Allegro (no Mediterrâneo)

Allegro (no Mediterrâneo)
Allegro nas Baleares

domingo, 21 de dezembro de 2014

CHEGADA A SAINT LUCIA - 07 DEZEMBRO 2014

Finalmente, no dia 07 de Dezembro de 2014, de manhã, avistámos Saint Lucia!









Sem vento, tivemos que fazer a aproximação da ilha toda a motor (3 dias ...).




 Às 14h43m hora local (18.43 UTC), cruzámos a linha de chegada em Rodney Bay - Saint Lucia!


É tao bom chegar!
Estamos muito contentes com a travessia - momentos melhores, outros menos bons, alguns problemas, um tempo assim assim, mas globalmente estamos satisfeitos uns com os outros e com a experiência.

A recepção foi inesquecível, com os outros barcos e tripulações a tocarem businas, apitos, a baterem palmas e a chamarem "Allegro"!
"Até valeu a pena sermos os últimos"!!

Os "yellow shirts" da ARC esperavam por nós no pontão, para nos ajudarem a amarrar, juntamente com uma caribenha com um tabuleiro com "rum ponche" e uma cesta de fruta, enquanto uma mini-banda tocava música nuns instrumentos que parecem umas tampas de bidons, côncavas, com um som característico e típico daqui.

Para além destes, vários tripulantes de outros barcos vieram também receber-nos e ouvir as notícias da travessia. Foi muito agradável e uma alegria!

Atenção: - Podem ver mais fotografias (e melhores, e mais completas) da nossa chegada no site da WCC, na "Gallery", seleccionando o Allegro.


Na noite de dia 07 houve um evento organizado pela WCC, com comes e bebes nuns toldos colocados nos relvados, que aproveitámos para conviver com as tripulações de outros barcos. Aí encontrámos também a tripulação do Magelanus, e com eles acabámos a beber um rum a bordo.




quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

MENSAGENS ENVIADAS PARA O BLOG DO WCC - 19 NOV A 06 DEZ 2014

19 a 26 de Novembro de 2014

Manter em dia um blog enquanto se percorrem pernas que duram duas, ou, às vezes, três semanas, torna-se impossível.
Por isso começamos hoje esta coluna - para que aqueles que querem saber mais sobre nós o possam fazer.
Este é um espaço que o WCC põe à disposição de todos os barcos, por isso o vamos aproveitar.
Para lhe aceder:
- vai-se ao site da WCC, à sua "Home Page"
 <www.worldcruising.com>
Depois escolhe-se ARC
Depois, escolhe-se "Logs" (na coluna do lado esquerdo) e
Finalmente escolhe-se o barco Allegro.
Nesse espaço serão colocados textos durante o período em que estivermos no mar, que ao chegarmos a terra publicaremos no nosso blogue.


A estadia em Cabo Verde foi demasiado curta e muito marcada pelo abandono do projecto pelos dois tripulantes mais recentes - o Zé Pedro e a Rita.
Foi com muita pena que tivemos que aceitar a sua decisão.
Tivéramos momentos muito agradáveis de interajuda e convívio entre todos nós, que vimos terminar de uma forma súbita e nunca esperada.
Ficam as boas recordações.

Largámos do Mindelo atrasados e mais atrasados ficámos com a busca do barco e da bóia da linha de largada (???).
Rapidamente passámos da zona de aceleração entre ilhas para a zona de sombra de Santo Antão.
Ao pôr do sol eram vários os participantes parados à espera de um pouco de vento.
Finalmente o Mané (Magelanus III) avisou-nos por VHF da existência de uma zona com vento mais à frente, que nunca chegámos a encontrar.
Acabou por ser uma noite cheia de “vento de porão”.

A viagem tem decorrido globalmente muito bem, com um ou outro momento mais atarefado quando as condições de tempo o exigiram.
O barco tem-se portado bem, com excepção da sua tendência não controlável em oscilar permanentemente de um bordo para o outro, o que lhe dificulta a progressão com ventos até aos 15 nós, ventos que temos tido frequentemente.
A rotina diária começa agora a instalar-se.
Os quartos estão a ser feitos pelos três, com um período diurno de 4 h cada um, e dois períodos nocturnos de 2 h também para cada um.
Os almoços e jantares continuam a ser principescos, sempre confeccionados pelo Rui, que é um cozinheiro de valor ímpar. Tem sido um bom companheiro.
As comunicações por SSB têm funcionado bem, se bem que a distancia crescente entre os barcos da frota as torne por vezes menos claras.
Por VHF, as comunicações não são exequíveis dada a referida distância que separa os diferentes barcos.
Em relação à pesca, as coisas não estão a correr bem. O único peixe que (quase) pescámos, um dourado pequeno, fugiu ao ser içado para bordo.

Contamos chegar a Saint Lucia para o final da próxima semana.

LA


6ª Feira, 28 de Novembro de 2014

Desta vez não teve graça.
Eram cerca de 18 horas. O gerador estava a trabalhar há cerca de 1 hora, agora com um ruído estranho e diferente do habitual.
Por baixo dos paneiros, era só água!
Não sabíamos se era doce ou salgada. Estava por baixo do salão, a meio e dos lados, na casa das máquinas, na zona do corredor da cozinha, e, menos, nos camarotes de BB e EB, e no WC da proa.
Não tinha gasóleo, mas tinha uma tonalidade cinzenta escura e um sabor salgado.
A casa das máquinas, essa, estava francamente quente, com uma atmosfera fumarenta, densa e húmida.
Depois de esvaziada toda aquela água, e de verificarmos que não se refazia, começámos a ficar mais sossegados.
Tudo fazia pensar tratar-se de um problema com o gerador (entretanto, logo desligado). Mas dentro da sua caixa, tudo estava bem.
Foi uma lanterna que nos mostrou um gotejar por baixo da panela de escape do gerador, que, depois de se ligar novamente o gerador, se transformou num jorro de água sob pressão.

Tudo estava molhado e escorregadio.
Nada parava quieto, nem nós.

Depois de acabarmos de esgotar a água que se encontrava em locais mais escondidos, o saldo era o seguinte:
1) Impossibilidade de utilizarmos o gerador para carregar baterias ou produzir água com o dessalinizador;
2) Contenção de energia - desligar definitivamente o congelador, que vinha a trabalhar mal desde há algum tempo; desligar o frigorífico; reduzir ao mínimo o consumo da electrónica e da iluminação;
3) Ausência de pressão na canalização da água por avaria das duas bombas de água.

Em poucos segundos, 1000 milhas que nos pareciam já poucas (e que íamos festejar ao jantar), tinham-se transformado numa dor de cabeça.
Não era isto o combinado!…

Faltava esclarecer porque é que o nível do gasóleo tinha baixado tanto.
Depois do transvase de 3 jerricans (com a luz do dia já quase inexistente), fomos finalmente jantar.
Cozinhados sempre de alto nível. Desta vez, foi uma “canja fingida”, para ser fácil de cozinhar e de comer!…

Felizmente, há reserva grande de água potável a bordo, o vento continua regular, e o mar está finalmente mais sossegado.
Para usar água doce, utiliza-se a bomba de pé do lavatório do WC da proa.
A loiça lava-se com água salgada, graças à bomba instalada no lava-loiças.

LA + MA

Pensei sempre que o Fisher Panda (o gerador…) nos poderia vir a dar problemas. Até constituía já uma piada entre nós. Afinal, o coitado estava inocente! A culpada foi a panela do escape dele!

Pregou-nos um bom susto, esta brincadeira.
Quando o Luís levantou o paneiro da sala e vimos a água sob o chão do salão e a chegar já ao nível dele, aquela massa de água oscilando de um lado para o outro com os movimentos do barco, no meio do oceano, a 1000 milhas da costa… Metia muito respeito. Foi um momento emocionante!

Felizmente, encontrou-se a causa, e o remédio é só (!) não ligarmos mais o dito Fisher Panda!…

MA


Segunda-feira 01 Dezembro 2014

Tem sido um dia agradável, com o mar e o vento ainda um bocado remexidos, mas já com um aspecto mais parecido com o esperado para os alísios.

Esta tarde tive de ir novamente à popa do barco, para aceder à porta do leme do Hydrovane, por ser necessário dar um jeito no freio do pin.
Não ficou exactamente como queria, mas ficou muito melhor. Foi o que o mar permitiu. O barco com as velas recolhidas, faz 3-4 nós!…

Os “squalls” continuam escassos e muito pacíficos. Mas já apanhámos algumas chuvadas maiores.
Faltam-nos ainda 700 e poucas milhas para a linha de chegada que queríamos cortar, a todo o esforço, dentro do limite definido: 1200 h locais do dia 08 de Dezembro, em St. Lucia.

Depois de tanto empenho e esforço, não cruzar a linha de chegada é decepcionante. Mas o gasóleo tem mesmo que ser racionado.

Mas já falta pouco. O moral está bom, e as refeições continuam fantásticas.

Hoje estivemos a verificar o conteúdo do congelador, porque ele não estava a funcionar em condições e acabou por ter que ser desligado no regime de poupança de energia, quando constatámos que não podíamos ligar o gerador.
Foi mais animador do que esperávamos. À parte umas poucas coisas que tiveram que ir servir de alimento aos peixinhos, já foi feito o inventário, e começámos logo hoje com uma feijoada com pézinhos de porco, entrecosto e chouriço preto, que estava muito boa.

Parámos com as tentativas de pesca para “despacharmos” a comida do congelador.

LA+MA


Terça-feira 02 de Dezembro de 2014

Hoje o dia acordou com um magnífico nascer do sol a que se seguiu uma manhã e uma tarde quentíssimas.
Vento é que nada, ou quase nada, porque só raramente chega aos 12 nós. Tantas milhas para fazer e tão pouco vento.

Há bocado fizemos uma tentativa para pôr o barco a andar com vento. Depois de passado o squall, rapidamente passámos para os 2,1 nós. Ainda pensámos em tomar um duche com água doce mas o squall acabou por passar mais longe.

Depois das comunicações falámos com o Mané - estão bem, cerca de 150 Milhas à nossa frente (mais ou menos um dia) têm tido algumas avarias mas poucas e pouco importantes. Ainda bem! Também não têm comunicado com ninguém …

Vamos ver o que a noite nos reserva...

Até amanhã!


Sábado, 06 de Dezembro de 2014

Hoje o vento tem estado permanentemente inferior a 8 nós.
Apanhámos com um “squall” grande, carregado de chuva fresca e com algum vento, mas com uma duração limitada e uma direcção inadequada (dos quadrantes Sul).
Assim, temos vindo a motor.
Contamos chegar amanhã à tarde.
Está um tempo quente e abafado.
Hoje o almoço foi feito por mim - Arroz de salsichas e “Crumble” de maçã. Foi dia de folga do "cozinheiro Rui"...
Interrompemos temporariamente as tentativas de pesca, porque há muitas algas à superfície e já tivemos que recolher a amostra várias vezes e desembaraçá-la do meio de um emaranhado de algas.
Nas primeiras vezes ficámos todos entusiasmados com o barulho da linha a correr, para depois constatarmos que só tínhamos pescado algas!
O Luís tentou perceber o que se passa com as bombas de água. Parecem ter ficado isoladas.
De Saint Lucia daremos mais notícias.

MA+LA

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

CABO VERDE - CIDADE DO MINDELO

Já em Cabo Verde, cidade do Mindelo, na ilha de S.vicente.
Chegámos no Domingo, 16 de Novembro, às 14.32.
Acabou por ser uma "perna" longa!...
Na primeira noite, dia 9, na tentativa (aconselhada) de nós afastarmos das zonas de aceleração (zonas entre ilhas onde o vento é canalizado, aumentando de intensidade significativamente), acabámos por apanhar vento força 8, com 38 nós mantidos e picos até 43 nós. Não foi muito agradável, até porque como já não navegávamos há vários dias, alguns dos tripulantes marearam-se, e como as ondas acompanharam o aumento do vento, o barco parecia uma máquina de lavar no programa de centrifugação, e foi desconfortável.
Nos dias seguintes o vento diminuiu, por vezes até demais, e acabou por ser um percurso longo e relativamente lento, com ventos de popa. Fomos dos últimos a chegar, o que nos deixa com pouco tempo para pôr novamente o barco em ordem, limpinho, arrumado, e reabastecido.
Tem sido um "ver se te avias", com lavandaria, lavagem do barco por fora, ida ao supermercado, limpeza por dentro, tudo isto intercalado com um passeio pela Ilha, com um belo banho de mar na Baía das Gatas, um churrasco na Praia Grande, com acompanhamento de música local, e regresso a tempo de receber a roupa da lavandaria!...
Não temos parado!
No meio de tudo isto, soubemos, inesperadamente, na segunda-feira de manhã, que a nossa tripulação passará de 5 para 3 elementos! O Pedro e a Rita não continuam.
Mais notícias seguirão em Santa Lucia, porque estamos de largada daqui a pouco para a travessia do Atlântico, e ainda há (há sempre...) umas "coisinhas" a fazer!
Até ao lado de lá!

domingo, 9 de novembro de 2014

ÚLTIMA SEMANA PRÉ-ARC+

No dia 01 de Novembro abriram finalmente os escritórios da ARC aqui na Marina de Las Palmas!
Começámos por fazer o check-in nessa mesma manhã. Fizemo-lo com a Suzana, que já tínhamos conhecido anteriormente, e que é portuguesa. Faz, desde há alguns anos, parte da equipa das "yellow-shirts", os elementos da ARC que dão um apoio fantástico aos participantes da ARC no início, no final e, no caso da ARC+, também em Cabo Verde. São assim designados porque vestem polos amarelos, o que permite distingui-los facilmente no meio dos tripulantes dos barcos. A Susana é muito profissional, e além disso muito prestável e simpática. Foi um prazer fazermos o check-in em português! Relembrou-nos vários pontos importantes para que esta fase seja agradável apesar dos preparativos e arranjos que ainda nos esperam. O principal foi relembrar que este é "o nosso sonho" e que é para ser divertido! (E não apenas trabalhoso e stressante...) É sempre bom relembrar.

No dia 30 chegara a Las Palmas o meu irmão, João Manuel, skipper do Magelanus III (que viaja com pavilhão belga). Já tinha trazido o barco para Las Palmas em meados de Setembro, e regressou de avião agora. Fomos jantar os três - um jantar de skippers (a que eu assisti por ser da família!...). Jantámos no Real Club Nautico, para pormos a conversa em dia.
No dia 31, ele jantou connosco a bordo do Allegro para conhecer melhor a nossa tripulação e provar os petiscos de bordo.

No dia 01 à tarde fomos ao Supermercado, comprar os "não-perecíveis" e as bebidas. Felizmente eles entregam as compras no barco, o que poupa muito trabalho e a despesa de alugar um carro ou vir de taxi.

À noite tivemos as "Welcome Drinks" num Bar aqui da Marina. Foi muito bom para irmos conhecendo tripulações de outros barcos.


No dia 03 de Novembro fomos a um jantar no Club Varadero, o Restaurante Embarcadero, com a mesma finalidade de permitir que nos vamos conhecendo uns aos outros um pouco mais.
Do Allegro só fomos nós os dois, foram os dois tripulantes do Magelanus , e ficámos numa mesa com ingleses de um lado e italianos do outro. Um dos ingleses é skipper de um catamaran, e vai também fazer a World ARC.

No dia 04 de Novembro, terça feira, começaram os Seminários. Têm lugar numa sala do Real Club Nautico.
Durante a manhã houve 3:
- "Management of Emergencies" - muito bom.
- "Provisioning" - que nos ensinou várias dicas para o aprovisionamento do barco.
- "Communcations" - também interessante e importante.
O Luis não pôde assistir aos 2 primeiros porque finalmente foi a bordo um electricista para ver se descobria alguma causa para o desgaste tão rapido dos zincos. Fez várias medições e chegou à conclusão de que tudo estava bem e não tinhamos nenhum problema. Aconselhou, claro, que levássemos mais zincos, e fossemos vigiando o desgaste.

Almoçámos no Real Club, na varanda, muito agradável.
E à tarde assistimos a mais um seminário:
- "Tips for Downwind Sailing" - também interessante.

Depois fomos fazer umas compras rapidas e regressámos ao Allegro, onde nos esperava a arrumação das compras do supermercado que tinham sido entregues nessa manhã.

Ao fim do dia, tivemos um "ARC+ Sundowner" - no parque da Federacion de Vela, mesmo ao lado dos escritorios da ARC. Bebemos um copo e provámos alguma carne de um dos fornecedores possíveis, e convivemos novamente com os outros participantes da ARC+. Desta vez sobretudo com um casal australiano que vai fazer a ARC+ sem outros tripulantes, só a dois.
Temos convivido mais com dois casais suíços, e dois casais alemães que estão no nosso pontão.

Estamos a 3 horas de largar para Cabo Verde.
Assim sendo vamos deixar a actualização desta última semana em Las Palmas para depois.

Hoje queremos só deixar fotos da subida do Luis ao mastro para fixar melhor o reflector de radar, e do mareato.

A previsão meteorologica é boa para a perna Las Palmas - Cabo Verde, que prevêem como uma perna rápida. Espero que não seja rápida demais!...

Hasta "Cape Verdes"!





 


MA


sexta-feira, 7 de novembro de 2014

LAS PALMAS - 13 A 31 DE OUTUBRO

Chegámos a Las Palmas na madrugada de 13 de Outubro e, depois do check-in, ficámos instalados no pontão K, cujo portão de acesso fica em frente da Rolnautica (loja de apetrechos náuticos), muito próximo da lavandaria e das casas de banho, e a meia distância dos dois cafés com rede wi-fi mais concorridos da Marina: o “Sailor’s Bar” e o “Pier 19”. Em frente do “Sailor’s Bar” vão funcionar os escritórios da WCC/ARC. Ficámos muito centrais.
A Marina é enorme, tem muitos barcos (mais de 400), e todos os dias chegam mais alguns. Estamos entre um barco australiano que vai fazer a ARC clássica e um barco espanhol, local, ao lado do qual está um barco alemão que fará a ARC+.
Nos bares da Marina, e na Rolnautica encontram-se diariamente velejadores de múltiplas nacionalidades. E mesmo fora da Marina, em muitas das lojas de Las Palmas, quase todas as pessoas sabem o que é a ARC.
Nos primeiros dias após chegarmos, aproveitámos para a lavagem da roupa, para nos reabastecermos de frescos, para usar a internet e actualizar o blog.
Tentámos arranjar wi-fi a bordo com a empresa que trata disso aqui na Marina, mas tem sido um fiasco. Anteriormente, a rede wi-fi na Marina não funcionava bem, mas era grátis. Agora é paga, mas continua a funcionar mal. O técnico já veio a bordo várias vezes, com vários tipos de antenas e dispositivos, já “ofereceu" uma semana grátis, mas o problema continua por resolver… É necessário wi-fi a bordo para configurar os programas de comunicação durante a navegação - enviar mails e receber cartas de tempo. Ainda não foi possível ter rede com a qualidade suficiente para esse fim. Há alguma falha com o “mailasail”, de software ou de hardware, que só se irá esclarecer dentro de uns dias quando vier o técnico da mailasail para Las Palmas (já está agendada a vinda dele a bordo).
Os estragos da viagem até aqui a Las Palmas foram rapidamente arranjados: a gaveta grande debaixo da mesa de cartas levou calhas novas, e já está boa.
O espelho do WC da proa que se descolou, e felizmente não caiu porque ficou preso na torneira do lavatório, já foi colado.


No Domingo 26 de Outubro, o Luis mergulhou para ver o estado do fundo do barco e dos zincos. O fundo está bem, ainda pouco sujo, não precisa de grande limpeza. Mas os zincos, colocados há apenas 4 meses em Lagos, já apresentam um desgaste considerável, o que significa que podemos ter uma passagem de corrente. Tem que ser identificada, se existir, e determinar-se qual o circuito responsável. Deveria ter vindo a bordo um electricista no dia 30 de Outubro, mas não teve possibilidade nem nesse dia, nem no dia seguinte. Como sábado foi feriado (dia de Todos os Santos) e hoje é Domingo, esperamos que venha amanhã. O tempo começa a ficar curto, e a correr mais depressa.
Na quinta-feira, 30, veio o mergulhador para substituir os zincos e limpar o hélice.
E quinta e sexta esteve no barco um carpinteiro a arranjar a borracha da teca do tecto do salão, pois está bastante danificada e temos constatado a entrada de alguma água quando chove ou se lava o barco.
O depósito de gasóleo foi enchido logo no dia da chegada a Las Palmas, tal como os “jerrycans” (6 de cerca de 20 litros; total cerca de 120 litros adicionais).
Já se combinou a inspecção do rigging com o “rigger” oficial da ARC, mas só vai ser feita no dia 6 de Novembro - demasiado apertado em tempo se for necessário corrigir alguma coisa, mas ele só chega a Las Palmas próximo dessa data…

Para além dos trabalhos a bordo, temos tido momentos mais descansados e de distracção também.

Aqui em Las Palmas fomos:
- ao Real Club Nautico de Gran Canaria - um clube náutico clássico, à espanhola, com muito movimento de sócios todos os dias, mas especialmente ao fim de semana. Tem um ambiente muito agradável, piscina, ginásio, restaurante amplo com vista para a piscina e a baia.










 - ao Museu da Marinha - situado dentro das instalações militares da marinha, é um museu pequeno, mas bem arranjado, e que valeu a pena visitar.
- à zona antiga de Las Palmas,  o bairro de Triana, a Vegueta, com a catedral como centro e monumento principal, e a "casa de Colón".







- e temos dado voltas à Marina para ver os veleiros grandes que vão chegando, e para irmos conhecendo outros velejadores também.
- dentro do recinto da Marina há um outro club náutico, o "Club Maritimo Varadero" do qual nos fizemos todos sócios "temporários" a troco de uma pequena quantia. O clube é simpático, tem wi-fi grátis, piscina, ginásio, sauna e... mesa de ping-pong e snooker. Sobretudo os nossos 3 tripulantes têm aproveitado muito as instalações e as facilidades do clube.
- ao Corte Inglês - não podia deixar de ser...
- a alguns supermercados e hipermercados.

No dia 19 de Outubro assistimos a um incêndio numa lancha na Marina-
Estávamos no "Pier 19" a beber um sumo e a utilizar o wi-fi, quando vimos passar três carros de bombeiros, com as sirenes ligadas. Quando viemos ver o que se passava, vimos fumo e labaredas, com origem na parte norte da Marina. Tinha sido uma lancha que se incendiara, e cujo convés ardeu completamente. Felizmente retiraram-na a tempo do pontão onde estava e rebocaram-na para a zona do travel-lift, de modo que os barcos vizinhos nada sofreram.
















Deste "Pier 19" temos tido também visões agradáveis, como a deste enorme paquete a sair do porto.








No Domingo, dia 26 de Outubro foi o dia do aniversário do Rui Castilho - 77 anos!
De manhã, a tripulação ofereceu-lhe uma prenda conjunta: um chapéu de cozinheiro e um avental, com a seguinte inscrição:


“Grand Chef 77
D. Rui de Castilho
Haute cuisinne à bord. Allegro”
E o logotipo do Allegro. Este foi um trabalho de design da Rita.

Fomos almoçar à Triana, próximo da Catedral.
Jantámos a bordo, terminando com um bolo de chocolate com duas grandes velas com o número 7, e espumante!
Mas os festejos não ficaram por aqui, porque no dia seguinte à tarde chegou a Anne Marie, e então a festa continuou com um jantar oferecido pelo Rui no Real Club Nautico.
E como já era tarde quando chegámos ao Allegro, e todos já estávamos cansados, o espumante a ser bebido com a Anne Marie teve que esperar por terça-feira, a bordo do Allegro, a seguir ao jantar. Parecia a festa de um casamento cigano...

Na 2a e 3a feiras alugámos um carro.
A Gran Canaria é uma das 8 ilhas do Arquipélago das Canárias. É uma ilha redonda, com uma pequena península na extremidade nordeste, onde se situa a capital das Canárias, Las Palmas, e a Marina.
É de origem vulcânica, como o resto do Arquipélago. Tem a forma de um cone, com o ponto mais alto da ilha situado no centro.
No primeiro dia fomos ver essa parte central da ilha, a montanha, na zona de Tejeda. É uma paisagem impressionante, majestosa e esmagadora. Um escritor (Unamuno) descreveu-a como a "tempestada petrificada". Valeu a pena a quantidade de curvas e subidas que tivemos que fazer para lá chegar.


No segundo dia fomos à parte Sul da ilha. Tínhamos ouvido falar muito na Praia do Inglês e nas Dunas de Maspalomas. Foi uma desilusão. A Praia do Inglês é um aglomerado de casas, prédios baixos, esplanadas de praia e zonas de toldos e cadeiras, carregado de turistas, mas de um tipo de turismo barato, nada agradável. Montes de lojas, restaurantes, gelatarias, etc, de... chineses. Fugimos dali mal pudemos, e riscámos essa praia do nosso guia turistico.
As Dunas de Maspalomas têm um acesso dificultado por inúmeros empreendimentos turisticos, e não se deixam ver...
Assim sendo, voltámos à estrada, que nessa zona passa por múltiplos túneis, e chegámos a um porto igualmente turístico, mas pitoresco, muito bem arranjado e agradável - o Puerto Mogán.


Aí aproveitámos para almoçar. Picámos "pulpo", "pimientos padrón", "tortilla", gambas a l'ajillo"...





MA



quinta-feira, 16 de outubro de 2014

LANZAROTE - FUERTEVENTURA - GRAN CANARIA

Quarta-feira 8 de Outubro de 2014

Lanzarote - Fuerteventura

Passagem feita parcialmente a motor porque havia muito pouco vento. Mar chão, céu limpo, vento regular, tudo tranquilo.

Dirigimo-nos para Puerto del Castillo, a marina que nos fora indicada em Puerto Calero.
Com péssima sinalização, onde faltava inclusivamente uma boia cardinal Sul, numa zona em que a sonda reduzia rapidamente de 200 para menos de 5 metros e depois ainda para menos (3 m) numa pequena extensão, ao longo do estreito canal de entrada.

Sem resposta à chamada por VHF, a entrada e a saída processaram-se sem 
problemas.
Um “marinero” informou-nos que não havia lugares (estavam em vésperas de um campeonato de pesca) e aconselhou a marina de Gran Tarajal.
 
Felizmente já tínhamos almoçado um spaghetti Carbonara feito pelo Rui, que estava óptimo...

Continuámos para sul, decididos, na altura, a seguir directamente para Las Palmas, mas algumas milhas e cerca de 4 h depois acabámos por atracar na tal marina de Gran Tarajal cheia de lugares livres. E assim voltámos ao plano inicial - conhecer mais esta ilha.

Sexta-feira 10 de Outubro de 2014

Fuerteventura é também uma ilha bastante árida, montanhosa, embora com cores mais acastanhadas e com poucas zonas negras. Entre montanhas há uma zona de dunas, e de praias de areia branca. 



 
Para alugar um carro para explorar a ilha tivemos que ir de autocarro (chamado "guagua" aqui nas ilhas e que se diz “guágua”) até Morro Jalbe, no sul, pois em Gran Tarajal não existe serviço de "rent a car".



Morro Jalbe é uma zona de turismo de massas, cheia de hotéis, centros comerciais e, claro, montes de turistas. Tem uma praia muito extensa, ao longo de Km, e no porto, uma marina pequena e pouco desenvolvida.
 


Percorremos a costa sul até ao farol de Punta de Jandia, e depois subimos os montes, por estradas secundárias, péssimas sobretudo para o carro, até à costa Oeste - mais agreste, com ondas e mar mais batido.
Almoçámos mexilhões e tortilhas num restaurante no meio dos montes (Cofete).

Aí tivemos a sorte de assistir a uma festa de aniversário peculiar e muito agradável. Foram chegando várias pessoas, com todo o tipo de instrumentos de corda - violas, guitarras, cavaquinhos e de percussão - pandeiretas, reco-recos, matracas, um pequeno tambor. E iniciaram um espectáculo entre amigos, com música e vários cantores, tipo desgarrada, que foi muito interessante e agradável para nós!
Passámos o resto do dia a visitar a parte noroeste da ilha a caminho de Betancuria.
 
Betancuria é uma vila histórica e antiga capital de Fuerteventura, onde tudo encerra às 1700 horas. Tudo é mesmo tudo, até casas de banho...


 

Acabámos na "Casa de los Quesos" a provar os queijos de cabra da ilha.






Sábado 11 de Outubro de 2014

Fomos entregar o carro ao mesmo local, e aproveitámos para fazer praia.
A água tem uma temperatura óptima (24 graus), e, quando o sol descobriu (porque apanhámos chuva...), uma cor esverdeada muito bonita.
 









O regresso foi penoso, com uma espera prolongada pelo "guagua", mas lá chegámos a Gran Tarajal ao anoitecer.
 
Passámos por uma rotunda com estas esculturas, obra de uma artista cubana.






Domingo 12 de Outubro de 2014

Largámos para Las Palmas ao meio dia (parece ser a hora preferida para largarmos).
Içámos a vela grande no primeiro rizo porque além de se prever um aumento do vento no canal íamos, também, cruzar as zonas de aceleração, onde a intensidade do vento pode aumentar muito em pouco tempo.
Com a genoa toda aberta e o mar com ondas < 2 m, fomos seguindo, ligeiros, com a velocidade aumentando progressivamente para os 6, 7 e, depois 8 nós e picos de 8,5+ nós. A velocidade máxima registada foi 9,0 nós, o que para o Allegro (e carregado como está) é realmente muito bom.
As condições mantiveram-se assim durante quase toda a travessia, com ventos de través, tendo a passagem sido agradável e rápida.
A aproximação a Las Palmas feita durante a noite decorreu como é costume nos portos maiores, onde a intensidade das luzes em terra tende a obscurecer a das bóias de navegação. A boia de estibordo, a primeira a ser visualizada (tem um alcance de 10M) foi esbranquiçada quase até à entrada, tendo passado, então, a um verde descorado.
Atracámos às 0400h no pontão de espera onde ficámos até às 0930h.

(LA+MA)