Allegro (no Mediterrâneo)

Allegro (no Mediterrâneo)
Allegro nas Baleares

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

LANZAROTE – VISITA À ILHA


A Ilha de Lanzarote tem sido uma agradável surpresa.

Parque Nacional de Timanfaya
Primeiro, pela paisagem.
É uma ilha com clima muito seco, muito árida e com uma extensão muito considerável da sua superfície coberta por lava – o que dá origem a uma paisagem negra. Tem várias elevações, algumas bastante altas, que correspondem, na sua maioria, a antigos vulcões (houve múltiplas erupções em diversos locais). 
 
Todas as casas da Ilha estão pintadas de branco, incluindo os telhados, quando existem, porque muitas delas têm açoteias para recolher a (pouca) água das chuvas. O contraste do negro da terra com a brancura das casas é muito bonito. 


Na parte da ilha com grande extensão coberta de lava, os jardins das casas são de terra negra, alisada, e salpicada por pequenos canteiros de cactos, uma ou outra palmeira e, por vezes, uma nota de cor de alguma flor que consiga sobreviver neste clima seco e solo vulcânico. Tudo isto muito bem tratado. Incrível! 

A plantação de vinha é feita dentro de pequenos muros, semicirculares ou rectos, igualmente de pedra negra, para protegerem as plantas do vento. Tudo o que é horta ou outras culturas, tem sistemas de rega gota a gota… 
A organização que está por trás de tudo isto tem que ser muito boa.



Depois, pelas pessoas.
Simpáticas, acolhedoras, prestáveis, alegres. Entendem que a sua vida está dependente do turismo e do serviço que prestam aos visitantes, e fazem-no com muita simpatia. Nalguns lugares, os ilhéus são muito fechados e pouco alegres, aqui temos encontrado o contrário.



Alugámos um carro e passeámos pela ilha durante 2 dias (dias 3 e 4 de Outubro).

No 1ºdia fomos visitar a parte sudoeste da ilha.

 



Visitámos o Parque Nacional de Timanfaya - impressionante pela enorme extensão de terra coberta de lava. Uma paisagem de terra negra e vários vulcões extintos.

 

No centro mostraram-nos umas fumarolas, onde, pela temperatura muito elevada, queimavam pequenos paus, e onde despejavam água que era expelida segundos depois em forma de geiser – o que mostra que ainda se mantém alguma actividade vulcânica...



 
Ainda no Parque Timanfaya demos uma volta de camelo em alusão ao transporte antigamente utilizado na ilha.




Demos a volta pela costa sudoeste, agreste e igualmente com rochas vulcânicas e almoçámos num local alto com vista para o mar - uma parrilhada de carne.

Salinas
 


Restaurante "Casa Emiliano"


A seguir ao almoço, descemos novamente para a costa e visitámos a Marina de Rubicon, no Sul.

Marina de Rubicon
Distâncias a não esquecer...


 












 No 2ºdia fomos para este e norte da Ilha.
Começámos por visitar a casa de José Saramago.



 

Demos com um guia ideal, um senhor muito amável e simpático, que nos levou a fazer a visita da casa e do edifício onde foi instalada a biblioteca de Saramago. 


 
A visita da casa acabou na cozinha (simples, caseira e muito acolhedora), onde nos foi oferecido um café – porque, segundo nos disse o guia, Saramago recebia sempre os seus visitantes oferecendo-lhes um café, que era tomado ali naquela cozinha. 
 


O jardim, com uma larga vista de mar, e a cadeira onde Saramago se sentava ao final do dia, foi a última parte da visita à casa.

 







Foi muito interessante. E mostrou-nos uma faceta mais agradável do nosso Nobel do que aquela que nos habituámos a ver.



Visitámos também a Fundação César Manrique, artista lazarotenho com muitas intervenções imaginativas em vários pontos da Ilha.


























O almoço foi uma parrilhada de peixe numa vila piscatória, num restaurante à beira mar, onde provámos o vinho de Lanzarote, o “Bermejo”.

 




Depois fomos ao "Jardim dos Cactos", recinto com múltiplas espécies diferentes de cactos.

Jardim dos cactos

















Mais tarde fomos ver os “Jameos del Agua”, uma enorme gruta subterrânea, com uma lagoa interior, resultante da comunicação de um túnel vulcânico com o mar. Está muito bem decorada e aproveitada (por César Manrique); ali fazem concertos e jantares; no outro extremo, que é a céu aberto e num local mais elevado, existe uma bacia de água que foi aproveitada para fazer um lago tendo o fundo sido pintado de branco. Mais uma vez, o contraste do preto das pedras e rochas com o branco do lago e o azul da água, fica deslumbrante.


 









 





  








Acabámos o passeio no Mirador del Rio, de onde se vê a pequena ilha a norte de Lanzarote – La Graciosa.
 










(MA + LA)

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

ÚLTIMA SEMANA E LAGOS - LANZAROTE

Amanhã é o primeiro dia da última semana.
Sábado já vamos estar a caminho!




E estávamos!

Aquela semana passou quase sem nos darmos conta do que havia ainda para fazer e do que se ia fazendo.
A meio da semana a tripulação juntou-se a nós passando, também, a colaborar nos últimos preparativos.
O Allegro, cada vez mais pesado, foi aceitando no seu interior mantimentos, água e diverso material.
Finalmente a semana chegava ao fim. Os afazeres foram, então, substituídos pela Família a 100%.


Noite de Sexta-feira 26 de Setembro de 2014

Jantámos com os Filhos e Netos e também com o meu Sogro e com o Zé Pedro e a Lena. Foi um jantar agradável.
Depois encontrámo-nos, Pais, Filhos e Netos, no bar do Hotel onde o Miguel e a Família ficaram para estarmos, mais um pouco, uns com os outros. Proporcionaram-nos um resto de noite que não esquecemos. A Virb não terá sido, afinal, senão o pretexto  para nos juntarmos. A História dos Avós, os desenhos com os comentários deles, a sequência de fotografias, a presença de todos e o ambiente gerado deixou uma recordação clara e rica que vai perdurar durante estes dois anos. Ficámos mesmo de barriga cheia!


Sábado, 27 de Setembro de 2014

Os preparativos iam ainda atrasados quando todos começaram a chegar. Familiares, Amigos, Tripulantes. Sim, o resto da tripulação veio de Lisboa, expressamente, para compartilhar os primeiros momentos da aventura de todos nós – Anne Marie, Teresa, Ricardo e Margarida.

Depois das fotografias e das despedidas finais (sempre difíceis), acabámos por partir com coisas em lugar ainda não definitivo (o que não é assim uma raridade tão grande...).





Largámos às 1200 horas. Em ponto. Curiosamente ao som do repicar de um sino (ou mais?) da cidade de Lagos.

 

 








 










As primeiras milhas foram percorridas a motor porque o vento mal dava para nos fazer avançar (NE fraco).
Ás 1500 apareceram golfinhos e às 1530 desligámos o motor.


 Às 1600 o Hydrovane foi afinado e passou a controlar a rota. As expectativas eram grandes em relação ao seu desempenho depois do “upgrade” a que fora submetido.
O resto do dia e noite de sábado decorreram sem dificuldades, apenas a instalação progressiva de uma ondulação de SW prejudicava o início da viagem.


Domingo 28 de Setembro de 2014

 


Durante o Domingo as condições meteorológicas mantiveram-se boas.






O vento voltou a cair e pelas 0330 o motor foi novamente ligado tendo ficado a trabalhar até às 1800. Depois disso só voltou a ser ligado pelas 0200 do dia seguinte.








Raramente tínhamos 10 nós de vento, geralmente andava pelos 6 - 8.
Choveu, com alguma intensidade, por dois ou três pequenos períodos.
O rumo foi-se mantendo nos 210°.



Sempre que o motor é ligado o “Índio” é dispensado das suas funções e substituído pelo piloto automático electrónico. É frequente os pilotos, o electrónico ou os de vento, terem um nome ou alcunha, e serem tratados de uma forma mais “próxima” devido ao inestimável serviço que desempenham a bordo; o nosso foi assim baptisado em 2000 aquando do Brasil 500.





Segunda-feira 29 de Setembro de 2014

De acordo com a previsão, as condições meteorológicas começaram a deteriorar-se.
A madrugada e parte da manhã tinham sido feitas a motor que foi desligado pelo meio dia com o vento já fixado nos quadrantes Norte e com uma intensidade a aumentar de forma progressiva e continuada.
A meio da tarde, ainda com Força 4, decidi colocar um riso na grande, manobra que correu bem. O Allegro adquiriu outra estabilidade não tendo havido perda significativa da velocidade.
A medida cautelosa mostrou-se completamente adequada no início da noite quando o vento subiu para Força 5 e durante a madrugada para Força 5-6.
Durante este dia a altura das ondas foi de ±1,5m.


Terça-feira 30 de Setembro de 2014

As condições meteorológicas continuaram a sofrer um agravamento durante todo o dia.
O vento aumentando durante a madrugada e manhã atingiu Força 7 (com picos raros de 35 nós) e assim ficou até por volta da hora do almoço tendo, depois, baixado para Força 6.
O mar cresceu e a agitação no interior do Allegro também. Há coisas que só assim são convenientemente estivadas.
Durante todo este período, e fruto da agitação do mar e do vento, a VG cambou por 3 vezes (duas durante a madrugada e outra já de manhã).
É uma experiência muito desagradável. Uma falha material pode dar origem a um situação muito grave.
A cambadela tem uma força enorme, a vela vai de um para o outro bordo numa fracção de segundo e a retranca projectará qualquer objecto que encontre no seu caminho borda-fora.
A tensão no preventer, que tinha sido aumentada foi-o novamente.
Os quartos de noite foram reforçados para fazer face à situação tendo sido necessário fazer leme à mão algumas vezes.


Quarta-feira 01 de Outubro de 2014

A partir de quarta-feira as condições meteorológicas melhoraram progressivamente. Melhoria lenta mas progressiva das condições de navegação.


Quinta-feira 02 de Outubro de 2014

Continuação prevista de melhoria das condições atmosféricas (vento Força 4 passando a 3 e atenuação da ondulação).







Pelas 0330 horas avista-se Lanzarote.
Alteração de rumo, com o Hydrovane, às 0400, 0515 e 0730.






Chegámos à Marina de Puerto Calero pelas 1200. Bem!





A Marina é ampla, protegida e com bons serviços. A segurança é muito boa.
Os funcionários são bem educados e prestáveis e informam sobre qualquer assunto.
O balneários são espaçosos e limpos.
A internet é fiável mas dão só uma password por lugar de atracação (depois conseguimos outra).

Depois de um duche prolongado foi altura de uma cerveja num dos bares da Marina.
E depois lavar e arrumar o Allegro, alugar um carro para o dia seguinte, jantar e descansar.



 
Comentários
(sob esta rubrica faremos um ou outro comentário que nos pareça ter interesse, referente à descrição acabada de fazer ou não)

Hydrovane – inexcedível! Ou como uma pequena porta de leme comandada por uma pá dirigida pela força do vento, consegue controlar e recolocar no rumo certo uma embarcação com 19+ toneladas a navegar com ondas de 4m e vento de Força 7

Tripulação - adaptação a duas novas realidades – uma, a vida a bordo de uma embarcação sempre em movimento e com espaço limitado para cada um; a outra, a adaptação e integração individual no grupo.

Medidas cautelosas e oportunas – rizar sempre a tempo
A cambadela ...

(LA)

domingo, 21 de setembro de 2014

RECTA FINAL

21 de Setembro de 2014!

Entrámos na recta final, na semana em que vamos largar em direcção à realização de um sonho antigo que desejamos concretizar.

Para partilhar este período da nossa vida com aqueles que nos são mais próximos vamos utilizar este blogue. Blogue que está a arrancar neste momento mas que continuará, por mais algum tempo, a ser melhorado. Com o tempo as diferentes páginas serão publicadas e completadas.
O blogue será construído por mim (LA) e pela minha "Patroa de Alto Mar" (MA). É nosso desejo actualizá-lo diariamente (na medida do possível).
Através dele vamos partilhar aspectos ora mais ora menos técnicos, experiências pessoais, curiosidades, pormenores de uma ou outra situação que tenha deixado uma impressão mais marcada.
Não desejamos escrever "um livro", antes ir relatando de uma forma despreocupada o que de mais importante for acontecendo.

A preparação do barco tem sido demorada e morosa. Às vezes complicada.
Essa a principal razão de este blogue ter demorado tanto tempo a surgir.

Tenho uma tripulação que me agrada, em quem tenho confiança e que tem vivido a preparação com entusiasmo.

Temos, todos, uma grande vontade de concretizar este sonho, de aproveitar tudo quanto uma viagem destas nos pode trazer.
Problemas e dificuldades vão surgir - não podia ser de outra forma num empreendimento desta natureza - desejamos que sejam bem ultrapassados.
Olhamos com curiosidade para a frente à espera do que estes quase dois anos nos vão proporcionar.

Amanhã é o primeiro dia da última semana.
Sábado já vamos estar a caminho!

(LA)