Allegro (no Mediterrâneo)

Allegro (no Mediterrâneo)
Allegro nas Baleares

sábado, 4 de abril de 2015

QUARTA-FEIRA, 4 A SÁBADO, 7 DE MARÇO DE 2015

Largámos finalmente! Não é que estivéssemos há muito tempo nas Galápagos (estivemos lá 15 dias), mas chega uma altura em que começamos a desejar largar para uma nova perna. Esta nova perna vai ter 2980 milhas. É por isso considerada a mais comprida de toda a World ARC.Largámos bem, com quase todos os barcos a largarem como se fossem para uma regata. Foi bonito.

O primeiro dia decorreu sem nada de significativo a assinalar: vento a favor, corrente a favor, ondas de altura moderada. Foi um dia que nos foi favorável. A noite veio com uma lua cheia a iluminar tudo até ao horizonte. Contudo, à medida que as horas iam passando o vento começou a diminuir, obrigando-nos, quando o SOG (“speed over ground”) chegou aos 2,5 nós, a ligar o motor. Ficámos um pouco desapontados porque a previsão era para vento fraco, mas não tão fraco…
O dia seguinte começou com um nascer do sol radioso, vento e ondas q.b.. O vento lá voltou, não forte, mas com intensidade suficiente para manter o barco a andar. E assim se manteve todo o dia.
Depois de um anoitecer vulgar, a lua, que continuava cheia, acabou por deixar de estar encoberta pelas nuvens, e iluminou de uma forma incrível o mar e o barco. O ambiente originado pela intensidade da luz da lua, os seus reflexos no mar, o barco com as velas enfunadas que deslizava quase sem fazer atrito, criaram condições deslumbrantes que há muito tempo não tínhamos. Acabámos por ficar noite dentro a saborear o que nos estava a ser proporcionado.
Mas não há bela sem senão - o gerador que tinha sido posto a trabalhar para fazer água, parou subitamente com uma indicação de falta de pressão de óleo. Felizmente já tinha carregado as baterias e feito 150 litros de água. No dia seguinte confirmámos a diminuição do nível do óleo, e repusemo-lo no valor correcto.
Ontem já tudo foi diferente. O vento foi caindo até que passou a ser insuficiente para manter o barco a progredir e com um mínimo de estabilidade. De facto, o Allegro, com pouco vento e com alguma ondulação de través, adquire um movimento de rolar de um bordo para o outro, atingindo por vezes 25 ou mais graus. É um rolar desagradável, e muito prejudicial para o material, obrigando por vezes a baixar as velas e a ligar o motor. Foi o que aconteceu desta vez. Só ao fim de muitas horas é que o vento começou a manter velocidades de 12-13 nós, permitindo-nos de novo içar as velas.
Hoje tem sido um dia mais “molhado”, com alguns squalls; não foram muitos, mas arrastaram com eles parte do sal que impregna todo o barco. Recorde-se que a última vez que estivemos numa marina com água doce foi em Flamenco Marina, na Cidade do Panamá.
E assim se passaram os 4 primeiros dias de uma série previsível de cerca de 24.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

SEGUNDA-FEIRA 23 DE FEVEREIRO DE 2015

SEGUNDA-FEIRA 23 E TERÇA-FEIRA 24 DE FEVEREIRO DE 2015

Viemos ontem de Puerto Baquerizo Moreno para Puerto Ayora, o centro tecnicamente mais desenvolvido para arranjos, aqui nas Galápagos. É, portanto, o “fim da linha” …
Portanto a esperança que depositamos na qualificação e no trabalho do electricista é total (e final …).

Tenho que confessar que nunca pensei que esta situação se pusesse pôr. O gerador sempre tem trabalhado bem e o que aconteceu (deixou de haver 220V disponíveis no barco apesar de o gerador continuar a trabalhar normalmente e a produzir 220V (na linha que alimenta o carregador da sua própria bateria eles estão lá os 220V).
O resultado é não dispormos de 220V nem para carregar baterias, nem para fazer água, os dois principais utilizadores dos 220V a bordo.
Termos então de o fazer através do alternador do motor principal - consumo muito mais elevado, e horas de trabalho para o motor principal.
Um gerador bom, de confiança, é fundamental e sede de muito bem estar e tranquilidade. A vida a bordo modifica-se por completo sem ele. Basta pensar na diferença entre ter ou não congelador e/ou frigorífico …

O Agente da WCC, Ricardo Arenas, já esteve comigo esta tarde.
O electricista, Cláudio, ainda hoje (?) ou amanhã vem a bordo para começar o trabalho.
Vamos ver…

À tarde, quando fomos a terra beber uma cerveja estivemos com a Teresa Gago.



TERÇA-FEIRA 24 DE FEVEREIRO DE 2015

Hoje foi um grande dia!

Quando o electricista Cláudio chegou logo percebi a sua simplicidade e grande boa vontade mas um nível de conhecimentos que me pareceu ficar bastante aquém do que estava a precisar de observar.
Expliquei-lhe tudo o que se tinha passado, sem esquecer que tinham sido identificados dois fusíveis fundidos e que deveriam ser substituídos por dois disjuntores.
Seguiu-se a parte prática onde se percorreram parte dos passos que o Per (do “Ayama”) já tinha percorrido.
Até que chegou aos tais fusíveis!
Estavam fundidos!
Só então percebeu que já lho tinha dito quando ele chegou e lhe fiz o historial do que se tinha passado.
Estávamos depois do meio da manhã. O Cláudio acabou por interromper o seu trabalho a bordo do Allegro porque não parava de ser chamado para resolver outras questões e ficou de voltar às 1500 horas.
Fomos a terra desanuviar. Já estávamos realmente pelos cabelos, fartos de um problema que parecia simples mas que não se resolvia e de pensar como ia ser a perna das 2900 milhas sem gerador …
Sem gerador e sem frigorífico ou sem congelador, porque se não há gerador não há outros luxos.
Passeámos, almoçámos, saboreámos umas cervejas e regressámos, mais refeitos.

Pelas 1500 lá estávamos todos novamente a trabalhar.
Mas os disjuntores não podiam ser colocados porque a placa metálica que os ia suportar tinha uns 05/10 mm a mais …
Assim o Cláudio saiu novamente porque tinha que ir cortar a placa e eu não tinha material para a cortar. E não paravam de o chamar …
Pouco tempo depois estava de volta para montar os disjuntores. Quando acabou pediu-me para ligar tudo.
E tudo funcionou !!! E os disjuntores de 10A não saltaram quando liguei o carregador de baterias. Só não liguei, simultaneamente, o dessalinizador porque a água da baía está tão suja que corria o risco de sujar as membranas.
O Cláudio estava feliz (e nós também!), sorria. A mesma simplicidade e boa vontade continuavam a transparecer no seu olhar, como se não tivesse feito nada de extraordinário. De facto não foi extraordinário, mas a partir daquele momento a nossa vida mudou completamente.
As baterias foram carregadas completamente em metade do tempo que tinha sido necessário para as carregar com o alternador, foram carregados telemóveis, computadores, iPads, baterias das câmaras fotográficas e de vídeo, enfim todos os gadjets. A vida voltou ao “normal” porque voltámos a ter, novamente, energia suficiente para manter toda esta tecnologia.

domingo, 22 de fevereiro de 2015

QUINTA-FEIRA, 19 A DOMINGO, 22 DE FEVEREIRO DE 2015

E aqui estamos nós, chegados a Galápagos!
Para já, a impressão é óptima!
Durante a viagem para cá, com uma noite de muito vento, dias sem vento e dias equilibrados (houve de tudo um pouco!...), tivemos por várias vezes a visita de pássaros que se instalavam à proa, tendo variado entre um e três. Vendo agora fotos de pássaros daqui, concluímos que alguns deles eram alcatrazes de bico azul e patas vermelhas!
Quando nos aproximámos demos com uma foca a nadar ao lado do barco.
E à chegada ao porto para ancorarmos, um grupo de leões marinhos apanhava banhos de sol numas rochas próximas da margem. Depois vimos o que já tínhamos lido: leões marinhos a treparem para todos os barcos a que conseguem ter acesso, refastelados nos degraus de trás dos catamarans, e nas popas dos barcos com popas baixas.




Quando viemos a terra, num taxi aquático, no cais estava uma família deles, com um pequenino a querer mamar, numa mãe meio preguiçosa, que mal se mexia, e com o pai na água a fazer uns rosnidos barulhentos. Enfim, isto está a prometer, e explica o encanto de Darwin por estas terras!

Este início foi escrito no dia da chegada aqui, à Ilha de San Cristobal, no Arquipélago das Galápagos.
Chegámos no dia 19 de Fevereiro de manhã. As vindas a terra são por taxi aquático, o que acaba por ser muito mais simples  do que utilizar o dinghy, até porque não é caro.

Nesse dia foi logo combinado com a equipa da WCC que dá apoio ao Rally , a vinda a bordo da equipa de inspecção das autoridades de Galápagos. Já tínhamos preparado tudo com antecedência, desde limpar o fundo do barco (foi feito na Marina em Shelter Bay); até à separação do lixo em lixo orgânico e lixo reciclável durante a viagem para aqui; comermos todos os frescos que podiam levantar problemas (tínhamos uma lista extensa de alimentos proibidos, como laranjas, e de alimentos com restrições, como bananas por exemplo); colarmos uns avisos bem à vista a dizer para não se deitar lixo no mar, ou para se usar o tanque de águas sujas durante a permanência aqui; e finalmente tínhamos colocado bem à vista os detergentes e sabonetes amigos do ambiente oferecidos pelo Pedro e a Tânia em Portugal!
E a inspecção correu muito bem, e tivemos autorização para vir a terra.
 Diariamente há uma "happy hour" entre as 5 e as 8 da tarde, no Hotel Miconia,  onde está instalado o Rally Control, para convívio das tripulações e para se tratar dos papéis necessários ao prosseguimento da viagem. Lá fomos e mais uma vez foi agradável saber notícias dos outros barcos, os sucessos, os problemas, as aventuras e as soluções. É uma faceta muito interessante deste cruzeiro em grupo, conversar e ir conhecendo as diferentes histórias dos barcos, skippers e tripulantes.
Acabámos a jantar num restaurante de grelhados, uma construção em madeira despretensiosa, mas em que os pratos vinham muito bem apresentados e decorados. Contrastes simpáticos!








Entretanto descobrimos que o gerador, apesar de arrancar normalmente, não produzia 220 V... Assim, não carrega as baterias, nem pode fazer funcionar o dessalinizador. Tem que ser resolvido. Conseguiu-se que viesse a bordo um electricista daqui de San Cristobal. Ficámos os dois a bordo por causa disso, enquanto o Rui e a Teresa foram fazer um passeio pela ilha, ver uma lagoa no interior duma cratera de vulcão, ver uma espécie de quinta onde os animais aí criados são, nada mais nada menos que tartarugas gigantescas, e ainda uma casa numa árvore que é a maior árvore do país Equador.
O electricista fez o seu melhor, mas não conseguiu detectar a causa da avaria nem resolvê-la.

No dia 21, Sábado, fomos fazer um tour já marcada pelo WCC, chamado "Kicker Rock Tour". Já várias tripulações de outros barcos o tinham feito e descreviam-no como muito bom, de modo que as nossas expectativas eram muito altas. E não foram defraudadas!
Tratava-se de ir fazer "snorkeling" junto a uma rocha chamada "Kicker Rock". Trata-se de uma rocha vulcânica, no meio do mar, que sofreu uma fissura que a dividiu em duas. É imponente. É um local de nidificação de várias aves, entre elas os alcatrazes de patas azuis ou vermelhas (ou "blue feet boobies" ou "red feet boobies") e a fragata.
Para além disso, tem uma vida subaquática muito rica, e portanto fazer "snorkeling" aí é muito especial. E foi! Uma experiência inesquecível! Andamos a nadar por entre múltiplos cardumes de peixes pequenos e... por cima de tubarões de várias espécies, incluindo tubarões-martelo, tubarões das Galápagos, tubarões com as pontas das barbatanas pretas ("black tip sharks"), ou brancas ("white tip. sharks"). Sim, tubarões!... Que estavam uns 3 ou 4 metros abaixo de nós, e não nos ligavam nenhuma!
Vimos também vários tipos de raias, marmoreadas ou cheias de pintas brancas. Em cardumes de 4 ou 5, passavam majestosamente por baixo de nós, uma maravilha! E ainda as tartarugas, com as quais também nadámos. Foi um a experiência em cheio!
Antes de irmos para Kicker Rock, ainda fomos à praia de Longaria, fazer snorkeling. A caminho, vimos iguanas marinhas, e, na praia, alguns leões marinhos. durante o snorkeling vimos vários tipos de peixes, raias e tartarugas.
Na proximidade de Kicker Rock, tivemos tambem a surpresa de vermos cinco baleias, bastante próximas do barco!



Almoçámos a bordo da lancha que nos levou, e depois fomos ainda a uma praia de areia muito branca, com alguns leis marinhos por ali, caranguejos vermelhos nas rochas negras, e um banho com uma temperatura fantástica!
Soubemos depois que enquanto passeámos pela praia, um leão marinho entrou para bordo da lancha e instalou-se lá dentro, no sítio onde antes pousávamos os pés quando estávamos sentados. Incrível! Estão mesmo por todo o lado, e não se assustam com a presença de pessoas. O condutor da lancha teve que o afugentar!
Foi um dia que não esqueceremos!
 Ao fim da tarde vieram cá a bordo o Per e a Christine (tripulantes do Ayama). Ele percebe de arranjos em barcos, parte eléctrica, motores e geradores, e ofereceu-se para vir cá tentar perceber o que se passava. E assim foi. Depois de várias horas a trabalhar, a suar (a casa das máquinas é quentíssima), disse-nos que o problema não parecia ser do gerador, mas sim de conexões já à saída dele. O Luís passou o tempo com ele  a ajudá-lo no que podia, e nós estivemos a conversar com a Christine. Acabaram por  jantar cá connosco e ele prometeu voltar hoje para continuar.

Entretanto, o Luís decidiu ir para Puerto Ayora na Ilha de Santa Cruz, onde há muito mais recursos,  em vez de ir para a ilha Isabel, a mais bonita e interessante, como estava previsto. A possibilidade de nos resolverem o problema nas Galápagos reside em Puerto Ayora. Assim, teve que se alterar o plano de "zarpe" de Isabella para Santa Cruz, o que foi feito esta manhã com o agente da WCC.

A seguir ao almoço, o Per voltou, e por aqui está há muito tempo. Descobriu um fusível que fundiu, e que é certamente parte do problema. Só falta saber porque fundiu...

Entretanto a Teresa começou a ver o fim das suas férias a aproximar-se, e decidiu ir conhecer mais um pouco das Galápagos. Quando foi a terra esta manhã, comprou um bilhete de ferry e foi hoje para Santa Cruz. Só depois soube que nós vamos amanhã para lá. Lá nos encontraremos então. A nossa ideia é, uma vez lá a tentar arranjar a avaria, ir a Isabella de ferry para conhecer mais essa ilha que parece ser a mais interessante.

TERÇA-FEIRA, 24 DE FEVEREIRO DE 2015

Aproveitando um intervalo no trabalho do electricista, fomos ver o Parque Natural e a Fundação Darwin, onde se faz criação de tartarugas, e onde existem tambem iguanas terrestres. aqui ficam umas imagens.










quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

SEXTA-FEIRA 13 DE FEVEREIRO DE 2015

15 February 2015


Sexta-feira dia 13 …

Todos parecíamos com pouca vontade de arrancar, houve até quem perguntasse, pelo VHF, se a hora da largada tinha sido alterada.
Mas às 11:00 estávamos já a caminho.

Largámos com 15-16 nós, já então com sinais do vento ir aumentar. Largámos, quase todos, com as velas rizadas.
A parte inicial do caminho exige alguma atenção devido à pouca água que existe por vezes, mas depois de ultrapassada a navegação é simples e pudemos passar a dar mais atenção ao vento e ao mar.
Vento e mar que foram aumentando de uma forma constante, devagar mas sempre a aumentar.
Manteve esta tendência durante toda a tarde e continuou durante a noite de forma a manter velocidades de vento primeiro sempre acima dos 20 nós primeiro e depois, mais tarde pela noite dentro, sempre acima dos 30. Para tornar a situação mais emocionante, atravessámos uma zona de tráfego mais intenso com barcos em posição e com rumo a necessitar de contacto por VHF para garantir que nos viam e que se iam desviar.
Tudo se foi resolvendo, e o Allegro portou-se realmente bem.
Não houve quartos, estávamos no poço quando era preciso. As rajadas mais intensas (algumas) ultrapassaram os 42 nós, a velocidade máxima do Allegro os 11 nós. O barco manteve um andamento, por vários períodos de tempo de ora 7 ora 8 ora mesmo 9 nós de velocidade. Tudo se foi passando de uma forma cautelosa mas bastante trabalhosa. Houve uma ou outra cambadela tendo-se um dos mordedores do moitão da vela grande partido. Já foi substituído.
Já pela madrugada dentro, o mar e o vento foram-se apaziguando, também progressivamente, seguindo-se uma tranquilidade que nos permitiu recuperar.
Agora estamos há 36 horas a motor porque o vento continua abaixo dos 5 nós.
Mantemo-nos a singrar para SW à procura dos ventos de Leste.
Um pormenor que me chamou a atenção - no Oceano Atlântico, a intensidade de vento que tivemos, desencadearia um comportamento do mar muito pior.

QUINTA-FEIRA, 05 A SÁBADO, 07 DE FEVEREIRO DE 2015 - CIDADE DO PANAMA

15 February 2015

Na 5ªFeira, dia 5, fizemos um “tour” pela Cidade do Panamá, que nos levou primeiro ao ponto mais alto da cidade, para vermos a vista e compreendermos melhor a disposição da cidade. Atravessámos depois a Puente del Centenario, que nos permitiu ver, de terra, as eclusas de Pedro Miguel e Miraflores que atravessáramos na véspera. E, nessa zona, circundada por montes elevados constituídos por terreno de grande dureza, vimos o “Colebra Cut”, assim designado pela sua tortuosidade. Esta foi a porção do Canal de mais difícil construção, pela dureza do terreno, e onde o número de mortes de trabalhadores foi maior.
O “tour” terminou no “Casco Viejo”, isto é, na parte antiga da Cidade do Panamá. Está em fase de recuperação, com vários edifícios já recuperados, alguns muito bonitos. Mas tem ainda muitos muito degradados. Dentro de uns anos, depois de muito trabalho, poderá vir a ficar muito bonita. Por lá reencontrámos as Índias Guna a venderem as suas “molas”, mais baratas do que em San Blas…
Almoçámos no “Mercado Marítimo”, zona popular com o mercado de peixe e várias esplanadas à volta para se comer “ceviche”, peixe frito ou marisco.
A Margarida e Ricardo deixaram o Allegro no dia 5. Estava combinado desde Lisboa que o fariam na Cidade do Panamá. Como ainda têm dias de férias ficaram uns ias num Hotel na Cidade e foram depois para Contadora, em Las Perlas, onde voltámos a estar juntos.
Fomos jantar com eles à parte moderna da cidade, a zona dos arranha-céus. São imensos, construídos todos nos últimos 14 anos. Visto de longe é muito bonito, tem bom aspecto, e a vista da Marina de Flamenco para a zona dos prédios ao final do dia, ou durante a noite, é bonita. Quando se chega perto, tudo o que é infra-estruturas, e aspectos de pormenor, é incrível. Os passeios com buracos enormes, inesperados e não assinalados; os fios eléctricos das ruas todos à vista, em molhes pendurados dos postes; uma ribeira poluída, a céu aberto passa entre dois arranha-céus… Enfim, uma balbúrdia e uma desordem.
Mas achámos que eles são um povo alegre, que gosta de dançar, cantar e… de jogar. Há casinos com máquinas e mesas de jogo por todo o lado na Cidade do Panamá.
O jantar foi óptimo, num Restaurante de carne, tirámos as saudades de uns bons bifes!…
Abastecemos de gasóleo no dia 6, e mudaram-nos para um pontão mais abrigado do vento, e com fingers, se bem que novamente sem electricidade. Não se pode ter tudo, pelos vistos…
A Marina onde ficámos não tinha lavandaria e a ida a uma lavandaria na cidade foi complicada, sobretudo por falta de informação. Acabámos numa Lavamatix, lavandaria self servicegerida por chineses. A comunidade chinesa é enorme aqui também.
O aprovisionamento do barco fizemo-lo num centro comercial imenso com dezenas (centenas?) de lojas de marca e um grande hipermercado, o Allbrook Mall.
E assim, no final do dia 7, ficámos prontos para zarpar no dia seguinte.

QUARTA-FEIRA 04 DE FEVEREIRO DE 20015

15 February 2015

A noite passou-se muito bem.
O amanhecer foi diferente de todos os outros porque se acompanhou de uma “algazarra” ensurdecedora e assustadora inicialmente por nós atribuída a animais selvagens. Mas a intensidade era tal que nos pareceu que não poderia ter essa origem. Pensámos, então, que se trataria de de um ruído com ponto de partida nas máquinas e obras do alargamento do canal. Só mais tarde, o Advisor nos disse que eram, de facto, macacos que produziam aquele ruído. Imaginar o tamanho dum tal macaco a partir do ruído ouvido era difícil pois a intensidade e a natureza do som propriamente dito sugeriam um enorme animal.

Pelas 07:00 horas começaram a chegar os Advisors.
Soltaram-se as amarras, e o caminho na direcção das eclusas teve início.
Depois tudo se repetiu, nas locas de Pedro Miguel e depois nas de Miraflores. Agora mais “rotinado” o trabalho de encostar e amarrar os barcos, de entrar no canal e parar no sítio indicado foi mais fácil e perfeito. A mudança para um nível mais baixo em relação ao Lago Gatun tornou, ainda mais rápida a passagem destas eclusas.
Quando se abriu de Miraflores o caminho em frente levou-nos ao Pacífico que, diz-se, começar quando se passa por baixo da Ponte América, local onde se ouviram as nossas palmas e um apito da buzina.

Tínhamos chegado ao Oceano Pacífico, sem dúvida outro marco na nossa viagem!
Dirigimo-nos para a Marina de Flamenco onde chegámos e amarrámos a meio da tarde.
Marina de médias e grandes lanchas com condições mais que precárias - sem água e sem electricidade em muitos pontões, sem um segurança em permanência na porta de acesso que está sempre fechada, sem internet, sem casas de banho capazes, com um só outro duche também quase sempre fechado, com as casas de banho que nos foram destinadas muito longe do pontão onde estávamos, em péssimas condições e com acesso, também, para os funcionários do estaleiro, sem lavandaria …
Má, francamente má esta Marina que pratica os preços mais elevados que até agora suportámos.

Encostámos a um pontão novo com muito espaço perto da entrada da Marina, em posição desabrigada. Estavam lá o "Juno” e o "Luna Quest”. O “A Plus 2” já se tinha ido embora.
Durante a tarde fomos a uma pequena reunião na Marina Plaiyta onde ficou parte da frota.
O jantar, com espectáculo ao vivo (dança do ventre) foi agradável.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

TERÇA-FEIRA, 03 DE FEVEREIRO DE 2015 - CANAL DO PANAMÁ (1)

Atravessar o Canal do Panamá.
É um pensamento habitualmente de curta duração e intensidade, porque não passa, geralmente, de um momento de imaginação. Pensa-se em como deve ser interessante fazê-lo.

Desta vez foi diferente porque íamos mesmo atravessar o canal.
A chegada a Shelter Bay Marina, último ponto antes da travessia, contribuiu para tornar tudo ainda mais real:
- 1 - primeiro a subida do Allegro para controlar o estado do anti-fouling e substituir o zinco do hélice;
- 2 - depois a reunião de preparação com o Paul Tetlow onde nos foi explicado tudo o que ia acontecer, com bastante pormenor, no dia seguinte - horas, locais, grupos de barcos, nome dos "Advisers", conduta a ter com eles, canais de comunicação, etc, etc;
- 3 - reunião entre os diferentes barcos que vão fazer a travessia abraçados (a travessia faz-se, habitualmente, com os barcos abraçados 3 a 3) para definir quem vai a BB e a EB do barco mais importante (o que vai no meio, habitualmente um catamaran), como se prepara e executa o "abraçar" dos barcos, quem fornece as defensas, quem fornece os cabos;
- a entrega nos barcos dos cabos de nylon que vão serão utilizados pelos "line handlers" e dos pneus que servirão de defensas para o lado de fora dos barcos de fora (para não riscar o casco em caso de qualquer problema).
No dia seguinte a manhã passou-se na preparação final dos barcos.
Pelas 15:15 estávamos a caminho da zona de fundeio F. VHF canais 72 e 12 e pedido de autorização para cruzar o canal para nos dirigirmos para a zona F e fundear.
Pelas 16:30 os Advisers estavam a bordo dos diferentes barcos e a explicação do que se ia passar tinha sido dada. O "nosso" chamava-se Osvaldo e achou óptimo o jantar que lhe preparámos - bacalhau espiritual. Comeu, repetiu, tirou uma fotografia que enviou à Mulher e escreveu a receita!
Já íamos, entretanto, a caminho, as eclusas estavam mais perto. Com vento moderado de N, tivemos frequentemente que meter marcha à ré para diminuir a velocidade.
Progressivamente fomos tomando as posições indicadas, nós paralelamente e a BB do "Afar VI" que ia no centro, o Indra a EB (não pertence ao Rally).
Então, de repente, tudo começou a acontecer - às ordens dadas pelos Advisers todos começaram a trabalhar como se nunca tivessem feito outra coisa. No convés, do lado de dentro dos varandins todos colaboravam, passando cabos da proa de um dos barcos para a popa do outro, cabos da proa de um para a proa do outro e da popa de um para a popa do outro, tal como tinha sido combinado na reunião de véspera, aproximando e prendendo os 3 barcos como se fossem um só. O governo dos 3 barcos era agora mantido pelo motor do central e corrigido pelos motores dos outros dois, encaminhando-nos para a entrada da eclusa onde entrámos bem alinhados. Já lá dentro foram feitas as últimas correcções antes dos Line Handlers do canal lançarem, sobre o convés, os cabos que depois usaram para recolherem os outros cabos de nylon de grande bitola. Os três barcos abraçados são mantidos em posição na eclusa pelos 4 cabos de nylon de grande bitola - dois vão para a proa de cada um dos barcos laterais e dois para a sua popa. Foram estes 4 cabos de nylon que foram depois utilizados para imobilizarem e manterem parado o grupo de três embarcações.
Agora tudo estava pronto para elevar o nível da água em cerca de 12 metros. A azáfama a bordo dos três barcos parou progressivamente dando a todos a possibilidade de disfrutarem do espectáculo.
A entrada de água processa-se com grande rapidez, dando origem a correntes visíveis que interferem significativamente com a estabilidade dos barcos que às vezes se começam a atravessar, obrigando a correcções nem sempre fáceis de fazer porque têm que afectar os três barcos.
Antes de abrirem as eclusas, os 4 cabos de nylon voltam novamente para cada um dos barcos que se encontram nas extremidades.
Inicia-se depois o caminho até à eclusa seguinte onde tudo se repete para se subirem outros tantos metros e, depois, o mesmo, na terceira.
Assim se completa a subida para o lago Gatun para onde se sai quando se abrem as comportas.
Dirigimo-nos depois para uma zona de fundeio, com sondas sempre acima dos 18 metros. Nessa zona existem duas grandes boias onde os barcos que acabaram esta primeira parte podem ficar, também abraçados, até ao dia seguinte. Foi o que aconteceu, ficámos 4  barcos abraçados numa boia e 4 na outra.
(...)


LA