Allegro (no Mediterrâneo)

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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

QUINTA-FEIRA, 05 A SÁBADO, 07 DE FEVEREIRO DE 2015 - CIDADE DO PANAMA

15 February 2015

Na 5ªFeira, dia 5, fizemos um “tour” pela Cidade do Panamá, que nos levou primeiro ao ponto mais alto da cidade, para vermos a vista e compreendermos melhor a disposição da cidade. Atravessámos depois a Puente del Centenario, que nos permitiu ver, de terra, as eclusas de Pedro Miguel e Miraflores que atravessáramos na véspera. E, nessa zona, circundada por montes elevados constituídos por terreno de grande dureza, vimos o “Colebra Cut”, assim designado pela sua tortuosidade. Esta foi a porção do Canal de mais difícil construção, pela dureza do terreno, e onde o número de mortes de trabalhadores foi maior.
O “tour” terminou no “Casco Viejo”, isto é, na parte antiga da Cidade do Panamá. Está em fase de recuperação, com vários edifícios já recuperados, alguns muito bonitos. Mas tem ainda muitos muito degradados. Dentro de uns anos, depois de muito trabalho, poderá vir a ficar muito bonita. Por lá reencontrámos as Índias Guna a venderem as suas “molas”, mais baratas do que em San Blas…
Almoçámos no “Mercado Marítimo”, zona popular com o mercado de peixe e várias esplanadas à volta para se comer “ceviche”, peixe frito ou marisco.
A Margarida e Ricardo deixaram o Allegro no dia 5. Estava combinado desde Lisboa que o fariam na Cidade do Panamá. Como ainda têm dias de férias ficaram uns ias num Hotel na Cidade e foram depois para Contadora, em Las Perlas, onde voltámos a estar juntos.
Fomos jantar com eles à parte moderna da cidade, a zona dos arranha-céus. São imensos, construídos todos nos últimos 14 anos. Visto de longe é muito bonito, tem bom aspecto, e a vista da Marina de Flamenco para a zona dos prédios ao final do dia, ou durante a noite, é bonita. Quando se chega perto, tudo o que é infra-estruturas, e aspectos de pormenor, é incrível. Os passeios com buracos enormes, inesperados e não assinalados; os fios eléctricos das ruas todos à vista, em molhes pendurados dos postes; uma ribeira poluída, a céu aberto passa entre dois arranha-céus… Enfim, uma balbúrdia e uma desordem.
Mas achámos que eles são um povo alegre, que gosta de dançar, cantar e… de jogar. Há casinos com máquinas e mesas de jogo por todo o lado na Cidade do Panamá.
O jantar foi óptimo, num Restaurante de carne, tirámos as saudades de uns bons bifes!…
Abastecemos de gasóleo no dia 6, e mudaram-nos para um pontão mais abrigado do vento, e com fingers, se bem que novamente sem electricidade. Não se pode ter tudo, pelos vistos…
A Marina onde ficámos não tinha lavandaria e a ida a uma lavandaria na cidade foi complicada, sobretudo por falta de informação. Acabámos numa Lavamatix, lavandaria self servicegerida por chineses. A comunidade chinesa é enorme aqui também.
O aprovisionamento do barco fizemo-lo num centro comercial imenso com dezenas (centenas?) de lojas de marca e um grande hipermercado, o Allbrook Mall.
E assim, no final do dia 7, ficámos prontos para zarpar no dia seguinte.

QUARTA-FEIRA 04 DE FEVEREIRO DE 20015

15 February 2015

A noite passou-se muito bem.
O amanhecer foi diferente de todos os outros porque se acompanhou de uma “algazarra” ensurdecedora e assustadora inicialmente por nós atribuída a animais selvagens. Mas a intensidade era tal que nos pareceu que não poderia ter essa origem. Pensámos, então, que se trataria de de um ruído com ponto de partida nas máquinas e obras do alargamento do canal. Só mais tarde, o Advisor nos disse que eram, de facto, macacos que produziam aquele ruído. Imaginar o tamanho dum tal macaco a partir do ruído ouvido era difícil pois a intensidade e a natureza do som propriamente dito sugeriam um enorme animal.

Pelas 07:00 horas começaram a chegar os Advisors.
Soltaram-se as amarras, e o caminho na direcção das eclusas teve início.
Depois tudo se repetiu, nas locas de Pedro Miguel e depois nas de Miraflores. Agora mais “rotinado” o trabalho de encostar e amarrar os barcos, de entrar no canal e parar no sítio indicado foi mais fácil e perfeito. A mudança para um nível mais baixo em relação ao Lago Gatun tornou, ainda mais rápida a passagem destas eclusas.
Quando se abriu de Miraflores o caminho em frente levou-nos ao Pacífico que, diz-se, começar quando se passa por baixo da Ponte América, local onde se ouviram as nossas palmas e um apito da buzina.

Tínhamos chegado ao Oceano Pacífico, sem dúvida outro marco na nossa viagem!
Dirigimo-nos para a Marina de Flamenco onde chegámos e amarrámos a meio da tarde.
Marina de médias e grandes lanchas com condições mais que precárias - sem água e sem electricidade em muitos pontões, sem um segurança em permanência na porta de acesso que está sempre fechada, sem internet, sem casas de banho capazes, com um só outro duche também quase sempre fechado, com as casas de banho que nos foram destinadas muito longe do pontão onde estávamos, em péssimas condições e com acesso, também, para os funcionários do estaleiro, sem lavandaria …
Má, francamente má esta Marina que pratica os preços mais elevados que até agora suportámos.

Encostámos a um pontão novo com muito espaço perto da entrada da Marina, em posição desabrigada. Estavam lá o "Juno” e o "Luna Quest”. O “A Plus 2” já se tinha ido embora.
Durante a tarde fomos a uma pequena reunião na Marina Plaiyta onde ficou parte da frota.
O jantar, com espectáculo ao vivo (dança do ventre) foi agradável.

sábado, 7 de fevereiro de 2015

TERÇA-FEIRA, 03 DE FEVEREIRO DE 2015 - CANAL DO PANAMÁ (1)

Atravessar o Canal do Panamá.
É um pensamento habitualmente de curta duração e intensidade, porque não passa, geralmente, de um momento de imaginação. Pensa-se em como deve ser interessante fazê-lo.

Desta vez foi diferente porque íamos mesmo atravessar o canal.
A chegada a Shelter Bay Marina, último ponto antes da travessia, contribuiu para tornar tudo ainda mais real:
- 1 - primeiro a subida do Allegro para controlar o estado do anti-fouling e substituir o zinco do hélice;
- 2 - depois a reunião de preparação com o Paul Tetlow onde nos foi explicado tudo o que ia acontecer, com bastante pormenor, no dia seguinte - horas, locais, grupos de barcos, nome dos "Advisers", conduta a ter com eles, canais de comunicação, etc, etc;
- 3 - reunião entre os diferentes barcos que vão fazer a travessia abraçados (a travessia faz-se, habitualmente, com os barcos abraçados 3 a 3) para definir quem vai a BB e a EB do barco mais importante (o que vai no meio, habitualmente um catamaran), como se prepara e executa o "abraçar" dos barcos, quem fornece as defensas, quem fornece os cabos;
- a entrega nos barcos dos cabos de nylon que vão serão utilizados pelos "line handlers" e dos pneus que servirão de defensas para o lado de fora dos barcos de fora (para não riscar o casco em caso de qualquer problema).
No dia seguinte a manhã passou-se na preparação final dos barcos.
Pelas 15:15 estávamos a caminho da zona de fundeio F. VHF canais 72 e 12 e pedido de autorização para cruzar o canal para nos dirigirmos para a zona F e fundear.
Pelas 16:30 os Advisers estavam a bordo dos diferentes barcos e a explicação do que se ia passar tinha sido dada. O "nosso" chamava-se Osvaldo e achou óptimo o jantar que lhe preparámos - bacalhau espiritual. Comeu, repetiu, tirou uma fotografia que enviou à Mulher e escreveu a receita!
Já íamos, entretanto, a caminho, as eclusas estavam mais perto. Com vento moderado de N, tivemos frequentemente que meter marcha à ré para diminuir a velocidade.
Progressivamente fomos tomando as posições indicadas, nós paralelamente e a BB do "Afar VI" que ia no centro, o Indra a EB (não pertence ao Rally).
Então, de repente, tudo começou a acontecer - às ordens dadas pelos Advisers todos começaram a trabalhar como se nunca tivessem feito outra coisa. No convés, do lado de dentro dos varandins todos colaboravam, passando cabos da proa de um dos barcos para a popa do outro, cabos da proa de um para a proa do outro e da popa de um para a popa do outro, tal como tinha sido combinado na reunião de véspera, aproximando e prendendo os 3 barcos como se fossem um só. O governo dos 3 barcos era agora mantido pelo motor do central e corrigido pelos motores dos outros dois, encaminhando-nos para a entrada da eclusa onde entrámos bem alinhados. Já lá dentro foram feitas as últimas correcções antes dos Line Handlers do canal lançarem, sobre o convés, os cabos que depois usaram para recolherem os outros cabos de nylon de grande bitola. Os três barcos abraçados são mantidos em posição na eclusa pelos 4 cabos de nylon de grande bitola - dois vão para a proa de cada um dos barcos laterais e dois para a sua popa. Foram estes 4 cabos de nylon que foram depois utilizados para imobilizarem e manterem parado o grupo de três embarcações.
Agora tudo estava pronto para elevar o nível da água em cerca de 12 metros. A azáfama a bordo dos três barcos parou progressivamente dando a todos a possibilidade de disfrutarem do espectáculo.
A entrada de água processa-se com grande rapidez, dando origem a correntes visíveis que interferem significativamente com a estabilidade dos barcos que às vezes se começam a atravessar, obrigando a correcções nem sempre fáceis de fazer porque têm que afectar os três barcos.
Antes de abrirem as eclusas, os 4 cabos de nylon voltam novamente para cada um dos barcos que se encontram nas extremidades.
Inicia-se depois o caminho até à eclusa seguinte onde tudo se repete para se subirem outros tantos metros e, depois, o mesmo, na terceira.
Assim se completa a subida para o lago Gatun para onde se sai quando se abrem as comportas.
Dirigimo-nos depois para uma zona de fundeio, com sondas sempre acima dos 18 metros. Nessa zona existem duas grandes boias onde os barcos que acabaram esta primeira parte podem ficar, também abraçados, até ao dia seguinte. Foi o que aconteceu, ficámos 4  barcos abraçados numa boia e 4 na outra.
(...)


LA

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

SÁBADO, 31 DE JANEIRO DE 2015

TERÇA-FEIRA, 27 DE JANEIRO DE 2015

Depois da entrada oficial no Panamá, em porvenir, passámos a noite num bom ancoradouro próximo da costa, na Isla Linton, juntamente com o "Exocet Strike" e o "Karma Win". Na manhã seguinte rumámos a Shelter Bay.
 Chegámos no dia 27 à Marina de Shelter Bay, situada já na baía de acesso ao Canal do Panamá.
O movimento de grandes navios era muito grande, sobretudo navios fundeados dentro e fora da Baia Limon, a baia de acesso ao Canal do Panamá. segue-se uma fotografia do plotter, onde é impressionante a quantidade de "AIS"!
 Repetiu-se o ritual habitual de lavagem do barco por fora, ir à lavandaria (aqui é novamente self-service, com a ajuda das empregadas locais), limpar o barco por dentro, repor as provisões para a estadia aqui, etc. Este ritual repete-se a cada chegada a um porto, e é bastante cansativo. Mas está feito.
As ilhas de San Blas preencheram as nossas expectativas e gostaríamos de ter ficado por lá mais tempo.
Aqui em Shelter Bay já nos foram medir o barco para calcular o preço a cobrar para atravessarmos o Canal. Medem tudo incluindo o que fica saliente no barco, e parece que há quem retire os "turcos" para pagar um pouco menos... Já tirámos o barco da água para limpar o casco porque nas Galápagos exigem um comprovativo de que essa limpeza foi feita há pouco tempo, por razões ambientais... Substituímos o zinco do hélice, que já estava a precisar (???).
A culinária a bordo continua de vento em popa. É a área que maior interesse desperta entre os nossos tripulantes!
Há dias, a Margarida fez um jantar tipicamente português, alheiras de caça com arroz de ervilhas (não havia grelos...) e ovo estrelado. Para sobremesa, fez a preferida do Luís: mousse de chocolate. Acabámos por convidar o casal francês do barco "A Plus 2", Jean e Christiane, para provarem o petisco. Eles levaram vinho tinto turco e como não foi suficiente, abrimos mais uma garrafa de vinho argentino. Enfim, acabou por ser uma refeição verdadeiramente internacional!

Dia 29 de Janeiro fomos a uma zona comercial nos arredores de Colon. Muitas lojas com ar de "made in China", muita confusão, mas o supermercado é bom e bem abastecido. A Margarida, Ricardo e Rui quiseram ficar por lá a ver o que havia, e nós dois viemos embora num autocarro trangalhadanças, numa estrada cheia de buracos, a cruzarmo-nos com autocarros e camiões que pareciam tirados de um livro do Tintin! À ida para lá tivemos que parar durante quase meia hora, porque a estrada cruza o Canal do Panamá.  Vimos passar, a 200 metros do autocarro, um paquete de passageiros holandês, e depois um porta-contentores! Incrível! Giríssimo!
 Nessa noite, chegou a Teresa Gago, mesmo a tempo de jantar connosco. Somos agora 6 a bordo!
O jantar foi aqui no Restaurante da Marina, chamado "Somewhere it's five o'clock".
Foi um buffet de comida panamiana. Só eu e o Luís é que gostámos porque misturavam pratos salgados com outros doces. Gosto muito dessa mistura agridoce; e também de provar as comidas dos locais por onde vamos passando.


SEXTA-FEIRA, 30 DE JANEIRO - VISITA A GATUN LOCK
 No dia 30, fomos visitar a eclusa que fica aqui mais perto, a eclusa de Gatun, Gatun Lock.
Muito interessante. Pudemos observar um enorme cargueiro cheio de contentores, que cabia mesmo, mesmo à justa na largura da eclusa. Observámos todo o processo, desde o encerramento das portas de trás da eclusa, o seu preenchimento com água, vinda da eclusa imediatamente a jusante, abertura das portas de diante, progressão do cargueiro, puxado por locomotivas com aspecto muito robusto; seguiram o cargueiro dois rebocadores do Canal, e novamente se encerraram as portas. Tudo isto foi observado de uma sala elevada acima do nível da eclusa. Vimos passar à nossa frente as pilhas de contentores, pois o casco do navio ficava lá em baixo. Gostámos muito!




 O Canal do Panamá fez 100 anos em Agosto do ano passado.
Está em construção uma expansão do Canal, que também fomos ver. O local de observação fica a uma distância considerável, e gostaríamos de ter podido ver a obra de mais perto. Mas está preparado para os visitantes, e apresentam um vídeo com um pouco da história da construção do Canal, e outro sobre a obra de expansão do Canal. Muito interessante também.


O Canal tem instaladas câmaras ao longo do seu trajecto. Essas câmaras permitem ver o trânsito do Canal em tempo real no site do Canal do Panamá, cujo endereço é o seguinte:

http://www.pancanal.com/eng/photo/camera-java.html

SEGUNDA-FEIRA, 26 DE JANEIRO DE 2015

ILHA DE PORVENIR - Entrada oficial no Panamá.

No Domingo, 26 de Janeiro de 2015, largámos da Ilha Chichime e fomos para a Ilha Porvenir, a poucas milhas de distância. 
No trajecto vimos vários, repito vários, barcos encalhados nos recifes circundantes. Encalhados, virados de lado, sem mastro, e com ar de não ter sido há muito tempo. Impressionante! E assustador! Parece que houve um temporal maior, há uns meses, em que vários barcos garraram e acabaram nos recifes. E aí ficaram!

 
A Ilha de Porvenir tem um pequeno aeródromo, já desde o tempo da Segunda Guerra, quando os Americanos o construíram e utilizaram. A ilha é quase só a pista de aviação, mais uns coqueiros numa ponta e as instalações da Fronteira do Panamá. Mesmo assim é um Porto de entrada.
Aí se pode fazer a entrada oficial no Pais. Com a vantagem de a burocracia ser de algum modo mais fácil aí. E mesmo assim!...
Passámos por quatro "offices":
Primeiro, pela Emigração. Passaportes, carimbos, etc, e 100 dólares por pessoa.
Segundo, pela "Comunidade Guna": mais papéis, e mais 20 dólares por pessoa.
Terceiro, pelo "Harbour Master": papéis do barco, papel da saída do barco da Colômbia, ...
E, finalmente, quarto, a Polícia: mais perguntas, papéis, carimbos.
Felizmente, os "Yellow Shirts" da WCC ajudaram muito neste processo todo. Foram-nos dizendo o que havia a fazer, orientando neste jogo de secretárias e ainda fotografando alguns dos papéis mais importantes.



Neste posto de Polícia, assisti a uma cena muito curiosa. O Polícia queria saber explicar aos barcos que a bandeira do Panamá tinha que ser colocada no local mais alto do barco. Então, pediu a um dos "Yellow Shirts" que lhe ensinasse como é que dizia isso em inglês, e foi escrevendo num caderno, soletrando, a frase correspondente: " yo must put de Panama flage on de highest position on de boat". Agora já pode dizê-la aos barcos que futuramente ali passem.

Ao levantarmos a âncora em Porvenir, veio agarrado um grande pedaço do que parecia ser ou um saco enorme de serapilheira ou a vela de um dos "ulus" locais. Deu algum trabalho a soltar aquilo do ferro, enquanto eu fazia círculos entre os outros barcos, sem sair para fora do limite deles, intimidada pela vista anterior de tanto barco encalhado nos recifes... Correu tudo bem, libertámos a âncora e rumámos à Ilha Linton, depois de sair da barreira de corais.
 
Linton é uma ilha situada junto à costa do Panamá, com um bom ancoradouro, a meio caminho da distância que nos separava da baía de entrada do Canal do Panamá.

Chegámos ao destino logo após o pôr do sol. Fundeámos e ainda demos um mergulho numa água a 28 oC, ao anoitecer, antes do jantar. O local era muito abrigado e seguro. Foi uma boa opção, em vez de fazermos o trajecto durante a noite. 

Na manhã seguinte, sem pressas, e novamente depois de um banho de mar, largámos para a Marina de Shelter Bay.
Esta fica já no interior da enorme baía que dá acesso ao Canal do Panamá.
À medida que nos aproximávamos, foi aumentando o movimento dos grandes navios, embora a grande maioria estivesse fundeada tanto no exterior como no interior da baía. A entrada é muito larga, muito bem sinalizada (com o sistema YALA B, o mesmo que se pratica deste lado do Atlântico, desde Saint Lucia) e fez-se sem quaisquer problemas.
Entrámos na Marina pelas 14.00 h.

MA+LA

domingo, 1 de fevereiro de 2015

DOMINGO, 23 A TERÇA-FEIRA, 25 DE JANEIRO DE 2015

ILHAS DE SAN BLAS - ÍNDIOS GUNA

As Ilhas de San Blas são mais de 300, espalhadas ao longo da costa nordeste do Panamá. Segundo o guia, são únicas no Mundo em vários aspectos. Pertencem ao Panamá, mas são administradas pela tribo indígena dos Índios Guna, que, de todas as tribos das Américas, são os que melhor preservaram a sua cultura e tradição. Têm zonas de floresta virgem intocada ainda, e são um local de cruzeiros de veleiros de uma beleza incrível.
As ilhas e o território adjacente constituem a Guna Yala. Os Gunas não dividem a terra em propriedades individuais. Aceitam os estrangeiros que os visitam, mas proíbem que se instalem em permanência, ou que casem com Gunas. Os estrangeiros não podem comprar terras ou investir na Guna Yala, embora sejam aceites donativos. Os Guna são de estatura pequena, bem proporcionados, saudáveis e cheios de energia. São pacíficos, não agressivos.
São uma nação determinada, organizada e unida, com uma hierarquia rigorosa de chefes tribais. Cada aldeia tem 3 “sailas” (chefes) que constituem a autoridade máxima da aldeia. Três “Caciques” ou chefes máximos regem a nação como um todo, cada um representando a sua parte da terra. Destes, um será eleito chefe supremo da Nação Guna. Os “Sailas” são mais do que chefes políticos. São também detentores da espiritualidade, poesia, conhecimento médico e história Guna.
Os Guna não sofrem de stress. Levantam-se antes do nascer do sol, metem-se nos seus caiaques “ulu” e remam até ao continente, onde chegam com o nascer do dia. Alguns ainda têm uma caminhada de cerca de 1 hora, para trabalharem na colheita de banana, outra fruta, lenha e cana de açúcar. Pela uma hora regressam à ilha. O resto do dia é passado a descansar, a pescar, ou a velejar no “ulu” com a família. À noite, passam algum tempo no “congresso” e deitam-se cedo.
A sociedade Guna é uma sociedade matriarcal. As mulheres controlam o dinheiro , e os maridos mudam-se para o agregado familiar da mulher quando se casam. Muitas vezes são as mulheres que escolhem os maridos.As aldeias Guna são pitorescas, limpas, e confundem-se com a floresta circundante. As cubatas são feitas de materiais renováveis, de crescimento rápido. O chão é ligeiramente elevado, de terra compactada, e as paredes são de canas. o tecto é artisticamente trabalhado com uma folha de palmeira especial. não utilizam pregos, mantendo tudo unido com materiais naturais da floresta. De forma notável, o interior das cubatas continua completamente seco quando chove. Esses telhados duram em média 15 anos. No interior não há móveis, apenas redes penduradas.
Numa aldeia típica há 2 cubatas maiores. Uma é o “congresso”, onde se reunem diariamente ao fim do dia; os “sailas”, guardiões do conhecimento Guna, balançando-se nas suas redes; à volta deles há 2 anéis de pessoas - num anel interior sentam-se as mulheres e as crianças, e no exterior, os homens adultos. Toda a gente tem oportunidade de exprimir queixas ou ideias. A outra é uma cubata onde se realizam cerimónias de carácter espiritual uma ou duas vezes por ano.
O principal suporte da economia Guna são os cocos. Até há poucos anos, os cocos constituíam a moeda de troca. Os cocos são comprados pelos barcos colombianos que, em troca, trazem mantimentos. A Guna Yala exporta lagosta, caranguejos, e polvo. As mulheres vendem “molas”, panos coloridos com desenhos por vezes muito elaborados, de peixes, aves, e outros animais, feitos com pedaços de tecidos que são cosidos entre eles. São o artesanato mais famoso do Panamá.

SEXTA-FEIRA, 23 DE JANEIRO
Fomos de dinghy para a Ilha das Tortugas (ou Ilha dos BBQ). Aí, deparámos-nos com uma mesa grande de madeira, com bancos de madeira corridos, uma relva aparada, e uma cubata onde se vendiam cervejas, cocos, e “molas”. 







Noutro local preparava-se já um fogo para fazer os grelhados. A água transparente e turquesa, a areia muito branca. Uma maravilha. Todas as tripulações participaram no convívio, trazendo comida dos seus barcos. Alguns trouxeram peixe que tinham pescado, para grelhar; outros tinham comprado caranguejos grandes que foram igualmente grelhados. Nós, juntamente com as tripulações do “A Plus 2” e do “Juno” tínhamos encomendado lagostas (bem pequenas, por sinal) e uma salada de búzios e polvo, e almoçámos juntos.
Foi um dia muito agradável, de convívio e banhos e passeio pela ilha, que era pequena, mas acolhedora. Foi um dia bem passado!


SÁBADO, 24 DE JANEIRO

Levantámos âncora e velejámos para outro conjunto de ilhas, “Coco Bandero Cays” - outro local muito bonito, onde passámos o dia a banhos e descanso. Ao final do dia fomos à ilha maior, onde assistimos à venda de “molas” pelas mulheres Guna. Muito bem dispostas, muito persistentes, ficaram muito contentes com o negócio. Algumas delas falavam espanhol, o que facilitou a comunicação. Vestem-se de cores tão garridas como as “molas” que vendem. As chefes usam um piercing de ouro no nariz. Os homens estavam afastados, junto à entrada das cubatas, a assistirem ao negócio das mulheres.










 







 








DOMINGO, 25 DE JANEIRO
Velejámos para oeste, para a ilha de Chichime, onde foi o “Rendezvous” da WARC. Cada barco cozinhou um prato para levar, e foi muito simpático e curioso provarmos a comida de vários países num só almoço! As bebidas vendiam-se em terra.
O Paul Tetlow fez uma reunião agradável sobre o que nos esperava nos próximos dias. Passou-se muito bem mais este dia de convívio entre tripulações. O banho de mar no final foi uma maravilha.