA 09 DE ABRIL DE 2015 A DOMINGO 12 DE ABRIL DE 2015


 

Não fizemos uma referência ao enrolamento, por duas vezes, do cabo do segundo ferro à volta do leme.
De facto isso aconteceu depois de um outro barco que estava ao pé de nós nos ter levantado o cabo (e o ferro) quando levantou fero e saiu. Depois disso a nossa posição foi-se alterando muito lentamente mas na terça e, depois na quarta tive que mergulhar para o libertar.


A largada de Hiva Oa demorou mais tempo porque soltar o arinque do ferro foi mais trabalhoso do que esperávamos.
Depois de largarmos, no dia 09, às 13.20, percorremos o canal de separação entre as ilhas Hiva Oa e Tahuata a motor, porque o mar estava desencontrado e o vento irregular nessa zona, e dirigimo-nos para Sudoeste, em direcção às Tuamotus, mais precisamente ao atol de Fakarava.
Enquanto tivemos por bombordo a Ilha de Tahuata, com as suas montanhas, o vento, de SE, foi soprando com as irregularidades próprias da sombra da ilha. Depois de ultrapassada esta, houve um momento em que pensámos que o vento ia cair, mas pouco depois aumentou para 15-20 nós, de ESE e assim se manteve toda a noite, e o dia seguinte, permitindo-nos um rumo directo ao destino e a bom ritmo.
Ontem, dia 11, já foi mais irregular, com alturas de vento fraco, em que ligámos o motor, e períodos de bom vento.

Hoje tinha começado bem o dia.
Ontem conseguíramos andar razoavelmente bem durante a manhã e tarde e a noite foi calma e produtiva em termos de aproximação do waypoint.
Parece começar tudo a decorrer de uma forma mais “normal” sem mais problemas!

Hoje tinha começado bem o dia ...
Mas depois complicou-se quando a Manela me disse que o inversor não estava a trabalhar.
Desta vez é o inversor que produz 220 (produz?) que depois não chegam ao seu destino. É como com os 220V do gerador.
Tudo continua a parecer passar pelo interruptor separador (para utilização dos 220V do gerador ou do inversor).
Agora ambos não introduzem os 220V no sistema eléctrico do barco.
Por isso agora deixamos de poder fazer água porque o estávamos a fazer recorrendo ao inversor e o inversor avariou.
Isto até Taiti, onde espero tudo se venha a resolver de uma form definitiva.

Quanto ao resto, muito pouco vento, entre os 6 e os 11-12 nós, por isso progredimos lentamente. Já tivemos o motor ligado durante algum tempo durante a manhã e, se tudo continuar assim, voltamos a fazê-lo à tarde e, quem sabe, à noite. Para tentarmos ir a Fakarava.


LA+MÁ

QUINTA-FEIRA 2 DE ABRIL A QUINTA-FEIRA 9 DE ABRIL DE 2015

MARQUESAS - TAHUATA

Depois de 28 dias de mar, de Galápagos para as Marquesas, chegámos à Ilha de Tahuata na madrugada de dia 2 de Abril: às 03.30 hora de Galápagos, e à meia noite, hora das Marquesas. Aqui são UTC menos 09.30 h.

Chegámos à Baía de Hana Moe Noa, onde pernoitavam vários barcos da frota da World ARC depois de no dia anterior terem tido o Rendezvous numa baía mais a Sul. Ninguém acordou em nenhum dos barcos e, ajudados pelo luar, fundeámos sem problemas em cerca de 10 m, e deitámos-nos a descansar, que bem precisávamos.
Acordámos de manhã, com a voz do Rui lá fora a falar francês com alguém, e pensámos que estaria a comprar fruta a algum indígena. Quando chegámos lá fora, é que percebemos: tinha sido a Sarah do Makena que tinha vindo no dinghy trazer-nos fruta, legumes, leite, pão, manteiga, ovos, tudo aquilo que achou que estaríamos há mais tempo a precisar. Foi uma surpresa fantástica! Pouco depois, o Casper do Aretha trouxe também uma toranja e uma papaia grandes, e… um jerrycan com gasóleo! Finalmente, apareceram o Jean e a Christiane do A Plus 2, com os habituais chocolates, que já se transformaram numa brincadeira entre nós! A recepção não podia ter sido mais calorosa e amiga! Ficámos encantados!
E, para terminar em grande, fomos convidados para tomar o pequeno almoço a bordo do Makena, um catamaran de 65 pés, onde foram chegando as tripulações do Aretha (os pais, os 3 filhos - 9, 8 e 3 anos, e uma amiga), do A Plus 2 (Jean e Christiane) e do Exody (Peter, Marian e um amigo). Assim, pudemos conviver com todos enquanto bebíamos cappuccinos e comíamos fruta e crepes feitos pela Sarah, que estavam uma delícia! O Luc veio-nos buscar e trazer ao barco. O Kai, o filho de 1 ano que temos vindo a ver crescer ao longo da viagem, está mais crescido, mas ainda não anda (já houve apostas quanto à data em que começaria a andar, mas ninguém acertou!). A bordo do Makena vive também o David, pai da Sarah.
Do alto do andar superior do Makena vimos mantas grandes a nadarem à superfície, com a parte inferior muito branca bem visível enquanto nadavam majestosamente. Muito bonito! Vimos também uma tartaruga grande e vários golfinhos. Tudo isto numa água duma transparência incrível!
Depois chegou a hora de irmos embora, depois de um banho de mar com “snorkeling”, durante o qual vimos peixes de várias cores e feitios.
Levantámos ferro e… estava anormalmente difícil e pesado. O ferro tinha trazido para a superfície, encaixado nele, um enorme bloco de coral!
Com a ajuda do Jean e da Christiane no dinghy deles, conseguimos que se soltasse, e pudemos seguir viagem, com muita pena de não podermos ficar com a frota… Mas tínhamos que ir fazer o check in, abastecer de gasóleo e comes e bebes, na Ilha de Hiva Oa.

MARQUESAS - HIVA OA

Um plano simples, aparentemente. Chegar lá, abastecer, dar uma vista de olhos pela ilha, ir à internet e ao supermercado, e seguir viagem para as Tuamotus.
Mas… Era Páscoa! E Páscoa na Ilha de Hiva Oa significa feriados de 5ª a 2ª inclusive, com tudo fechado, incluída a única estação de serviço da ilha!…

A Ilha de Hiva Oa é uma ilha alongada, no sentido Este-Oeste, com 23 milhas de comprimento, fazendo uma espécie de virgula à volta da enorme “Baie des Traitres” aberta a Este e exposta aos ventos dominantes. As costas são escarpadas, os abrigos pouco numerosos, e o único ancoradouro abrigado é a Baía de Tahauku, na proximidade da vila de Atuona (a 4 Km), aberta a sudoeste e pouco profunda, que tem um pequeno porto, estação de serviço com uma loja pequena, mas bem abastecida, com as coisas básicas para um reabastecimento (por incrível que pareça, aí encontrámos Magnum Double Chocolat, o gelado preferido do Luís!), água potável, um duche público rudimentar, e o pior pontão para dinghys que encontrámos até agora!
Há dois pontões para dinghys, um de madeira mais perto da estação de serviço e outro de cimento mais perto do local que serviu de “escritório” primeiro para WCC, agora para o Blue Planet Rally (organizado pelo Jimmy Cornell).
Em qualquer deles há parafusos, pregos e enormes irregularidades que facilmente perfuram os dinghys!
Todos os anos (este também) acontecem esses acidentes e nada se faz para o evitar. Quando se regressa de terra nunca se sabe o que se vai encontrar.

Fundeámos nessa baía, com ferro à proa e à popa, em 5 m de água.

À chegada contactámos a Sandra por VHF, um contacto indicado pela Rally Control, e que muito nos ajudou. É também ela que trata da lavandaria, pelo que, mal a vimos, na 6ª Feira de manhã, lhe entregámos logo os vários sacos de roupa acumulados em 4 semanas de viagem.
Levou-nos à “Gendarmerie” fazer o check in da Polinésia Francesa. Aí encontrámos os polícias mais simpáticos da viagem. Ela, mais nova, mas a chefe do posto, era daqui da Polinésia. E ele, presumivelmente vindo de França visto que não falava muito polinésio, também muito simpático e prestável. Num instante, agradável, se despachou a burocracia necessária.
Mas, em relação ao papel que nos isenta de pagar o imposto do gasóleo, o que se traduz em gasóleo a metade do preço, esse tinha que ser tratado na “Mairie, e só ficar pronto na 3ª Feira, dia 7, ao início da tarde. E como entretanto chegou o barco grande que abastece a ilha, a estação de serviço fechou para ser abastecida. E, portanto, só na 4ª Feira, dia 8 de Abril pudemos, finalmente fazer o abastecimento de gasóleo!…

A vila de Atuona é pequena, constituída essencialmente por uma estrada principal, ao longo da qual se encontram, além da “Gendarmerie” e da “Mairie”, supermercados, pequenas lojas razoavelmente abastecidas, um posto de correios, um Banco com ATM, a agência da “Air Tahiti”, farmácia, um pequeno hospital, um centro cultural dedicado a Paul Gauguin, que aqui viveu no início do século XIX, e o cemitério onde se encontram os túmulos de Gauguin e de Jacques Brel, que viveu nesta ilha durante os seus últimos 3 anos. Também nessa estrada se encontra o “Salon de Thé Chez Eliane”, uma espécie de armazém arranjado com mesas e sofás, onde se comem uns bons crepes e, principalmente, o único local público com (medíocre) acesso à internet.

Conseguimos ir à internet nesse local no Sábado de manhã e na 3ª Feira dia 7, porque nos outros dias esteve fechado.

Queríamos ter ido visitar o centro cultural Gauguin, mas com tantos feriados não conseguimos.

Os supermercados abriam geralmente durante a manhã, mas havia rotura de vários stocks, nomeadamente coisas tão simples como batatas e cebolas, porque estavam à espera do barco de reabastecimento. Só na 3ª Feira o comércio retomou o ritmo normal.

No Domingo de Páscoa fomos dar uma volta pela Ilha, num carro com condutor que nos serviu também de guia.
A Ilha de Hiva Oa é montanhosa, com um relevo muito irregular, coberta de floresta virgem, mangais, pinheiros da Polinésia nos locais mais elevados, e toda esta vegetação é densa e exuberante.
As estradas têm alguns troços em cimento, e outros em terra batida, e esta é a razão porque quase só se vêem carros de todo o terreno, com tracção às 4 rodas.

Fomos ver os “Tikis”, estátuas em pedra de figuras humanas, representando sobretudo deuses, chefes tribais ou guerreiros. Vimos um primeiro Tiki isolado, chamado “Tiki sorridente”, uma figura feminina, com cerca de 1 metro de altura, situada próximo de um antigo altar de sacrifícios, constituído por enormes pedras planas sobrepostas.
O nosso condutor levou-nos, depois, a ver o aeroporto da ilha, Aeroporto Jacques Brel, um aeroporto pequeno, muito simples e curioso, nomeado assim porque o cantor belga Jacques Brel, além de ter vivido aqui alguns anos, era piloto, e participou em várias ajudas humanitárias com o seu avião.

Seguimos depois para o lado norte da Ilha, para Puaumau, pequeno porto, conhecido por aí se situar o maior conjunto arqueológico da Ilha, um santuário com inúmeros “Tikis”.
Numa das aldeias por onde passámos, havia uma festa de Páscoa, constituída por um grande almoço comunitário, onde se encontrava o Bispo das Marquesas. Quando nos viram, convidaram-nos para partilhar do almoço deles. Foi um convite que não podíamos recusar. Assim, provámos frango com papaia verde e molho de leite de côco, arroz à cantonês, uma delícia, banana frita e vários outros petiscos. A grande maioria da ilha é católica, mas existem também anglicanos, mormons e a igreja evangélica.

Almoçámos em Puaumau, um picnic levado pelo condutor, onde se destacaram as mangas e as toranjas, que eram óptimas!

De regresso ao barco, foi jantar e descansar. Isto é, era para ser…
O Luís ligou o motor para carregar baterias, e passado algum tempo detectou uma fuga de gases de escape por uma fenda na panela…

Na 2ª Feira, a Sandra arranjou-nos um mecânico, que trabalha no aeroporto, e que veio à tarde. Em dois tempos tirou a panela de escape e levou-a com ele para soldar. Trouxe-a de volta no dia seguinte ao fim da tarde, recolocou-a, e parece estar a funcionar bem.
E já agora, que tínhamos o dia estragado, veio de manhã um técnico de frio arranjar o congelador, que parece estar a funcionar novamente. Só não pudemos experimentar durante tempo suficiente porque estávamos em contenção de energia, enquanto não abastecêssemos.

Na 4ª Feira dia 08, conseguimos finalmente abastecer o barco de gasóleo! Isso significou cinco viagens de dinghy até ao pontão perto da estação de serviço, com 5 jerrycans de cada vez, que tiveram que ser carregados à mão porque não há qualquer carrinho que facilite a tarefa. Mas o pior aspecto de todos é o facto de os pontões para dinghys desta ilha serem umas autênticas armadilhas para os pobres barquitos. Todos os anos vários barcos se furam ou rasgam naqueles pontões.

Depois de todas estas viagens, acabou-se o gasóleo na bomba! Felizmente já tínhamos o necessário para nós, só 2 jerrycans ficaram por encher.

À tarde fomos, o Rui e eu, ao supermercado abastecer. Nesta ilha não há táxis. Pede-se boleia, e geralmente alguém nos leva. Desta vez tivemos a sorte de quem nos levou se ter disposto a esperar por nós e a trazer-nos de volta. Chamava-se “A P” (?) e disse que ia fazer de nosso táxi. E assim foi!
À chegada ao dinghy, mesmo quando tínhamos acabado de meter os sacos e caixas todos lá dentro, caiu uma chuvada súbita e torrencial, que nos encharcou em dois tempos, assim como às nossas compras. E os albóis tinham ficado abertos… (pois é RS!) Enfim, compras e barco molhados, mas barco abastecido, que é o que importa.

Hiva Oa já chega!
Amanhã levantaremos ferro (foi o que pensámos no dia 08).


MA+LA

Depois de 28 dias de mar, de Galápagos para as Marquesas, chegámos à Ilha de Tahuata na madrugada de dia 2 de Abril: às 03.30 hora de Galápagos, e à meia noite, hora das Marquesas. Aqui são UTC menos 09.30 h.
Chegámos à Baía de Hana Moe Noa, onde pernoitavam vários barcos da frota da World ARC depois de no dia anterior terem tido o Rendezvous numa baía mais a Sul. Ninguém acordou em nenhum dos barcos e, ajudados pelo luar, fundeámos sem problemas em cerca de 10 m, e deitámos-nos a descansar, que bem precisávamos.
Acordámos de manhã, com a voz do Rui lá fora a falar francês com alguém, e pensámos que estaria a comprar fruta a algum indígena. Quando chegámos lá fora, é que percebemos: tinha sido a Sarah do Makena que tinha vindo no dinghy trazer-nos fruta, legumes, leite, pão, manteiga, ovos, tudo aquilo que achou que estaríamos há mais tempo a precisar. Foi uma surpresa fantástica! Pouco depois, o Casper do Aretha trouxe também uma toranja e uma papaia grandes, e… um jerrycan com gasóleo! Finalmente, apareceram o Jean e a Christiane do A Plus 2, com os habituais chocolates, que já se transformaram numa brincadeira entre nós! A recepção não podia ter sido mais calorosa e amiga! Ficámos encantados!
E, para terminar em grande, fomos convidados para tomar o pequeno almoço a bordo do Makena, um catamaran de 65 pés, onde foram chegando as tripulações do Aretha (os pais, os 3 filhos - 9, 8 e 3 anos, e uma amiga), do A Plus 2 (Jean e Christiane) e do Exody (Peter, Marian e um amigo). Assim, pudemos conviver com todos enquanto bebíamos cappuccinos e comíamos fruta e crepes feitos pela Sarah, que estavam uma delícia! O Luc veio-nos buscar e trazer ao barco. O Kai, o filho de 1 ano que temos vindo a ver crescer ao longo da viagem, está mais crescido, mas ainda não anda (já houve apostas quanto à data em que começaria a andar, mas ninguém acertou!). A bordo do Makena vive também o David, pai da Sarah.
Do alto do andar superior do Makena vimos mantas grandes a nadarem à superfície, com a parte inferior muito branca bem visível enquanto nadavam majestosamente. Muito bonito! Vimos também uma tartaruga grande e vários golfinhos. Tudo isto numa água duma transparência incrível!
Depois chegou a hora de irmos embora, depois de um banho de mar com “snorkeling”, durante o qual vimos peixes de várias cores e feitios.
Levantámos ferro e… estava anormalmente difícil e pesado. O ferro tinha trazido para a superfície, encaixado nele, um enorme bloco de coral!
Com a ajuda do Jean e da Christiane no dinghy deles, conseguimos que se soltasse, e pudemos seguir viagem, com muita pena de não podermos ficar com a frota… Mas tínhamos que ir fazer o check in, abastecer de gasóleo e comes e bebes, na Ilha de Hiva Oa.

MARQUESAS - HIVA OA

Um plano simples, aparentemente. Chegar lá, abastecer, dar uma vista de olhos pela ilha, ir à internet e ao supermercado, e seguir viagem para as Tuamotus.
Mas… Era Páscoa! E Páscoa na Ilha de Hiva Oa significa feriados de 5ª a 2ª inclusive, com tudo fechado, incluída a única estação de serviço da ilha!…

A Ilha de Hiva Oa é uma ilha alongada, no sentido Este-Oeste, com 23 milhas de comprimento, fazendo uma espécie de virgula à volta da enorme “Baie des Traitres” aberta a Este e exposta aos ventos dominantes. As costas são escarpadas, os abrigos pouco numerosos, e o único ancoradouro abrigado é a Baía de Tahauku, na proximidade da vila de Atuona (a 4 Km), aberta a sudoeste e pouco profunda, que tem um pequeno porto, estação de serviço com uma loja pequena, mas bem abastecida, com as coisas básicas para um reabastecimento (por incrível que pareça, aí encontrámos Magnum Double Chocolat, o gelado preferido do Luís!), água potável, um duche público rudimentar, e o pior pontão para dinghys que encontrámos até agora!
Há dois pontões para dinghys, um de madeira mais perto da estação de serviço e outro de cimento mais perto do local que serviu de “escritório” primeiro para WCC, agora para o Blue Planet Rally (organizado pelo Jimmy Cornell).
Em qualquer deles há parafusos, pregos e enormes irregularidades que facilmente perfuram os dinghys!
Todos os anos (este também) acontecem esses acidentes e nada se faz para o evitar. Quando se regressa de terra nunca se sabe o que se vai encontrar.

Fundeámos nessa baía, com ferro à proa e à popa, em 5 m de água.

À chegada contactámos a Sandra por VHF, um contacto indicado pela Rally Control, e que muito nos ajudou. É também ela que trata da lavandaria, pelo que, mal a vimos, na 6ª Feira de manhã, lhe entregámos logo os vários sacos de roupa acumulados em 4 semanas de viagem.
Levou-nos à “Gendarmerie” fazer o check in da Polinésia Francesa. Aí encontrámos os polícias mais simpáticos da viagem. Ela, mais nova, mas a chefe do posto, era daqui da Polinésia. E ele, presumivelmente vindo de França visto que não falava muito polinésio, também muito simpático e prestável. Num instante, agradável, se despachou a burocracia necessária.
Mas, em relação ao papel que nos isenta de pagar o imposto do gasóleo, o que se traduz em gasóleo a metade do preço, esse tinha que ser tratado na “Mairie, e só ficar pronto na 3ª Feira, dia 7, ao início da tarde. E como entretanto chegou o barco grande que abastece a ilha, a estação de serviço fechou para ser abastecida. E, portanto, só na 4ª Feira, dia 8 de Abril pudemos, finalmente fazer o abastecimento de gasóleo!…

A vila de Atuona é pequena, constituída essencialmente por uma estrada principal, ao longo da qual se encontram, além da “Gendarmerie” e da “Mairie”, supermercados, pequenas lojas razoavelmente abastecidas, um posto de correios, um Banco com ATM, a agência da “Air Tahiti”, farmácia, um pequeno hospital, um centro cultural dedicado a Paul Gauguin, que aqui viveu no início do século XIX, e o cemitério onde se encontram os túmulos de Gauguin e de Jacques Brel, que viveu nesta ilha durante os seus últimos 3 anos. Também nessa estrada se encontra o “Salon de Thé Chez Eliane”, uma espécie de armazém arranjado com mesas e sofás, onde se comem uns bons crepes e, principalmente, o único local público com (medíocre) acesso à internet.

Conseguimos ir à internet nesse local no Sábado de manhã e na 3ª Feira dia 7, porque nos outros dias esteve fechado.

Queríamos ter ido visitar o centro cultural Gauguin, mas com tantos feriados não conseguimos.

Os supermercados abriam geralmente durante a manhã, mas havia rotura de vários stocks, nomeadamente coisas tão simples como batatas e cebolas, porque estavam à espera do barco de reabastecimento. Só na 3ª Feira o comércio retomou o ritmo normal.

No Domingo de Páscoa fomos dar uma volta pela Ilha, num carro com condutor que nos serviu também de guia.
A Ilha de Hiva Oa é montanhosa, com um relevo muito irregular, coberta de floresta virgem, mangais, pinheiros da Polinésia nos locais mais elevados, e toda esta vegetação é densa e exuberante.
As estradas têm alguns troços em cimento, e outros em terra batida, e esta é a razão porque quase só se vêem carros de todo o terreno, com tracção às 4 rodas.

Fomos ver os “Tikis”, estátuas em pedra de figuras humanas, representando sobretudo deuses, chefes tribais ou guerreiros. Vimos um primeiro Tiki isolado, chamado “Tiki sorridente”, uma figura feminina, com cerca de 1 metro de altura, situada próximo de um antigo altar de sacrifícios, constituído por enormes pedras planas sobrepostas.
O nosso condutor levou-nos, depois, a ver o aeroporto da ilha, Aeroporto Jacques Brel, um aeroporto pequeno, muito simples e curioso, nomeado assim porque o cantor belga Jacques Brel, além de ter vivido aqui alguns anos, era piloto, e participou em várias ajudas humanitárias com o seu avião.

Seguimos depois para o lado norte da Ilha, para Puaumau, pequeno porto, conhecido por aí se situar o maior conjunto arqueológico da Ilha, um santuário com inúmeros “Tikis”.
Numa das aldeias por onde passámos, havia uma festa de Páscoa, constituída por um grande almoço comunitário, onde se encontrava o Bispo das Marquesas. Quando nos viram, convidaram-nos para partilhar do almoço deles. Foi um convite que não podíamos recusar. Assim, provámos frango com papaia verde e molho de leite de côco, arroz à cantonês, uma delícia, banana frita e vários outros petiscos. A grande maioria da ilha é católica, mas existem também anglicanos, mormons e a igreja evangélica.

Almoçámos em Puaumau, um picnic levado pelo condutor, onde se destacaram as mangas e as toranjas, que eram óptimas!

De regresso ao barco, foi jantar e descansar. Isto é, era para ser…
O Luís ligou o motor para carregar baterias, e passado algum tempo detectou uma fuga de gases de escape por uma fenda na panela…

Na 2ª Feira, a Sandra arranjou-nos um mecânico, que trabalha no aeroporto, e que veio à tarde. Em dois tempos tirou a panela de escape e levou-a com ele para soldar. Trouxe-a de volta no dia seguinte ao fim da tarde, recolocou-a, e parece estar a funcionar bem.
E já agora, que tínhamos o dia estragado, veio de manhã um técnico de frio arranjar o congelador, que parece estar a funcionar novamente. Só não pudemos experimentar durante tempo suficiente porque estávamos em contenção de energia, enquanto não abastecêssemos.

Na 4ª Feira dia 08, conseguimos finalmente abastecer o barco de gasóleo! Isso significou cinco viagens de dinghy até ao pontão perto da estação de serviço, com 5 jerrycans de cada vez, que tiveram que ser carregados à mão porque não há qualquer carrinho que facilite a tarefa. Mas o pior aspecto de todos é o facto de os pontões para dinghys desta ilha serem umas autênticas armadilhas para os pobres barquitos. Todos os anos vários barcos se furam ou rasgam naqueles pontões.

Depois de todas estas viagens, acabou-se o gasóleo na bomba! Felizmente já tínhamos o necessário para nós, só 2 jerrycans ficaram por encher.

À tarde fomos, o Rui e eu, ao supermercado abastecer. Nesta ilha não há táxis. Pede-se boleia, e geralmente alguém nos leva. Desta vez tivemos a sorte de quem nos levou se ter disposto a esperar por nós e a trazer-nos de volta. Chamava-se “A P” (?) e disse que ia fazer de nosso táxi. E assim foi!
À chegada ao dinghy, mesmo quando tínhamos acabado de meter os sacos e caixas todos lá dentro, caiu uma chuvada súbita e torrencial, que nos encharcou em dois tempos, assim como às nossas compras. E os albóis tinham ficado abertos… (pois é RS!) Enfim, compras e barco molhados, mas barco abastecido, que é o que importa.

Hiva Oa já chega!
Amanhã levantaremos ferro (foi o que pensámos no dia 08).


MA+LA

sábado, 4 de abril de 2015

SEXTA-FEIRA 27 DE MARÇO DE 2015

Quase mais uma semana se passou e o vento, apesar de melhor, continua a dar provas de pouco interesse por nós.

Aqui no Pacífico, pelo menos na zona onde nos encontramos, o vento que vai soprar durante o dia, aparece cedo pela manhã, normalmente com o nascer do sol.
Depois de se instalar de uma forma progressiva mas despachada, sopra com mais força até depois da hora do almoço, abrandando a seguir um pouco até que para o final da tarde começa a cair para a força que vai ter durante a noite. Assim é, digamos, bastante previsível o que se vai passar nas 6-8 horas seguintes.
Até agora não temos tido mais de 12-16 nós durante o período em que sopra com mais força e 8-11 no resto do dia e noite. O que já é bem bom. À noite cai, ás vezes, para 7 e 6 nós. Agora, 23 horas locais, 1330 horas em Lisboa, temos 8-9 nós de vento regular com alguma ondulação. O resultado é uma progressão a cerca de 2,8-3,0 nós o que não é nada porque ainda nos faltam cerca de 500 milhas para Hiva Oa.
Mas estamos bem, com o moral bastante bom.
Se as condições não piorarem, devemos chegar quarta-feira a Hiva Oa, uma das principais ilhas do Arquipélago das Marquesas.
Queríamos chegar até ao dia 31 para podermos confraternizar com as outras tripulações no Rendezvous que vai ter lugar no dia 01ABR na ilha Tahuata.
Quanto à visita e exploração das ilhas dos diferentes grupos, essa, vai ser condicionada (esperamos que pouco) pelo tempo que vamos ter que reservar para os arranjos das avarias.

Devido às limitações impostas pela avaria do gerador, estamos agora sem frio a bordo.
O congelador já tinha sido desligado por avaria - não produz frio e acumula gelo em quantidade muito significativa num tubo de cobre que se encontra fora do espaço do congelador propriamente dito.
O frigorífico foi agora desligado para redução do consumo de energia.
Os frescos já foram todos consumidos e os outros vão sê-lo agora. Quando fizemos o aprovisionamento para esta perna fizemos-lo para 5 semanas. Decidimos bem!
Quanto à produção de água está a ser feita com recurso ao inversor. Tem é um preço pago pelas baterias porque o alternador não consegue gerar suficiente energia. Assim há um consumo de cerca de 20 Ah por cada hora que o dessalinisador trabalha, energia que tem depois de ser reposta.
Colocamos muita expectativa na reparação das avarias no Tahiti.

Os dias passam de uma forma agradável, continuada, sem sobressaltos, sempre com magníficos almoços e jantares (o jantar é sempre uma sopa, mas as sopas do Rui são como que refeições completas …).

O pôr do sol é que tem sido um dos momentos altos do dia. Regra geral é muito bonito, com tons de amarelo e laranja intensos, mais ou menos vivos. A luminosidade é grande e o contraste com o azul escuro do mar torna o desaparecimento do sol num momento em que todos paramos e o ficamos a observar.
Outra coisa que temos tido são noites com luares de grande luminosidade. O luar no hemisfério Sul tem uma intensidade espantosa. Estamos em quarto crescente e a intensidade do luar é francamente superior à que temos em Lisboa com lua cheia. Para navegar à noite é extremamente agradável.

Vou interromper agora para ir chamar a Manuela que vai entrar de quarto.
Actualmente e com três tripulantes cada um de nós faz, à noite (das 22 às 08 horas), dois períodos de 2 horas (4 horas ao todo), com manutenção do horário por opção nossa. O intervalo entre cada período é portanto de 4 horas.
Temo-nos dado muito bem com este esquema que iniciámos quando, na ARC+, passámos de 5 para 3 tripulantes.

Por hoje é tudo.
Boa noite e até amanhã!

DOMINGO 22 DE MARÇO DE 2015


Pacífico.Pacífico mas não tanto …Este é o 5º dia sem vento.Temos desfrutado, de facto, de dias excepcionais em relação às condições do céu (azul e limpo), temperatura, ondulação e mesmo o vento, apesar de fraco, tem sido agradável.O problema é estarmos a meio da maior perna da WARC, 2900 milhas. Este pequeno pormenor está a transformar dias excepcionais em “maus” dias de vela.Tínhamos previsto concluir esta perna antes do dia 27 e não o vamos poder fazer antes do fim do mês (isto se houver vento), o que vai alterar muito a nossa vida. Vamos tratar de toda a parte legal (burocrática, passaportes, “clearance” e às vezes outras questões), dos abastecimentos (víveres e combustível), do planeamento da visita às Marquesas e às Tuamotus, etc..

A presença dos Yellow Shirts que tem sido sempre preciosa sob todos os aspectos, tem tornando a nossa vida extremamente fácil e agradável. Tendo-o sentido até agora da forma mais cómoda, estamo-nos agora a preparar para a falta desse apoio.

Em relação à visita e exploração das Marquesas vai ser feita se possível, uma vez que depende do tempo que nos sobrar.
Pelo meio estamos a tentar simplificar a coordenação dos arranjos - gerador e congelador, que vão ser feitos só no Tahiti, a cerca de 800 milhas de Hiva Oa.
Esta, uma visão menos optimista de uma parte de uma viagem que tem, até agora, decorrido da melhor maneira.

Vamos ver o que Eolo nos reserva …


DOMINGO, 8 A SÁBADO, 14 DE MARÇO DE 2015

DOMINGO, 8 E SEGUNDA-FEIRA, 9 DE MARÇO DE 2016

A noite de Sábado para Domingo foi uma noite de chuvadas. Foram squalls uns atrás dos outros, com os respectivos aguaceiros e ventanias.O Allegro ficou todo molhado (e lavado) por fora, e todo húmido, escorregadio e peganhento por dentro! Além disso, o mar também se tornou mais desencontrado, e o barco rolava de um bordo para o outro constantemente. Andar lá dentro significava andar aos bordos, a bater nas paredes e nos vários obstáculos pelo caminho. As tentativas para se dormir dentro do barco significavam rolar na cama aos sacões, de um lado para o outro, sem posição estável. Tentar dormir cá fora, era igual a ficar todo molhado. Enfim, muito desconfortável.

Felizmente, durante a manhã de Domingo, o céu desanuviou-se e acabou por ser um dia de sol, que contribuiu para secar o barco por fora e por dentro, assim como as almofadas de fora, os cabos, os sapatos, etc…
De madrugada voltou a chuva, mas durante a manhã regressou o sol, para ficar até ao fim do dia.
O gerador tem dado algum trabalho. Primeiro parou sozinho, e o Luís verificou que era a pressão do óleo baixa. Estas coisas acontecem sempre de noite, e assim foi, na noite de Sábado para Domingo. Ontem de manhã, repôs-se o nível.
Depois voltou a ligar-se ao fim do dia, e além de fazer um barulho diferente, não expelia água pelo escape. Era o impeller. Foi substituído hoje. Pôs-se a trabalhar e tudo parecia bem: saía água normalmente pelo escape e não saía pelo local do impeller. Como tínhamos tido o motor a trabalhar durante a noite para carregar baterias, só agora, já de noite, foi necessário ligar o gerador. Ora constatou-se que ele agora deixa sair água pelo local do impeller… Amanhã, com luz do dia, lá terá que se rever novamente o que se passa. E, entretanto, teremos que carregar baterias hoje novamente com o motor, o que é menos eficiente e gasta mais gasóleo.
Não está fácil, este gerador!…
Para animar, temos comido muito bem. Ontem, uns belos bifes com molho de mostarda, que estavam uma delícia. Hoje, um risotto óptimo. E à noite, sopas de legumes que também têm estado muito boas. Nem tudo é difícil a bordo!…


TERÇA-FEIRA 10 DE MARÇO DE 2015 A SÁBADO 14 DE MARÇO DE 2015

Geradores

O tempo tem-se passado à volta do gerador e dos seus problemas.

Apesar de uma “alguma” má fama que o material Fisher Panda tem, confesso que sempre acreditei que não íamos ter problemas. O gerador é novo, tem-lhe sido feita a manutenção, enquanto em Portugal nunca falhou, etc. Por isso tudo ia correr bem, com certeza! Mas não tem corrido, não.

É verdade que os primeiros problemas não tiveram a ver com o gerador propriamente dito - o buraco na panela de escape e depois os fusíveis velhos e mal (?) dimensionados.

Mas agora está a ser diferente. Em menos de 15 dias já vai no 3º impeller, há agora mais uma fuga na tubagem da bomba de água salgada e por último trabalha mas não produz 220V nem para a sua própria bateria, coisa que nunca tinha acontecido.

O problema é que do gerador depende a carga das baterias, o desalinisador, a economia de diesel (o motor principal consome quase dez vezes mais), quase todos os gadjets (cada vez em maior número) e, portanto, o seu não funcionamento tem várias repercussões na vida a bordo.

Continuo a pensar que este nosso gerador é uma obra bem concebida. Parece-me é muito frágil.

Quanto a assistência …

Em Hiva Oa, para onde nos dirigimos ( ainda a 1745NM) não há assistência.

Assistência mesmo, só vai haver no Tahiti, a mais de oitocentas e tal milhas de Hiva Oa (mais dez dias de viagem).

E pelo caminho todos aqueles lugares paradisíacos que desejamos visitar.

Estamos na fase de análise antes de decisões.

Mas o Fisher Panda ou muda radicalmente ou nunca mais!

E o congelador? Esse também avariou.

Não sei porquê mas à volta de um tubo de cobre que dá duas voltas, existe uma “luva” de gelo que se está sempre a formar e a derreter, molhando o que lhe fica por baixo e, creio eu, condicionando o normal arrefecimento do seu conteúdo. Dos 18 graus que fazia em Portugal passou para 12 em Saint Lucia, depois para 8 no Pacífico e agora não passa dos 4 graus negativos. Serão, como dizem, as temperaturas exteriores mais altas a impedir o normal funcionamento? Talvez, mas com a falta de energia a bordo devido aos problemas do gerador, o destino do congelador é “off” até ser tratado por outro especialista …

Para além daqueles problemas, tudo tem decorrido muito bem com o tempo a ficar cada vez melhor e as condições meteorológicas também. E o barco tem-se portado muito bem mesmo.

Mas que fique bem claro que continuamos contentes e satisfeitos com o que estamos a fazer, que desejamos, cada vez mais, continuar até Lagos.

Todos os barcos têm avarias, maiores ou menores, tudo faz parte da realização de um projecto como o nosso.

Mas se o gerador for arranjado, melhor ainda!
Contamos chegar a 27 de Março. Este ano, no final de cada reunião de skippers, cada um faz uma previsão da data de chegada do seu barco. Desta vez a nossa previsão é para esse dia. Continuamos a achar que é possível.

E como o gerador já está fora de combate não vai haver mais avarias até ao Tahiti. Esperamos.



LA






QUARTA-FEIRA, 4 A SÁBADO, 7 DE MARÇO DE 2015

Largámos finalmente! Não é que estivéssemos há muito tempo nas Galápagos (estivemos lá 15 dias), mas chega uma altura em que começamos a desejar largar para uma nova perna. Esta nova perna vai ter 2980 milhas. É por isso considerada a mais comprida de toda a World ARC.Largámos bem, com quase todos os barcos a largarem como se fossem para uma regata. Foi bonito.

O primeiro dia decorreu sem nada de significativo a assinalar: vento a favor, corrente a favor, ondas de altura moderada. Foi um dia que nos foi favorável. A noite veio com uma lua cheia a iluminar tudo até ao horizonte. Contudo, à medida que as horas iam passando o vento começou a diminuir, obrigando-nos, quando o SOG (“speed over ground”) chegou aos 2,5 nós, a ligar o motor. Ficámos um pouco desapontados porque a previsão era para vento fraco, mas não tão fraco…
O dia seguinte começou com um nascer do sol radioso, vento e ondas q.b.. O vento lá voltou, não forte, mas com intensidade suficiente para manter o barco a andar. E assim se manteve todo o dia.
Depois de um anoitecer vulgar, a lua, que continuava cheia, acabou por deixar de estar encoberta pelas nuvens, e iluminou de uma forma incrível o mar e o barco. O ambiente originado pela intensidade da luz da lua, os seus reflexos no mar, o barco com as velas enfunadas que deslizava quase sem fazer atrito, criaram condições deslumbrantes que há muito tempo não tínhamos. Acabámos por ficar noite dentro a saborear o que nos estava a ser proporcionado.
Mas não há bela sem senão - o gerador que tinha sido posto a trabalhar para fazer água, parou subitamente com uma indicação de falta de pressão de óleo. Felizmente já tinha carregado as baterias e feito 150 litros de água. No dia seguinte confirmámos a diminuição do nível do óleo, e repusemo-lo no valor correcto.
Ontem já tudo foi diferente. O vento foi caindo até que passou a ser insuficiente para manter o barco a progredir e com um mínimo de estabilidade. De facto, o Allegro, com pouco vento e com alguma ondulação de través, adquire um movimento de rolar de um bordo para o outro, atingindo por vezes 25 ou mais graus. É um rolar desagradável, e muito prejudicial para o material, obrigando por vezes a baixar as velas e a ligar o motor. Foi o que aconteceu desta vez. Só ao fim de muitas horas é que o vento começou a manter velocidades de 12-13 nós, permitindo-nos de novo içar as velas.
Hoje tem sido um dia mais “molhado”, com alguns squalls; não foram muitos, mas arrastaram com eles parte do sal que impregna todo o barco. Recorde-se que a última vez que estivemos numa marina com água doce foi em Flamenco Marina, na Cidade do Panamá.
E assim se passaram os 4 primeiros dias de uma série previsível de cerca de 24.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

SEGUNDA-FEIRA 23 DE FEVEREIRO DE 2015

SEGUNDA-FEIRA 23 E TERÇA-FEIRA 24 DE FEVEREIRO DE 2015

Viemos ontem de Puerto Baquerizo Moreno para Puerto Ayora, o centro tecnicamente mais desenvolvido para arranjos, aqui nas Galápagos. É, portanto, o “fim da linha” …
Portanto a esperança que depositamos na qualificação e no trabalho do electricista é total (e final …).

Tenho que confessar que nunca pensei que esta situação se pusesse pôr. O gerador sempre tem trabalhado bem e o que aconteceu (deixou de haver 220V disponíveis no barco apesar de o gerador continuar a trabalhar normalmente e a produzir 220V (na linha que alimenta o carregador da sua própria bateria eles estão lá os 220V).
O resultado é não dispormos de 220V nem para carregar baterias, nem para fazer água, os dois principais utilizadores dos 220V a bordo.
Termos então de o fazer através do alternador do motor principal - consumo muito mais elevado, e horas de trabalho para o motor principal.
Um gerador bom, de confiança, é fundamental e sede de muito bem estar e tranquilidade. A vida a bordo modifica-se por completo sem ele. Basta pensar na diferença entre ter ou não congelador e/ou frigorífico …

O Agente da WCC, Ricardo Arenas, já esteve comigo esta tarde.
O electricista, Cláudio, ainda hoje (?) ou amanhã vem a bordo para começar o trabalho.
Vamos ver…

À tarde, quando fomos a terra beber uma cerveja estivemos com a Teresa Gago.



TERÇA-FEIRA 24 DE FEVEREIRO DE 2015

Hoje foi um grande dia!

Quando o electricista Cláudio chegou logo percebi a sua simplicidade e grande boa vontade mas um nível de conhecimentos que me pareceu ficar bastante aquém do que estava a precisar de observar.
Expliquei-lhe tudo o que se tinha passado, sem esquecer que tinham sido identificados dois fusíveis fundidos e que deveriam ser substituídos por dois disjuntores.
Seguiu-se a parte prática onde se percorreram parte dos passos que o Per (do “Ayama”) já tinha percorrido.
Até que chegou aos tais fusíveis!
Estavam fundidos!
Só então percebeu que já lho tinha dito quando ele chegou e lhe fiz o historial do que se tinha passado.
Estávamos depois do meio da manhã. O Cláudio acabou por interromper o seu trabalho a bordo do Allegro porque não parava de ser chamado para resolver outras questões e ficou de voltar às 1500 horas.
Fomos a terra desanuviar. Já estávamos realmente pelos cabelos, fartos de um problema que parecia simples mas que não se resolvia e de pensar como ia ser a perna das 2900 milhas sem gerador …
Sem gerador e sem frigorífico ou sem congelador, porque se não há gerador não há outros luxos.
Passeámos, almoçámos, saboreámos umas cervejas e regressámos, mais refeitos.

Pelas 1500 lá estávamos todos novamente a trabalhar.
Mas os disjuntores não podiam ser colocados porque a placa metálica que os ia suportar tinha uns 05/10 mm a mais …
Assim o Cláudio saiu novamente porque tinha que ir cortar a placa e eu não tinha material para a cortar. E não paravam de o chamar …
Pouco tempo depois estava de volta para montar os disjuntores. Quando acabou pediu-me para ligar tudo.
E tudo funcionou !!! E os disjuntores de 10A não saltaram quando liguei o carregador de baterias. Só não liguei, simultaneamente, o dessalinizador porque a água da baía está tão suja que corria o risco de sujar as membranas.
O Cláudio estava feliz (e nós também!), sorria. A mesma simplicidade e boa vontade continuavam a transparecer no seu olhar, como se não tivesse feito nada de extraordinário. De facto não foi extraordinário, mas a partir daquele momento a nossa vida mudou completamente.
As baterias foram carregadas completamente em metade do tempo que tinha sido necessário para as carregar com o alternador, foram carregados telemóveis, computadores, iPads, baterias das câmaras fotográficas e de vídeo, enfim todos os gadjets. A vida voltou ao “normal” porque voltámos a ter, novamente, energia suficiente para manter toda esta tecnologia.